Sexo...para quê?

Embora raro, às vezes acontece de um darwinista manifestar publicamente suas dúvidas ante o “FATO INCONTESTE” da Teoria da Evolução. Mormente eles são especialistas em esconder suas mazelas epistêmicas sob a falsa máscara da ciência, concentrando em Darwin toda explicação possível para os mais diversos fenômenos observados na natureza. Num desses fóruns populares da Internet, por exemplo, numa comunidade exclusivamente darwinista denominada “Evolução” (com mais de dez mil membros, a maioria com formação na área de Biologia, e um reduto quase absoluto de bajuladores submissos do naturalista inglês), um estudante da ciência biológica manifestou sua “angústia evolutiva” num âmbito no qual o darwinismo leva de goleada: o sexo:

Desde que eu entrei no curso de biologia e desde que estudo as teorias de Darwin nada me intriga mais do que a questão do sexo. Sempre entendi que os animais fazem relações sexuais para que haja a perpetuação da espécie, mas nunca entendi como isso ocorre, por exemplo, um grupo de cachorros que persegue uma cadela no cio estaria pensando apenas em perpetuar a espécie? Penso que quase todos os seres vivos sentem prazer nas relações, assim como nós seres humanos; a perpetuação da espécie é uma conseqüência natural...”.

O sexo sempre foi uma tormenta para os ortodoxos discípulos de Darwin. Para começar, basta saber que na definição de espécie preferida dos darwinistas, a reprodução assexuada entra em cena para “chutar a barraca” dessa galera. Ademais, questões como às que seguem permanecem como um desafio aos "tarados" por Darwin:

1. Como exatamente surgiram os órgãos sexuais dos seres vivos machos e fêmeas?

2. Por que tudo ocorreu de maneira tão singularmente parecida em todos os grupos de seres vivos?
3. Como pôde em grupos diferentes e em locais igualmente diferentes a evolução sexual ter ocorrido exatamente da mesma forma?
4. Por que exatamente o sexo foi uma alternativa da Seleção Natural?
5. Por que a Seleção Natural não optou pela reprodução assexuada, uma vez que a reprodução sexuada é incontestavelmente mais dispendiosa em termos biológicos?

É isso!

Dica de leitura: "A grandeza moral do perdedor"

Recomendo a todos os amigos deste blog, este belíssimo texto em idioma castelhano, do cientista espanhol Emilio de Cervantes.

Texto completo, clique:
"
Visión alternativa de la Evolución: La grandeza moral del perdedor"


Resumen


"A mediados del siglo XIX, Charles Darwin propuso la Teoría de Evolución por

Selección Natural. Se basó para ello, principalmente además de su propia

experiencia vital, en los datos de Malthus de dinámica de poblaciones humanas.

Argumentando que igual que en la especie humana existía una competición por

los recursos, lo mismo debería ocurrir en el resto de las especies. La competición

por unos recursos limitados en poblaciones que presentan un potencial de

crecimiento teórico superior al real es uno de los pilares en que se asienta su

teoría, que ha sido desde entonces prácticamente admitida sin discusión. No

obstante, el proceso clave en evolución no es la dinámica de poblaciones sino la

formación de especies y en ningún momento se ha demostrado ningún proceso de

competición que pueda estar en su base. A pesar de ello y en una de las paradojas

mayores de la historia de la Ciencia, en una época completamente dominada por

la experimentación, una teoría capital como es la del origen de las especies

(evolución) por Selección Natural sigue vigente sin haber sido nunca demostrada

empíricamente (algo imposible pues se trata de una tautología), se aplica sin

límite en los más variados y exigentes campos de la biología experimental, y

además, su influencia se ha extendido a múltiples aspectos del comportamiento

humano, participando con una indudable responsabilidad en la creación de una

sociedad en extremo liberal y competitiva y contribuyendo a la creación de un

mundo sin dioses de ningún tipo en el que la moral va siendo arrinconada.

En este texto, recorreremos un camino alternativo. Partiendo de la base de

que el ser humano necesita de la moral y de los dioses, que están en su origen y

de algunas observaciones del psicólogo Carl Gustav Jung, se propone, no una

teoría, sino una visión del mundo complementaria y opuesta a la del darwinismo.

La competición por los recursos es algo anecdótico y transitorio en la historia de

la vida; lo permanente es la creación de estructuras complejas como resultado de

adaptaciones a un ambiente cambiante. En el caso de las sociedades humanas,

Jung nos hace ver como el aumento en complejidad conlleva a su vez un

incremento en la explotación sistemática y el maltrato de aquellos individuos que

permanecen desobedientes al sistema dominante. Se destaca aquí la importancia

moral de estos elementos, indiscutible en el caso de las sociedades humanas en

las cuales han sido tradicionalmente perjudicados. Su menor longevidad se asocia

a menudo con destellos únicos de grandeza. Considerados a menudo víctimas o

fracasados, estos individuos serían también los portadores de las cualidades

morales de libertad, compasión y otras necesarias e ineludibles para la

comprensión de la vida y su evolución desde una perspectiva amplia, acorde con

la necesidad moral del ser humano".

É isso!


Natura non facit saltum?

