Algumas razões pelas quais não confio na Wikipédia...

1. O seu modelo presta-se facilmente à corrupção;
2. É editada por anônimos, às vezes garotos de 20 e poucos anos, com rasos conhecimentos daquilo que escrevem;
3. Servem a interesses ideológicos de grupos específicos;
4. É manipulada para fins diversos;
5. Não se sabe exatamente quantos editores existem;
6. São enormes as evidências de que pessoas fazem uso dela em benefício próprio;
7. Há interesses financeiros envolvidos;
8. Não é democrática como se supõe;
9. É utilizada muitas vezes como veículo de doutrinação, como no caso do darwinismo, que manipula suas páginas conforme seus próprios interesses;
10. É pobre de conteúdo, sendo em muitos casos meras traduções da versão inglesa.

É isso!

Dr. Erasmus Darwin, o médico e o monstro


Lendo recentemente o famoso livro de Mary Shelley, “Frankenstein ou o Moderno Prometeu”, dei por conta do nome do Dr. Erasmus Darwin (avô do naturalista inglês Charles Darwin), o qual juntamente com outros cientistas da época serviram como fonte de inspiração à autora no processo de criação deste clássico da literatura universal, considerado o maior romance de terror de todos os tempos.

Para quem não sabe, Erasmus Darwin foi um dos estudiosos europeus que aderiram à crença no Galvanismo, uma teoria fundada no final do século XVIII por Luigi Galvani, médico italiano e professor de Anatomia da Universidade de Bolonha. Os adeptos desta bizarra teoria realizavam experimentos com estímulos elétricos em animais e cadáveres com o intuito de curar enfermidades e até animar defuntos.

O nome do avô de Charles Darwin aparece já no início do livro, quando a autora passa a explicar a origem da história e os motivos que lhe serviram de estímulo na elaboração da obra:

Muitas e longas eram as conversas entre Lord Byron e Shelley às quais eu assistia como ouvinte devota, mas silenciosa. Durante uma delas, discutiu-se sobre várias doutrinas filosóficas e, entre outras, sobre a natureza do princípio da vida, e se havia possibilidade de ele ser descoberto e comunicado a algo. Eles falavam das experiências do Dr. Darwin (não me refiro ao que o doutor realmente fez ou disse que fez, mas no meu próprio interesse, no que se falava que ele teria feito), que havia guardado um pedacinho de vidro até que, por algum meio extraordinário, ele começou a se mover voluntariamente. Afinal de contas, não era assim que a vida devia ser criada. Talvez se pudesse reanimar um cadáver; as correntes galvânicas tinham dado sinal disso; talvez se pudesse fabricar as partes componentes de uma criatura, juntá-las e animá-las com o calor da vida”.

Mais adiante, no Prefácio do livro, Shelley cita mais uma vez o nome do Dr. Erasmus Darwin, o qual segundo a autora lhe dava a entender que o fato sobre o qual se fundamentava a ficção não seria algo impossível de acontecer:
O doutor Darwin e alguns fisiologistas alemães têm dado a entender que o fato sobre o qual se fundamenta esta ficção não é impossível de acontecer. Não se deve pensar que eu alimente a menor crença em tal imaginação; no entanto, admitindo-a como a base de obra de fantasia, eu não me considerei como apenas tecendo uma série de terrores sobrenaturais. O fato do qual depende o interesse da história está isento das desvantagens de um simples conto de espectros ou encantamento. Foi sugerido pela originalidade das situações que ele desenvolve e, conquanto impossível como um fato físico, proporciona um ponto de vista à imaginação, para o delineamento das paixões humanas mais compreensivo e imperioso do que podem oferecer quaisquer umas das relações comuns dos acontecimentos reais.”

Já no enredo da história, o Dr.
Victor Frankenstein, aquele que arquitetou e consumou a criação do terrível monstro, quando na tentativa de criar a versão feminina desta criatura, faz menção de umas tais descobertas realizadas por cientistas da Inglaterra, país onde nasceu e viveu o Dr. Darwin, e para onde ele planejava viajar na busca de novos conhecimentos para seu novo empreendimento científico:
A criação de uma fêmea significava a volta ao meu trabalho nefando de outrora, meses e meses de estudos e pesquisas laboriosas. Ouvira falar de umas descobertas que tinham sido feitas por um cientista inglês, cujo conhecimento era importante para o meu êxito, e por várias vezes cogitei de acertar com meu pai minha viagem à Inglaterra, sem, naturalmente, dar-lhe a conhecer o meu real objetivo.” / “Lembrei-me também da necessidade de viajar à Inglaterra ou manter uma correspondência, certamente longa, com os cientistas daquele país, cujas recentes descobertas eu considerava de utilidade indispensável ao empreendimento que tinha de realizar. Esse, porém, seria um meio por demais demorado e insatisfatório de obter as informações que desejava.”

