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Charles Darwin e Paul Broca: confronto ideológico

Discorrendo acerca da craniometria de Paul Broca, professor de cirurgia Antropológica e fundador da Sociedade Antropológica de Paris (1824-1880), Sthepen Jay Gould, em “A Falsa Medida do Homem”, sintetiza a “ciência” deste médico e antropólogo francês, com o seguinte depoimento:

Dediquei um mês à leitura das principais obras de Broca, concentrando-me em seus procedimentos estatísticos. Assim, comprovei que seus métodos se ajustavam a uma fórmula definida. A distância entre os fatos e as conclusões era por ele descoberta através de um caminho que poderia ser o habitual, se bem que percorrido em direção contrária. Começando pelas conclusões, Broca chegava às cren­ças compartilhadas pela maioria dos indivíduos brancos do sexo mas­culino que triunfaram em sua época: por graça da natureza, estes ocupavam a posição mais elevada, enquanto que as mulheres, os negros e os pobres figuravam em posição inferior. Seus dados eram fidedignos (contrariamente aos de Morton), mas foram recolhidos de maneira seletiva e posteriormente manipulados inconscientemen­te em favor de conclusões estabelecidas a priori. Tal procedimento permitia atribuir às conclusões a sanção da ciência e também o prestígio dos números. Broca e sua escola não usaram os fatos como documentos irrefutáveis, mas apenas como ilustrações. Começaram pelas conclusões, logo comparando-as com seus dados para, por fim, e através de uma rota circular, voltar a essas mesmas conclusões. Seu exemplo justifica um estudo mais minucioso, pois, ao contrário de Morton (que manipulou os dados, embora inconscientemente), refletiram seus preconceitos através de um outro procedimento, pro­vavelmente mais comum: fazer passar por objetividade o que é apo­logia” (p. 78).

E mais adiante:
O corpo humano pode ser medido de mil maneiras. Qualquer investigador convencido de antemão da inferioridade de determinado grupo pode selecionar um pequeno conjunto de medições para ilus­trar a maior afinidade do mesmo com os símios. (Tal procedimento, evidentemente, também poderia ser aplacado no caso de indivíduos brancos do sexo masculino, embora ninguém ainda o tenha tentado. Os brancos, por exemplo, têm lábios finos — propriedade que compar­tilham com os chimpanzés — enquanto que a maioria dos negros africanos tem lábios mais grossos e, conseqüentemente, mais "humanos".) O preconceito fundamental de Broca consiste em sua crença de que as raças humanas podiam ser hierarquizadas em uma escala linear de valor intelectual. Ao enumerar os objetivos da etnologia, Broca inclui o de "determinar a posição relativa das raças dentro da escala humana" (in Topinard, 1878, p. 660). Não lhe ocorreu que a variação humana pode-se ramificar de forma aleatória, em lugar de linear a hierárquica. E, uma vez que conhecia a ordem de antemão, a antropometria não foi para ele um exercício numérico de empirismo elementar, mas uma busca das características capazes de ilustrar a hierarquia correta” (p. 81).

Fonte:
Stephen Jay Gould: “A Falsa Medida do Homem”. Editora Martins Fontes. São paulo, 1991.

Como não haveria de ser de outra forma (Broca teve uma influência instigante no âmbito da ciência ao seu tempo), Charles Darwin também fez uso deste cientista francês como fonte para “fundamentar ainda mais” suas idéias sobre Seleção Natural e Seleção Sexual. Em seu livro menos conhecido “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”, o nome de Broca aparece várias vezes, sendo denominado por Darwin de “prudente e imparcial observador”:

Poderia consultar a obra do prof. Broca, um prudente e impar­cial observador, na qual poderia encontrar uma ótima prova de que algumas raças são completamente férteis, acasa­lando-se entre si, mas daria também com uma prova de natu­reza oposta em relação a outras raças. Assim é que se tem afirmado que as mulheres indígenas da Austrália e da Tasmâ-nia raramente concebem filhos com homens europeus; con­tudo foi demonstrado que, sobre este ponto, a prova não tem nenhum valor. Os mulatos são mortos pêlos negros puros: recentemente foi publicado um relatório sobre onze jovens mulatos que foram mortos e queimados ao mesmo tempo, cujos restos foram encontrados pela polícia . Tem-se ainda dito com frequência que, ao se casarem entre si, os mulatos geram poucos filhos; sobre este último ponto o Dr. Bachman, de Charleston, afirma que conheceu famílias de mulatos que se casaram entre si durante diversas gerações e em média têm continuado a ser tão férteis quanto os brancos puros e os negros puros” (p. 203).

“Na Eu­ropa as antigas raças ficavam todas "mais embaixo na esca­la do que se acham os mais rudes selvagens atuais", confor­me Schaaffhausen; por conseguinte, devem ter sido em certa medida diferentes de qualquer outra raça existente. Os vestígios de Lês Eyzies descritos pelo prof. Broca indicam uma raça com a mais singular combinação de características baixas ou simiescas e elevadas, embora infelizmente não pa­reçam ter pertencido a uma única família. Esta raça é "com-pletamente diferente de qualquer outra, antiga ou moderna, da qual sempre temos ouvido falar". Difere pois da ra­ça quaternária das caverna da Bélgica” (p.
216).

O prof. Broca notou que no século XIX os crânios dos cadáveres em Paris eram mais am­plos do que aqueles encontrados nos túmulos do século XII e estavam na relação de 1484 a 1426 (80); e que o aumento de grandeza, como se vê pelas medidas, se dava exclusivamente na parte frontal do crânio, sede das faculdades intelectivas.
[...]
No interessante artigo a que fiz agora menção, com acerto Broca observou que nas nações civilizadas a capacidade média do crânio é reduzida pela presença de um considerável número de indivíduos, fracos de intelecto e de corpo, que no estado selvagem teriam sido imediatamente eliminados. Por outro lado, nos selvagens a média abrange somente os indivíduos hábeis, que foram capazes de sobre­viver em condições de vida extremamente árduas. Broca explica assim o fato, que de outra forma não teria explicação, de que a capacidade média do crânio do antigo troglodita de Lozère é maior do que aquela do francês moderno” (p. 70).

Fonte:
Charles Darwin: “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”. Tradução: Attílio ancian e Eduardo Nunes Fonseca; Hemus Livraria e Editora. São Paulo, 1974.

É isso!