A frase latina Natura non facit saltum ("a natureza não dá saltos") sintetiza com maestria a crença de Darwin no gradualismo rígido e estrito. Em seu mais conhecido livro “A Origem das Espécies” ele justifica o seu exagerado o apego a este axioma latino da seguinte forma:

Como a seleção natural atua somente acumulando variações ligeiras, sucessivas e favoráveis, não pode produzir modificações consideráveis ou súbitas; só pode agir a passos lentos e curtos. Esta teoria torna fácil de compreender o axioma: Natura non facit saltum, que cada nova conquista da ciência mostra logo todos os dias ser verdadeiro. Vemos ainda como, em toda a natureza, o mesmo fim geral é atingido por uma variedade quase infinita de meios; porque toda a particularidade, uma vez adquirida, é por muito tempo hereditária, e conformações diversificadas por muitos modos diferentes têm que adaptar-se ao mesmo fim geral” (Lello & Irmãos, 203, p. 535).

Embora fosse o mais leal defensor do naturalista inglês, Thomas Huxley chegou a se opor textualmente à incondicional aceitação do
Natura non facit saltum. Em “Darwiniana: a origem das espécies em debate”, argumenta:

Acreditamos que a posição do Sr. Darwin poderia ter sido mais forte s ele não tivesse se preocupado com o aforismo Natura non facit saltum (a natureza não dá saltos) que tantas vezes aparece em suas páginas. Também acreditamos, como já dissemos, que a Natureza, de vem em quando, faz saltos e o reconhecimento do fato não é de pequena importância na disposição de muitas objeções do fato à doutrina da transmutação” (Madras Editora, 2006, p. 48). E mais adiante:

"
Realmente, sempre pensamos que o sr. Darwin criou um empecilho desnecessário ao aderir tão estritamente à sua citação favorida: Natura non facit saltum. Em nossa opinião, suspeitamos que, algumas vezes, ela faça saltos consideráveis com respeito à variação e que esses saltos dêem origem a alguns dos lapsos que parecem existir na séria de formas conhecidas” (ibdem, p. 60).

"Stephen Jay Gould, em “
O Polegar do Panda” faz referências a ambas situações: o apego de Darwin ao aforismo latino e a suposta descrença de Huxley nele. Escreve:

"
Em 23 de novembro de 1859, dia anterior ao da publicação do seu livro revolucionário, Charles Darwin recebeu uma carta extraor dinária do seu amigo Thomas Henry Huxley, oferecendo-lhe caloro so apoio no conflito que se aguardava e até mesmo o sacrifício supre mo: "Estou preparado para me expor, se necessário ... estou afiando minhas garras em prontidão." Mas a carta continha também um avi so: "Você arcou com uma dificuldade desnecessária ao adotar tão sem reservas o princípio de que Natura non facit saltum.
A frase latina, usualmente atribuída a Lineu, afirma que "a na tureza não dá saltos". Darwin era um adepto estrito a esse velho mo te. Como discípulo de Charles Lyell, o apóstolo do gradualismo na geologia, Darwin concebia a evolução como um processo solene e or deiro, trabalhando a uma velocidade tão lenta que ninguém poderia ter esperança de observá-lo no espaço de uma vida. Antepassados e descendentes, argumentava Darwin, devem ser ligados por "elos de transição infinitamente numerosos" formando "os mais refinados pas sos graduados". Só um imenso intervalo de tempo permitira a um processo tão moroso realizar tanto.
Huxley sentia que Darwin estava cavando uma sepultura para sua própria teoria. A seleção natural não requeria qualquer postula do quanto às taxas: podia operar igualmente bem se a evolução prosseguisse com rapidez” (Martins Fontes Editora, 1989, p. 161). E mais à frente:

"
Como acentuam vários outros ensaios, defendo a posição de que a ciência não é uma máquina objetiva e dirigida para a verdade, mas uma atividade quintessencialmente humana, afetada por paixões, es peranças e preconceitos culturais. Tradições culturais de pensamento influenciam fortemente as teorias científicas, dirigindo com frequên cia as linhas de especulação, em especial (como neste caso) quando virtualmente não existem informações para constranger a imagina ção ou preconceito. No meu próprio trabalho (ver os ensaios 17 e 8) fiquei muito impressionado pela poderosa e infeliz influência que o gradualismo exerceu sobre a paleontologia por meio do velho mote natura non facit saltum (a natureza não dá saltos). O gradualismo, a ideia de que toda a mudança deve ser suave, lenta e contínua, nun ca foi lido a partir das rochas. Constituiu um preconceito cultural comum, em parte uma resposta do liberalismo do século
XIX a um mun do em revolução. Mas continua a colorir nossa supostamente objeti va interpretação da história da vida” (ibdem, p. 202).

Parece claro que os esporádicos “saltos” defendidos por Huxley e os “equilíbrios pontuados” de Gould, nada mais foram do que tentativas para salvar Darwin do caos epistêmicos. O gradualismo rígido e seu mantra
natura non facit saltum se mostraram fracassados diante daextrema raridade das formas de transição no registro fóssil. A Natureza não apenas “dá saltos” como, em alguns casos, até chega a suplantar os “grandes saltos”.

É isso!

Das mentiras que Haeckel contou...

