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Pra não esquecer o Piltdown

A famigerada farsa do Homem de Piltdown teve seu enlace em 1953, quando descobriram que o deslumbrante “elo” era apenas uma montagem feita a partir de uma mandíbula de um símio com partes do crânio de um homem.

Tenho aqui em mãos um “fóssil literário”, uma raridade intitulada “A Génese da Humanidade”, de C. Arambourg (professor no Museu de História Natural de Paris), publicado em Língua Portuguesa no ano de 1950, pela antiga Publicações Europa-América (e na França, em 1948). Ou seja, 5 anos antes da farsa vir a público.

O trecho a seguir, não obstante traga em si indícios de suspeita sobre a veracidade do fóssil, está incluso no livro com objetivo de explicar como se deu o surgimento do homem. Não deixa também de ser interessante pelos nomes envolvidos na trama. Para quem gosta de história, vale a pena uma rápida lidinha:

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Os fósseis de Piltdown (Eoantropus dawsani)

"Trata-se de diversos restos ósseos descobertos na Inglaterra, no condado de Sussex, ao norte de Newhaven, em dois pontos diferentes de uma mesma formação geológica. Numa primeira jazida encontraram-se alguns fragmentos de caixa craniana, um fragmento de mandíbula com dois pré-molares no seu lugar e um canino inferior isolado; todos estes vestígios foram sucessivamente recolhidos por C. Dawson e Smith Woodward com intervalos de meses ou anos, mas na vizinhança uns dos outros. Uma segunda jazida afastada alguns quilómetros da primeira forneceu mais tarde outros fragmentos de um segundo crânio com um molar isolado.

A formação geológica que contém todos estes restos é uma mistura de areia e cascalho pouco espessa, cobrindo uma superfície topográfica situada a cerca de 25 metros acima do talweg dos vales correspondentes. Esta camada de cascalho e areia encerra uma fauna onde os calhaus rolados atestam o desmantelamento de formações mais antigas da idade pliocénica, assim como na indústria de lascas do tipo clactonense-levailoisense. Mesmo que se admita que estas camadas não sofreram modificações posteriormente à sua formação (o que não é absolutamente seguro), a sua idade continua ainda incerta porque tem sido, conforme, os autores, atribuida ao 1º , 2º ou 3º interglaciares; a indústria que contém apoiaria tlpológicamente a segunda opinião.

Os vestígios ósseos humanóides, que daí provêm, apresentam uma associação de caracteres bastante paradoxal: enquanto que a caixa craniana reconstituida se aproxima da dos homens actuais, a mandibula e a dentição são perfeitamente simiescas. As controvérsias, que desde as primeiras descobertas opuseram entre si os mais eminentes antropologistas, diziam,também, respeito à contemporaneidade de todas estas peças, à sua antiguidade e idade real e sobretudo à atribuição a um mesmo individuo e a uma mesma espécie do crânio e da mandíbula encontrados na primeira jazida. No seu livro sobre Os Homens Fósseis, Boule discutia longamente estes diversos pontos de vista; não tendo surgido depois dessa obra recomendamos esse trabalho para quem queira mais amplos esclarecimentos.

Foram tentadas várias reconstituições do primeiro crânio por diversos autores: Smith Woodward, E. Smith, A. Keith, Weinert. Todos diferem entre si sobre vários pontos, mas todos estão de acordo em revelar que se trata de um crânio que se assemelha em muitos pontos de vista ao do Homo sapiens actual: pela forma geral, pela capacidade de 1.350 c. c. pelo perfil frontal e occipital pela ausência de tórus circum-orbital e estrutura da região temporal e mastóidea, etc. Em contrapartida, a moldagem endocraniana revela, segundo Elliot-Smith, caracteres primitivos e simiescos absolutamente surpreendentes. Enfim, todos os ossos são particularmente espessos e maciços como nos antropóides e nos homineos primitivos.

A mandíbula apresenta um enorme canino saliente, urna região sinfisária longa e fortemente inclinada para trás, assim como uma série dental rectilínea, formada por molares alongados, idênticos, na sua estrutura, aos dos chimpanzés; o aspecto geral desta mandibula é nitidamente antropóide e, como o fez notar Boule, se tivesse sido encontrada isolada, ninguém teria discutido a sua atribuição a um antropólde do Quaternário. Há, também, autores que pensam que esta mandíbula não pertence ao crânio com o qual foi encontrada; foi a primeira opinião de Boule; é a de Miller, de Gregory e este propôs o nome de Pan vetus para designar o chimpanzé fóssil a que teria pertencido. Mas não é essa a opinião de Smith Woodward, de Keith, nem, também, de Boule, para os quais crânio e mandíbula pertencem a um único e mesmo ser de caracteres mistos.

