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Seleção Natural como "peça de museu"

O que você acha que vai acontecer com o homo sapiens em termos de evolução?”, indagou um darwinista num desses fóruns populares da Internet. E acrescentou: “Vi numa revista, que provavelmente vamos ser mais gordos...

Isso me levou a um artigo publicado pelo jornal americano “Times”, em 1999 (Vol. 2, nº 33 - Folha de S. Paulo), intitulado “Como o homem evoluiu”. Lá pelas tentas, ao discorrerem sobre a influência da tecnologia na vida humana, os articulistas escreveram:
“Todo o nosso conhecimento sobre evolução mostra que é necessária a existência de populações pequenas e isoladas para que haja uma mutação real, o que seria inconcebível... Um nova espécie humana está fora de cogitação. Além disso, a tecnologia eliminou essencialmente o mecanismo de seleção natural. Na pré-história, apenas os indivíduos e as espécies mais fortes sobreviviam. Hoje, os fracos e os fortes têm acesso a medicina, alimentação e abrigo num nível de qualidade e abundância nunca visto. Atualmente, os camponeses pobres do mundo em desenvolvimento vivem melhor do que vivia o imperador da China há mil anos... Por outro lado, no futuro, a manipulação do genoma humano permitirá que mudemos as características básicas de nossa espécie ao nosso bel-prazer. O caminho evolutivo por seleção natural poderá ser substituído pelo aprimoramento pela intervenção humana...”

Pode-se concluir, portanto, que a Seleção Natural no âmbito humano fora relegada às traças. As mudanças ocorridas mediante seus graduais caprichos permanecerão para toda eternidade na esfera de um passado longínquo que não pode ser pesado, medido e mensurado, mas apenas conjecturado, especulado, presumido e inferido. De resto, voltemos a Nastradamus, aos oráculos de Delfos e aos museus.

É isso!

A Seleção Natural em seu devido contexto

Negócio é luta”, escreveu Leo Huberman, em “A história da Riqueza do Homem”, e acrescentou: “Pergunte aos homens de negócios. Ora, todos sabem que na luta os mais fortes vencem os mais fracos. Também nos negócios ocorreu isso. Duas companhias concorrem num certo ramo. Uma dá um golpe na outra, reduzindo seus preços. Esta reage, reduzindo-os ainda mais. E assim por diante. Golpes - na forma de redução de preços - são trocados. Dentro em pouco, os preços estão abaixo do custo de produção. Quem ganhará a luta? É evidente também que quanto maior a escala de produção, tanto menores os custos. Isso significa que as companhias maiores e mais fortes têm vantagem inicial. Mas é a capacidade de resistir que conta. E a capacidade de resistir, nessa luta, é medida pelas reservas de capital, que determinam o tempo de resistência. A firma com maior volume de capital é a mais forte. Os preços reduzidos a deixam assustada, mas deixam seu adversário tonto, e, dentro em pouco, completamente derrotado” (Zahar Editores, 1981).

É fato inconteste que Charles Darwin, ao elaborar seu conceito de Seleção Natural, cujo pano de fundo é a "luta pela sobrevivência", tomou de empréstimo e adaptou as idéias do economista Thomas Malthus à sua teoria sobre evolução. É também notório que este conceito, tanto em Darwin como em Wallace, deu-se num contexto histórico de expansão econômica das grandes nações européias, com mais destaque para a Inglaterra. O lema “a sobrevivência do mais apto”, portanto, neste contexto histórico específico, foi tremendamente oportuno para os gananciosos objetivos dos poderosos capitalistas europeus e americanos. A competição no âmbito do comércio
tornava-se assim mero reflexo da luta sangrenta que se observava na Natureza.

Em a “Era do Capital”, E
ric J. Hobsbawm nos oferece uma pequena visão de como funcionava a lógica e a ideologia desses capitalistas:
Poucos dos milionários da primeira geração fizeram sua carreiras em um único ramo de atividade. Huntington começou vendendo material pesado para mineiros da corrida do ouro em Sacramento. Talvez seus fregueses incluíssem o magnata da carne Philip Armour (1832-1901), que tentou a sorte nas minas antes de entrar no negócio de armazéns em Milwaukee, que permitiu-lhe fazer fortuna no decorrer da Guerra Civil. Jim Fisk trabalhou em circo, garçom de hotel, mascate e vendedor ambulante antes de descobrir as possibilidades de contratos de guerra e, depois, a bolsa de valores. Jay Gould foi, por seu turno, cartógrafo e mercador de peles, antes de descobrir o que se podia fazer com estradas de ferro. Andrew Carnegie (1835-1919) não concentrou suas energias no ferro até completar 40 anos. Começou como telegrafista, continuou como executivo de estradas de ferro – sua renda já feita através de investimentos cujo valor crescia rapidamente –, entrou em petróleo (que iria ser o campo escolhido por John D. Rockefeller, que começou a vida como atendente e livreiro em O hio), enquanto gradualmente seguiu em direção à indústria que iria dominar. Todos estes homens eram especuladores e estavam prontos para seguir em direção do dinheiro grosso, onde quer que ele se encontrasse. Nenhum deles tinha ou poderia ter escrúpulos de forma excessiva, numa era e numa economia onde fraude, suborno, calúnia e, se necessário, revólveres eram aspectos normais da competição. Todos eram homens duros e todos olhariam as questões concernentes à honestidade de suas atividades como sendo consideravelmente menos relevantes para seus negócios do que sua esperteza. Não era por acaso que o "darwinismo social" explicava, de forma dogmática, que aqueles que subiam ao topo de tudo eram os melhores, porque eram os mais capazes de sobreviver na selva humana, teoria que se transformou na teologia nacional do final do século XIX nos Estados Unidos” (p. Paz e Terra, 3ª edição, p. 159).