Discorrendo sobre Darwin e de seus êxitos como naturalista, o biólogo alemão Ernst Haeckel (1834-1919), um decidido partidário das idéias do autor de “A Origem das Espécies”, faz menção de três méritos que sintetizariam a obra do naturalista inglês. Escreve ele em seu livro “A Origem do Homem”, uma tradução portuguesa publicada pela Global Editora, de 1989, que encontrei numa biblioteca de uma escola pública aqui de São Paulo:

De todos os naturalistas do século XIX, ele obteve, incontestavelmente, o maior êxito, e exerceu a mais profunda ação; é de direito designar os últimos quarenta anos com o título de "era de Darwin". Se investigarmos as causas deste êxito sem precedentes, é preciso, como frequentemente repeti, recordar que Darwin teve mérito triplo:

1.
°) de reformar completamente a teoria da descendência, o lamarquismo, e dar-lhe por base as numerosas noções novas, adquiridas pela biologia;

2.
°) de fundar a teoria moderna da seleção, o darwinismo propriamente dito;

3.
°) de estabelecer a antropogenia, essa conclusão tão sole­ne da doutrina da descendência, que supera, em importância, to­dos os outros problemas da evolução.

Fonte:
Ernst Haeckel: "A Origem do Homem". Global Editora. São Paulo, 1989, p. 12.


Quando Haeckel escreveu este seu livro, decorriam quarenta anos de publicação do “A Origem das Espécies”. Vale resslatar que Haeckel foi o grande divulgador do darwinismo em terras alemãs. Seus livros alcançaram um êxito extraordinário em todo o mundo naquele período. Um dos grandes objetivos de Haeckel em relação às idéias de Darwin, foi aplicá-las na esfera social. Lembrando ainda que Haeckel vivenciou toda a trajetória do nazismo alemão. Stephen Jay Gould, em “Polegar do Panda”, o qualifica de “o principal defensor de Darwin na Alemanha” e
“o mais especulativo e imaginativo entre to­dos os primeiros evolucionistas” (p. 213). Para quem não sabe, Haeckel foi o criador da chamada "lei biogenética", cujo lema era: “a ontogenia recapitula a filogenia”, na qual à simples observação dos embriões deveria revelar um cortejo de antepassados adultos na ordem correta. Já é sabido que os desenhos dos embriões vertebrados de Haeckel foram falsificados por ele, o que se revelou numa das maiores fraudes da Biologia.

Mas, voltando aos "méritos" de Darwin, segundo atribuição de Haeckel, apenas o último parece soar com alguma coerência. Em relação ao item 1, uma rápida lida nos livros de Darwin já seria suficiente para concluir que em alguns aspectos Darwin foi até mais lamarckista do que o próprio Lamarck. Quanto ao item 2, é fato que Darwin não estabeleceu absolutamente nada que já não tinha sido discutido antes da publicação de sua mais famosa obra. O “grande” mérito de Darwin foi, na verdade, ter levado a questão ao debate acadêmico e popular, mediante sua influente posição social e econômica naquela Inglaterra vitoriana. Se não fora isso, mui provavelmente, talvez, comemorar-se-ia, hoje, os
150 anos do wallaceanismo. O item 3 condiz perfeitamente com sua obra “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”: o homem ascendendo de sua ínfima origem, alcança a suprema civilização.

É isso!

O ateísmo religioso "ataca" agora na Argentina

"Ônubus ateu" em Mar del Plata - Argentina

De maneira semelhante ao tradicional proselitismo religioso, a nova vertente ateísta também tem procurado atingir a massa mediante armas e estratégias tradicionalmente utilizadas pelas diversas religiões ao redor do mundo. Com a facilidade da disseminação de informação por meio da inclusão digital, campanhas e mais campanhas são divulgadas rotineiramente na Internet com o intuito de atingir o maior número possível de pessoas. Em janeiro de 2009, por exemplo, teve início em Londres uma polêmica campanha de divulgação ateísta nos ônibus coletivos da cidade, na qual se divulgava o slogan "Provavelmente Deus não existe. Pare de se preocupar e curta a vida". De Londres a campanha chegou em Glasgow, Manchester, Liverpool e Bristol; na Espanha, em Barcelona, Málaga, Madrid, Corunha; Canadá, em Toronto, Calgary e Montreal; nos Estados Unidos, em Washington, Nova York, Chicago, São Francisco, Idaho, Flórida, Seattle e Nova Orleans; também na Alemanha, Holanda, Suiça e Finlândia. Agora a campanha do “ônibus ateu” chega na terra de “los hermanos”, os nossos vizinhos argentinos, mais precisamente na cidade Mar del Plata. Paralelamente à campanha nos ônibus argentinos, ocorreu também o “II Congreso Nacional de ateísmo”, na mesma cidade.

Os novos ateus, portanto, muito mais do que “sair do armário”, estão claramente buscando atingir os mesmos espaços antes ocupados pelas religiões, por meio de congressos, campanhas, marchas, apostasias coletivas, propagandas e planfetagens, em uma explícita “atealização” das massas, cujo grande objetivo e a "liberdade do livre pensar", numa espécie de “contra-reforma” às avessas, com bruxas também "às avessas" . ((rs))


Enquanto isso, aconteceu recentemente em
Zaragoza, Espanha, uma “churla” (palestra, bate-papo), com o tema: “LA NECESIDAD DEL ATEISMO."

Eta mundo besta, meu Deus! ((rs))

É isso!

As "singularidades" do povo inglês, segundo Darwin

Do livro "The Expression of the Emotions in Man and Animais" (tradução portuguesa):

"Os ingleses demonstram muito menos suas emo
ções do que os homens da maioria dos outros países da Europa, e encolhem seus ombros com frequência e energia bem menores do que os franceses e italianos. O gesto varia, com todas as gradações, do complexo movimento acima descrito até uma momentânea e qua­se imperceptível elevação dos ombros; ou, como percebi numa senhora sentada numa cadeira de braços, até o simples e discre­to virar para fora das mãos com os dedos separados. Nunca vi crianças pequenas inglesas encolherem os ombros..." (p. 226).