O avô de Charles Darwin, que era membro de uma tal Sociedade Lunar (“
Lunar Society of Birmingham”), é também considerado um dos fundadores do evolucionismo, ao lado de Spencer e outros nomes. Esta sociedade tinha por finalidade buscar novos conhecimentos que combatessem o “obscurantismo religioso”. Paradoxalmente, porém, o Dr. Darwin fez do seu naturalismo extremo sua própria religião, chegando mesmo a afirmar que as plantas tinham alma e por isso eram capazes de expressar emoções. Talvez isso explique em partes porque seu famoso neto, Charles Darwin, o ignorou quase que completamente em suas obras.

É isso!

Tráfico de fósseis: negócio da China

Deu nos jornais recentemente que “Tráfico de fósseis leva 50% de tesouro do Araripe”:No caso do Araripe, essa preservação pode chegar a níveis espetaculares, revelando tecidos moles (pele e até vasos sanguíneos dos bichos de 100 milhões de anos). "É o material que acaba dando capa da "Nature" e da "Science" para o paleontólogo", diz Marcos Fontenele Sales, da Universidade Federal do Ceará, referindo-se às duas principais revistas científicas do mundo.

Pois é...
Stephen Jay Gould tinha lá boas razões para escrever: “
A extrema raridade das formas de transição no registro fóssil persiste como "segredo do negócio" (“O Polegar do Panda”, p. 162). E, diria eu: "negócio da China". ((rs))

É isso!

Sobres "ismos" e outras coisas mais...

O sufixo “ismo”, como todos sabem denota doutrinas, sistemas religiosos, filosóficos, artísticos, políticos, científicos etc. Por exemplo: calvinismo, bramanismo, budismo, materialismo, espiritismo, socialismo, capitalismo, federalismo, gongorismo, simbolismo, modernismo, impressionismo, criacionismo, darwinismo, evolucionismo, tedeísmo, mendelismo, lamarckismo, pontualismo, entre outros.

Os mais alvoroçados devotos de Darwin costumam implicar com o uso desse sufixo, alegando que é besteira falar em “darwinismo” ou “evolucionismo”, uma vez que ninguém diz “gravitacionismo”, “
terra-redondismo" e outras asneiras de igual teor. Alguns até chegam a acusar os criacionistas de usarem tais termos numa tentativa de desqualificar a teoria evolutiva como lídima ciência. A velha mania de perseguição.

Bom. Segundo o Dicionário Oxford de Filosofia, o termo
evolucionismo, por exemplo, significa: “Doutrina desacreditada do final do século XIX, e início do século XX que associa as mudanças evolutivas a uma concepção progressiva da mudança social, a atitudes positivas perante a competição e a guerra e à justificação das desigualdades de poder” (p. 132). Já para o Dicionário de Filosofia da Loyola: O termo 'evolucionismo' pode ser tomado em um sentido relativamente amplo para designar o lamarckismo, o darwinismo, assim como sistemas filosóficos do tipo de Spencer , ao qual Darwin também se referiu no mencionado "esboço histórico”.

Certa feita, num desses banais debates de Internet, um darwinista me saiu com essa:
“Darwinismo é o modo como a Evolução se processa. Ou seja, por seleção natural (que foi a grande proposta de Darwin). Evolução, os cientistas já sabem que acontece muito antes de Darwin. Lamarck foi uma prova disso. Porém, não só de Seleção Natural vive a Evolução. O Dr. Kimura contestou o darwinismo, não a Evolução. Eldredge e Gould contestaram o darwinismo, não a Evolução. Inclusive Behe contestou o darwinismo, não a Evolução.” O problema com este tipo de argumento recai sobre a confusão que se faz entre a Teoria da Evolução com a “evolução” em si. Acreditar que os seres vivos mudaram ao longo do tempo, não pode ser tomado como sinônimo de acreditar que ela (a evolução) tenha ocorrido da maneira como dizem por aí os defensores da teoria evolucionista.