Os restos do segundo crânio, descobertos a alguns quilómetros do primeiro, compreendem em particular um fragmento de frontal que (partindo do principio que é da mesma idade que o outro), confirma a ausência de viseira supra-orbital já observada no anterior. Um pré-mo- lar encontrado ao mesmo tempo é do mesmo tipo que os da primeira mandibula, o que favoreceria a opinião de Smith Woodward.

Seja como for, as diversas tentativas de reconstituição, de que se tratou, fizeram salientar, conforme as tendências dos seus autoras, ou os caracteres «humanos» do fóssil de Piltdown ou, pelo contrário, os seus caracteres «primitivos». A atribuição da mandíbula chimpanzóide continua a ser a grande dificuldade; dois pontos de vista se apresentam irreconciliáveis: 1º o ponto de vista que, fazendo abstracção da mandíbula, quer ver no «Homem de Piltdown» um precursor directo do Homo sapiens representando um ramo distinto dos Pitecantropídeos e dos Neandertalenses; 2° o ponto de vista para o qual a associação de uma morfologia craniana humana com dentição e cérebro humanos pertence à mesma ordem dos factos observados nos Pitecantropideos onde uma morfologia craniana primitiva se alia a uma dentição e membros humanos.

Por agora, o enigma de Piltdown continua, a controvérsia prossegue e durará, talvez, muito tempo ainda, até à descoberta de documentos mais completos e datados com mais certeza” (p. 103-105).

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É isso!

Fonte:
A. Arambourg: “A Génese da Humanidade”. Publicações Europa-América. Lisboa, 1950.

Desarmaram a pobre Lucy!

Recentemente o site Ciência Hoje divulgou uma matéria que tinha por título: “Lucy e suas ferramentas”. Observe o texto:

Eram dois ossos fossilizados de grandes mamíferos: um pedaço de costela e um trecho de um fêmur. Os depósitos vulcânicos onde foram encontrados em Dikika, na Etiópia, indicam que são de 3,42 a 3,24 milhões de anos atrás. Mas o fator decisivo para a descoberta foram as falhas em suas superfícies: marcas de cortes, talhos e golpes, que não poderiam ter sido feitos por outros animal nem pelas mãos humanas.


A conclusão dos pesquisadores – liderados por Shannon McPherron, do Instituto de Antrolopogia Evolutiva Max Planck, na Alemanha, e Zeresenay Alemseged, da Academia de Ciências da Califórnia – é que estavam diante de ossos de animais que serviram de jantar aos Australopithecus afarensis.

As marcas teriam sido deixadas por instrumentos de pedra, usados para raspar a carne do osso e tirar a medula de seu interior, também para a alimentação. De acordo com o estudo, é a primeira evidência de que os australopitecos usavam ferramentas, e também que comiam carne
.”


E ênfase para
:

Agora, quando imaginamos a Lucy caminhando pela paisagem do leste africano em busca de comida, pela primeira vez podemos imaginá-la com uma ferramenta de pedra na mão, e procurando carne”, disse o arqueólogo Shannon McPherron, em comunicado do Instituto Max Planck."

Pois bem. Três meses se passaram e, pobre Lucy, tiraram-lhe sua preciosa arma.

Segundo matéria publicada hoje pelo jornal espanhol
El Mundo “La 'Australopithecus' Lucy pierde su cuchillo para la carne.”

A notícia afirma que a espécie
Australopithecus afarensis, conhecida por Lucy, perdeu sua capacidade de fazer ferramentas. Um estudo realizado por um arqueólogo espanhol levou à bancarrota uma pesquisa publicada na revista Science, a qual assegurava que tais hominídeos, que teria vivido há 3,5 milhões de anos, eram capazes de usar pedras como ferramentas para obter carne.

O novo trabalho liderado por Manuel Domínguez-Rodrigo, diretor do projeto espanhol paleoantropológico em Olduvai (Tanzânia), concluiu que as marcas dos ossos nada mais eram do que pisoteios de animais, em vez de uma atividade para obtenção de carne.


Ênfase para
:

"
Vistas por el microscopio, encajan a la perfección con otros huesos pisoteados, hasta el punto que cualquier alumno mío puede verlo. Así que, de momento, no podemos retrasar un millón de años la capacidad humana de hacer herramientas. Sigue estando relacionada con la necesidad de consumir más carne debido a que el cerebro era más grande, y eso se sabe que ocurrió hace 2,5 millones de años», explica el científico.”