"Os fatos citados demonstram, no geral, que nas mulheres inglesas o rubor n
ão desce além do pescoço e da parte superior do tórax" (p. 268).

"Os ingleses raramente choram, a não ser na tristeza mais aguda. Já em outras partes da Europa os homens choram com muito mais facilidade e liberdade.
É notório que os loucos dão vazão às suas emoções com pouca ou nenhuma restrição. O dr. J. Crichton Browne observa que nada é mais característico da melancolia simples, mesmo no sexo masculino, do que uma tendência a chorar nas situa coes mais insignificantes, ou sem qualquer motivo. Eles tam­bém choram de uma maneira desproporcional quando há alguma causa verdadeira de tristeza" (p.133).

Fonte:
Charles darwin: "A expressão das emoções no homem e nos animais". Tradução: Leon de Souza Lobo Garcia. Companhia das Letras, 2009.

É isso!

Seleção Natural, a grande aliada dos ingleses

O que explicaria os "êxitos" dos ingleses em comparação com aqueles de outras nações européias, como a Espanha, por exemplo, no que se refere ao processo de colonização e dominação dos povos?

Segundo Charles Darwin, em seu livro "
A Origem do Homem e a Seleção Sexual", alguns fatores colaboraram para que Espanha (e outros povos europeus) ficasse na retaguarda no "despertar da Europa" durante a Idade Média. O fato dos homens nobres terem optado pelo celibato, bem como o fato de muitos deles terem sido queimados no fogo da Santa Inquisição, impediu que propagassem seus "elevados gênios" à posteridade, e desta forma prevaleceu na Espanha os "caracteres mais frágeis" intelectualmente. A Igreja Católica (Darwin era anglicano), de acordo com o naturalista inglês, colaborou igualmente nesse processo de "degradação cultural espanhola", muito embora, diz Darwin, ela (a Igreja católica) tenha também contrabalançado em "outros aspectos". Para Darwin, portanto, "os notáveis êxitos do ingleses como colonizadores" em comparação com outras nações européias, pode ser explicado pela sua "energia audaz e persistente". Darwin então compara o progresso dos canadenses de origem inglesa em detrimento aos de origem francesa, e conclui que a Seleção Natural fora responsável por dar aos "nobres ingleses" essa energia audaz e persistente, o que culminou no surgimento de uma super-potência como os Estados Unidos. O super-homem, quem diria, é resultado da nossa prestimosa Seleção Natural!

Referência:
Quem pode positivamente afirmar por que a nação espanhola, dominadora num determinado período, ficou tanto na retaguarda na luta? O despertar das nações européias da idade obscura continua sendo um problema incerto. Conforme observou Galton, numa época antiga, quase todos os homens nobres, que se dedicavam à meditação ou à cultura, não possuíam nenhum refúgio a não ser no seio da Igreja, que exigia o celibato; isto dificilmente podia ter deixado de causar uma influência deteriorante nas sucessivas gerações. Durante o mesmo período, a Santa Inquisição escolheu com extremo cuidado os homens mais livres e mais corajosos para queimá-los ou aprisioná-los. Somente na Espanha alguns dos melhores homens — aqueles que duvidavam e levantavam proble mas, e sem a dúvida não pode haver progresso — durante três séculos foram eliminados num ritmo de mil por ano. Incalculável é o dano que a Igreja Católica causou desta maneira, embora sem dúvida contrabalançado, até certo ponto e quiçá muito em outros aspectos; não obstante isto, a Europa progrediu num grau incomparável.Os notáveis êxitos dos ingleses como colonizadores, em comparação com outras nações européias, foram atribuídos à sua "energia audaz e persistente"; um resultado que ficou bem evidenciado ao comparar o progresso dos canadenses de extração inglesa e francesa; mas, quem pode dizer como é que os ingleses adquiriram a sua energia? Aparentemente existe muita verdade na opinião de que os maravilhosos progressos dos Estados Unidos e o caráter deste povo são o resultado da seleção natural; com efeito, os homens mais enérgicos, irre quietos e corajosos de todas as parte da Europa emigraram durante as últimas dez ou doze gerações para esse grande país e lá tiveram o melhor êxito" (p. 170).

Fonte:
Charles Darwin: "A Origem do Homem e a Seleção Sexual". Gemus Editora. São paulo, 1974.

É isso!

Dawkins: mais ideólogo do que cientista

Numa enquete divulgada em um conhecido site de relacionamento da Internet, mais exatamente numa comunidade dedicada ao zoólogo inglês Richard Dawkins, foi perguntado sobre "qual seria o melhor livro de Dawkins". O resultado foi o seguinte:

1. O Gene Egoísta - 28%
2. O Relojoeiro Cego - 11%
3. A Escalada do Monte Improvável - 5%
4. O Rio que saída do Éden - 3%
5. Deus, um Delírio (The God Delusion) - 50%

A pesquisa acima parece realmente refletir uma tendência cada vez maior em se ligar Dawkins a sua militância ateísta. O cientista Dawkins torna-se, pois, paulatinamente obscurecido cada vez mais em consequencia do seu ferrenho esforço em querer "mandar Deus embora".

É isso
!