Em seu famoso artigo “Sobre a tendência das variedades a afastarem-se indefinidamente do tipo original”, o também naturalista Alfred Wallace, considerado o descobridor da Seleção Natural juntamente com Darwin, sintetiza esta visão competitiva entre os seres vivos da seguinte forma:

“A vida dos animais selvagens é uma luta pela existência.
O empenho completo de todas as suas faculdades e energias é exigido para preservar sua própria existência e sustentar sua prole infantil. A possibilidade de conseguir alimento durante as estações menos favoráveis e escapar aos ataques de seus inimigos mais perigosos são as condições primárias que determinam a existência tanto dos indivíduos quanto da espécie inteira. Estas condições também determinarão a população de uma espécie e, por uma consideração cuidadosa de todas as circunstâncias, podemos ser capazes de compreender (e, em algum grau, de explicar) o que à primeira vista parece tão inexplicável: a excessiva abundância de algumas espécies, enquanto outras, proximamente aparentadas, não muito raras.”

“O número anual de mortos deve ser imenso e, como a existência individual de cada animal conta apenas consigo mesma, os que morrem devem ser os mais fracos (os mais jovens, os velhos e os doentes), enquanto que os que prolongam suas existências podem apenas ser os mais perfeitos em saúde e vigor (os mais capazes de obter alimento regularmente e de evitar seus numerosos inimigos). Eis aqui, como observamos de início, “uma luta pela existência”, na qual os mais fracos e menos perfeitamente organizados
devem sempre sucumbir.”

Portanto, a Seleção Natural, e isto o próprio Darwin escreveu numa carta a Lyell, depende da “luta pela existência malthusiana”. Conclui-se assim que, contextualmente, o darwinismo social não pode ser dissociado do principal conceito que norteia os ideais de Darwin e Wallace, ou seja: a Seleção natural. No fundo o que verdadeiramente prevalece é a esperteza ou astúcia dos mais poderosos. A história não nos deixa mentir quanto isso.

É isso!

A Seleção Natural é um mecanismo?

Em caso afirmativo:
1. Seria sua atuação idêntica tanto na natureza como num laboratório?
2. Pode-se afirmar que tal “mecanismo” atua de igual maneira nos salmões, nas focas, nos trilobitas, nas plantas, nos vírus e nas bactérias?
3. Trata-se do mesmo mecanismo que conduz tanto às grandes mudanças (macroevolução) quanto àquelas consideradas pequenas (microevolução)?
4. De que forma, afinal, está ordenado este mecanismo?

É isso!

Referência:
Nueva Biologia

"Teoria do favorecimento"

Estando a fuçar, hoje, num desses preciosos “sebos” de São Paulo, aqui na Lapa, um antigo bairro da capital, atualmente “em fase de aburguesamento”, deparei-me com o livro “A Origem da Espécie Humana”, de Richard Leakey, que comprei “a preço de banana”. Não o li ainda, no entanto, como faço de costumo, antes observo para só depois “deglutir”. Um dos capítulos o qual superficialmente dei uma espiada foi “A arte da linguagem”, onde se lê:

A questão é: quais eram as pressões da seleção natural que favoreceram a evolução da linguagem falada? Presumivelmente, esta habilidade não surgiu de um momento para o outro já plena­mente desenvolvida, assim temos que nos perguntar que vanta­gens uma linguagem menos desenvolvida conferia aos nossos ancestrais. A resposta mais óbvia é que ela oferecia um modo efi­ciente de comunicação. Esta habilidade, certamente, teria sido benéfica para os nossos ancestrais quando estes adotaram pela primeira vez a caça rudimentar e a coleta de alimentos, que é um modo de subsistência mais desafiador que o dos macacos. À me­dida que seu modo de vida tornava-se mais complexo, a necessi­dade de coordenação social e económica também crescia. Nessas circunstâncias, a comunicação efetiva tomava-se cada vez mais valiosa. A seleção natural portanto teria reforçado firmemente a capacidade de linguagem. Em consequência, o repertório básico de sons dos símios primitivos — presumivelmente similares às arfadas, apupos e grunhidos dos macacos modernos — teria se expandido e sua expressão se tornado mais estruturada. A lingua­gem, como a conhecemos hoje, emergiu como um produto das exigências da caça e da coleta. Ou pelo menos assim parece. Há outras hipóteses para a evolução da linguagem” (Editora Rocco, 1997, p. 120)

Agora aquelas perguntinhas capciosas de um não-iniciado em evolução:
Por que cargas dágua a Seleção Natural favoreceu com o “dom da linguagem” apenas o ancestral humano? Sim, a aquisição da linguagem tornava a comunicação dele mais eficiente, mas, e daí? Esse benefício evolutivo, ou melhor, adaptativo, não tornaria muito mais eficiente a comunicação também dos insetos, dos répteis, das aves e de outros mamíferos? Por que as circunstâncias seletivas favoreceram tão somente o homem, em vez, por exemplo, da formiga, do sapo, da tartaruga e da baleia? Quem nos garante que a linguagem não era uma necessidade dos peixes e dos répteis? Qual a base para se afirmar que este tipo de comunicação não era necessária e importante para a àguia ou para o rato?

"Pegue, junte tudo
Passe vaselina
Enfie, soque, meta
No tanque de gasolina."


TOM ZÉ


É isso!