Quanto ao emprego do
termo criacionismo, até o fim do século XIX não parece ter sido comum o seu uso, embora pelo que me consta, Darwin foi um dos que primeiro se utilizou dele. Alguns críticos afirmam que o movimento criacionista ("Young-Earth Creationism") teve sua origem nas décadas de 1950 e 1960, como conseqüência da influência das obras do geólogo George Mac Cready Price, o qual escreveu muitos livros criticando o evolucionismo, de 1902 até 1941. Outros afirmam que o “ismo” de criacionismo se justifica devido sua adoção por grupos de pressão política, como a Maioria Moral, nos Estados Unidos. Segundo o professor Eduardo Lütz (da UFRGS), os cientistas criacionistas mais conhecidos foram: Newton, Maxwell, Hamilton e Einstein. Ele acrescenta ainda: Kepler, Pascal, Leibnitz, Davy, Faraday, Ramsay entre outros. Lembrando também que o mesmo termo “criacionismo” designou outrora um movimento vanguardista personalizado por Vicente Huidobro, e instituído pelo manifesto Non Serviam.

É isso!

Arthur Conan Doyle e o "cérebro superior de Darwin"

“Os tambores indígenas soaram assim durante toda a noite e, diante dos indígenas e mestiços evidentemente apavorados, pude notar que Challenger e Summerlee possuíam a singular coragem científica, do mesmo tipo daquela que sustentou o ânimo de Darwin, entre os gaúchos argentinos, e o de Wallace, entre os degoladores da Malásia. A natureza misericordiosa deu a esses homens de cérebro superior uma espécie de inconsciência do perigo, que lhes permite afrontar o desconhecido em busca da verdade” (p. p. 55).
Arthur Conan Doyle (1859-1930), em “O Mundo Perdido
É isso!

Quando Darwin cita Paley...

“A seleção natural não pode determinar num indivíduo uma conformação que lhe seja mais nociva do que útil, porque somente pode atuar por e para seu bem. Como Paley o fez notar, órgão algum se forma com o fim de causar uma dor ou um prejuízo ao seu possuidor. Se se estabelece justamente a balança do bem e do mal causados por cada parte, aperceber-se-á que por fim cada uma delas é vantajosa. Se, no decorrer dos tempos, nas condições de novas existências, uma parte qualquer se torna nociva, modifica-se; se assim não for, o ser extingue-se, como tantos milhões de outros seres se extinguiram antes dele."
Charles Darwin: "A Origem das Espécies", p. 222.

É isso!

Eu li isso...

"Na verdade, quando o Origem das Espécies foi lançado não houve grande impacto, tendo sido confundido com uma nova versão do Vestígios. O fato de ter-se esgotado no mesmo dia pode ser parcialmente explicado por isso e pelo fato de a tiragem ter sido reduzida (1250 exemplares).
Aliás, a informação de que "se esgotou no mesmo dia" parece contar um pouco de exagero. O livro foi lançado em meados de novembro de 1859 e Darwin só soube que estava tendo boa saída dois meses depois, através de uma carta recebida por sua esposa. Escreveu emocionado, a 14 de janeiro de 1860: "Somente hoje eu consigo que ele (meu livro) se difunda largamente; porque, em uma carta que Ema recebeu hoje, a dama que lhe escreveu conta que ouviu que um senhor pediu meu livro na estacão da estrada de ferro, na ponte de Waterloo, e o livreiro respondeu que não o teria enquanto não saísse a 2a edição" (Nélio Bizzo: "O que é Darwinismo". Editora Brasiliense, 1989, P. 26).

É isso!

Dawkins: Torquemada às avessas

Em 1231 o papa Gregório IX, sob a alegação de combater os hereges, instituiu o temido Tribunal da Inquisição. A partir dali, todos os esforços empreendidos pela Igreja mediante o Santo Ofício tinha por objetivo o aniquilamento da heresia e a eliminação do herege. A par disto, portanto, pode-se concluir que o estabelecimento da Inquisição como uma instituição jurídica e religiosa, foi a mais drástica de todas as medidas impostas pela Igreja contra os chamados hereges. O “herege”, segundo o “Manual dos Inquisidores”, escrito pelo dominicano Nicolau Eymerich, em 1376, é quem se apega intransigentemente ao erro, pertinácia essa cuja expressão é a recusa de abjurar”.

O “erro”, segundo os inquisidores, podia ser sintetizado num único ponto: discordância ou contestação das verdades estabelecidas pela Igreja dominante. Dessa maneira: os excomungados, os que se opunham às regras eclesiais, os que contestavam a autoridade dos bispos e padres, os que cometiam “erros” na interpretação dos livros considerados canônicos, os que iniciavam uma nova seita ou os que aderiam a uma já existente, os que não aceitavam as doutrinas e sacramentos e os que duvidavam da fé cristã eram igualmente considerados hereges, estando, portanto, sujeitos às duras penas estabelecidas pelo Santo Ofício, dentre as quais a morte numa fogueira. O mais temido entre todos os inquisidores foi Torquemada, que transformou a Espanha numa verdadeira agência de terror.