Pois é. O que seria dos bolsos e das contas-correntes de muitos desses cientistas do ramo da paleontologia se não fosse esse tipo de especulação? Teoria da conspiração? Vá lá, que seja, porém, não há dúvidas de que o negócio realmente dá dinheiro.

É isso!

O homem e sua origem confusa

O texto, a seguir, de autoria de Yves Coppens, escritor, paleontólogo e professor do Collège de France, autor de “Prémbules”, foi recortado por mim do jornal O Estado de São Paulo, edição de 10 de setembro de 1995. A sinceridade do autor em relação as dificuldades para se entender a origem do homem, chama atenção pelo fato de ser ele um darwinista, pois como é notório, grande parte dos defensores da Teoria da Evolução são incapazes de admitir sequer uma única falha em seus postulados, que parecem estar à prova de qualquer refutação. No darwinismo as "certezas" costumam ser tão “óbvias”, tão “verdadeiras” e tão "reais" que a atitude deste paleontólogo, pelo menos neste caso específico, é um exemplo que merece ser divulgado. Eis o texto:

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O homem e sua origem confusa

Por: Yves Coppens

"A origem do ser humano é uma verdadeira confusão. Graças às descobertas da paleontologia, hoje se sabe que os ancestrais do homem são os australopithecus, um tipo de “primata” hominídeo que já se comporta em alguns aspectos como humano, mas ainda possui características de macaco. Entretanto, quanto mais fósseis são encontrados, mais confrontamos com primatas diferentes: Australopithecus afarensis, ramidus, ethiopicus, boisei, africanus e agora um novo, o mais jovem da família, descoberto graças a uma de nossas escavações, e que data de mais de 3 milhões de anos. Gente demais.

O mesmo acontece com os primeiros homens, os verdadeiros. Em 1964, considerávamos o mais antigo de nossos ancestrais o
Homo habilis. Depois foi encontrado outro, Homo rudolfensis, que não é idêntico ao primeiro. Em seguida ainda outro, Homo ergaster, distinto dos dois precedentes... Hoje estamos diante de uma multidão de personagens e não sabemos como estabelecer a relação entre eles. Já que os prinieiros seres humanos surgiram na mesma região dos australopithecus, deduzimos que são descendentes dos mesmos. Mas qual australopithecus corresponde a qual homem? Quem dá origem a quem? Lancemos uma nova questão: os últimos australopithecus são contemporâneos dos primeiros homens. A árvore genealógica das espécies não pára de se ramificar e nossa filiação torna-se um verdadeiro quebra-cabeça.

E esse mistério que nos leva a investigar o mecanismo da evolução. Constatamos que num ambiente idêntico todas as espécies evoluem no mesmo sentido — precisamente em direção à adaptação a esse meio. Segundo a teoria darwinista — que até hoje é de certa forma aceita — alguns sofreriam mutações genéticas que se produziriam por acaso e muitas delas lhes proporcionariam alguma vantagem para que a sua sobrevivência fosse possível nesse novo ambiente. Com o passar das gerações e gerações, essa nova espécie se imporia, selecionada pelo próprio meio em que vive.

Mutações
— Particularmente, essa teoria não me convence muito. No entanto, o fato de tais mutações vantajosas acontecerem sempre no momento mais oportuno chama a atenção. Correndo o risco de causar controvérsias entre os biólogos, e sem retornar à teoria de Lamarck, acho que é preciso levantar algumas questões sobre o mecanismo de registro genético de algumas transformações ambientais.

De qualquer forma, o acaso é responsável por transformações oportunas demais para se acreditar...

Grande mistério — O surgimento de um primata que utiliza as pedras para fabricar utensílios, primeiro ocasionalmente, depois com mais freqüência, até formar uma cultura própria, ou melhor, desenvolver a consciência que termina por criar um ambiente cultural, também é, a meu ver, um grande mistério. Partimos de um ser instintivo, sem liberdade individual, e obtemos um homem que conquista a liberdade de ação e um livre arbítrio graças ao conhecimento adquirido e transmitido... O desenvolvimento técnico e cultural ultrapassa o desenvolvimento biológico... Como é possível? Por quê? Os artistas da arte parietal utilizavam linhas sutis para que as pinturas pudessem durar, o que significa que eles eram dotados, por exemplo, da capacldade de pensar no futuro.

Ao observarmos a história da vida no decorrer de milhares de anos, essa organização do mundo que se torna a cada dia mais complexa, com o homem habitando seu planeta no meio de uma pequena galáxia, é difícil imaginar que tudo isso seja vazio de significado. E isso deveria nos estimular a olhar o mundo a uma certa distância, se é que podemos nos pôr assim, no espaço, no tempo e na mente."