As treze "profecias" de Darwin

Ao chegar à leitura da parte final do famoso livro “A Origem das Espécies” (tradução: André Campos Mesquita), chamou-me a atenção o grande otimismo de Darwin em relação ao futuro de sua teoria. Tive a impressão de está lendo os prognósticos de algum profeta barbudo do tipo Nostradamus ou os vaticínios de um antigo oráculo grego. Ele até chega a usar a expressão “olhar profético” quando tenta antever o triunfo da teoria evolutiva: “Podemos propor um olhar profético para o futuro, até o ponto de predizer que as espécies comuns e muito difundidas, que pertencem aos grupos maiores e predominantes, serão as que finalmente prevalecerão e procriarão espécies novas e predominantes." (p. 151, Tomo III).

Eu, como descrente de Darwin, selecionei, a seguir, 13 dessas “profecias” darwinianas, para as quais tecerei breves comentários. Ei-las:

1. “
Os outros ramos mais gerais da História Natural aumentarão muito em interesse. Os termos afinidade, parentesco, comunidade de tipo, paternidade, morfologia, caracteres de adaptação órgãos rudimentares e atrofiados, etc., empregados pêlos naturalistas, cessarão de ser metafóricos e terão o sentido direto” (p. 148). Aqui Darwin errou principalmente em “caracteres de adaptação” e “órgãos rudimentares e atrofiados”. É bem verdade que os póstumos discípulos de Darwin levou o adaptacionismo às suas últimas conseqüências; porém, finda toda a especulação o adaptacioniismo revelou-se digno apenas de um Dr. Pangloss, em outras palavras: puro exagero e imaginação. No que concerne aos tais “órgãos rudimentares”, embora os devotos atuais de Darwin ainda se agarrem neles como “prova da evolução”, sabe-se que muitos desses órgãos nada tem de rudimentar, em vez disso, já revelaram suas devidas funções.

2. “
Abrir-se-á um campo de investigação, grande e quase não pisado, sobre as causas e leis da variação e correlação, os efeitos do uso e do desuso, a ação direta das condições externas, e assim sucessivamente" (p. 148). Não se pode negar que após Darwin as pesquisas científicas proliferaram em várias áreas da ciência, como a Genética, por exemplo. Todavia, as descobertas de Mendel teriam o mesmo sucesso caso Darwin tivesse levado adiante o projeto de seu pai em torná-lo pastor. Não foi a Genética que se apropriou de Darwin, mas “Darwin” (entenda-se os neodarwinistas) que a tomou de assalto, tirando os louros de quem verdadeiramente os mereciam. Nesta “profecia”, Darwin falhou drasticamente também na questão do “uso e desuso”. Se há alguém que ultimamente tem sido lembrado neste âmbito, este não é Darwin, mas sim Lamarck.

3. “O estudo das produções domésticas aumentará imensamente de valor
(p. 148). Estas “produções” não nasceram com Darwin, nem se aperfeiçoaram por meio das informações advindas de sua teoria. Em vez disso, cresceu como uma consequencia natural do acúmulo do conhecimento através dos anos.

4. “
Uma nova variedade formada pelo homem será um objeto de estudo mais importante e interessante do que uma espécie mais adicionada à infinidade de espécies já registradas (p. 148). Mesmo porque ainda não se conhece uma nova espécie que se formou aos moldes de Darwin, ou seja, gradualmente através do acúmulo de mutações e com a impecável atuação da sua Seleção Natural.

5. “Nossas classificações chegarão a ser genealógicas até onde possam fazer-se deste modo e então expressarão verdadeiramente o que se pode chamar o plano de criação”
(p. 148). A famosa “árvores genealógica” de Darwin há um bom tempo tombou ante sua total incapacidade de se ramificar para cima.

6. “As regras da classificação, indubitavelmente, se simplificarão quando tenhamos em vista um fim definido. Não possuímos nem genealogias nem escudos de armas, e temos de descobrir e seguir as numerosas linhas genealógicas divergente
(p. 148). O que há de comum entre uma sardinha, uma pirambóia e uma arraia, para serem considerados peixes? E o que dizer das genealogias baseadas em fósseis? Algumas perguntas.

7. “Os
órgãos rudimentares falarão infalivelmente sobre a natureza de conformações perdidas há muito tempo; espécies e grupos de espécies chamadas berrantes e que podem elegantemente chamar-se fósseis vivos, nos ajudarão a formar uma representação das antigas formas orgânicas (p. 149). Aqui o equívico de Darwin, usando um neologismo que criei, é simplesmente “jibóico”. Os famigerados “órgãos rudimentares” dizem muito pouco e os tais “fósseis vivos” falam muito menos ainda. Que os digam os celacantos.

8. “A embriologia nos revelará muitas vezes a conformação, em algum grau obscurecido, dos protótipos de cada uma das grandes classes”
(p. 149). Uma das maiores fraudes pós-Darwin veio exatamente desse âmbito da Biologia, por mãos e obra de um dos maiores discípulos do naturalista inglês, o alemão Ernst Haeckel.

9. “
No futuro, vejo um campo amplo para investigações bem mais interessantes (p. 149). Mais óbvio do que isso, só o óbvio multiplicado por 666. Ora, no futuro sempre haverá um campo mais amplo para quaisquer ramos de pesquisas. Como diria Simão: "o óbvio Lulante".

10. “A psicologia se baseará seguramente sobre os alicerces, bem propostos já por Herbert Spencer, da necessária aquisição gradual de cada uma das faculdades e aptidões mentais
(p. 149). Há muito que Spencer fora jogado para a lata de lixo da ciência. Embora a chamada Psicologia Evolutiva busque dar cumprimento a esta “profecia” de Darwin, é notório que seu alicerce está fincado em histórias inferivicáveis e não suscetíveis de experimentações, as quais ainda dependem de hipóteses sobre a função de certos comportamentos há milhões de anos.