Mas, onde entra Richard Dawkins em toda esta história?

Pois bem. É sabido que a inquisição medieval foi na sua essência marcada pela intolerância. A Igreja via nos seus dogmas um único referencial de fé para o mundo. Discordar daquilo que ela estabelecia como verdade significava uma afronta que deveria ser radicalmente combatida. Assim, por exemplo, a indulgência, o mais absurdo dos dogmas, deveria ser aceito como correto e dentro dos padrões da verdade. Não havia, pois, outras verdades além daquelas que a igreja estabelecia como tal. Tudo o que ela decretava como correto e verdadeiro, seja no âmbito da fé ou da razão, deveria ser aceito sem questionamentos. Desta forma, se a Igreja afirmava que o Sol girava em torno da Terra, ainda que existissem provas contrárias, prevalecia a arbitrária “verdade” da igreja.


Todos conhecem o caso do cientista italiano Galileu Galilei que, por apoiar a teoria de Copérnico, de que o Sol (e não a terra) constitui-se o centro do nosso sistema planetário, foi preso pela Inquisição, tendo de negar suas convicções, uma vez que isto ia de encontro ao que ensinava a soberana Igreja, a “legítima” representante de Deus na Terra. Igualmente, por declarar a Bíblia como única regra de fé, John Wyclif e seus principais seguidores foram todos destruídos.
O mesmo aconteceu com João Huss que, havendo comparecido ao Concílio de Constança para se justificar sob o ponto de vista doutrinário, foi considerado herético e executado, não obstante possuir um salvo-conduto dado pelo imperador germânico.

Neste ponto, ou seja, no âmbito da intolerância, é que Richard Dawkins faz às vezes de um Torquemada às avessas. Na sua busca por respeitabilidade científica para sua crença no “Darwinismo Universal”, ele chega ao ponto de colocar a Seleção Natural do lado de uma divindade.
Em um de seus livros escreveu: Se eu estou correto, isso significa que mesmo que não exista qualquer prova factual para a teoria de Darwin, é certamente justificável aceitá-la acima de todas as outras teorias”. Em outra ocasião declarou: "Penso que é possível argumentar que a fé é um dos maiores males do mundo, comparável ao vírus da varíola, porém mais difícil de erradicar. A fé, sendo uma crença não baseada em provas, é o principal vício da religião. E mais: Não estou atacando nenhuma versão específica de Deus. Estou atacando todos os deuses, toda e qualquer coisa que seja sobrenatural, que já foi e que ainda será inventada”. Nem mesmo àqueles que tentam harmonizar a Teoria da Evolução à fé são poupados de sua sanha avassaladora. Numa entrevista à revista Veja, quando perguntado se um cientista não podia ser religioso, respondeu: "Pode, e muitos cientistas são. Mas eu não consigo entender suas razões. Talvez seja um tipo de cérebro repartido: eles mantêm suas crenças religiosas em um nicho, e a ciência em outro. Tenho dificuldade em simpatizar com isso.”

Muitos dos que se colocam ao seu lado nesta inquisição às avessas justificam esta militância fanatizada de Dawkins como uma defesa necessária à causa da ciência, acirrando assim ainda mais a velha peleja religião/ciência.

Na Idade Média os inquisidores viam no “herege” uma ser desprovido de razão, um tolo ou um demente que não merecia compaixão. Richard Dawkins, por sua vez, com uma intolerância inquisitorial, qualificou todos aqueles que negam a evolução como pessoas ignorantes, estúpidas ou insanas. Por tudo isso merece com todas as pompas darwinianas o título destacado de
“Torquemada às avessas”.

É isso!

O mito da originalidade de Darwin

Impressiona o fato de boa parcela dos devotos de Charles Darwin ignorar os eventos que antecederam à divulgação das teorias deste naturalista. Muitos, por puro deslumbramento, vêem Darwin como o ícone exclusivo da “evolução”. Esquecem-se ou mais acertadamente desconhecem o fato de que o conceito de “evolução”, ou seja, mudanças no decorrer do tempo, não nasceu com o “A Origem das Espécies”. Em vez disso, porém, refere-se a um fenômeno cultivado inclusive na antiga Grécia.

