Darwin e Deus

Em "A Origem das Espécies":
"Não há uma verdadeira grandeza nesta forma de considerar a vida, com os seus poderes diversos atribuídos primitivamente pelo Criador a um pequeno número de formas, ou mesmo a uma só? Ora, enquanto que o nosso planeta, obedecendo à lei fixa da gravitação, continua a girar na sua órbita, uma quantidade infinita de belas e admiráveis formas, saídas de um começo tão simples, não têm cessado de se desenvolver e desenvolvem-se ainda!" (p. 554).

Em carta datada de 2 de abril de 1873:
"
Posso afirmar-vos que a impossibilidade de considerar este magnífico universo, que contém o nosso ‘eu’ consciente, como obra do acaso, é para mim o principal argumento em favor da existência de Deus”.

Em carta datada de 3 de julho de 1881:
Devo dizer-vos que em vosso livro Pretensões da Ciência expressastes a minha profunda convicção, e mesmo mais eloqüentemente do que eu saberia fazê-lo, isto é, que o universo não é e nem pode ser obra do acaso”.

M. Francis Darwin. La Vie et la Correspondence de Charles Darwin.
Trad. de H. arigny. Reinwald, Paris, Vol. 1, p. 354, 365.

É isso!

"Contra o Método"

"O cientista que deseja ampliar ao máximo o conteúdo empírico das concepções que sustenta e que deseja entender aquelas concepções tão claramente quanto possível deve, portanto, introduzir concepções novas. Em outras palavras, o cientista deve adotar metodologia pluralista. Compete-lhe comparar idéias antes com outras idéias do que com a ‘experiência’ e ele tentará antes aperfeiçoar que afastar as concepções que forem vencidas no confronto. Procedendo dessa maneira, manterá as teorias acerca do homem e do cosmos que se encontram no Gênese ou no Pimandro e as elaborará e utilizará a fim de avaliar o êxito da evolução e de outras concepções modernas. Concluirá, talvez, que a teoria da evolução não é tão bem fundada quanto geralmente se admite e que deve ser complementada ou inteiramente substituída por uma aperfeiçoada versão do Gênese. O conhecimento, concebido segundo essas linhas, não é uma série de teorias coerentes, a convergir para uma doutrina ideal; não é um gradual aproximar-se da verdade. É, antes, um oceano de alternativas mutuamente incompatíveis (e, talvez, até mesmo incomensuráveis), onde cada teoria singular, cada conto de fadas, cada mito que seja parte do todo força as demais partes a manterem articulação maior, fazendo com que todas concorram, através desse processo de competição, para o desenvolvimento de nossa consciência.
Nada é jamais definitivo, nenhuma forma de ver pode ser omitida de uma explicação abrangente. Plutarco ou Diógenes Laércio e não Dirac ou von Neumann são os modelos para a apresentação dessa espécie de conhecimento, onde a história de uma ciência se faz porção inseparável da própria ciência — essencial para seu posterior desenvolvimento, assim como para emprestar conteúdo às teorias que encerra em qualquer momento dado. Especialistas e leigos, profissionais e diletantes, mentirosos e amantes da verdade — todos estão convidados a participar da atividade e a trazer contribuição para o enriquecimento de nossa cultura. A tarefa do cientista não é mais a de ‘buscar a verdade’ ou a de ‘louvar ao Deus’ ou a de ‘sistematizar observações’ ou a de ‘aperfeiçoar as previsões’. Esses são apenas efeitos colaterais de uma atividade para a qual sua atenção se dirige diretamente e que é ‘tornar forte o argumento fraco’, tal como disse o sofista, para, desse modo, garantir o movimento do todo" (p. 40, 41).

Fonte:
“Contra o Método”. Paul Feyerabend. Tradução de Octanny S. da Mata e Leonidas Hegenberg. Livraria Francisco Alves Editora S.A. Rio de Janeiro, 1977.

É isso!

A febre do Naturalismo no século XIX


"A visão de mundo do homem do século XIX foi muito guiada pelo forte cientificismo então em voga. O determinismo e o darwinismo social foram influências diretas para as teorias defendidas por sociólogos e antropólogos do período. Tal contexto, como já seria de se esperar, ecoou no âmbito literário, fazendo com que diversos escritores se tornassem representantes dessas correntes cientificistas e expusessem em suas páginas personagens e situações que exemplificassem e comprovassem as idéias de maior prestígio do referido período. Assim o cenário literário viu a ascensão do Naturalismo.