Charles Darwin e Paul Broca: confronto ideológico

Discorrendo acerca da craniometria de Paul Broca, professor de cirurgia Antropológica e fundador da Sociedade Antropológica de Paris (1824-1880), Sthepen Jay Gould, em “A Falsa Medida do Homem”, sintetiza a “ciência” deste médico e antropólogo francês, com o seguinte depoimento:

Dediquei um mês à leitura das principais obras de Broca, concentrando-me em seus procedimentos estatísticos. Assim, comprovei que seus métodos se ajustavam a uma fórmula definida. A distância entre os fatos e as conclusões era por ele descoberta através de um caminho que poderia ser o habitual, se bem que percorrido em direção contrária. Começando pelas conclusões, Broca chegava às cren­ças compartilhadas pela maioria dos indivíduos brancos do sexo mas­culino que triunfaram em sua época: por graça da natureza, estes ocupavam a posição mais elevada, enquanto que as mulheres, os negros e os pobres figuravam em posição inferior. Seus dados eram fidedignos (contrariamente aos de Morton), mas foram recolhidos de maneira seletiva e posteriormente manipulados inconscientemen­te em favor de conclusões estabelecidas a priori. Tal procedimento permitia atribuir às conclusões a sanção da ciência e também o prestígio dos números. Broca e sua escola não usaram os fatos como documentos irrefutáveis, mas apenas como ilustrações. Começaram pelas conclusões, logo comparando-as com seus dados para, por fim, e através de uma rota circular, voltar a essas mesmas conclusões. Seu exemplo justifica um estudo mais minucioso, pois, ao contrário de Morton (que manipulou os dados, embora inconscientemente), refletiram seus preconceitos através de um outro procedimento, pro­vavelmente mais comum: fazer passar por objetividade o que é apo­logia” (p. 78).

E mais adiante:
O corpo humano pode ser medido de mil maneiras. Qualquer investigador convencido de antemão da inferioridade de determinado grupo pode selecionar um pequeno conjunto de medições para ilus­trar a maior afinidade do mesmo com os símios. (Tal procedimento, evidentemente, também poderia ser aplacado no caso de indivíduos brancos do sexo masculino, embora ninguém ainda o tenha tentado. Os brancos, por exemplo, têm lábios finos — propriedade que compar­tilham com os chimpanzés — enquanto que a maioria dos negros africanos tem lábios mais grossos e, conseqüentemente, mais "humanos".) O preconceito fundamental de Broca consiste em sua crença de que as raças humanas podiam ser hierarquizadas em uma escala linear de valor intelectual. Ao enumerar os objetivos da etnologia, Broca inclui o de "determinar a posição relativa das raças dentro da escala humana" (in Topinard, 1878, p. 660). Não lhe ocorreu que a variação humana pode-se ramificar de forma aleatória, em lugar de linear a hierárquica. E, uma vez que conhecia a ordem de antemão, a antropometria não foi para ele um exercício numérico de empirismo elementar, mas uma busca das características capazes de ilustrar a hierarquia correta” (p. 81).

Fonte:
Stephen Jay Gould: “A Falsa Medida do Homem”. Editora Martins Fontes. São paulo, 1991.

Como não haveria de ser de outra forma (Broca teve uma influência instigante no âmbito da ciência ao seu tempo), Charles Darwin também fez uso deste cientista francês como fonte para “fundamentar ainda mais” suas idéias sobre Seleção Natural e Seleção Sexual. Em seu livro menos conhecido “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”, o nome de Broca aparece várias vezes, sendo denominado por Darwin de “prudente e imparcial observador”:

Poderia consultar a obra do prof. Broca, um prudente e impar­cial observador, na qual poderia encontrar uma ótima prova de que algumas raças são completamente férteis, acasa­lando-se entre si, mas daria também com uma prova de natu­reza oposta em relação a outras raças. Assim é que se tem afirmado que as mulheres indígenas da Austrália e da Tasmâ-nia raramente concebem filhos com homens europeus; con­tudo foi demonstrado que, sobre este ponto, a prova não tem nenhum valor. Os mulatos são mortos pêlos negros puros: recentemente foi publicado um relatório sobre onze jovens mulatos que foram mortos e queimados ao mesmo tempo, cujos restos foram encontrados pela polícia . Tem-se ainda dito com frequência que, ao se casarem entre si, os mulatos geram poucos filhos; sobre este último ponto o Dr. Bachman, de Charleston, afirma que conheceu famílias de mulatos que se casaram entre si durante diversas gerações e em média têm continuado a ser tão férteis quanto os brancos puros e os negros puros” (p. 203).

“Na Eu­ropa as antigas raças ficavam todas "mais embaixo na esca­la do que se acham os mais rudes selvagens atuais", confor­me Schaaffhausen; por conseguinte, devem ter sido em certa medida diferentes de qualquer outra raça existente. Os vestígios de Lês Eyzies descritos pelo prof. Broca indicam uma raça com a mais singular combinação de características baixas ou simiescas e elevadas, embora infelizmente não pa­reçam ter pertencido a uma única família. Esta raça é "com-pletamente diferente de qualquer outra, antiga ou moderna, da qual sempre temos ouvido falar". Difere pois da ra­ça quaternária das caverna da Bélgica” (p.
216).