Sobre o lamarckismo de Charles Darwin

Além de Thomas Malthus e Herbert Spencer, outro nome que exerceu forte influência na obra de Darwin diz respeito a Jean-Baptieste Lamarck, um naturalista francês que elaborou o conceito de herança de caracteres adquiridos. Em todo o seu famoso livro “A Origem das Espécies”, Darwin remete constantemente à idéia de uso e desuso. Por exemplo:
“Nos animais, o uso ou não uso das partes tem uma influência mais considerávelainda. Assim, proporcionalmente ao resto do esqueleto, os ossos da asa pesam menos e os ossos da coxa pesam mais no canário doméstico que no canário selvagem.Ora, pode incontestavelmente atribuir-se esta alteração a que o canário doméstico voa menos e marcha mais que o canário selvagem. Podemos ainda citar, como um dos efeitos do uso das partes, o desenvolvimento considerável, transmissível por hereditariedade, das mamas das vacas e das cabras nos países em que há o hábito de ordenhar estes animais, comparativamente ao estado desses órgãos nos outros países. Todos os animais domésticos têm, em alguns países, as orelhas pendentes; atribui-se esta particularidade ao fato de estes animais, tendo menos causas de alarme, acabarem por se não servir dos músculos da orelha, e esta opinião parece bem fundada" (p. 24). E mais adiante:


"EFEITOS PRODUZIDOS PELA SELEÇÃO NATURAL SOBRE O AUMENTO DO USO OU NÃO USO DAS PARTES

Os fatos citados no primeiro capítulo não permitem, creio eu, dúvida alguma sobre este ponto: que o uso, nos animais domésticos, reforça e desenvolve certas artes, enquanto que o não uso as diminui; e, além disso, que estas modificações são hereditárias. No estado de natureza, não temos termo algum de comparação que nos permita julgar os efeitos de um uso ou de um não uso constante, porque não conhecemos as formas-tipo; mas, muitos animais possuem órgãos de que somente se pode explicar a presença pelos efeitos do não uso.

Não há, como o professor Owen o fez notar, anomalia maior na natureza do que uma ave que não possa voar; contudo, há muitas neste estado. O ganso de asas curtas da América Meridional deve contentar-se em bater com as asas a superfície da água, e estão elas, para ele, quase nas mesmas condições das do pato doméstico de Ailesbúria; demais, se é necessário acreditar M. Cunningham, estes patos podem voar quando são muito novos, enquanto que são incapazes de o fazer no estado adulto. As grandes aves que se nutrem sobre o solo, apenas voam para fugir ao perigo; épois provável que a falta das mesmas asas, em muitas das aves que habitam atualmente ou que, ultimamente ainda, habitavam as ilhas oceânicas, onde se nãoencontrava nenhum animal de presa, provêm do não uso das asas. O avestruz, éverdade, habita os continentes e está exposto a muitos perigos aos quais não pode subtrair-se pelo vôo, mas pode, bem como um grande número de quadrúpedes, defender-se dos seus inimigos a coices. Estamos autorizados a acreditar que um antepassado do gênero avestruz tinha hábitos semelhantes aos da betarda, e que, à medida que o tamanho e o peso do corpo desta ave aumentavam durante longas gerações sucessivas, o avestruz se serviu sempre mais das pernas e menos das asas, até que por fim se lhe tornou impossível voar"
(Hemus Editora, 1994, p. 151, 152).

Sintetizando o lamarckismo de Darwin, conclui-se que:
1. O que Darwin criticava em Lamarck não era sua concepção de hereditariedade, mas a importância que a vontade própria dos animais tinha sobre as mudanças orgânicas.
2. A mudança dos hábitos, segundo Darwin, alterava os órgãos. Por exemplo: mudança na alimentação. Para Darwin, se um determinado animal fosse superalimentado, iria crescer e engordar. E, como conseqüência disso, seus filhos seriam maiores e mais pesados. Se o tipo de alimentação fosse mudado, o animal poderia até alterar sua cor, de maneira que esta mudança passaria para os seus futuros descendentes.
3. Mudanças no clima também alteravam as características dos animais, segundo Darwin. Por exemplo, se o tempo ficasse mais frio os animais desenvolveriam pelagem mais grossa.
4. Para Darwin toda característica, qualquer que fosse ela, era transmitida por hereditariedade.
5. No conceito de Darwin, se as alterações não fossem hereditárias, não haveria evolução, pois na geração seguinte os descendentes nasceriam todos iguais, de modo que não poderiam em conseqüência disto continuar ocorrendo competição e as diferenças adquiridas não se acumulariam.
6. Mesmo após vinte anos de publicação de “As Origem das Espécies”, Darwin ainda continuava firmemente convencido dos efeitos hereditários das modificações orgânicas adquiridas durante a vida dos organismos. Finalizando, cito aqui as palavras do darwinista Nélio Bizzo (um profundo conhecedor da pessoa e obra de Darwin):

“Apesar de Darwin ter manifestado, como vimos, aversão às idéias de lamarck, jamais as contestou; pelo menos em seus elementos centrais. Muito pelo contrário: procurou desenvolve-las e sofisticá-las. Isto não pode ser atribuído a uma simples “fase” da vida do mestre. O ‘Origem” nasceu lamarckista e assim permaneceu. Este é um fato que os seguidores de Darwin omitiram deliberadamente.Algumas pessoas afirmam que Darwin passou a ser lamarckista só no final de sua vida, tentando explicar as variações dos seres vivos. No entanto, a opção não declarada por Lamarck já aparece no rascunho escrito em 1842, assim como no ensaio de 1844. Ele começava o ensaio dizendo: “Nos animais, o tamanho, vigor do corpo, o porte, idade da maturidade, características da mente e do temperamento são modificados ou adquiridos durante a vida do indivíduo e tornam-se características hereditárias. Há razões para crer que o grande desenvolvimento muscular adquirido através de um programa de exercícios, ou por outro lado seu atrofiamento pelo desuso, sejam também herdados”
(Nélio Marco - “O que é Darwinismo” – Editora Brasiliense, 1989, p. 19).

Darwin, pois,"nasceu" larmarckista e morreu lamarckista. Não sei porque seus seguidores tentam suprimir este fato!

É isso!

Charles Darwin e Boris Casoy: confronto ideológico

Veja também:

"Que merda. Dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho" – Boris Casoy (no intervalo da edição de Réveillon do Jornal da Band).

Não obstante é muito difícil encontrar uma explicação para o fato de que uma tribo e não outra teve êxito e subiu na escala da civilização. Muitos selvagens acham-se nas mes­mas condições de quando foram descobertos pela primeira vez, faz alguns séculos” – Charles Darwin (em “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”, p. 160).