11. “Projetar-se-á muita luz sobre a origem do homem e sobre sua história
(p. 149). Aconteceu exatamente o opsoto. Nunca houve tantas incertezas sobre a origem do homem como em nossos dias. Para cada “elo” encontrado surge mais uma dúvida no imensso “rosário evolutivo”.

12. “...as espécies comuns e muito difundidas, que pertencem aos grupos maiores e predominantes, serão as que finalmente prevalecerão e procriarão espécies novas e predominantes
(p. 149). Aqui Darwin parece ter depositado toda sua confiança no tautológico lema “sobrevivência do mais apto”, que se mostrou tão útil quanto água em pó: para dissolvê-la acrescente água.

13. “E como a seleção natural atua somente mediante o bem e para o bem de cada ser, todos os dons intelectuais e corporais tenderão a progredir para a perfeição
(p. 149). Com esta “profetada” Darwin deu por encerrada sua carreira de vaticinador. Próximo profeta, por favor... ((rs))

É isso!

Seleção Natural: a falsa "ceguinha"

Embora digam por aí que a Seleção Natural, pedra angular da Teoria da Evolução, seja cega e desprovida de qualquer direção, pelas proezas que lhes são atribuídas, tudo leva a crer que não se trata propriamente de cegueira, mas apenas miopia. E se ela não usa óculos, é para não expressar o oposto daquilo que dizem seus ardorosos defensores. Se não fora isso, diria ela: “Ceguinha é a mãe”.

Da forma como é divulgada na literatura darwinista, ela pode ser comparada a engenheiros, médicos, psicólogos, sociólogos e até teólogos. Seu poder de atuação não ficou restrito ao "natural"; em vez disso, porém, ela enfiou-se em tudo quanto é buraco, servindo como panacéia para todos os males do mundo. Um exemplo recente divulgado pelos jornais, dar-nos uma pequena dimensão da força ideológica desse “mecanismo virtual” chamado Seleção Natural.

Segundo um estudo
publicado na revista científica BioMed Central Journal, os ataques de 11 de Setembro nos Estados Unidos estariam vinculados a abortos naturais de meninos. Seriam uma “confirmação” da teoria do “luto comunitário”, no qual se propõe que “sociedades podem reagir adversamente a eventos nacionais perturbadores, mesmo que não tenham conexão direta com pessoas envolvidas nesses eventos".

Bom, o problema não diz respeito propriamente à tal “teoria do luto comunitário” , mas no modo como isso fora utilizado para dar margem à Teoria da Evolução, mais exatamente à nossa “ceguinha”, a Seleção natural, que, como sempre rouba os louros desse tipo de especulação. Diz a notícia: "Acredita-se que isso seria um reflexo de algum mecanismo de seleção natural conservado para melhorar o índice de sucesso reprodutivo da mãe" (
FOLHA).

É. Se em terra de cego, quem tem um olho é rei; em terra de Darwin que não tem nenhum, é o que fica com a coroa.

É isso!

Seleção Natural, a grande aliada dos ingleses

O que explicaria os "êxitos" dos ingleses em comparação com aqueles de outras nações européias, como a Espanha, por exemplo, no que se refere ao processo de colonização e dominação dos povos?

Segundo Charles Darwin, em seu livro "
A Origem do Homem e a Seleção Sexual", alguns fatores colaboraram para que Espanha (e outros povos europeus) ficasse na retaguarda no "despertar da Europa" durante a Idade Média. O fato dos homens nobres terem optado pelo celibato, bem como o fato de muitos deles terem sido queimados no fogo da Santa Inquisição, impediu que propagassem seus "elevados gênios" à posteridade, e desta forma prevaleceu na Espanha os "caracteres mais frágeis" intelectualmente. A Igreja Católica (Darwin era anglicano), de acordo com o naturalista inglês, colaborou igualmente nesse processo de "degradação cultural espanhola", muito embora, diz Darwin, ela (a Igreja católica) tenha também contrabalançado em "outros aspectos". Para Darwin, portanto, "os notáveis êxitos do ingleses como colonizadores" em comparação com outras nações européias, pode ser explicado pela sua "energia audaz e persistente". Darwin então compara o progresso dos canadenses de origem inglesa em detrimento aos de origem francesa, e conclui que a Seleção Natural fora responsável por dar aos "nobres ingleses" essa energia audaz e persistente, o que culminou no surgimento de uma super-potência como os Estados Unidos. O super-homem, quem diria, é resultado da nossa prestimosa Seleção Natural!

Referência:
Quem pode positivamente afirmar por que a nação espanhola, dominadora num determinado período, ficou tanto na retaguarda na luta? O despertar das nações européias da idade obscura continua sendo um problema incerto. Conforme observou Galton, numa época antiga, quase todos os homens nobres, que se dedicavam à meditação ou à cultura, não possuíam nenhum refúgio a não ser no seio da Igreja, que exigia o celibato; isto dificilmente podia ter deixado de causar uma influência deteriorante nas sucessivas gerações. Durante o mesmo período, a Santa Inquisição escolheu com extremo cuidado os homens mais livres e mais corajosos para queimá-los ou aprisioná-los. Somente na Espanha alguns dos melhores homens — aqueles que duvidavam e levantavam proble mas, e sem a dúvida não pode haver progresso — durante três séculos foram eliminados num ritmo de mil por ano. Incalculável é o dano que a Igreja Católica causou desta maneira, embora sem dúvida contrabalançado, até certo ponto e quiçá muito em outros aspectos; não obstante isto, a Europa progrediu num grau incomparável.Os notáveis êxitos dos ingleses como colonizadores, em comparação com outras nações européias, foram atribuídos à sua "energia audaz e persistente"; um resultado que ficou bem evidenciado ao comparar o progresso dos canadenses de extração inglesa e francesa; mas, quem pode dizer como é que os ingleses adquiriram a sua energia? Aparentemente existe muita verdade na opinião de que os maravilhosos progressos dos Estados Unidos e o caráter deste povo são o resultado da seleção natural; com efeito, os homens mais enérgicos, irre quietos e corajosos de todas as parte da Europa emigraram durante as últimas dez ou doze gerações para esse grande país e lá tiveram o melhor êxito" (p. 170).