O prof. Broca notou que no século XIX os crânios dos cadáveres em Paris eram mais am­plos do que aqueles encontrados nos túmulos do século XII e estavam na relação de 1484 a 1426 (80); e que o aumento de grandeza, como se vê pelas medidas, se dava exclusivamente na parte frontal do crânio, sede das faculdades intelectivas.
[...]
No interessante artigo a que fiz agora menção, com acerto Broca observou que nas nações civilizadas a capacidade média do crânio é reduzida pela presença de um considerável número de indivíduos, fracos de intelecto e de corpo, que no estado selvagem teriam sido imediatamente eliminados. Por outro lado, nos selvagens a média abrange somente os indivíduos hábeis, que foram capazes de sobre­viver em condições de vida extremamente árduas. Broca explica assim o fato, que de outra forma não teria explicação, de que a capacidade média do crânio do antigo troglodita de Lozère é maior do que aquela do francês moderno” (p. 70).

Fonte:
Charles Darwin: “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”. Tradução: Attílio ancian e Eduardo Nunes Fonseca; Hemus Livraria e Editora. São Paulo, 1974.

É isso!


Seleção Natural como agente aperfeiçoador

Não obstante os póstumos discípulos de Darwin ignorem o fato taxativamente, é certo que, para este naturalista inglês, o mecanismo de Seleção Natural deveria funcionar como um agente aperfeiçoador do processo evolutivo, atuando pela vida e pela morte, pela sobrevivência do “mais apto” e pela eliminação dos “menos aperfeiçoados”. A Seleção Natural, pois, de certa forma teria às mesmas credenciais de uma divindade onipotente, que, como um exímio oleiro, molda e dar forma à sua arte com extrema habilidade e perfeição. Em todo o livro “A Origem das Espécies”, Darwin faz menção do processo evolucionário como um evento de progressão contínua do “inferior” para o “superior”, do “menos apto” para o “mais apto” e do “imperfeito” para o "verdadeiro modelo de perfeição". Os trechos a seguir, todos extraídos desse referido livro, se não confirmam com perfeição, ao menos apontam com algum primor para esta tese “herética e antidarwinianamente suspeita”.
“Neste caso, ligeiras modificações, favoráveis em qualquer grau que seja aos indivíduos de uma espécie, adaptando-as melhor a novas condições ambientes, tenderiam a perpetuar-se, e a seleção natural teria assim materiais disponíveis para começar a sua obra de aperfeiçoamento” (p. 96).

“Se é vantajoso a uma planta que as suas sementes sejam mais facilmente disseminadas pelo vento, é tão fácil à seleção natural produzir este aperfeiçoamento como é fácil ao agricultor, pela seleção metódica, aumentar e melhorar a penugem contida nas cascas dos seus algodoeiros” (p.
100).

“Enfim, o isolamento assegura a uma nova variedade todo o tempo que lhe é necessário para se aperfeiçoar lentamente, e é este algumas vezes um ponto importante. Contudo, se a região isolada é muito pequena, ou porque seja cercada de barreiras, ou porque as condições físicas sejam todas particulares, o número total dos seus habitantes será também muito pouco considerável, o que retarda a ação da seleção natural, no ponto de vista da seleção de novas espécies, porque as probabilidades da aparição de variedades vantajosas são diminutas" (p.
119).

“Depois das alterações físicas, de qualquer natureza, toda a emigração deve ter cessado, de maneira que os antigos habitantes modificados devem ter ocupado todos os novos lugares na economia natural de cada ilha; enfim, o lapso de tempo decorrido permitiu às variedades, que habitavam cada ilha, modificar-se completamente e aperfeiçoar-se. Quando, após os elevamentos, as ilhas se transformaram de novo num continente, uma luta muito viva deve ter recomeçado; as variedades mais favorecidas ou mais aperfeiçoadas puderam então estender-se; as formas menos aperfeiçoadas foram exterminadas, e o continente estaurado mudou de aspecto com respeito ao número relativo dos habitantes. Aí, enfim, abre-se um novo campo à seleção natural, que tende a aperfeiçoar ainda mais os habitantes e a produzir novas espécies” (p.
122).

Resulta daí que as espécies raras se modificam ou se aperfeiçoam menos rapidamente num tempo dado; por conseqüência, são vencidas, na luta pela existência, pelos descendentes modificados ou aperfeiçoados das espécies comuns” (p. 123).

“Os descendentes modificados dos ramos mais recentes e mais aperfeiçoados tendem a tomar o lugar dos ramos mais antigos e menos aperfeiçoados, e por isso a eliminá-los; os ramos inferiores do diagrama, que não chegam até às linhas horizontais superiores, indicam este fato” (p.
132).

Mas, durante a marcha das modificações, representadas no diagrama, um outro dos nossos princípios, o da extinção, deve ter gozado um papel importante. Como, em cada país bem provido de habitantes, a seleção natural atua necessariamente, dando a uma forma, que faz o objeto da sua ação, algumas vantagens sobre outras formas na luta pela existência, produz-se uma tendência constante entre os descendentes aperfeiçoados de uma espécie qualquer para suplantar e exterminar os seus predecessores e a sua origem primitiva. É preciso lembrar, com efeito, que a luta mais viva se produz ordinariamente entre as formas que estão mais próximas umas das outras, em relação aos hábitos, constituição e estrutura. Por conseqüência, todas as formas intermediárias entre a forma mais antiga e a forma mais moderna, isto é, entre as formas mais ou menos aperfeiçoadas da mesma espécie, assim como a espécie origem própria, tendem ordinariamente a extinguir-se. É provavelmente da mesma maneira para muitas das linhas colaterais completas, vencidas por formas mais recentes e mais aperfeiçoadas" (p. 33).