Um dos muitos efeitos calamitosos do darwinismo social refere-se à prática da medição como ferramenta para distinguir grupos de pessoas. Os eugenistas foram especialistas nesse tipo de experiência. Segundo Stephen Jay Gould (“
A Falsa Medida do Homem”) “a evolução e a quantificação formaram uma temível aliança; em certo sentido, sua união forjou a primeira teoria racista “científica” de peso, se definirmos “ciência” erroneamente, como muitos o fazem, como sendo toda a afirmação aparentemente respaldada por cifras abundantes” (p. 66). Esse respeitatíssimo autor darwinista, menciona ainda o exemplo do primo de Charles Darwin, o fundador de Eugenia, o inglês Francis Galton. Diz Gould citando o próprio Galton:

“Sua f
é na medição apoiava-se nas idiossincrasias e na engenho­sidade de seus métodos. Ele se propunha, por exemplo, a construir um "mapa da beleza" das Ilhas Britânicas da seguinte maneira (1909, pp. 315-316):

‘Sempre que tenho a oportunidade de classificar as pessoas que encontro em tr
ês classes distintas, "boa, regular e ruim", utilizo uma agulha montada como se fosse uma pua, com que perfuro, sem ser visto, um pedaço de papel cortado toscamente em forma de cruz alongada. No extremo superior, marco os valores "bons", nos braços os valores "re­gulares", e na extremidade inferior os valores "ruins". As perfurações são bastante distanciadas para permitir uma leitura fácil no momento desejado. Escrevo em cada papel o nome do sujeito, o lugar e a data. Com este método, registrei minhas observações sobre a beleza, classifi­cando as moças que encontrei pelas ruas e em outros locais como atraen­tes, indiferentes ou repelentes. É claro que esta foi uma avaliação pura­mente individual mas, a julgar pela coincidência dos diferentes intentos realizados com a mesma população, posso afirmar que os resultados são consistentes. Assim, comprovei que Londres ocupa a posição mais elevada na escala da beleza, e Aberdeen a mais baixa.'

Com bom humor, sugeriu o seguinte m
étodo para quantificar o abor­recimento (1909, p. 278):

‘Muitos processos mentais admitem uma medi
ção aproximada. Por exemplo, o grau em que as pessoas se aborrecem pode ser medido pelo número de movimentos de inquietações que realizam. Em mais de uma ocasião apliquei este método durante as reuniões da Royal Geographical Society, pois mesmo lá dissertações bastante tediosas são ocasionalmente lidas. ... Como o uso de um relógio pode chamar a atenção, calculo o tempo pelo número de minhas respirações, que é de 15 por minuto. Não conto mentalmente, mas através de 15 pressões com o dedo sucessivas. Reservo a contagem mental para registrar os movimentos de inquietação. Este tipo de observação deve limitar-se às pessoas de meia-idade. As crianças raramente ficam quietas, en­quanto que os velhos filósofos por vezes permanecem rígidos por vários minutos.’

Fonte:
Stephen Jay Gould: “A Falsa Medida do Homem”. Editora Martins Fontes. São Paulo, 1991, p. 67.

E para quem imagina que Darwin não tinha nada a ver com isso, afirma o mesmo Gould:

“Darwin, que abordava com grandes suspeitas os argumentos em favor do caráter hereditário da inteligência, depois de ler Hereditary Genius, escreveu o seguinte: ‘em certo sentido, o senhor transformou um oponente em convertido...” (ibdem, p. 69).

Ao fazer uso do termo “escala”, tanto Darwin quanto Boris estão impondo uma “categoria” ou “graduação” como fator distintivo entre diferentes grupos sociais. Torna-se, pois, óbvia a intenção de fazer prevalecer a superioridade um grupo em detrimento de outro. Darwin acreditava que os brancos europeus estavam no mais alto topo da “escala” evolutiva, ao passo que as diversas comunidades indígenas e os negros africanos permaneciam bem abaixo na escala das civilizações. A infeliz frase do jornalista Boris Casoy escancara a idéia de que os nossos preciosos e batalhadores garis são os “párias” das muitas profissões. É claro, latentemente ele faz transparecer sua “superioridade” de “doutor”, sua marca de perfume, seu status social, seu belo carro, sua magnífica mansão e seu gordo salário. Provavelmente ele “cusperia na própria boca que lhe beija”.

Mas, voltando a Darwin, é interessante como essa questão de “escala” fascinou o grande naturalista. No seu livro inicialmente citado, isso aparece várias vezes. Por exemplo:

1 – Referindo-se às civilizações:

“A prova de que todas as nações civilizadas descendem daquelas bárbaras, encontramo-la, de um lado, em traços claros da sua primitiva baixa condição, nos costumes, ideias e língua ainda existentes, e por outro lado, na prova de que os selvagens são independentemente capazes de soerguer-se de qualquer grau na escala da civilização e atualmente efetivamente se ergueram” (p. 171).
“Algumas tribos pequenas e espalhadas, vestígios de uma raça anterior, sobre­vivem em zonas isoladas e geralmente montanhosas. Na Eu­ropa as antigas raças ficavam todas "mais embaixo na esca­la do que se acham os mais rudes selvagens atuais", confor­me Schaaffhausen” (p. 216).

2 – Referindo-se aos organismos:
“Ademais, ignoramos completamente com que rapidez os organismos podem ter-se modificado em circunstâncias fa­voráveis, tanto no alto como embaixo na escala” (p. 186).

3 –
Referindo-se aos símios:
“Destas várias considerações evidencia-se como provável que os simióides se tenham origi­nariamente desenvolvido dos antepassados dos atuais lêmu­res e estes, por sua vez, de formas colocadas muito embaixo na escala dos mamíferos” (p. 187).

4 – Referindo-se aos mamíferos:
Tentando traçar a genealogia dos mamíferos e, por con­seguinte, do homem, descendo sempre mais baixo na escala acabamos envolvendo-nos numa obscuridade cada vez maior” (p. 188).

5 – Referindo-se aos animais no geral:
“Alguns animais, que se situam extremamente embaixo na escala zoológica, têm passa­do por modificações para esta mesma finalidade” (p. 249).

6 - Referindo-se ao homem:
“Releva-se ao homem se sente algum orgulho por ter gal­gado, embora não por méritos próprios, o cume da escala dos viventes” (p. 711).

Mas, para não dizer que falei de flores, vai aqui nossa singela homenagem a este valoroso profissional:

POEMA AO LIXEIRO

Por: Marieta Borges Lins e Silva

Nada há de belo
no trabalho daquele
que recolhe lixo,
dia após dia:
nem perfume, nem limpeza,
nem a disposição ordeira
das coisas arrumadas e estáticas...

Pressurosos e aparentemente felizes,
caminham, correm, apanham fardos,
reviram, misturam,
- misturam-se, como lixos humanos –
sobrevivendo da dolorosa profissão
que se alimenta de restos...

Dolorosa partilha de uma vida
que se mantém porque existem sobras...
Suado pão que se ganha
sujando as mãos no que foi desprezado...
Terrível certeza de permanecer limpo
na alma de trabalhador,
em luta pelo seu quinhão,
sob o eco e o desdém da palavra lixo!

E, enquanto apanham cacos
e mergulham as mãos na podridão dos úmidos dejetos,
sabem-se homens de verdade,
no enfrentar de uma desdita
cobrada por todos os outros homens,
que precisam – de algum modo –
safar-se do que lhes sobra,
do que foi, ontem, razão de ordem,
do que já não serve mais
senão para ser jogado fora.