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É isso!


Fonte
:
Jornal O Estado de São Paulo: 10/09/1995.

O dedo promíscuo do Neandertal

Impressiona a quantidade de pesquisas relacionadas aos mais vanguardistas dos hominídeos, o Neandertal!

Já se sabe que ele cantava, dançava e era capaz de avançadas inovações. Agora, num estudo realizado sob a liderança de Emma Nelson, da Universidade Liverpool, e publicado no "Journal Proceedings of the British Royal Society", descobriu-se que esse "cara" também era dado à prática da promiscuidade e da devassidão. Resumindo: um grande e indecoroso libertino. ((rs))

A nova pesquisa, acreditem, tomou por base o comprimento dos dedos. Elevado índice de andrógenos no útero faz aumentar o tamanho do dedo anelar. Ao comparar-se este dedo com o indicador, a diferença foi notória. O Neandertal apresentava, pois, o anelar sensivelmente avantajado, do que se conclui que o danado era promíscuo e devasso.

Sei não, mas, reparando bem meus magros dedos, fiquei deveras surpreso ao notar que tenho algo muito comum com os Neandertais. ((rs))

É isso!

O "dente de coelho" da evolução

Ora, vejam só!
Alguns simples dentes de macacos, datados de 38 milhões de anos, trouxeram novos questionamentos acerda da verdadeira origem do homem: África ou Ásia?

As recentes pesquisas realizadas na Birmânia e na Tailândia por Jean-Jacques Jaeger, da Universidade de Poitiers (França), colocam em xeque as tradicionais explicações sobre a origem africana do homem.

Bom. Levando em conta a história pregressa da paleontologia, não se deve dar muito crédito a este tipo de especulação, afinal já é notório o famigerado caso do Hesperopithecus, cujo “personagem” principal foi exatamente um dente!

Se o homem se originou na Àsia ou na Bahia, isso pouco me importa. O fato, porém, é que a origem do homem na África serviu muito bem aos interesses ideológicos dos antigos defensores da eugenia. A avançada Europa dos brancos contrastava com a “incivilizada” África dos negros, o que, na mentalidade daqueles imbecis segregacionistas, significava que o africano ainda precisava “evoluir muito” para alcançar o “grandioso” progresso do europeu. O apartheid tipifica muito bem isto.

Mas, afinal, que mudanças haveria na estrutura social dos povos africanos, caso se encontrasse uma prova definitiva de que aurora da humanidade teve seu início na África? Isso acarretaria em algum benefício prático para os etíopes, por exemplo? Haveria um movimento mundial a favor do perdão da dívida para os países daquele continente? As grandes nações traçariam um plano para completa extinção da miséria entre seus habitantes?

Definitivamente, não!
A questão é puramente especulativa e apenas serve para manter a boa vida daqueles que fazem da “evolução” o seu “pão-nosso-de-cada-dia”.

É isso!

“Mais cedo do que se pensava”

Está para ser publicado um estudo na revista "Science" com descobertas relacionadas ao domínio das técnicas de afiar pedras por parte dos homens pré-históricos do sul da África. O estudo realizado na caverna de Blombos, África de Sul, chegou à inusitada conclusão de que este importante evento deu-se há pelo menos 75 mil anos, ou seja, “50 mil anos mais cedo do que se pensava até o momento”.

Segundo a curadora do Museu de História natural da Universidade de Colorado, Paola Villa, a descoberta é importante porque mostra que os humanos modernos daquela região tinham um repertório sofisticado de técnicas para afiar ferramentas de pedras desde bem cedo. Para a realização do estudo, os pesquisadores analisaram 159 pontas e fragmentos de silcreto, além de 179 peças trabalhadas e 700 escamas (placas) esculpidas por amolação.

As oscilações observadas neste tipo de estudo são simplesmente fantásticas. Um dente, uma mandíbula, um fio de cabelo etc. podem ser decisivos para mudar o rumo da história da evolução humana. Com isso, ganham as editoras, que terão de reeditar os livros com as novas estimativas, e os professores de Darwin, que terão muito mais assunto para continuar enchendo suas “linguiças evolutivas”.

Bom, mas como diz o ditado: “antes tarde do que nunca”. ((rs))

É isso!

Evolução e imaginação

Até que ponto a paixão exagerada por uma causa não é decisiva na obtenção de “provas” que a confirme como verdadeira? Especificamente no âmbito das pesquisas paleontológicas, até que ponto a obsessão pela causa da evolução não é preponderante para se chegar a um resultado favorável ao termo de uma dada pesquisa?