Muitos estudiosos apontam os gregos Empédocles (que viveu de 490 a 430 a.C.) e Heráclito (que morreu por volta de 480 a.C.) como aqueles que primeiro conceberam a idéia de evolução. Esta questão foi muito bem abordada por José Osvaldo de Meira Penna, em seu interessantíssimo livro “Polemos: uma análise crítica do darwinismo”, publicado pela conceituada editora da UnB (Universidade de Brasília):

"A mitologia grega — podemos inicialmente assinalar — registra personagens e episódios que sugerem uma vaga intuição do fenômeno da evolução. Insinuam, pelo menos, a idéia de uma certa comunidade de origem do homem com toda a vida do planeta. Se é verdade que a concepção do mundo helênica comportava, essencialmente, uma crença na degenerescência ou queda da perfeição original, crença implícita no mito da Idade de Ouro, algumas lendas merecem atenção no sentido de induzirem a possibilidade de progresso na espécie humana, ou de um salto do animal para o homem.” [...] “Seres meio-animais, meio-homens, existiam em abundância na mitologia grega: os centauros, as amazonas, as sereias, os sátiros, a Esfinge que procede do Egito, o Minotauro que recorda a civilização de Creta, etc.” (P. 13).


“Na recorrência cíclica das idades que Empédocles parece conceber, de acordo aliás com a crença geralmente dominante em sua época, encontramo-nos, nós homens incompletos, num período de desordem e decadência. Uma conjuntura provocada por neikos. Na fase lamentável do presente é que ocorre a seleção entre os seres monstruosos e os seres adequadamente adaptados. Empédocles chegou a uma espécie de teoria da evolução pelo exercício da experiência e do erro. Infelizmente, nas lutas que também afetaram os documentos históricos e as obras dos grandes gênios da Antiguidade, não sobreviveram em número suficiente fragmentos que nos oferecessem uma descrição pormenorizada do processo por ele sugerido. Eis por que não é de admirar haja sido nosso charlatão-cientista-filósofo-poeta-místi
co descrito como um precursor da teoria evolucionista de seleção natural.” (p. 25).

“No mundo dos opostos regido pelas Parcas, a luta pela vida é responsável pelo desabamento do reino primordial do amor. Como que se descrevendo a si próprio nessa trágica condição, é Empédocles “um fugitivo dos deuses e um peregrino, confiante nessa luta frenética, condenado pelo oráculo da necessidade (anankê) a viver entre bichos que nascem como leões, de atalaia em suas cavernas rochosas”. A teologia poética de um discípulo dos pitagóricos concebe urna espécie de carma. Na roda das transmigrações, a alma, fugitiva e aventurosa, encarnou-se “num menino e numa menina, num arbusto e num pássaro e num estúpido peixe do mar” — mas chegará, eventualmente, a ser “um profeta, um bardo, um doutor e um príncipe”. Esse trecho é interessante porque sugere o sentido evolutivo da crença pitagórica na metempsicose, sentido também aparente na doutrina hindu e budista, tão essencial ao pensamento oriental. Em Empédocles, as almas evoluem dessas formas vegetais e animais primitivas para as formas humanas superiores, até finalmente se transformarem em seres imortais que compartilham o alimento dos deuses. A visão mística descreve um esforço para fora, no sentido de transcender o real, sublimar-se. Plus ultra!” (p. 27).

"Na filosofia dialética, da qual foi Heráclito fundador, o fragmento merecidamente mais famoso é o que nos foi transmitido por Hipólito: “Polemos panton men pater ésti, panron de basileus” — “A guerra (polemos) é o pai e rei de todas as coisas; e alguns revela como deuses e outros como homens; e de alguns faz escravos e de outros homens livres”. Na verdade, acentuava o filósofo de Éfeso que a vida é um fogo eterno, pyr aeí son — um confronto polêmico de opostos em permanente tensão criadora. O fogo é um símbolo do logos, e o logos o princípio racional para a compreensão do concatenamento de todos os acontecimentos. Heráclito disso deduzia “ser necessário saber que normal é a guerra, a luta é justa, e todas as coisas correm pela luta e a necessidade”. A metáfora da guerra e da contenda servem-lhe para enfatizar a importância da mudança e da evolução de todas as coisas nesse mundo.” (p.28).

Fonte:
José Osvaldo de Meira Penna. “Polemos: uma análise crítica do darwinismo". Editora UnB (da Universidade de Brasília). Brasília, 2006.