Fonte:
Charles Darwin: "A Origem do Homem e a Seleção Sexual". Gemus Editora. São paulo, 1974.

É isso!

Seleção Natural como agente aperfeiçoador

Não obstante os póstumos discípulos de Darwin ignorem o fato taxativamente, é certo que, para este naturalista inglês, o mecanismo de Seleção Natural deveria funcionar como um agente aperfeiçoador do processo evolutivo, atuando pela vida e pela morte, pela sobrevivência do “mais apto” e pela eliminação dos “menos aperfeiçoados”. A Seleção Natural, pois, de certa forma teria às mesmas credenciais de uma divindade onipotente, que, como um exímio oleiro, molda e dar forma à sua arte com extrema habilidade e perfeição. Em todo o livro “A Origem das Espécies”, Darwin faz menção do processo evolucionário como um evento de progressão contínua do “inferior” para o “superior”, do “menos apto” para o “mais apto” e do “imperfeito” para o "verdadeiro modelo de perfeição". Os trechos a seguir, todos extraídos desse referido livro, se não confirmam com perfeição, ao menos apontam com algum primor para esta tese “herética e antidarwinianamente suspeita”.
“Neste caso, ligeiras modificações, favoráveis em qualquer grau que seja aos indivíduos de uma espécie, adaptando-as melhor a novas condições ambientes, tenderiam a perpetuar-se, e a seleção natural teria assim materiais disponíveis para começar a sua obra de aperfeiçoamento” (p. 96).

“Se é vantajoso a uma planta que as suas sementes sejam mais facilmente disseminadas pelo vento, é tão fácil à seleção natural produzir este aperfeiçoamento como é fácil ao agricultor, pela seleção metódica, aumentar e melhorar a penugem contida nas cascas dos seus algodoeiros” (p.
100).

“Enfim, o isolamento assegura a uma nova variedade todo o tempo que lhe é necessário para se aperfeiçoar lentamente, e é este algumas vezes um ponto importante. Contudo, se a região isolada é muito pequena, ou porque seja cercada de barreiras, ou porque as condições físicas sejam todas particulares, o número total dos seus habitantes será também muito pouco considerável, o que retarda a ação da seleção natural, no ponto de vista da seleção de novas espécies, porque as probabilidades da aparição de variedades vantajosas são diminutas" (p.
119).

“Depois das alterações físicas, de qualquer natureza, toda a emigração deve ter cessado, de maneira que os antigos habitantes modificados devem ter ocupado todos os novos lugares na economia natural de cada ilha; enfim, o lapso de tempo decorrido permitiu às variedades, que habitavam cada ilha, modificar-se completamente e aperfeiçoar-se. Quando, após os elevamentos, as ilhas se transformaram de novo num continente, uma luta muito viva deve ter recomeçado; as variedades mais favorecidas ou mais aperfeiçoadas puderam então estender-se; as formas menos aperfeiçoadas foram exterminadas, e o continente estaurado mudou de aspecto com respeito ao número relativo dos habitantes. Aí, enfim, abre-se um novo campo à seleção natural, que tende a aperfeiçoar ainda mais os habitantes e a produzir novas espécies” (p.
122).

Resulta daí que as espécies raras se modificam ou se aperfeiçoam menos rapidamente num tempo dado; por conseqüência, são vencidas, na luta pela existência, pelos descendentes modificados ou aperfeiçoados das espécies comuns” (p. 123).

“Os descendentes modificados dos ramos mais recentes e mais aperfeiçoados tendem a tomar o lugar dos ramos mais antigos e menos aperfeiçoados, e por isso a eliminá-los; os ramos inferiores do diagrama, que não chegam até às linhas horizontais superiores, indicam este fato” (p.
132).

Mas, durante a marcha das modificações, representadas no diagrama, um outro dos nossos princípios, o da extinção, deve ter gozado um papel importante. Como, em cada país bem provido de habitantes, a seleção natural atua necessariamente, dando a uma forma, que faz o objeto da sua ação, algumas vantagens sobre outras formas na luta pela existência, produz-se uma tendência constante entre os descendentes aperfeiçoados de uma espécie qualquer para suplantar e exterminar os seus predecessores e a sua origem primitiva. É preciso lembrar, com efeito, que a luta mais viva se produz ordinariamente entre as formas que estão mais próximas umas das outras, em relação aos hábitos, constituição e estrutura. Por conseqüência, todas as formas intermediárias entre a forma mais antiga e a forma mais moderna, isto é, entre as formas mais ou menos aperfeiçoadas da mesma espécie, assim como a espécie origem própria, tendem ordinariamente a extinguir-se. É provavelmente da mesma maneira para muitas das linhas colaterais completas, vencidas por formas mais recentes e mais aperfeiçoadas" (p. 33).

"As espécies representativas,
em número de catorze para a décima quarta geração, têm provavelmente herdado algumas destas vantagens; e são, além disso, modificadas, aperfeiçoadas de diversas maneiras, em cada geração sucessiva, de forma a melhor adaptar-se aos numerosos lugares vagos na economia natural do país que habitam" (p. 34).