Lixeiro-irmão,
que limpas os caminhos dos homens,
com o teu sacrifício diário e anônimo,
ergue os olhos para o céu tão limpo
e acredita na justiça que fará de ti
o primeiro entre os últimos
a aspirar a claridade dos espaços definitivos,
onde não há teias,
sombras,
restos!

Publicado no livro “No silêncio do coração”, de Marieta Borges Lins e Silva, Ed.Catolicanet, SP/2006.

Charles Darwin e Adolf Hitler: confronto ideológico

Ideologicamente o que haveria de comum entre as idéias do ditador alemão e os conceitos do naturalista inglês?

Seria possível estabelecer um confronto entre ambas ideologias, e de tal maneira que se encontrem pontos em comuns em suas obras?

Que ligação é possível fazer acerca do conteúdo ideológico de “Minha Luta”, de Adolf Hitler
, e “A Origem do Homem”, de Charles Darwin?

Bem. Não obstante tenha uma opinião firmada sobre a questão, vou apenas transladar para este espaço alguns textos extraídos das obras supramencionadas, de modo que, cada pessoa, caso tenha interesse, faça sua própria análise e chegue à sua própria conclusão.

O confronto aqui exposto se dará basicamente de acordo com os seguintes critérios que norteiam à Eugenia:
1 - Supremacia de uma “raça” considerada "superior" em detrimento de outra tida como "inferior".
2 - A hereditariedade dos caracteres físicos e mentais: o patrimônio hereditário dos pais.
3 - A necessidade de se impedir a união conjugal entre “as raças inferiores” com aquelas consideradas “superiores”: regulamentação do casamento.
4 - A sobrevivência da raça considerada "mais apta" ou "mais forte".
5 - A natureza agindo seletivamente em prol da "raça superior" ou "raça civilizada".

SÍNTESE
A sociedade vista com uma clara divisão: de um lado, os membros “superiores”, os “mais fortes”, sadios, inteligentes, ricos, civilizados e, obviamente, brancos; do outro lado, os membros “inferiores”, os “mais fracos”, mal nutridos, doentes, pobres, selvagens, incivilizados, de constituição racial duvidosa, os quais deveriam ser impedidos de se reproduzirem, pois acabariam por “rebaixar toda a raça”, e de tal modo que, limitando-se os rituais de seleção “vistos” na natureza, seria possível acelerar o progresso da humanidade. Os "mais aptos", evidentemente, encontra-se entre os indivíduos das classes dominantes.

Vamos às fontes:


CHARLES DARWIN. “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”. Tradução: Attílio Cancian e Eduardo Nunes Fonseca. Hemus Livraria Editora LTDA. São Paulo, 1974.

A seleção permite ao homem agir de modo favorável, não somente na constituição física de seus filhos, mas em suas qualidades intelectuais e morais. Os dois sexos deveriam ser impedidos de desposarem-se quando se encontrassem em estado de inferioridade muito acentuada de corpo ou espírito.
Todos aqueles que não podem evitar uma abjeta pobreza para seus filhos deveriam evitar de se casar, porque a pobreza não é apenas um grande mal, mas ela tende a aumentar; (...) enquanto os inconscientes se casam e os prudentes evitam o casamento, os membros inferiores da sociedade tendem a suplantar (em número) os membros superiores.
Como todos os animais, o homem chegou certamente ao seu alto grau de desenvolvimento atual mediante luta pela existência, que é conseqüência de sua multiplicação rápida; e, para chegar a um mais alto grau ainda, é preciso que continue a ser mantida uma luta rigorosa (...).
Deveria haver concorrência aberta para todos os homens e dever-se-iam fazer desaparecer todas as leis e todos os costumes que impedem os mais capazes de conseguir seus objetivos e criar o maior número possível de crianças” (p. 710).

“Assim, no que toca as faculdades mentais, a sua transmissão se manifesta nos cães, nos cavalos e nos outros animais domésticos. Ademais, seguramente se transmitem gostos e hábitos particulares, a inteligência em geral, a coragem, o bom e o mau temperamento, etc. Com o homem assistimos a fatos semelhantes ern quase toda família; e agora,
graças às notáveis obras de Galton , sabemos que o gênio, que compreende uma combinação extraordinariamente complexa de faculdades elevadas, tende a ser hereditário; por outro lado é igualmente certo que a loucura e as deficiências psíquicas se transmitem nas famílias” (p. 41).

"Passaremos agora a considerar as faculdades intelectuais.
Se em todo grau da sociedade os membros fossem divididos em dois grupos iguais, um abrangendo os membros intelectualmente superiores e o outro aqueles inferiores, não haveria dúvida alguma de que o primeiro teria o melhor êxito em todas as ocupações e o último teria um maior número de filhos” (p. 189).

“Também no mais baixo nível de vida, a capacidade e a habilidade podem ser de alguma vantagem, embora em muitas ocupações seja bastante pequena, em virtude da grande divisão do trabalho. Por isso, nas nações civilizadas haverá uma certa tendência para incrementar tanto o número como o nível da capacidade intelectual. Mas não quero afirmar que esta tendência não possa ser mais do que contrabalançada em outras maneiras, por exemplo pela multiplicação dos imprevidentes e dos irriquietos; mas também a pessoas como estas a habilidade deve ser de alguma forma vantajosa.
Muitas vezes se tem objetado, para idéias semelhantes, que os homens mais eminentes não têm deixado descendentes que herdassem o seu grande intelecto. Galton afirma:
"Sinto desgosto em ser incapaz de resolver a simples questão sobre até que ponto homens e senhoras, que são muito geniais, são estéreis. Contudo, tenho demonstrado que homens eminentes não são absolutamente assim" (p.163).

"No caso das estruturas corpóreas, o fator que contribui para um progresso de uma espécie é a seleção de indivíduos ligeiramente mais dotados e a eliminação daqueles menos dotados, e não a conservação de anomalias fortemente acentuadas e raras”
(p. 164).

"O mesmo se dará com as faculdades intelectuais, visto que os homens um pouco mais hábeis em qualquer grau da sociedade têm melhor êxito do que os menos hábeis e, conseqüentemente, progridem em número, quando não são obstaculados de um outro modo.
Quando numa nação o nível de inteligência e o número de pessoas inteligentes cresceram, de acordo com a lei do desvio da média, podemos contar com o aparecimento dos gênios com um pouco mais de frequência do que antes” (p. 164).