Não me refiro à manipulação intencional dos dados, embora isso também possa ocorrer, mas sim a um esforço orientado emocionalmente para um determinado propósito. Os antigos craniometristas, por exemplo, acreditavam de tal maneira que os europeus tinham um cérebro maior e mais sofisticado do que os negros e os índios, que ao fim de suas investigações acabavam por encontrar as “provas” de que tanto necessitavam para atestar suas “verdades”.

Isso me veio à mente ao ler o livro “A Origem da Espécie Humana”, do prestigiado Richard Leakey. Lá pelas tantas, ao fazer menção do sítio 50, o autor tenta recriar a partir de indícios arqueológicos o modo de vida do chamado Homo erectus, há 1, 5 milhões de anos. A forma como Leakey fantasia a rotina diária deses misteriosos seres, remete-nos de algum modo ao maravilhoso mundo dos mitos, das lendas, das fábulas e dos contos populares. Se não, vejamos:

“Embora nunca possamos ter certeza de como era a vida diária nos primeiros tempos do Homo erectus, podemos utilizar o rico indício arqueológico do sítio 50, e nossa imaginação, para recriar tal cenário, há 1,5 milhão de anos:

Uma corrente sazonal segue seu leito gentilmente através da planície aluvial no lado leste do gigantesco lago. Acácias altas alinham-se ao longo das margens da corrente sinuosa, projetando sombras bem-vindas que protegem do sol tropical. Na maior parte do ano o leito da corrente permanece seco, mas chuvas recentes nas colinas ao norte estão abrindo seu caminho em direção ao lago, fazendo a corrente aumentar de volume lentamente. Por umas poucas semanas, a planície aluvial tem estado flamejante por causa das cores, com ervas florescentes formando manchas amarelas e roxas contra a terra alaranjada e baixos arbustos de acácia parecendo nuvens revoltas. A estação chuvosa é iminente.

Aqui, em uma curva da corrente, vemos um pequeno agrupamento humano, cinco fêmeas adultas e um aglomerado de crianças e jovens. Eles são de estatura atlética e fortes. Estão conversando alto, alguns deles trocam observações sociais óbvias, alguns discutem os planos para o dia. Mais cedo, antes do nascer do Sol, quatro machos adultos do grupo haviam partido em busca de carne. O papel das fêmeas é coletar alimentos vegetais, que todos percebem ser o principal produto econômico em suas vidas. Os machos caçam, as fêmeas coletam; é um sistema que funciona espetacularmente bem para o nosso grupo e por tanto tempo quanto qualquer um é capaz de lembrar-se.

Três das fêmeas agora estão prontas para partir nuas exceto por uma pele de animal jogada sobre os ombros que tem o papel dual de servir para transportar o bebê, e mais tarde para transportar o alimento. Elas levam consigo bastões curtos e pontiagudos, que uma das fêmeas preparara antes usando lascas de pedra afiadas para aparar galhos fortes...

Para trás junto à corrente, as duas fêmeas restantes repousam tranqüilamente sobre a areia macia sob uma acácia alta, observando os trejeitos de três jovens. Muito velhos para serem carregados na pele de animal, muito jovens para caçar ou coletar, estes fazem o que todos os jovens fazem: eles fazem brincadeiras que prenunciam sua vida adulta...

Obter lascas afiadas é mais difícil do que parece, e a habilidade é ensinada principalmente por meio do exemplo, e não pela instrução verbal. A garota tenta novamente, desta vez sua ação é sutil-mente diferente. Uma lasca afiada destaca-se do seixo, e a garota deixa escapar um grito de triunfo. Ela apodera-se da lasca, mostra- a para a mulher sorridente e então corre para exibi-la aos seus colegas defolguedos. Eles prosseguem juntos com a brincadeira, armados agora de um implemento da maturidade. Eles encontram um pau, que a aprendiz de britadeira desbasta até obter uma ponta aguçada, e então eles formam sm grupo de caça, em busca de um peixe para matá-lo com a lança...

Em breve, o som distante de vozes que se aproximam avisa às mulheres que os homens estão retornando. E, a julgar pelo tom de excitação na conversação destes, eles estão retornando após terem sido bem-sucedidos. Na maior parte do dia os homens estiveram silenciosamente tocaiando um pequeno rebanho de antílopes, observando que um dos animais parecia coxear ligeiramente. Repetidamente, este indivíduo era deixado para trás pelo rebanho e tinha que fazer tremendos esforços para juntar-se a ele...