O Naturalismo floresceu primeiramente na França na segunda metade do século XIX, mas teve repercussão também em outros países europeus, nos Estados Unidos e no Brasil. Seguindo os princípios cientificistas que lhe deram origem, o movimento tem como base a filosofia de que só as leis da natureza são válidas para explicar o mundo e de que o comportamento do homem está sujeito a um condicionamento puramente biológico e social. As obras naturalistas retratam a realidade de forma ainda mais objetiva e fiel do que seu movimento predecessor, o Realismo. Nas artes plásticas o movimento não tem o engajamento ideológico do Realismo, mas na Literatura e no Teatro mantém a temática dos problemas sociais.

Influenciados pelo Positivismo de Auguste Comte e pela Teoria da Evolução das Espécies de Darwin, os naturalistas enxergam e reproduzem a realidade sob uma ótica totalmente científica. Sua visão de mundo é guiada por princípios como objetividade, imparcialidade, materialismo e determinismo. Ao contrário da maioria dos movimentos literários, o Naturalismo teve uma figura intelectual em sua liderança – Émile Zola. O ano de 1880 foi um marco para o movimento, pois foi o ano em que o escritor publicou a coletânea de ensaios
O romance experimental, onde define os princípios básicos do movimento.

Nas artes plásticas, o Naturalismo retratou fielmente paisagens urbanas e suburbanas, nas quais os personagens são pessoas comuns. O artista pinta o mundo como o vê, sem idealizações e distorções, com o objetivo de expor posições ideológicas. Em meados do século XIX, o grande interesse por paisagens naturais leva um grupo de artistas a se reunir em Barbizon, na França, para pintar ao ar livre, fato considerado inovador na época. Um dos principais artistas do grupo é Théodore Rousseau, autor de “Uma alameda na floresta” de L’Isle Adam. Outro nome importante é Jean-Baptiste-Camille Corot. O francês Édouard Manet é um nome fundamental do período, fazendo a ponte do Realismo e do Naturalismo para um novo tipo de pintura que levará mais tarde ao Impressionismo. Na literatura naturalista, a linguagem empregada nos romances é, em geral, coloquial, simples e direta. Muitas vezes, para descrever vícios e mazelas humanas, são empregadas expressões vulgares. Temas do cotidiano urbano, como crimes, miséria e intrigas são uma constante. O estudo dos desvios do comportamento humano, marcado pela influência exercida pelas noções de “raça” e “meio” sobre o indivíduo, foi uma das mais importantes características do Naturalismo literário. Os personagens são tipificados: o adúltero, o louco, o pobre, etc. O descritivismo na narrativa é excessivo. O maior expoente do Naturalismo literário é o líder do movimento, Émile Zola, autor de
Nana e Germinal.

No Naturalismo dramático, as principais peças são baseadas em textos de Zola, como
Thérèse Raquin, Germinal e A Terra. A encenação deste último constitui a primeira tentativa de criar um cenário tão realista quanto o texto. Na época, o principal diretor de peças naturalistas na França é André Antoine, que põe em cena animais vivos e simula coisas como um pequeno riacho. Outro autor importante do período, o francês Henri Becque, aplica os princípios naturalistas à comédia de “boulevard”, que ganha caráter amargo e ácido. Suas principais peças são A parisiense e Os abutres. Também se destaca o sueco August Strindberg, autor de Senhorita Julia.

Sendo o Brasil do século XIX um pólo receptor das idéias da França, seria apenas uma questão de tempo para que as idéias naturalistas fossem incorporadas ao ideário cultural brasileiro. No país, a tendência manifesta-se nas artes plásticas e na literatura. Em relação ao teatro, várias peças francesas são encenadas no Brasil, porém não ocorre a produção de textos nacionais. Nas artes plásticas estão presentes na produção dos artistas paisagistas do chamado Grupo Grimm. Seu líder é o alemão George Grimm, professor da Academia Imperial de Belas-Artes. Em 1884, após romper com a instituição, ele funda o Grupo Grimm em Niterói, Rio de Janeiro. Outro naturalista importante é João Batista da Costa, que tenta captar com objetividade a luz e as cores da paisagem brasileira. Na literatura, o romance O mulato, de Aluísio Azevedo, é considerado o marco inicial do Naturalismo no país. Trata-se da história de um homem culto, mulato, que vive o preconceito racial ao se envolver com uma mulher branca. Outras obras naturalistas marcantes são O bom crioulo, de Adolfo Caminha, A carne, de Júlio Ribeiro e sobretudo O cortiço, também de Aluísio Azevedo."