"No que diz respeito às qualidades morais, a eliminação das piores disposições está sempre aumentando também nas nações mais civilizadas
. Os malfeitores são justiçados ou lançados na prisão durante longos períodos, a fim de não poderem transmitir livremente as suas más qualidades. Os hipocondríacos e os loucos são confinados ou suicidam-se. Os violentos e os briguentos encontram muitas vezes um triste fim.
Os vadios que não têm nenhuma ocupação estável — e este resto de barbárie representa um grande obstáculo para a civilização — emigram para países há pouco colonizados, onde se transformam em úteis pioneiros” (p. 164).

"As mulheres corrompidas geram poucos filhos e os homens corruptos raramente se casam; tanto elas como eles são vítimas de doenças. Na criação de animais domésticos, a eliminação dos indivíduos, embora escassos em número, que de algum modo evidente são inferiores, constitui um elemento em nada absolutamente negligenciável para o êxito. Isto é particularmente válido para aqueles caracteres negativos que têm a propensão ao reaparecimento através da reversão, como a cor negra das ovelhas;
e no gênero humano, algumas das piores disposições que aparecem nas famílias, sem uma causa determinada, podem constituir talvez um retorno ao estado selvagem, do qual nos temos afastado em não muitíssimas gerações. Esta ideia, na verdade parece ser reconhecida pela expressão popular de que tais homens são as ovelhas negras da família" (p. 164, 165).

"Nas nações civilizadas, enquanto não for atingido um adiantado nível de moralidade e um notável número de homens sinceramente bons, a seleção natural tem efeitos aparentemente escassos, embora os instintos sociais fundamentais sejam originariamente adquiridos por seu intermédio”
(p. 165).

"Greg e Galton muito têm insistido sobre o obstáculo mais importante, existente nos países civilizados, contra o aumento do número dos homens de classe superior, isto é,
sobre o fato de que os mais pobres e os negligentes, que frequentemente são degradados pelo vício, quase invariavelmente se casam antes, enquanto que os prudentes e os frugais, que em geral são virtuosos também em outras maneiras, contraem matrimônio em idade avançada, com a finalidade de poderem ser capazes de permanecer, eles mesmos e os seus filhos, na comodidade” (p. 166).

“Ou, nas palavras de Greg:
"O irlandês imprevidente, esquálido, sem ambições, multiplicase como os coelhos; o escocês frugal, previdente, cheio de auto-respeito, ambicioso, austero na sua moralidade, espiritualista nas suas opiniões, sagaz e disciplinado na sua inteligência, passa os seus melhores anos na luta e no celibato, casa-se tarde, gera poucos filhos. Supondo um país originariamente povoado por cem saxões e com celtas — e vereis que numa dúzia de gerações os 5/6 da população serão célticos, mas os 5/6 da riqueza, do poder, do intelecto pertencerão à sexta parte de saxões que ficam. Na eterna "luta pela existência", é a raça inferior e menos favorecida que tem prevalecido e não por causa das suas boas qualidades, mas por causa dos seus defeitos" (p. 167) .

"Também a mortalidade dos maridos abaixo dos vinte anos é "excessivamente elevada", mas há dúvida sobre qual seria a causa disto. Por fim, se os homens que prudentemente adiam o matrimônio, até que estejam em condições de manter a sua família com conforto, pudessem escolher, como muitas vezes fazem, as mulheres jovens,
o percentual de aumento na classe melhor sofreria apenas uma escassa redução”
(p. 168).

"Admite, contudo, que os intemperantes, os dissolutos e as classes criminosas, cuja duração de vida é breve, comumente não se casam;
deve-se, outrossim, admitir que os homens de constituição fraca, de saúde doentia ou com alguma grande enfermidade mental ou física, muitas vezes não desejam casar-se ou são rejeitados” (p. 168).

"De um modo geral, podemos concluir com o Dr. Farr, quando diz que a menor mortalidade dos casados em relação aos não casados, que parece uma lei geral, "deve-se principalmente à constante eliminação dos tipos imperfeitos e à hábil seleção dos melhores indivíduos em toda geração", enquanto a seleção se refere somente ao estado conjugal, e age sobre todas as qualidades, físicas, intelectuais e morais.
Podemos portanto deduzir que os homens sadios e bons, que por medida de prudência permanecem solteiros por um certo tempo, não sofrem uma alta porcentagem de mortalidade” (p. 169).

"Se os obstáculos especificados nos últimos dois parágrafos e quiçá outros ainda desconhecidos não podem evitar que os membros da sociedade negligentes, viciados e de vários modos inferiores aumentem numa percentagem mais rápida do que as classes superiores, então a nação retrocederá, conforme infelizmente muitas vezes tem acontecido na história do mundo”
(p. 169).

"Devemos recordar-nos de que o progresso não é uma regra invariável. É muito difícil dizer porque uma nação civilizada tem origens, se torna mais poderosa, estende-se mais do que uma outra; ou porque esta mesma nação progride mais num período do que noutro.
Podemos tão somente dizer que isto depende do aumento do número atual da população, do número de homens dotados de elevadas faculdades intelectuais e morais e do seu nível de excelência. A estrutura física parece ter escassa influência, exceto para o fato de que o vigor do corpo conduz ao vigor da mente” (p. 170).

"Os indivíduos e as raças podem ter adquirido certas vantagens indiscutíveis e no entanto ter perecido por causa da fraqueza de outros caracteres. Os gregos podem ter decaído por falta de coesão entre os seus pequenos estados, pela pouca extensão de todo o seu território, pela prática da escravidão ou pela extrema sensualidade.
Com efeito, eles não sucumbiram senão quando "foram desfibrados e corrompidos profundamente". As nações da Europa ocidental, que atualmente em tanto superam os seus primitivos antepassados selvagens, pouco ou nada devem da sua superioridade à direta herança dos antigos gregos, embora muito devam às obras escritas por aquele povo maravilhoso” (p. 170).

"Os notáveis êxitos dos ingleses como colonizadores, em comparação com outras nações europeias, foram atribuídos à sua "energia audaz e persistente"; um resultado que ficou bem evidenciado ao comparar o progresso dos canadenses de ex-tração inglesa e francesa; mas, quem pode dizer como é que os ingleses adquiriram a sua energia?”(p. 171).

"Aparentemente existe muita verdade na opinião de que os maravilhosos progressos dos Estados Unidos e o caráter deste povo são o resultado da seleção natural; com efeito, os homens mais enérgicos, irrequietos e corajosos de todas as parte da Europa emigraram durante as últimas dez ou doze gerações para esse grande país e lá tiveram o melhor êxito”
” (p. 171).

"Por mais obscuro que seja o progresso da civilização, podemos pelo menos ver que uma nação que, durante um período prolongado, produziu o máximo número de homens de maior intelecto, enérgicos, corajosos, patrióticos, generosos, em geral deveria prevalecer sobre as nações menos favorecidas”
(p. 171).