Finalmente, uma oportunidade apresentou-se e, sem dizer uma palavra, de comum acordo, os três homens moveram-se para posições estratégicas. Um deles atirou uma pedra com força e precisão, obtendo um impacto estonteante; os outros dois correram para imobilizar a presa. Uma estocada rápida com um pau curto e pontiagudo fez correr uma torrente de sangue da jugular do animal. O animel Jutou mas em pouco tempo estava morto...

Mais tarde, naquela noite, há quase um sentido de ritual no consumo da carne. O homem que conduziu o grupo de caça corta os pedaços e os entrega para as mulheres que sentam em torno dele e para os outros homens. As mulheres dão pedaços para as suas crianças, que os trocam alegremente entre si. Os homens oferecem pedaços para seus colegas, que oferecem outros pedaços em troca. O ato de comer carne é mais do que o sustento; é uma atividade de comunhão social.

A excitação do triunfo na caça agora evanesce, os homens e mulheres trocam relatos de seus dias separados. Há uma compreensão de que eles em breve terão que deixar este acampamento agradável, pois as chuvas crescentes nas montanhas distantes em breve farão com que a corrente inunde suas margens. Por agora, eles estão contentes....


É isso!

Fonte:
Richard Leakey: "A Origem da Espécie Humana". Tradução: Alexandre Tort. Rio De Janeiro, 1997, p. 79-82.

Elvis realmente não morreu!


Uma equipe de pesquisadores da Fundação Atapuerca acaba de divulgar ao mundo mais uma novidade evolutiva relacionada à evolução humana. De posse de uma pélvis e de algumas vértebras encontradas na serra burgalesa, cuja idade atribuída foi de meio milhão de anos, a equipe de darwinistas chegou à conclusão de que se tratava de um homem corpulento que sofria de uma grave doença relacionada à locomução, mas que conseguiu sobreviver até uma idade avançada.

De acordo com o trabalho publicado na revista científica PNAS, o indivíduo era um antepassado dos neandertais, pertencente a espécie denominada Homo heidelbergensis. A pélvis, descoberta em 1996, foi batizada de "Elvis", e se encontrava em meio aos restos de 28 indivíduos de sexos e idades diferentes. “Elvis”, dizem os pesquisadores, tinha mais de 45 anos e era portador de uma enfermidade degenerativa chamada espondilolistesis. Em consequencia das constantes dores de que era acometido, deduziu-se que “Elvis” estava impossibilitado de executar a essencial atividade física da caça, concluindo-se daí que o grupo do qual ele fazia parte nutria de cuidados especiais pelos mais velhos.

Portanto, a galera de Darwin já pode comemorar a descobeta de mais um importante elo, que vem a aflorar ainda mais o imenso rosário evolutivo da evolução.

É isso!

Neandertais, a novela continua

De todos os seres que compõem a imensa lista dos ancestrais humanos elencados pelos darwinistas, os Neandertais são assim um caso à parte. Nas antigas gravuras, eles eram representados com feições mais próximas às dos macacos; de alguns tempos para cá, porém, seus traços se modernizaram, assemelhando-se cada vez mais a um lorde inglês ou a um gentleman francês. Supondo que esta seja uma tendência, não demora muito e logo os veremos à moda tupiniquim, numa dessas glamorosas novelas da Globo, com Tony Ramos e Glória Pires num adocicado romance ao estilo de José de Alencar.

Bom. Como parte da rotina midiática, na última semana duas notícias sobre os Neandertais vieram complementar esta novela sem fim. A primeira delas afirma que, ao contrário do que se pensava, os Neandertais eram capazes de inovações: "
Até hoje, achava-se que os ornamentos e ferramentas usados pelos Neandertais teriam aparecido graças ao contato com a espécie que os substituiu. Mas Riel-Salvatore afirma que seu artigo, publicado em "Journal of Archaeological Method and Theory", defende outro aspecto. "[O estudo] reage à persistente ideia a respeito dos Neandertais e mostra que eles eram realmente capazes de inovar."

A outra notícia é sobre a misteriosa extinção desses seres não menos misteriosos
. Uma pesquisa recente segere que as mudanças climáticas após repetidas erupções vulcânicas foram a causa da extinção dos Neandertais. A pesquisa comandada por Liubov Vitaliena Golovanova e Vladimir Borisovich Doronichev, do Laboratório de Pré-história em São Petersburgo, Rússia, foi piblicada este mês no periódico Current Anthropology: “Aventamos a hipótese de que o desaparecimento do Neandertal deu-se abruptamente (em uma escala de temo geológico) ... após a mais potente atividade vulcânica registrada no oeste da Eurásia durante o período da história evolutiva do Neandertal... Esta catástrofe não apenas destruiu drasticamente os nichos ecológicos das populações Neandertais, como, também, causou uma despovoação física massiva”, afirmaram os pesquisadores.