"As espécies representativas,
em número de catorze para a décima quarta geração, têm provavelmente herdado algumas destas vantagens; e são, além disso, modificadas, aperfeiçoadas de diversas maneiras, em cada geração sucessiva, de forma a melhor adaptar-se aos numerosos lugares vagos na economia natural do país que habitam" (p. 34).

"Também a luta para a produção de descendentes novos e modificados se estabelece principalmente entre os grupos mais ricos que tentam multiplicar-se. Um grupo numeroso prevalece sobre um outro grupo considerável, reduzindo-o em número e diminuindo assim as suas probabilidades de variação e aperfeiçoamento. Num mesmo grupo considerável, os subgrupos mais recentes e mais aperfeiçoados, aumentando sem cessar, apoderando-se a cada instante de novos lugares na economia da natureza, tendem constantemente também a suplantar e destruir os subgrupos mais antigos e menos aperfeiçoados. Enfim, os grupos e os subgrupos pouco numerosos e vencidos acabam por desaparecer" (p. 137).

" Cada
ser, e é este o ponto final do progresso, tende a aperfeiçoar-se cada vez mais relativamente a estas condições. Este aperfeiçoamento conduz inevitavelmente ao progresso gradual da organização do maior número de seres vivos em todo o mundo. Mas referimo-nos aqui a um assunto muito complicado, porque os naturalistas ainda não definiram, de uma forma satisfatória para todos, o que deve compreender-se por «um progresso de organização». Para os vertebrados, trata-se claramente de um progresso intelectual e de uma conformação que se aproxime da do homem" (p. 138).

"Se adotamos, como critério de uma alta organização, a soma das diferenciações
e de especializações dos diversos órgãos em cada indivíduo adulto, o que compreende o aperfeiçoamento intelectual do cérebro, a seleção natural conduz claramente a esse fim" (p. 139).

"Dei o nome de seleção natural a este princípio de conservação
ou de persistência do mais apto. Este princípio conduz ao aperfeiçoamento de cada criatura relativamente às condições orgânicas e inorgânicas da sua existência; e, por conseguinte, na maior parte dos casos, ao que podemos considerar como um progresso de organização. Todavia, as formas simples e inferiores persistem muito tempo quando são bem adaptadas às condições pouco complexas da sua existência" (p. 145).

"A
seleção natural, como acabamos de fazer observar, conduz à divergência dos caracteres e à extinção completa das formas intermediárias e menos aperfeiçoadas" (p. 146).

"A seleção natural atua apenas pela conservação das modificações vantajosas;
cada nova forma, sobrevindo numa localidade suficientemente povoada, tende, por conseqüência, a tomar o lugar da forma primitiva menos aperfeiçoada, ou outras formas menos favorecidas com as quais entra em concorrência, e termina por exterminá-las. Assim, a extinção e a seleção natural vão constantemente de acordo. Por conseguinte, se admitimos que cada espécie descende de alguma força desconhecida, esta, assim como todas as variedades de transição, foram exterminadas pelo fato único da formação e do aperfeiçoamento de uma nova forma" (p. 185).

"Por conseqüência,
as formas mais comuns tendem, na luta pela existência, a vencer e a suplantar as formas menos comuns, porque estas últimas modificam-se e aperfeiçoam-se mais lentamente" (p. 189).

"A seleção natural atuando somente pela vida e pela morte, pela persistência
do mais apto e pela eliminação dos indivíduos menos aperfeiçoados, experimentei algumas vezes grandes dificuldades para me explicar a origem ou a formação de partes pouco importantes; as dificuldades são tão grandes, neste caso, como quando se trata dos órgãos mais perfeitos e mais complexos, porém são de uma natureza diferente" (p. 214).

"Constituindo o enrolamento o modo mais simples de subir por um suporte e
formando a base da nossa série, pode naturalmente perguntar-se como puderam adquirir as plantas esta aptidão nascente, que mais tarde a seleção natural aperfeiçoou e aumentou" (p. 262).

"Não há improbabilidade
alguma em acreditar que, nos numerosos insetos, que imitam diversos objetos, uma semelhança acidental com um objeto qualquer foi, em cada caso, o ponto de partida da ação da seleção natural, cujos efeitos deviam aperfeiçoar-se mais tarde pela conservação acidental das variações ligeiras que tendiam a aumentar a semelhança" (p. 265).

"Quando um grande número de habitantes de qualquer
região se modifica e aperfeiçoa, resulta do princípio da concorrência e das relações essenciais que têm mutuamente entre si os organismos na luta pela existência, que toda a forma que não se modifica e não se aperfeiçoa em certo grau deve ser exposta à destruição. E dá-se isto porque todas as espécies da mesma região acabam sempre, se se considera um lapso de tempo suficiente longo, por se modificar, porque de outra forma desapareceriam" (p. 383).

"Mas se supusermos a destruição da origem-mãe, o torcaz - e
temos toda a razão para acreditar que no estado de natureza as formas pais são geralmente substituídas e exterminadas pelos seus descendentes aperfeiçoados - seria pouco provável que um pombo-pavão, idêntico à raça existente, pudesse derivar da outra espécie de pombo ou mesmo de alguma outra raça bem fixa do pombo doméstico" (p. 384).