"A seleção natural deriva da luta pela existência e esta de uma rápida taxa de aumento. Não é possível deixar de lamentar a taxa com que o homem tende a aumentar; mas se isto é prudente, é outra questão.
Efetivamente, nas tribos bárbaras isto leva ao infanticídios e a muitos outros males e, nas nações civilizadas, à pobreza abjeta, ao celibato e aos matrimónios mais tardios dos homens prudentes” (p. 171).

"Quando em muitas partes do mundo vemos enormes áreas da terra mais fértil, capazes de sustentar muito bem numerosas famílias, mas povoadas somente por alguns selvagens errantes, devemos então deduzir que a luta pela existência não tem sido suficientemente dura para forçar o homem a atingir o seu mais elevado nível”
(p. 171).

"A julgar de tudo o que sabemos do homem e dos animais inferiores, sempre tem havido uma suficiente variabilidade em suas faculdades morais e intelectuais para um progresso seguro através da seleção natural.
Sem dúvida, tal progresso requer muitas circunstâncias favoráveis convergentes;
mas não é certo que a mais favorável teria sido suficiente, no caso em que a taxa de incremento não tivesse sido rápida e a consequente luta pela existência extremamente dura” (p. 172).

"Isto se torna evidente também pelo que vemos, por exemplo, nas zonas da América do Sul, onde um povo que pode ser chamado de civilizado, como os colonos espanhóis, está sujeito a tornar-se indolente e a retroceder, quando as condições de vida são muito fáceis.
No que toca às nações altamente civilizadas, num nível subordinado,, o contínuo progresso depende da seleção natural: com efeito, tais nações não se sobrepujam e exterminam mutuamente como fazem as tribos selvagens” (p. 172).

"Não obstante isto, os membros mais inteligentes, no seio da mesma comunidade, terão mais êxito com o correr do tempo do que os menos inteligentes, e terão prole mais numerosa; e isto não deixa de ser uma forma de seleção natural
. As causas mais eficazes do progresso parecem consistir numa boa educação durante a juventude, quando a mente é suscetível de ser formada, e num alto nível de excelência,
imposto pêlos homens mais capazes e melhores, incorporado nas leis, costumes e tradições da nação e reforçado pela opinião pública” . Contudo, deve-se ter presente que a consolidação da opinião pública depende da apreciação que fizermos da aprovação e desaprovação dos outros. Esta apreciação é fundada na nossa simpatia que, indubitavelmente, originariamente se desenvolveu através da seleção natural como um dos mais importantes elementos dos instintos sociais (p. 172).

"Os habitantes da Terra do Fogo foram provavelmente forçados por outras hordas de conquistadores a estabelecer-se na sua terra não hospitaleira e podem conseqüentemente ter regredido, mas seria difícil provar que tenham decaído mais do que os botocudos, que habitam a melhor parte do Brasil.
A prova de que todas as nações civilizadas descendem daquelas bárbaras, encontramo-la, de um lado, em traços claros da sua primitiva baixa condição, nos costumes, ideias e língua ainda existentes, e por outro lado, na prova de que os selvagens são independentemente capazes de soerguer-se de qualquer grau na escala da civilização e atualmente efetivamente se ergueram” (p. 173).

"Em geral se crê que a mulher supera o homem na intuição, na maneira rápida como entende as coisas e talvez na imitação,
mas pelo menos algumas dessas faculdades são características das raças inferiores e por conseguinte de um estágio de civilização mais baixo e já ultrapassado” (p. 649).

"A distinção principal nos poderes mentais dos dois sexos reside no fato de que o homem chega antes que a mulher em toda ação que empreenda, requeira ela um pensamento profundo ou então razão, imaginação, ou simplesmente o uso das mãos e dos sentidos
. Se houvesse dois grupos de homens e mulheres que mais sobressaíssem na poesia, na pintura, na escultura, na música (trate-se da composição ou da execução), na história, nas ciências e filosofia, não poderia haver termos de comparação.
Baseados na lei do desvio da média, tão bem ilustrada por Galton em seu livro Hereditary Genius, podemos também concluir que, se em muitas disciplinas os homens são decididamente superiores às mulheres, o poder mental médio do homem é superior àquele destas últimas” (p. 649).

"Num capítulo anterior vimos que as capacidades mentais dos animais superiores não diferem em qualidade, embora sejam de grau muito diverso, das capacidades mentais dos homens, especialmente das raças inferiores e bárbaras; e parece que também o seu senso do belo não é muito diferente daquele dos quadrúmanos. Com efeito, os negros da África transformam o rosto com rugas paralelas "ou cicatrizes sobre a superfície natural, porque estas horrendas deformações são consideradas atrativos pessoais";
do mesmo modo como os negros e os selvagens de muitas partes do mundo pintam o rosto com sinais vermelhos, azuis e brancos, assim parece que o macho do mandril africano adquiriu o seu focinho rugoso e vivamente colorido a fim de se tornar atraente para a fêmea. Certamente parece-nos estranho que a parte traseira do corpo seja ainda mais colorida do que o focinho, com a finalidade precisa de servir de ornamento, mas, na realidade, isto não causa maior estranheza do que a decoração das caudas de muitos pássaros” (p. 625).

"O homem acumula riquezas e as transmite aos seus filhos, de modo que os filhos dos ricos levam vantagem sobre aqueles dos pobres na corrida para o êxito, independentemente da superioridade física ou mental.
Por outro lado, os filhos de pais de vida breve e que portanto em média são privados de saúde e vigor, herdam as suas riquezas antes que os outros, provavelmente se casarão antes e farão com que um maior número de descendentes herde a sua fraca constituição.
Mas, a hereditariedade da propriedade, em si mesma está muito longe de constituir um perigo; com efeito, sem acumulação de capital as artes não poderiam progredir e é sobretudo mediante o seu poder que as raças civilizadas estenderam e continuam estendendo por toda parte a sua ordem, de modo a assumir o lugar das raças inferiores. Nem mesmo uma moderada acumulação de riqueza interfere no processo de seleção" (p. 162).

"Quando um homem pobre se torna modestamente rico, os seus filhos se inserem no exercício de profissões onde há luta à farta, de modo que aquele que é hábil física e mentalmente tem melhor sucesso. A presença de um grupo de homens bem instruídos, que não devam lutar pelo seu pão cotidiano, reveste-se de uma tal importância que, seja como for, não pode ser subvalorizada enquanto todo trabalho intelectual elevado é por eles realizado, pois de tal depende sobretudo o progresso material de todo gênero, para não lembrarmos outras e mais elevadas vantagens.
Sem dúvida, quando a riqueza é grande demais, a mesma tende a converter o homem num ocioso inútil, mas se trata de um número exíguo; e verifica-se um certo grau de eliminação, visto que vemos cotidianamente homens ricos, que são néscios ou dissolutos, esbanjar as suas riquezas” (p. 162).