É isso!

"A corrida dos fósseis"

Segundo o jornal Folha de São Paulo, a casa de leilões Sotheby's negociou ontem, em Paris, 11 lotes de fósseis brasileiros que, de acordo com o órgão do governo federal que autoriza as extrações, saíram de forma ilegal do país. Além de insetos, peixes e plantas, o conjunto tinha um valioso crânio completo do pterossauro Ludodactylus sibbicki, o único conhecido com cristas e dentes. O valor estimado do crânio do pterossauro, segundo o jornal, está entre 50 mil e 70 euros, algo em torno de R$ 115 mil e R$ 161 mil.

Lendo tal notícia, imediatamente me veio à mente a famosa fraude do dinossauro-pássaro (o
Archaeoraptor), que se tornou pública em 2001. Um fóssil retirado ilegalmente da China foi vendido por US$ 80 mil ao artista plástico americano Stephen Czerkas, que conseguiu a “proeza” de fazê-lo capa da até então prestigiada revista "National Geographic", em novembro de 99: “O caso era sensacional: um fóssil de dinossauro descoberto na China apresentava uma "combinação dramática" de características de pássaro e de dromeossauro, um dino carnívoro. Era, definitivamente, o elo perdido entre aves e répteis. Em outubro do ano passado, no entanto, a revista foi forçada a admitir que havia comprado gato por lebre. Descobriu-se que a tal "combinação dramática" não fora moldada pela evolução, e sim por contrabandistas de fósseis chineses. Para elevar o valor de mercado da peça, eles juntaram metade do corpo de um pássaro fóssil com a cauda e as patas traseiras de um dromeossauro.”

A “corrida dos fósseis” (parafraseando a famosa “corrida do ouro”) há muito se transformou num verdadeiro negócio da China. Recentemente descobriu-se que d
as 41 espécies de vertebrados terrestres extintos já descobertas no Araripe, 21 têm seus exemplares de referência armazenados em museus do exterior, consequencia do comércio ilegal de fósseis. Em maio deste ano, uma empresa goiana extraiu e comercializou, segundo o Ministério Público Federal, centenas de toneladas de fósseis de uma unidade de conservação que é considerada por paleontólogos uma das mais importantes do mundo.

Muitos outros casos podem ser citados. Por exemplo, em 2007,
a alfândega francesa apreendeu no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, um carregamento de oito fósseis de mesossauro - um réptil marinho de 250 milhões de anos - extraídos ilegalmente do Brasil. As peças estavam em um carregamento de bíblias e foram avaliadas em 100 mil euros (cerca de R$ 295 mil). Em 2004, cerca de dois mil fósseis de plantas e animais foram apreendidos pela Polícia Federal dentro do Museu de Paleontologia "Força da Terra", em São Paulo. De acordo com a Polícia, dentre os fósseis apreendidos, alguns custavam em torno R$ 100 mil no mercado. Um fóssil de pterossauro do Araripe, no Japão, pode custa até US$ 80 mil.

Até pessoas que não são do “ramo” também se aventuram nesta “prodigiosa corrida” . Este foi o caso de um advogado paranaense que, em 2003 passou a vender pela Internet ovos fossilizados de hadrossauro. Ele conseguiu vender para um chinês quatro ovos, com preços entre R$ 990 e R$ 1.100.

Por tudo isso e muito mais, conclui-se que a corrida dos fósseis, além de um negócio da China, é também, como diria um saudoso darwinista, “o segredo do negócio da paleontologia”. Um mercado, sem dúvida, muito “promissor”!

É isso!

Tráfico de fósseis: negócio da China

Deu nos jornais recentemente que “Tráfico de fósseis leva 50% de tesouro do Araripe”:No caso do Araripe, essa preservação pode chegar a níveis espetaculares, revelando tecidos moles (pele e até vasos sanguíneos dos bichos de 100 milhões de anos). "É o material que acaba dando capa da "Nature" e da "Science" para o paleontólogo", diz Marcos Fontenele Sales, da Universidade Federal do Ceará, referindo-se às duas principais revistas científicas do mundo.

Pois é...
Stephen Jay Gould tinha lá boas razões para escrever: “
A extrema raridade das formas de transição no registro fóssil persiste como "segredo do negócio" (“O Polegar do Panda”, p. 162). E, diria eu: "negócio da China". ((rs))

É isso!