"Também a luta para a produção de descendentes novos e modificados se estabelece principalmente entre os grupos mais ricos que tentam multiplicar-se. Um grupo numeroso prevalece sobre um outro grupo considerável, reduzindo-o em número e diminuindo assim as suas probabilidades de variação e aperfeiçoamento. Num mesmo grupo considerável, os subgrupos mais recentes e mais aperfeiçoados, aumentando sem cessar, apoderando-se a cada instante de novos lugares na economia da natureza, tendem constantemente também a suplantar e destruir os subgrupos mais antigos e menos aperfeiçoados. Enfim, os grupos e os subgrupos pouco numerosos e vencidos acabam por desaparecer" (p. 137).

" Cada
ser, e é este o ponto final do progresso, tende a aperfeiçoar-se cada vez mais relativamente a estas condições. Este aperfeiçoamento conduz inevitavelmente ao progresso gradual da organização do maior número de seres vivos em todo o mundo. Mas referimo-nos aqui a um assunto muito complicado, porque os naturalistas ainda não definiram, de uma forma satisfatória para todos, o que deve compreender-se por «um progresso de organização». Para os vertebrados, trata-se claramente de um progresso intelectual e de uma conformação que se aproxime da do homem" (p. 138).

"Se adotamos, como critério de uma alta organização, a soma das diferenciações
e de especializações dos diversos órgãos em cada indivíduo adulto, o que compreende o aperfeiçoamento intelectual do cérebro, a seleção natural conduz claramente a esse fim" (p. 139).

"Dei o nome de seleção natural a este princípio de conservação
ou de persistência do mais apto. Este princípio conduz ao aperfeiçoamento de cada criatura relativamente às condições orgânicas e inorgânicas da sua existência; e, por conseguinte, na maior parte dos casos, ao que podemos considerar como um progresso de organização. Todavia, as formas simples e inferiores persistem muito tempo quando são bem adaptadas às condições pouco complexas da sua existência" (p. 145).

"A
seleção natural, como acabamos de fazer observar, conduz à divergência dos caracteres e à extinção completa das formas intermediárias e menos aperfeiçoadas" (p. 146).

"A seleção natural atua apenas pela conservação das modificações vantajosas;
cada nova forma, sobrevindo numa localidade suficientemente povoada, tende, por conseqüência, a tomar o lugar da forma primitiva menos aperfeiçoada, ou outras formas menos favorecidas com as quais entra em concorrência, e termina por exterminá-las. Assim, a extinção e a seleção natural vão constantemente de acordo. Por conseguinte, se admitimos que cada espécie descende de alguma força desconhecida, esta, assim como todas as variedades de transição, foram exterminadas pelo fato único da formação e do aperfeiçoamento de uma nova forma" (p. 185).

"Por conseqüência,
as formas mais comuns tendem, na luta pela existência, a vencer e a suplantar as formas menos comuns, porque estas últimas modificam-se e aperfeiçoam-se mais lentamente" (p. 189).

"A seleção natural atuando somente pela vida e pela morte, pela persistência
do mais apto e pela eliminação dos indivíduos menos aperfeiçoados, experimentei algumas vezes grandes dificuldades para me explicar a origem ou a formação de partes pouco importantes; as dificuldades são tão grandes, neste caso, como quando se trata dos órgãos mais perfeitos e mais complexos, porém são de uma natureza diferente" (p. 214).

"Constituindo o enrolamento o modo mais simples de subir por um suporte e
formando a base da nossa série, pode naturalmente perguntar-se como puderam adquirir as plantas esta aptidão nascente, que mais tarde a seleção natural aperfeiçoou e aumentou" (p. 262).

"Não há improbabilidade
alguma em acreditar que, nos numerosos insetos, que imitam diversos objetos, uma semelhança acidental com um objeto qualquer foi, em cada caso, o ponto de partida da ação da seleção natural, cujos efeitos deviam aperfeiçoar-se mais tarde pela conservação acidental das variações ligeiras que tendiam a aumentar a semelhança" (p. 265).

"Quando um grande número de habitantes de qualquer
região se modifica e aperfeiçoa, resulta do princípio da concorrência e das relações essenciais que têm mutuamente entre si os organismos na luta pela existência, que toda a forma que não se modifica e não se aperfeiçoa em certo grau deve ser exposta à destruição. E dá-se isto porque todas as espécies da mesma região acabam sempre, se se considera um lapso de tempo suficiente longo, por se modificar, porque de outra forma desapareceriam" (p. 383).

"Mas se supusermos a destruição da origem-mãe, o torcaz - e
temos toda a razão para acreditar que no estado de natureza as formas pais são geralmente substituídas e exterminadas pelos seus descendentes aperfeiçoados - seria pouco provável que um pombo-pavão, idêntico à raça existente, pudesse derivar da outra espécie de pombo ou mesmo de alguma outra raça bem fixa do pombo doméstico" (p. 384).

"Temos, até ao presente, falado apenas incidentemente do desaparecimento
das espécies e dos grupos de espécies. Pela teoria da seleção natural, a extinção das formas antigas e a produção das formas novas aperfeiçoadas são dois fatos intimamente conexos" (p. 385).

"A concorrência é geralmente mais rigorosa, como com exemplos o demonstramos
já, entre as formas que se semelham em todos os pontos de vista. Por conseguinte, os descendentes modificados e aperfeiçoados de uma espécie causam geralmente o extermínio da origem-mãe; e se muitas novas formas, provindo de uma mesma espécie, conseguem desenvolver-se, são as formas mais próximas desta espécie, isto é, as espécies do mesmo gênero, que se encontram mais expostas à destruição" (p. 389).

"As espécies antigas, vencidas
pelas novas formas vitoriosas, às quais cedem o lugar, são geralmente aliadas em grupos, conseqüência da herança comum de alguma causa de inferioridade; à medida pois que os grupos novos e aperfeiçoados se espalham na Terra, os antigos desaparecem, e por toda a parte há correspondência na sucessão das formas, tanto na sua primeira aparição como no desaparecimento final" (p. 393).