"Quem tiver visto um selvagem em sua terra nativa não sentirá muita vergonha se for constrangido a reconhecer que em suas veias corre o sangue das mais humildes criaturas. Quanto a mim, quisera antes ter descendido daquela pequena e heróica macaquinha que desafiou o seu terrível inimigo para salvar a vida do próprio guarda; ou daquele velho babuíno que, descendo da montanha, levou embora triunfante um companheiro seu jovem, livrando-o de uma matilha de cães estupefatos, ao invés de descender de um selvagem que sente prazer em torturar os inimigos, que encara as mulheres corno escravas, que não conhece o pudor e que é atormentado por enormes superstições”
(p. 712).

ADOLF HITLER - "Minha Luta", Edição Digitalizada. Apresentação Nélson Jahr Garcia.

“Quem, física ou espiritualmente, não é sadio ou digno, não deve perpetuar os seus defeitos através de seus filhos! Nisso consiste a maior tarefa educativa do Estado nacionalista. Isso será visto, de futuro, como uma obra mais elevada do que as mais vitoriosas guerras do atual século burguês. Educando o indivíduo, o Estado deve ensinar que não é uma vergonha, mas uma lamentável infelicidade, ser fraco ou doente, mas é um crime e também uma vergonha que se arrastem, nessa infelicidade, por mero egoísmo, inocentes criaturas. Ao contrário é uma prova de grande nobreza de sentimentos, do mais admirável espírito de humanidade, que o doente renuncie a ter filhos seus e consagre seu amor e sua ternura a alguma criança pobre, cuja saúde dá esperança de vir a ser ela um membro de valor de uma comunidade forte. Nessa obra de educação, o Estado deve coroar os seus esforços tratando também do aspecto intelectual. Deve agir, nesse sentido, sem consideração de qualquer espécie, sem procurar saber se a sua atuação é bem ou mal entendida, popular ou impopular” (p. 181).

“A própria natureza costuma agir no sentido de limitar o aumento de população de determinadas terras ou raças, em épocas de grandes necessidades ou más condições climáticas, bem como de pobreza do solo; e isso com um método tão sábio quão inexorável. Ela não impede a capacidade de procriação em si e sim, porém, a conservação dos rebentos, fazendo com que eles fiquem expostos a tão duras provações que o menos resistente é forçado a voltar ao seio do eterno desconhecido, o que ela deixa sobreviver às intempéries está milhares de vezes experimentado e capaz de continuar a produzir, de maneira que a seleção possa recomeçar"
(p. 62).

"Agindo desse modo brutal contra o indivíduo e chamando-o de novo momentaneamente a si, desde que ele não seja capaz de resistir à tempestade da vida, a natureza mantém a raça, a própria espécie, vigorosa e a torna capaz das maiores realizações. A diminuição do número, por esse processo, redunda em um reforço da capacidade do indivíduo e, por conseguinte, em última análise, em um revigoramento da espécie”
(p. 62).

"Sendo limitada a procriação e diminuído o número dos nascimentos, sobrevem,
em lugar da natural luta pela vida, que só deixa viverem os mais fortes e mais sãos, a natural mania de conservar e "salvar" a todos, mesmo os mais fracos, a todo preço. Assim se deixa a semente para uma descendência que será tanto mais lamentável quanto mais prolongado for esse escárnio contra a natureza e suas determinações.

O resultado final é que um tal povo um dia perderá o direito à existência neste mundo, pois o homem pode, durante um certo tempo, desafiar as leis eternas da conservação, mas a vingança virá mais cedo ou mais tarde.
Uma geração mais forte expulsará os fracos, pois a ânsia pela vida, em sua última forma, sempre romperá todas as correntes ridículas do chamado espírito de humanidade individualista, para, em seu lugar, deixar aparecer” (p. 63).

"A grande massa não passa de uma obra da natureza e o seu sentir não compreende o aperto de mão recíproco entre homens que afirmam pretender o contrário. O que ela quer é a vitória do mais forte e o aniquilamento do fraco ou a sua rendição incondicional”
(p. 156).

"A lei natural de toda evolução não permite a união de dois movimentos diferentes, mas assegura sempre a vitória do mais forte e a criação do poder e da força do vitorioso, o que só se pode conseguir por meio de uma luta incondicional”
(p. 161).

"Já a observação mais superficial nos mostra, como lei mais ou menos implacável e fundamental, presidindo a todas as inúmeras manifestações expressivas da vontade de viver na Natureza, o processo em si mesmo limitado, pelo qual esta se continua e se multiplica. Cada animal só se associa a um companheiro da mesma espécie. O abelheiro cai com o abelheiro, o tentilhão com o tentilhão, a cegonha com a cegonha, o rato campestre com o rato campestre, o rato caseiro com o rato caseiro, o lobo com a loba etc.
Só circunstâncias extraordinárias conseguem alterar essa ordem, entre as quais figura, em primeiro lugar a coerção exercida por prisão do animal ou qualquer outra impossibilidade de união dentro da mesma espécie. Ai, porém, a Natureza começa a defender-se por todos os meios, e seu protesto mais evidente consiste, ou em privar futuramente os bastardos da capacidade de procriação ou em limitar a fecundidade dos descendentes futuros” (p 131).

"Na maior parte dos casos, ela priva-os da faculdade de resistência contra moléstias ou ataques hostis. Isso é um fenômeno perfeitamente natural: todo cruzamento entre dois seres de situação um pouco desigual na escala biológica dá, como produto, um intermediário entre os dois pontos ocupados pelos pais. Significa isto que o filho chegará provavelmente a uma situação mais alta do que a de um de seus pais, o inferior, mas não atingirá entretanto à altura do superior em raça.
Mais tarde será, por conseguinte, derrotado na luta com os superiores. Semelhante união está porém em franco desacordo com a vontade da Natureza, que, de um modo geral, visa o aperfeiçoamento da vida na procriação. Essa hipótese não se apóia na ligação de elementos superiores com inferiores mas na vitória incondicional dos primeiros”(p. 131).