Mesmo quando saltamos para a evolução mais nos seus moldes atuais, especificamente no período em que viveu Charles Darwin, é unanimidade o fato de que a idéia de evolução não fora exclusividade deste naturalista inglês. Na verdade, o que ele elaborou de novo foi apenas o conceito de “seleção natural”, e nem isso fora exclusividade sua, já que se sabe que o Wallace o havia antecedido. Sobre este aspecto, Em seu livro ironiza Tony Rothman , em seu “Tudo é Relativo”:

“Até mesmo algumas crianças de séries escolares elementares sabem que o lento Charles Darwin foi pressionado a completar sua Origem das Espécies ao receber um ensaio escrito pelo naturalista Alfred Russell Wallace, contendo “uma teoria exatamente igual à minha”. A julgar por capas de livros recentes, nas quais lemos que a teoria revolucionária pegou de surpresa um público insuspeito em 1859, o fato de que Charles devia muitas de suas idéias a seu próprio avô, Erasmus — que nunca recebeu crédito por elas —, é menos conhecido.” (p. 266).

Sobre esta “injustiça” cometida contra seu avô, destaca este mesmo autor:
“Provavelmente, apenas os psicólogos poderiam explicar por que Charles Darwin, nascido em 1809, mostrou-se tão relutante em reconhecer as idéias de seu próprio avô”.

Hal Hellman, por sua vez, em “Grandes Debates da Ciência”, afirma com convicção:
“Darwin, deve-se notar, não foi o primeiro a apresentar uma teoria da evolução. A idéia de que espécies não são inalteráveis, mas podem mudar e adaptar-se ao longo do tempo tinha sido pro posta um sem-número de vezes. O próprio avô de Darwin, Eras mus Darwin, já havia defendido a idéia, assim como tinha feito Lamarck (que acreditava que as mudanças causadas pela exposição a influências ambientais poderiam ser transmitidas aos descendentes”. (p. 113).

Todavia, faz-se mister realçar que, mesmo as idéias atribuídas ao próprio Darwin, ainda estas não foram assim, digamos, tão “originais” como é comum pensar-se. Uma rápida lida em seu já destacado livro, é suficiente para notar que ele fez uma verdadeira miscelânea de conceitos bastante em voga na época, como aqueles defendidos por Thomas Malthus, Francis Galton, Herbert Spencer, entre outros.

Por várias “coincidências”, entre elas, a posição financeira e o status social de Darwin, foi ele “escolhido” (atente-se para as aspas) como o melhor representante da ideologia naturalista. Darwin por seus próprios méritos de pesquisador não teria uma centelha a mais de prestígio do que Lamarck ou Wallace. O "sangue nobre" dos wedgwoods prevaleceu. Cumpriu-se ali o velho lema "sobrevivência do mais apto".

É isso!

Eu li isso...

"A maior parte dos biólogos concorda comigo quando nego a existência de uma base genética para a maior parte das diferenças de comportamento entre os grupos humanos e para a mudança na complexidade das sociedades humanas no curso da história recente de nossa espécie. Mas o que dizer das supostas constâncias de personalidade e comportamento, das características mentais compartilhadas pêlos seres humanos de todas as culturas? O que dizer, em suma, de uma "natureza humana" geral?

Alguns biólogos estão dispostos a atribuir aos processos darwinianos um papel fundamental não apenas no aparecimento, num passado remoto, mas também na manutenção de um conjunto de comportamentos adaptativos específicos que constituem uma "natureza humana" biologicamente condicionada. Creio que os argumentos dessa velha tradição — que encontrou sua mais recente expressão na "sociobiologia humana" — é incorreta, não porque a biologia não tenha nada a dizer, nem porque o comportamento humano só refuta uma cultura desencarnada, mas porque a biologia humana sugere que a genética desempenha um papel distinto e menos determinante na análise da natureza humana” (p. 348).

É isso!

Fonte:
Stephen Jay Gould. “A Falsa Medida do Homem”. Editora Martins Fontes. São Paulo, 1991.

Darwin e a evolução dos órgãos sexuais

No seu controverso “A Origem do Homem e a Seleção Sexual” (“The descent of Man and Selection in Relation to Sex") Darwin, um tanto hesitante, busca iluminar a questão acerca da evolução dos órgãos sexuais da forma mais típica aos defensores da teoria evolutiva, ou seja: através das simples inferências. Obviamente aparecem, entre outras conhecidas muletas, a velha embriologia e os tais órgãos rudimentares. Vejamos:

“Os antigos antepassados do homem deviam estar antigamente cobertos de pelo, sendo que ambos os sexos tinham barba; as suas orelhas provavelmente tinham pontas e eram capazes de movimento; o seu corpo tinha cauda com músculos próprios. Os seus membros e corpo eram, ademais, postos em movimento por muitos músculos que agora só ocasionalmente aparecem, mas estão normalmente presentes nos quadrúmanos. Neste período ou em algum outro anterior, a grande artéria e o nervo do úmero corriam através de um furo supercondilóide... Num período muito recuado o útero era duplo; os excrementos eram evacuados através de uma cloaca...”