"Vimos, no quarto capítulo, que, em todos os seres organizados que atingiram
a idade adulta, o grau de diferenciação e de especialização dos diversos órgãos nos permite determinar o grau de aperfeiçoamento e superioridade relativa. Vimos também que, a especialização dos órgãos constituindo uma vantagem para cada ser, deve a seleção natural tender a especializar a organização de cada indivíduo, e a torná-la, em tal ponto de vista, mais perfeita e mais elevada" (p. 402).

"Parece-me, por outro lado, que todas as leis
essenciais estabelecidas pela paleontologia proclamam claramente que as espécies são o produto da geração ordinária, e que as formas antigas foram substituídas por formas novas e aperfeiçoadas, e elas mesmo o resultado da variação e da persistência do mais apto" (p. 412).

"Demonstrei
também que as variedades intermediárias, que têm provavelmente ocupado a princípio zonas intermediárias, devem ter sido suplantadas por formas aliadas existindo de uma parte e de outra; porque estas últimas, sendo as mais numerosas, tendem, por esta razão mesmo, a modificar-se e a aperfeiçoar-se mais rapidamente que as espécies intermediárias menos abundantes; de modo que estas devem ter sido, há muito, exterminadas e substituídas" (p. 527).

"As variedades novas e aperfeiçoadas devem substituir
e exterminar, inevitavelmente, as variedades mais antigas, intermediárias e menos perfeitas, e as espécies tendem a tornar-se assim mais distintas e melhor definidas. As espécies dominantes, que fazem parte dos grupos principais de cada classe, tendem a dar origem a formas novas e dominantes, e cada grupo principal tende sempre também a crescer cada vez mais, e ao mesmo tempo, a apresentar caracteres sempre mais divergentes" (p. 534).

"A extinção das espécies e de grupos completos de espécies,
que tem gozado um papel tão considerável na história do mundo orgânico, é a conseqüência inevitável da seleção natural; porque as formas antigas devem ser suplantadas pelas formas novas e aperfeiçoadas" (p. 539).

"Consideram-se as formas novas como sendo,
em conjunto, geralmente mais elevadas na escala da organização do que as formas antigas; devem-no ser, além disso, porque são as formas mais recentes e mais aperfeiçoadas que, na luta pela existência, têm devido sobrepujar as formas mais antigas e menos perfeitas; os seus órgãos devem ter-se também especializado muito para desempenhar as suas diversas funções" (p. 540).

"Como a
produção e a extinção das espécies são a conseqüência das causas sempre existentes e atuando lentamente, e não por atos miraculosos de criação; como a mais importante das causas das alterações orgânicas é quase independente de toda a modificação, mesmo súbita, nas condições físicas, porque esta causa não é mais que as relações mútuas de organismo para organismo, o aperfeiçoamento de um arrastando o aperfeiçoamento ou o extermínio de outros, resulta que a soma das modificações orgânicas apreciáveis nos fósseis de formações consecutivas pode provavelmente servir de medida relativa, mas não absoluta, do lapso de tempo decorrido entre o depósito de cada uma delas. Estas leis, tomadas no seu sentido mais lato, são: a lei do crescimento e reprodução; a lei da hereditariedade que implica quase a lei de reprodução; a lei de variabilidade, resultante da ação direta e indireta das condições de existência, do uso e não uso; a lei da multiplicação das espécies em razão bastante elevada para trazer a luta pela existência, que tem como conseqüência a seleção natural, que determina a divergência de caracteres, a extinção de formas menos aperfeiçoadas. O resultado direto desta guerra da natureza que se traduz pela fome e pela morte, é, pois, o fato mais admirável que podemos conceber, a saber: a produção de animais superiores. Não há uma verdadeira grandeza nesta forma de considerar a vida, com os seus poderes diversos atribuídos primitivamente pelo Criador a um pequeno número de formas, ou mesmo a uma só? Ora, enquanto que o nosso planeta, obedecendo à lei fixa da gravitação, continua a girar na sua órbita, uma quantidade infinita de belas e admiráveis formas, saídas de um começo tão simples, não têm cessado de se desenvolver e desenvolvem-se ainda!" (p. 553, 554).

Fonte:
Charles Darwin: "
A Origem das Espécies, no meio da seleção natural ou a luta pela existência na natureza". Tradução: Joaquim da Mesquita Paul. Lello & Irmãos Editores. Porto, 2003.

É isso!

Seleção Natural como sinônimo de "sobrevivência do mais apto"

Por: Charles Darwin, em "A Origem das Espécies":

"Pode ainda perguntar-se como é que as variedades, que eu chamo espécies nascentes, acabaram por se converter em espécies verdadeiras e distintas, as quais, na maior parte dos casos, diferem evidentemente muito mais umas das outras que as variedades de uma mesma espécie; como se formam estes grupos de espécies, que constituem o que se chamam gêneros distintos, e que diferem mais uns dos outros que as espécies do mesmo gênero? Todos estes efeitos, como explicaremos de maneira mais minuciosa no capítulo seguinte, dimanam de uma causa: a luta pela existência. Devido a esta luta, as variações, por mais fracas que sejam e seja qual for a causa de onde provenham, tendem a preservar os indivíduos de uma espécie e transmitem-se ordinariamente à descendência logo que sejam úteis a esses indivíduos nas suas relações infinitamente complexas com os outros seres organizados e com as condições físicas da vida. Os descendentes terão, por si mesmo, em virtude deste fato, maior probabilidade em persistir; porque, dos indivíduos de uma espécie nascidos periodicamente, um pequeno número pode sobreviver. Dei a este princípio, em virtude do qual uma variação, por insignificante que seja, se conserva e se perpetua, se for útil, o nome de seleção natural, para indicar as relações desta seleção com a que o homem pode operar. Mas a expressão que M. Herbert Spencer emprega: «a persistência do mais apto», é mais exata e algumas vezes mais cômoda. Vimos que, devido à seleção, o homem pode certamente obter grandes resultados e adaptar os seres organizados às suas necessidades, acumulando as ligeiras mas úteis variações que lhe são fornecidas pela natureza. Mas a seleção natural, como veremos mais adiante, é um poder sempre pronto a atuar; poder tão superior aos fracos esforços do homem como as obras da natureza são superiores às da arte" (p. 76).