Ardipithecus ramidus: o mais novo ASTROlopithecus darwinista

representação gráfica de Ardipithecus ramidus

Pobre Lucy!
Um novo astro desponta na imensa passarela evolutiva. Trata-se de "miss Ardi", a nova estrela a reluzir no cobiçado palco darwinista, ofuscando assim um pouco do brilho da bela Lucy e deixando os corações da galerinha eriçada de Darwin literalmente ardendo de emoção. "Ardi" aparece no ano em que se comemora 200 anos de nascimento do "velho" Darwin. Primeiro foi a "Ida", agora a "Ardi". ARDI + IDA = ARDIDA. Sem dúvida um nome que combina muito bem com a postura apimentada dos devotos do naturalista inglês. Se os jornalistas comprometidos já ardiam em louvações à ideologia naturalista, agora, muito mais que arder, abrasam-se, inflamam-se, queimam e deixam em chamas as páginas de ciência das revistas e jornais, como seguem:

"Durante quatro anos, o paleontologista britânico Ronald J. Clarke, 54 anos, encarnou o personagem Indiana Jones na vida real. Em vez de caçar arcas perdidas ou cálices sagrados em templos infestados de cobras, o professor Clarke procurava ossos. Com esse objetivo, ele revirou velhas caixas com centenas de fósseis em depósitos empoeirados da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, onde encontrou uma raridade. Descobriu que, entre ossos catalogados como sendo de bovinos, havia alguns que na verdade pertenceram ao pé esquerdo de um hominídeo, um misto de homem e macaco, antiqüíssimo ancestral humano que, segundo os testes de laboratório, deve ter vivido 3,6 milhões de anos atrás."

JORNAL FOLHA DE S. PAULO:
"Um esqueleto humano de 4,4 milhões de anos mostra que os humanos não evoluíram de ancestrais semelhantes aos chimpanzés, relataram pesquisadores nesta quinta-feira (1º).Em vez disso, o elo perdido --o ancestral comum aos humanos e aos macacos de hoje-- era diferente de ambos e os macacos evoluíram tanto quanto os humanos a partir desse ancestral comum, afirmaram eles."

"A família que resultou no que chamamos humanidade está 1 milhão de anos mais velha. Cientistas descobriram um ancestral dos homens atuais de 4,4 milhões de anos. OArdipithecus ramidus (ou apenas “Ardi”, como é carinhosamente chamado) foi descrito minuciosamente por uma equipe internacional de cientistas, que divulgou a descoberta em uma edição especial da revista “Science” desta semana."

JORNAL O ESTADO DE S. PAULO:
"A história da espécie humana recuou mais um milhão de anos, com cientistas aprendendo cada vez mais sobre Ardi, um hominídeo que viveu há 4,4 milhões de anos onde hoje fica a Etiópia."

"Uma equipe internacional de cientistas divulgou pela primeira vez um estudo abrangente e extenso sobre o Ardipithecus ramidus, um antigo hominídeo que, há 4, 4 bilhões de anos, habitava a região hoje conhecida como Etiópia. Ardi, como foi apelidado o esqueleto feminino estudado pela equipe de especialistas, vivia na África um milhão de anos antes de Lucy, a famosa Australopithecus afarensis."

WIKIPÉDIA ("o Vade Macum" darwinista on-line):
"O Ardipithecus ramidus é uma espécie de hominídeo fóssil, provavelmente bípede e que poderá ter sido um dos antepassados da espécie humana. "Ardi" significa solo,ramid raíz, em uma língua (amhárico) do lugar onde foram encontrados os restos, (Etiópia), ainda que"pithecus" em grego signifique macaco. Os primeiros ancestrais do homem viveram na África há mais de 4 milhões de anos. O Ardipithecus ramidus, que existiu há 4,4 milhões de anos, na Etiópia, tinha uma capacidade craniana de 410 cm3, ou seja, três vezes menor que a do Homo sapiens."

"Era hembra, medía 120 centímetros, pesaba unos 50 kilogramos y vivió en la famosa región de Afar en Etiopía hace 4,4 millones de años. Ardi, que es como la han bautizado, es el ejemplar más completo encontrado del antepasado más antiguo de los seres humanos, el Ardipithecus ramidus, que ha tardado 17 años en ser presentado oficialmente en sociedad. Ahora lo hace con la pompa correspondiente al hallazgo de toda una generación en paleoantropología."

"The fossils, which were uncovered at As Duma in the north of the country, are mostly teeth and jaw fragments, but also include parts of hands and feet."

Parafraseando Russell: "Com um pouco da agilidade mental, alguns fragmentos de ossos e muito ardor por Darwin, qualquer cientista pode construir um elo perfeito, como esse: ((rs))



É isso!