Fonte:
"A herança do período naturalista nas letras do século XX": Flavio Pereira Senra (d
issertação de Mestrado em Literatura Comparada apresentada à coordenação dos cursos de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Orientador: Prof. Dr. Eduardo de Faria Coutinho. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2006).

É isso!

"A linguagem de Collins"

A versão teísta da Teoria da Evolução, segundo o ex-diretor do Projeto Genoma, Francis Collins:

"Embora existam muitas variáveis sutis da evolução teísta, uma versão típica obedece às premissas a seguir:

1. O universo surgiu do nada, há aproximadamente 14 bilhões de anos.
2. Apesar das improbabilidades incomensuráveis, as propriedades do universo parecem ter sido ajustadas para a criação da vida.
3. Embora o mecanismo exato da origem da vida na Terra permaneça desconhecido, uma vez que a vida surgiu, o processo de evolução e de seleção natural permitiu o desenvolvimento da diversidade biológica e da complexidade durante espaços de tempo muito vastos.
4. Tão logo a evolução seguiu seu rumo, não foi necessária nenhuma intervenção sobrenatural.
5. Os humanos fazem parte desse processo, partilhando um ancestral comum com os grandes símios.
6. Entretanto, os humanos são exclusivos em características que desafiam a explicação evolucionária e indicam nossa natureza espiritual. Isso inclui a existência da Lei Moral (o conhecimento do certo e do errado) e a busca por Deus, que caracterizam todas as culturas humanas.

Se alguém aceita esses seis princípios, percebe que surge uma síntese completamente aceitável, que satisfaz intelectualmente e tem consistência lógica: Deus, que não se limita ao tempo e ao espaço, criou o universo e estabeleceu leis naturais que o regem. Para povoar este universo antes estéril com criaturas vivas, Deus escolheu o mecanismo distinto da evolução para criar micróbios, plantas e animais de todos os tipos. O mais extraordinário é que ele escolheu, propositadamente, o mesmo mecanismo para originar criaturas especiais que teriam inteligência, conhecimento de certo e errado, livre-arbítrio e desejo de afinidade com Ele. Deus também sabia que esses seres, ao fim, optariam por desobedecer à Lei Moral.

Esse ponto de vista é totalmente compatível com tudo o que a ciência nos ensinou sobre o mundo natural. É também totalmente compatível com as grandes religiões monoteístas do mundo. A perspectiva da evolução teísta não pode, é claro, provar que Deus existe, assim como nenhum argumento lógico pode fazê-lo completamente. A crença em Deus sempre exigirá um salto de fé. Contudo, essa síntese proporcionou, a legiões de cientistas que acreditam em Deus, uma perspectiva satisfatória, consistente e enriquecedora, que permite uma coexistência pacífica das visões de mundo científica e espiritual em nós. Essa perspectiva permite ao cientista que acredita em Deus realizar-se intelectualmente e sentir-se espiritualmente vivo, tanto ao idolatrar o Criador quanto ao utilizar os instrumentos da ciência para descobrir alguns dos admiráveis mistérios de Sua criação" (p. 206, 207).

Fonte:
Francis S. Collins. “A linguagem de Deus”. Editora Gente, 2007.

É isso!

Deu zebra! ((rs))

Sabe-se que a zebra de Grévy (Equus grevy) apresenta numerosas listras estreitas verticais em todo o corpo, no sentido da frente para trás; a zebra de Burchell (Eqqus burchelli), por sua vez, possui largas listas que parte da horizontal do flanco traseiro até mais ou menos o meio do corpo, assim como listas verticais na parte anterior do corpo. Pergunta: há verdadeiramente uma utilidade adaptativa nesses diferentes sistemas de listas?

É isso!