Sabe-se há muito tempo que, no gênero dos vertebrados, um sexo apresenta rudimentos de muitas partes acessórias que pertencem ao sistema reprodutivo mais propriamente característico do outro sexo e agora foi constatado que numa fase embrionária, ambos os sexos possuem verdadeiras e autênticas glândulas masculinas e femininas.”

"Por isso parece que alguns antepassados de todo o gênero dos vertebrados foram hermafroditas ou andróginos. Aqui temos, pois, um ponto que merece a nossa maior atenção. Na classe dos mamíferos, os machos possuem rudimentos de um útero com o canal adjacente na vesícula prostática; apresentam além disto alguns rudimentos de tetas e alguns machos dos marsupiais possuem traços do saco marsupial.”

"Devemos então supor que alguns mamíferos muitíssimo antigos continuaram a ter caracteres andróginos, depois de terem adquirido as principais diferenciações da sua classe e por conseguinte depois de se terem diferenciado das classes inferiores do gênero dos vertebrados?
Parece muito improvável, porque devemos chegar aos peixes, a classe mais baixa, para encontrar alguma forma andrógina ainda existente.”

"O fato de que diversas partes acessórias, próprias de cada um dos sexos, se encontrem em rude condição no sexo oposto, pode ser explicado com o fato de que tais órgãos têm sido gradualmente adquiridos por um sexo e depois transmitidos ao outro em condição mais ou menos imperfeita.”

Fonte:
Charles Darwin. “A Origem do Homem e a Selação Sexual”. Tradução: Attílio Cancian e Eduardo Nunes Fonseca. Hemum, Livraria Editora LTDA. São Paulo, 1974 (p. 142-145).

É isso!

Parecidos, "pero no mucho"...

Há muitos anos li e guardei um artigo de Alexander Cockburn, escrito para o “The Nation” e que fora traduzido para o português pelo jornal o Estado de São Paulo. Nele o autor discorria sobre “um novo embuste científico”, afirmando que: “Quando as pessoas realmente querem acreditar, elas põem fé em qualquer coisa..."

No que dizia respeito à credulidade humana, escreveu Cockburn: “vale lembrar que não estamos tão distantes no tempo dos diários fraudulentos de Hitler, rabiscados por um falsificador com uma tentativa apenas superficial de imitar a letra do Führer”. O colunista do “The Nation” tratava da questão das falsificações no âmbito da ciência, especialmente no que se referia à busca desesperada pelos fósseis de transição. Sobre a Arqueologia, por exemplo, escreveu: “Os falsificadores no campo da arqueologia tiram proveito do desejo profundo que temos de conhecer as origens de nossa espécie”.

Abordou então o autor o já conhecido episódio do famigerado Homem de Piltdown: “O caso do Homem de Piltdown envolveu um osso maxilar, que supostamente indicava a existência do “elo perdido”.
Dos três suspeitos que poderiam haver colocado o osso maxilar de macaco (moderno) na cascalheira e depois tê-lo pego com um grito de surpresa, um era o respeitável professor Arthur Smith Woodward e o outro, um coletor do Museu Britânico, Charles Dawson”. E continuou: “Boa parte da análise paleontológica se baseia em especulações completamente infundadas e as técnicas de determinação de idade, incluindo aquele feito com carbono, são muito mais especulativas do que comumente se supõe.” Agora, a declaração mais “bombástica”: Imagino que metade dos ossos desencavados na África oriental e saudados como resquícios da aurora da humanidade tenham sido colocados em seus lugares por lavradores revoltados ou seus patrões ambiciosos, no decorrer dos últimos 50 anos”.

É isso!

Sinceros, porém...

É o óbvio concluir-se que nem sempre o mais sincero é o mais verdadeiro. A história nos tem legado inúmeros exemplos de pessoas sinceras e honestas que fracassaram no intento de provar que estavam com a razão naquilo pelo qual tanto lutavam. A noção do que seja "verdade", portanto, é relativa a cada pessoa ou grupo que a defende. No âmbito da ciência, a maioria dos antigos estudiosos da craniometria, por exemplo, era sincera naquilo que acreditava como "verdade", contudo, a sinceridade de seus ideais era direcionada a objetivos ideológicos específicos, e de tal modo que os resultados de suas pesquisas sempre pendiam para “provar” essas suas próprias verdades.