"Temos, até ao presente, falado apenas incidentemente do desaparecimento
das espécies e dos grupos de espécies. Pela teoria da seleção natural, a extinção das formas antigas e a produção das formas novas aperfeiçoadas são dois fatos intimamente conexos" (p. 385).

"A concorrência é geralmente mais rigorosa, como com exemplos o demonstramos
já, entre as formas que se semelham em todos os pontos de vista. Por conseguinte, os descendentes modificados e aperfeiçoados de uma espécie causam geralmente o extermínio da origem-mãe; e se muitas novas formas, provindo de uma mesma espécie, conseguem desenvolver-se, são as formas mais próximas desta espécie, isto é, as espécies do mesmo gênero, que se encontram mais expostas à destruição" (p. 389).

"As espécies antigas, vencidas
pelas novas formas vitoriosas, às quais cedem o lugar, são geralmente aliadas em grupos, conseqüência da herança comum de alguma causa de inferioridade; à medida pois que os grupos novos e aperfeiçoados se espalham na Terra, os antigos desaparecem, e por toda a parte há correspondência na sucessão das formas, tanto na sua primeira aparição como no desaparecimento final" (p. 393).

"Vimos, no quarto capítulo, que, em todos os seres organizados que atingiram
a idade adulta, o grau de diferenciação e de especialização dos diversos órgãos nos permite determinar o grau de aperfeiçoamento e superioridade relativa. Vimos também que, a especialização dos órgãos constituindo uma vantagem para cada ser, deve a seleção natural tender a especializar a organização de cada indivíduo, e a torná-la, em tal ponto de vista, mais perfeita e mais elevada" (p. 402).

"Parece-me, por outro lado, que todas as leis
essenciais estabelecidas pela paleontologia proclamam claramente que as espécies são o produto da geração ordinária, e que as formas antigas foram substituídas por formas novas e aperfeiçoadas, e elas mesmo o resultado da variação e da persistência do mais apto" (p. 412).

"Demonstrei
também que as variedades intermediárias, que têm provavelmente ocupado a princípio zonas intermediárias, devem ter sido suplantadas por formas aliadas existindo de uma parte e de outra; porque estas últimas, sendo as mais numerosas, tendem, por esta razão mesmo, a modificar-se e a aperfeiçoar-se mais rapidamente que as espécies intermediárias menos abundantes; de modo que estas devem ter sido, há muito, exterminadas e substituídas" (p. 527).

"As variedades novas e aperfeiçoadas devem substituir
e exterminar, inevitavelmente, as variedades mais antigas, intermediárias e menos perfeitas, e as espécies tendem a tornar-se assim mais distintas e melhor definidas. As espécies dominantes, que fazem parte dos grupos principais de cada classe, tendem a dar origem a formas novas e dominantes, e cada grupo principal tende sempre também a crescer cada vez mais, e ao mesmo tempo, a apresentar caracteres sempre mais divergentes" (p. 534).

"A extinção das espécies e de grupos completos de espécies,
que tem gozado um papel tão considerável na história do mundo orgânico, é a conseqüência inevitável da seleção natural; porque as formas antigas devem ser suplantadas pelas formas novas e aperfeiçoadas" (p. 539).

"Consideram-se as formas novas como sendo,
em conjunto, geralmente mais elevadas na escala da organização do que as formas antigas; devem-no ser, além disso, porque são as formas mais recentes e mais aperfeiçoadas que, na luta pela existência, têm devido sobrepujar as formas mais antigas e menos perfeitas; os seus órgãos devem ter-se também especializado muito para desempenhar as suas diversas funções" (p. 540).

"Como a
produção e a extinção das espécies são a conseqüência das causas sempre existentes e atuando lentamente, e não por atos miraculosos de criação; como a mais importante das causas das alterações orgânicas é quase independente de toda a modificação, mesmo súbita, nas condições físicas, porque esta causa não é mais que as relações mútuas de organismo para organismo, o aperfeiçoamento de um arrastando o aperfeiçoamento ou o extermínio de outros, resulta que a soma das modificações orgânicas apreciáveis nos fósseis de formações consecutivas pode provavelmente servir de medida relativa, mas não absoluta, do lapso de tempo decorrido entre o depósito de cada uma delas. Estas leis, tomadas no seu sentido mais lato, são: a lei do crescimento e reprodução; a lei da hereditariedade que implica quase a lei de reprodução; a lei de variabilidade, resultante da ação direta e indireta das condições de existência, do uso e não uso; a lei da multiplicação das espécies em razão bastante elevada para trazer a luta pela existência, que tem como conseqüência a seleção natural, que determina a divergência de caracteres, a extinção de formas menos aperfeiçoadas. O resultado direto desta guerra da natureza que se traduz pela fome e pela morte, é, pois, o fato mais admirável que podemos conceber, a saber: a produção de animais superiores. Não há uma verdadeira grandeza nesta forma de considerar a vida, com os seus poderes diversos atribuídos primitivamente pelo Criador a um pequeno número de formas, ou mesmo a uma só? Ora, enquanto que o nosso planeta, obedecendo à lei fixa da gravitação, continua a girar na sua órbita, uma quantidade infinita de belas e admiráveis formas, saídas de um começo tão simples, não têm cessado de se desenvolver e desenvolvem-se ainda!" (p. 553, 554).

Fonte:
Charles Darwin: "
A Origem das Espécies, no meio da seleção natural ou a luta pela existência na natureza". Tradução: Joaquim da Mesquita Paul. Lello & Irmãos Editores. Porto, 2003.

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