"De Homo pra Homo"

1. Por que razão o mesmo ambiente transformaria ancestrais hominídeos em bípedes e os babuínos em quadrúpedes?

2. O Homo sapiens teria sido produto de uma escada que desde o começo sobe diretamente em direção ao nosso estado atual? Em caso afirmativo, o que teria acontecido com a nossa escada já que se diz que reconhece três linhagens coexistentes de hominídeos: o A. africanus, os robustos australopitecinos, e o H. habilis, sendo que nenhum deles descende claramente do outro?

3. O Homo habilis (e outras supostas espécies do mesmo gênero – Homo rudolfensis, Homo ergaster e Homo erectus) teve uma origem comum?

4. Diz-se que os primeiros seres humanos surgiram na mesma região dos australopithecus e, por isso, deduz-se que somos descendentes deles. Porém, qual australopithecus corresponde a qual homem?

5. Que aperfeiçoamento genético é possível citar desde que supostamente apareceu o Homo sapiens?

É isso!

Eu li isso...

“Na história do darwinismo, os "conceitos essen­ciais de Darwin" são apresentados de maneira bas­tante coerente, e numa sequência gradativa. Não aparecem contradições, hesitações ou falhas graves. O darwinismo parece ser uma teoria que foi "cres­cendo", amadurecendo lentamente, dentro de um processo que se parece muito com o seu próprio objeto de estudo: a lenta evolução dos seres vivos. A teoria, de uma certa forma, se apresenta como um tipo de produto da natureza, e não do homem.

Por outro lado, salta aos olhos o fato de a teoria pretender ser inteiramente independente da influên­cia da sociedade da época. Ela se submeteria ape­nas à lógica da natureza. No entanto, uma análise um pouco mais cuida­dosa da obra de Charles Darwin nos revela uma série de hesitações, contradições e falhas que podem ser consideradas graves. Além disso, traz em seu in­terior todos os elementos da sociedade na qual foi cónstruída. Assim, passa a ter as feições de um pro­duto do homem, e não da natureza”.

Fonte:
Nélio Bizzo. “O que é Darwinismo”. Edirora Brasiliense, São Paulo, 1989, p. 18, 19.

É isso!

"Test-Darwin"

Sobre a postura filosófica de Darwin ao embarcar em sua viagem no navio Beagle, é correto afirmar que:

E, aqui, a resposta de Stephen Jay Gould:

“O mito do Beagle - o de que Darwin tornou-se um evolucionista por meio da observação simples e imparcial de um mundo inteiro estendido à sua frente durante uma viagem de cinco anos ao redor do mundo — ajusta-se a todos os nossos critérios românticos para a melhor das lendas: um jovem, livre dos empecilhos da sociedade inglesa e dos seus pressupostos limitadores, face a face com a natureza, exercitando a sua mente formidável e inexperiente com todos os desafios oferecidos por plantas, animais e rochas do globo todo. Ele parte da Inglaterra em 1831, com planos de se tornar um pároco de aldeia ao voltar. Retorna em 1836, tendo visto a evolução em estado bruto, compreendendo (embora vagamente) as suas implicações e comprometido com uma vida científica de pensador evolucionista. O catalisador principal: as ilhas Galápagos. Os atores principais: tartarugas, tordos-dos-remédios e, acima de tudo, treze espécies de tentilhões de Darwin — o melhor laboratório evolutivo que a natureza nos ofereceu.
[...]
Resumindo, então, Darwin chegou às Galápagos e delas saiu como criacionista, e o seu estilo de coleta durante toda a visita refletiu essa posição teórica. Vários meses depois, compilando as anotações em alto-mar, durante as longas horas da travessia do Pacífico, ele flertou brevemente com a evolução enquanto pensava nas tartarugas e nos tordos, não nos tentilhões. Mas ele rejeitou essa heresia e atracou na Inglaterra em 2 de outubro de 1836 na condição de criacionista que nutria dúvidas nascentes”.

Fonte:
Stephen Jay Gould. “O Sorriso do Flamingo”. Editora Martin Fontes. 1ª edição, 1990. Tradução: Luís Carlos Borges. paginas: 323 e 330.


É isso!

"Vinde a Darwin as criancinhas"...