No início do século passado, em defesa de suas “verdades”, os darwinistas se opuseram cabalmente ao modelo mendeliano, chegando mesmo a considerá-lo antidarwiniano e até hereticamente perigoso. Segundo Albert Jacquard (“Elogio das Diferenças”), uma das principais revistas inglesas de biologia, Biometrika, recusou até 1937 todo e qualquer artigo mendeliano. Algum tempo depois, entretanto, a genética mendeliana fora apossada pelos mesmos defensores de Darwin, que trataram de incluí-la no bojo de suas “verdades”, que passaram a denominar de neodarwinismo: um novo rótulo para uma velha embalagem!

É isso!

A teologia de Paley e a teleologia de Darwin

Isso certamente causará sérios desconfortos nos zeladores de Darwin, contudo, eles vão ter de engolir o fato de as formulações inicias de Darwin terem sido inspiradas na teologia natural de William Paley.

Essa conclusão partiu de um respeitado darwinista, o professor da USP Nélio Bizzo. E, para quem não conhece a afinidade deste autor com o naturalista inglês, vai aqui este seu depoimento, extraído de um de seus ensaios:

“Fui a Shrewsbury, entrei no quarto onde ele nasceu (a casa é uma repartição pública hoje em dia) visitei a escola onde estudou, o castelo medieval que existe diante dela, fui a Edimburgo, conheci a faculdade de Medicina, o estuário do rio Forth, onde ele fazia coletas assistido pelo professor Grant, um lamarckista fanático que depois se tornaria deputado revolucionário em Londres, além de sua escola em Cambridge, o Christís College, seus aposentos, sua segunda casa em Londres (a primeira delas, onde teve a ideia da seleção natural, foi demolida para a construção da garagem de um supermercado), sua casa em Downe, etc. Enfim, um roteiro de uma verdadeira macaca de auditório. Além disso, meu projeto de doutorado me levou a trabalhar com seus manuscritos originais, com sua biblioteca pessoal, seus escritos íntimos e até mesmo os de sua esposa, Emma, em Cambridge, Londres e Downe. Tenho anotadas as datas das menstruações de Emma por um período de mais de dez anos antes dela ter tido seu último filho. Ser um fã não significa ser um adulador, um cego do ponto de vista intelectual. Defendo uma aproximação crítica, procurando compreender o autor dentro do contexto que ele viveu, em sua época, com seus valores. " (
Nélio Bizzo. “Darwinismo, ciência e ideologia”. In: “Pesspectivas em Epistemologia e História das Ciências”. Universidade Estadual de Feira de Santana, 1997, p. 147, 148).

Agora as conclusões de Bizzo, defendidas há alguns anos num debate sobre ciência e religião, realizado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Ei-lo:

“É
impossível separar a teoria evolucionista da religião, porque as próprias idéias da evolução e as formulações iniciais de Darwin foram influenciadas pela teologia protestante, em especial de William Paley, que incentivava o estudo da natureza, ou teologia natural, como forma de reverenciar o Criador. Registros manuscritos de Darwin, não destinados a publicação, revelam a evolução de suas idéias e a influência que recebeu dos teólogos até os idos de 1844.

Dedicando-se aos estudos da geologia e da botânica, depois de desistir da medicina e ir descartando a idéia de tornar-se presbítero, como a família pretendia, começa a esboçar uma visão evolucionista com base na doutrina de que tudo no mundo é harmonia e pressupõe alguém muito poderoso que o fez...".

É isso!

O polegar do panda e a contradição do Gould

No seu livro “O Polegar do Panda”, há um capítulo denominado “Grupos protetores dos genes egoístas”, no qual Gould critica duramente Richard Dawkins e seus conceitos de genes egoístas. Diz ele:
Os corpos não podem ser atomizados em partes, cada uma delas construída por um gene individual. Centenas de genes contribuem para a construção de muitas partes do corpo, e sua ação é canalizsda através de uma série caleidoscópica de influências mbientais...” (p. 78). Nesta crítica a Dawkins, parece clara a posição contrária de Gould em relação ao ponto de vista atomista de que “o todo (total) pode ser compreendido ao se separar em unidades ‘básicas’”.

No entanto, Gould contradiz-se quando afirma que os polegares do panda evoluem pelo fato de funcionarem muito bem como polegares, e não pelo fato de que funcionam muito bem porque estão contidos no panda como um todo, do qual se inclui o próprio meio ambiente onde o animal está inserido. Assim, no que tange à estética do panda, por exemplo, diz ele que o criador do panda não poderia estar pensando (como fazem os artistas) na obra completa. Ora, não foi ele quem disse que “os corpos não podem ser atomizados em partes?”

É isso!