"Se se admite este fato, poderemos duvidar (é preciso lembrar que nascem mais indivíduos do que aqueles que podem viver) que os indivíduos possuindo uma vantagem qualquer, por mais ligeira que seja, tenham probabilidade de viver e de reproduzir-se? Podemos estar certos, por outro lado, que toda a variação, por menos nociva que seja ao indivíduo, traz forçosamente o desaparecimento deste. Dei o nome de seleção natural ou de persistência do mais apto à conservação das diferenças e das variações individuais favoráveis e à eliminação das variações nocivas. As variações insignificantes, isto é, que não são nem úteis nem nocivas ao indivíduo, não são certamente afetadas pela seleção natural e permanecem no estado de elementos variáveis, como as que podemos observar em certas espécies polimorfas, ou terminando por se fixar, graças à natureza do organismo e às das condições de existência" (p.
94).

"
Desde que o homem pode obter e certamente obteve grandes resultados por meios metódicos e inconscientes de seleção, onde pára a ação da seleção natural? O homem pode apenas agir sobre os caracteres exteriores e visíveis. A natureza, se me permitem personificar com este nome a conservação natural ou a persistência do mais apto, não se ocupa de modo algum das aparências, a não ser que a aparência tenha qualquer utilidade para os seres vivos. A natureza pode atuar sobre todos os órgãos interiores, sobre a menor diferença de organização, sobre todo o mecanismo vital. O homem tem apenas um fim: escolher para vantagem de si próprio; a natureza, ao contrário, escolhe para vantagem do próprio ser. Dá pleno exercício aos caracteres que escolhe, o que implica o fato único da sua seleção" (p.97).

"
Mas, se as variações úteis a um ser organizado qualquer se apresentam algumas vezes, seguramente os indivíduos que disso são o objeto têm a melhor probabilidade de vencer na luta pela existência; pois, em virtude do princípio tão poderoso da hereditariedade, estes indivíduos tendem a deixar os descendentes tendo o mesmo caráter que eles. Dei o nome de seleção natural a este princípio de conservação ou de persistência do mais apto. Este princípio conduz ao aperfeiçoamento de cada criatura relativamente às condições orgânicas e inorgânicas da sua existência; e, por conseguinte, na maior parte dos casos, ao que podemos considerar como um progresso de organização. Todavia, as formas simples e inferiores persistem muito tempo quando são bem adaptadas às condições pouco complexas da sua existência" (p.145).

"
Se quisermos comparar o olho a um instrumento óptico, devemos imaginar uma camada espessa de um tecido transparente, embebido de líquido, em contato com um nervo sensível à luz; devemos supor também que as diferentes partes desta camada mudam constantemente e lentamente de densidade, de forma a separar-se em zonas, tendo uma espessura e uma densidade diferentes, desigualmente distantes entre si e mudando gradualmente de forma à superfície. Devemos supor, além disso, que uma força representada pela seleção natural, ou a persistência do mais apto, está constantemente espiando todas as ligeiras modificações que afetem camadas transparentes, para conservar todas as que, em diversas circunstâncias, em todos os sentidos e em todos os graus, tendem a permitir a perfeição de uma imagem mais distinta (p.201).

"
A seleção natural atuando somente pela vida e pela morte, pela persistência do mais apto e pela eliminação dos indivíduos menos aperfeiçoados, experimentei algumas vezes grandes dificuldades para me explicar a origem ou a formação de partes pouco importantes; as dificuldades são tão grandes, neste caso, como quando se trata dos órgãos mais perfeitos e mais complexos, porém são de uma natureza diferente" (p. 214).

"
O fato de poucas ou nenhumas modificações se produzirem depois do período glaciário teria algum valor contra os que crêem numa lei inata e necessária de desenvolvimento; mas é impotente contra a doutrina da seleção natural, ou da persistência do mais apto, porque esta implica a conservação de todas as variações e de todas as diferenças individuais e vantajosas que surjam, o que somente pode acontecer em circunstâncias favoráveis" (p. 229).

"
Ora pois, se as plantas e os animais variam tão lentamente e tão pouco, porque colocaremos nós em dúvida que as variações ou as diferenças individuais, que são de qualquer forma proveitosas, não possam ser conservadas e acumuladas pela seleção natural, ou persistência do mais apto? Se o homem pode, com paciência, separar as variações que lhe são úteis, porque razão, nas condições complexas e alteradoras da existência, não hão de surgir variações vantajosas para as produções vivas da natureza susceptíveis de ser conservadas por seleção? Que limite pode fixar-se a esta causa que atua continuamente durante séculos, e vigiando rigorosamente e sem descanso a constituição, a conformação e os hábitos de cada ser vivo, para favorecer o que é bom e rejeitar o que é mau? (p. 533).

E há que diga que a Seleção Natural foi a idéia mais brilhante que existiu no mundo. Eta mundo besta, meu Deus! ((rs))

E isso!