"O papel do mais forte é dominar. Não se deve misturar com o mais fraco, sacrificando assim a grandeza própria. Somente um débil de nascença poderá ver nisso uma crueldade, o que se explica pela sua compleição fraca e limitada.
Esse instinto que vigora em toda a Natureza, essa tendência à purificação racial, tem por conseqüência não só levantar uma barreira poderosa entre cada raça e o mundo exterior, como também uniformizar as disposições naturais. A raposa é sempre raposa, o ganso, ganso, o tigre, tigre etc. A diferença só poderá residir na medida variável de força, robustez, agilidade, resistência etc., verificada em cada um individualmente. Nunca se achará, porém, uma raposa manifestando a um ganso sentimentos humanitários.
Eis porque a luta recíproca surge aqui, motivada, menos por antipatia íntima, por exemplo, do que por impulsos de fome e amor. Em ambos os casos, a Natureza é espectadora, plácida, e satisfeita. A luta pelo pão quotidiano deixa sucumbir tudo que é fraco, doente e menos resoluto, enquanto a luta do macho pela fêmea só ao mais sadio confere o direito ou pelo menos a possibilidade de procriar. Sempre, porém, aparece a luta como um meio de estimular a saúde e a força de resistência na espécie, e, por isso mesmo, um incentivo ao seu aperfeiçoamento.
Se o processo fosse outro, cessaria todo progresso na continuação e na elevação da espécie, sobrevindo mais facilmente o contrário. Dado o fato de que o elemento de menor valor sobrepuja sempre o melhor na quantidade, mesmo que ambos possuam igual capacidade de conservar e reproduzir a vida, o elemento pior muito mais depressa se multiplicaria, ao ponto de forçar o melhor a passar para um plano secundário. Impõe-se, por conseguinte, uma correção em favor do melhor. Mas a Natureza disso se encarrega, sujeitando o mais fraco a condições de vida difíceis, que, só por isso, o número desses elementos se torna reduzido" (p. 131, 132).

"Não consentindo que os demais se entreguem, sem seleção prévia, a reprodução, ela procede aqui a uma nova e imparcial escolha, baseada no princípio da força e da saúde.
Se, por um lado, ela pouco deseja a associação individual dos mais fracos com os mais fortes, ainda menos a fusão de uma raça superior com uma inferior. Isso se traduziria em um golpe quase mortal dirigido contra todo o seu trabalho ulterior de aperfeiçoamento, executado talvez através de centenas de milênios.
Somente, pondo de parte que o homem ainda não superou em coisa alguma a Natureza, não tendo passado de tentativas o levantar, pelo menos, uma ou outra pontinha do gigantesco véu, sob o qual ela encobre os eternos enigmas e segredos, que ele, de fato, nada inventa, somente descobre o que existe, que ele não domina a Natureza, só tendo ascendido ao grau de senhor entre os demais seres vivos, pela ignorância destes e pelo seu próprio conhecimento de algumas leis e de alguns segredos da Natureza, pondo de parte tudo isso, uma idéia não pode dominar as hipóteses sobre a origem e o destino da Humanidade, visto a idéia mesma só depender do homem. Sem o homem não pode haver idéia” (p. 131, 132).

"Naturalmente um ou outro poderá rir dessa afirmação. É preciso que ninguém se esqueça, porém, de que este planeta já percorreu o éter milhões de anos sem ser habitado e poderá, um dia, empreender o mesmo percurso da mesma maneira, se os homens esquecerem que não devem sua existência superior às teorias de uns poucos ideólogos malucos, mas ao reconhecimento e à aplicação incondicional de leis imutáveis da Natureza”
(p. 133).

"Quem desejar viver, prepara-se para o combate, e quem não estiver disposto a isso, neste mundo de lutas eternas, não merece a vida. Por mais doloroso que isso seja, é preciso confessá-lo. A sorte mais dura é, sem dúvida alguma, a do homem que julga poder vencer a Natureza e na realidade a Natureza do mesmo escarnece. A réplica da Natureza se resume então em privações, infelicidades e moléstias!
O homem que desconhece e menospreza as leis raciais, em verdade, perde, desgraçadamente a ventura que lhe parece reservada, Impede a marcha triunfal da melhor das raças, com isso estreitando também a condição primordial de todo progresso humano. No decorrer dos tempos, vai caminhando para o reino do animal indefeso, embora portador de sentimentos humanos. É uma tentativa ociosa querer discutir qual a raça ou quais as raças que foram os depositários da cultura humana e os verdadeiros fundadores de tudo aquilo que compreendemos sob o termo "Humanidade” (p. 133).

"Se refletirmos que uma grande diminuição da procriação é conseqüência desse estado de coisas e que
disso está dependente a seleção natural que só pode ter como resultado criaturas infelizes, então é lícito que nos façamos esta pergunta: Por que manter uma tal instituição? Que objetivo preenche ela? Não é ela, porventura, igual à própria prostituição? O dever para com a posteridade não existe mais? Não se compreende que praga se reserva a futuras gerações através de uma tão criminosa e leviana aplicação de um direito natural que é também o maior dever para com a Natureza?Assim se degeneram os grandes povos e gradualmente são arrastados à ruína. O casamento não deve ser uma finalidade em si, mas ao contrário, deve servir à multiplicação e conservação da espécie e da raça, Esse é o seu significado, essa é a sua finalidade.
Assim sendo, a sua razão de ser deve ser medida pela maneira por que é alcançado esse objetivo. Os casamentos entre jovens se justificam ao primeiro exame, porque podem dar produtos mais sadios e mais resistentes. Para facilitar essas uniões tornam-se imprescindíveis várias condições sociais, sem as quais impossível é contar com casamentos entre jovens. A solução desse problema, aparentemente tão fácil, não se encontrará sem medidas decisivas sob o ponto de vista social.
A importância desse problema ressalta do fato de vivermos em um tempo em que a chamada República "Social", demonstrando a sua incapacidade para resolver o problema das habitações, tornou impossíveis inúmeros casamentos e incrementou, por esse meio, a prostituição.
À irracionalidade da nossa maneira de dividir os salários, sem nenhuma atenção ao problema da família e seu sustento, deve-se o fato de muitos casamentos não se realizarem.
Só se pode tentar uma verdadeira guerra contra a prostituição se, por uma modificação radical nas atuais condições sociais, se facilitarem as uniões entre jovens, mais do que acontece atualmente. Essa é a primeira condição para que o problema da prostituição possa ser resolvido” (p. 116, 117).

"É falsa a suposição de que da fusão de grupos fracos possa resultar um fator de energia, pois a maioria, sob toda e qualquer forma e em todas as hipóteses, tem sido sempre a representante da tolice e da covardia. É assim que todas as ligas, dirigidas por muitas cabeças, estão totalmente votadas à covardia e à fraqueza. Acresce ainda que uma tal coesão impede o livre exercício das forças,
a luta pela seleção do melhor elemento, barrando assim a possibilidade da vitória final, que deve coroar o mais sadio e o mais forte.
Semelhantes coalizões são, portanto, contrárias à seleção natural, impedindo, na maior parte das vezes, a solução do problema a resolver” (p. 231).

"Empregadores e empregados nacionais-socialistas são, ambos, encarregados e procuradores da comunidade nacional toda. A elevada medida de liberdade pessoal, que lhes é outorgada em seu agir, é explicável pelo fato de que, de acordo com a experiência, a capacidade do indivíduo é aumentada mais com a concessão de ampla liberdade do que com a coação vinda de cima e é, também,
apropriada para impedir que o processo de seleção natural, que deve ser facilitado aos mais hábeis, aos mais capazes e aos mais diligentes, seja entravado” (p. 270).

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É isso!