Uma das características comuns a toda religião diz respeito à doutrinação que se faz às “almas pequeninas”. O objetivo é claro: plantar a semente mais cedo para colher os frutos mais tarde. Um exemplo clássico refere-se à Igreja Católica. Embora nunca vão à missa ou participem de celebrações eucarísticas, muitas adultos declaram-se católicos apenas porque quando crianças fizeram a Primeira Comunhão ou passaram por algum tipo de catequese. Tal fenômeno, porém, não é exclusividade das religiões. As ideologias também perambulam por este mesmo atalho da instrução infantil. O comunismo e o nazismo, por exemplo, usaram e abusaram da catequização a fim de incutir nas crianças a suas inquestionáveis “verdades”. Um exemplo moderno refere-se à “seita darwinista”, que também escancara seu aliciamento ideológico às mentes inocentes. Por exemplo, em livros do tipo:
É isso!

O darwinismo e a "indesejada das gentes"

Em termos adaptativos, que vantagem nossos ancestrais realmente podiam extrair, na aurora da humanidade, ao saber que tinham que inevitavelmente morrer? Evolutivamente por que cargas d’água a poderosa e sapientíssima Seleção Natural não escolheu características tais que pudessem tornar muito mais longa a vida humana? Por que ela não as selecionou de tal maneira que se evitasse falhas de replicação, falhas de metabolismo e outros processos que provocam nossa degeneração? Estaria porventura o ser humano adaptado psicologicamente para a morte? Em caso afirmativo, por que então esta ferrenha luta contra ela? Sim, o que leva o homem a evitar a morte? Em outras palavras: o que leva o homem a adiá-la? Acaso a obsessão de livrar-se dela de forma permanente?

É isso!

Do darwinismo e da lógica do Dr. Pangloss

Terminei há algum tempo a leitura de “Cândido”, do genial François-Marie Arouet ou simplesmente Voltaire. Dentre as muitas personagens do romance, destaca-se o Doutor Pangloss, uma caricata figura que me fez lembrar a versão igualmente caricata do darwinismo, também denominada ultradarwinismo. Tal qual o Doutor Pangloss, os ultradarwinistas são exímios na capacidade de criar estórias aparentemente plausíveis porém não fundamentadas na realidade. Mas, vamos ao “Cândido”:

Está demonstrado, dizia ele, que as coisas não podem ser de outra maneira: pois, como tudo foi feito para um fim, tudo está necessariamente destinado ao melhor fim. Queiram notar que os narizes foram feitos para usar óculos, e por isso nós temos óculos. As pernas foram visivelmente instituídas para as calças, e por isso temos calças. As pedras foram feitas para serem talhadas e edificar castelos, e por isso Monsenhor tem um lindo castelo; o mais considerável barão da província deve ser o mais bem alojado; e, como os porcos foram feitos para serem comidos, nós comemos porco o ano inteiro: por conseguinte, aqueles que asseveravam que tudo está bem disseram uma tolice; deviam era dizer que tudo está o melhor possível”.

No mundo do Doutor Pangloss nada acontecia sem um propósito determinado. Para tal personagem voltaireana não havia efeito sem causa, e este mundo era o melhor possível dos mundos: “o castelo do senhor barão era o mais belo possível dos castelos e a senhora a melhor das baronesas possíveis”.

Assim, não é lá muito diferente o mundo panglossiano daquele em que vivem deslumbradamente os ultradarwinistas. Neste "mundo" darwiniano, por exemplo, o naturalista inglês fora um homem à prova de qualquer suspeita, um cidadão dedicado ao bem da humanidade, o protótipo ideal de um lídimo e verdadeiro cientista. E, tal qual o Doutor Pangloss, os ultradarwinistas vêem o darwinismo como o melhor de todos os “mundos”, o lugar perfeito onde a verdade finca-se como um estandarte iluminando as trevas do “obscurantismo religioso e retrógrado”. Em função disso, são peritos em criar estórias aparentemente verossímeis, a maior parte das quais fundamentadas na velha e ultrapassada muleta do adaptacionismo. Para eles, cada característica de um ser vivo necessariamente tem sua razão de ser.

Suas conclusões normalmente estão baseadas em inferências acerca “daquilo que poderiam ter sido” ou “naquilo que desejariam que fosse”. No caso do chimpanzé, por exemplo, não obstante façam uso da “justificativa genética”, a proximidade entre este animal e o homem norteia-se preponderantemente pela semelhança morfológica entre ambos: “O homem parece como o macaco, logo o homem tem uma relação evolutiva com ele”. Coincidentemente, há uma passagem hilária em “Cândido”, na qual se narra que as mulheres mantinham um relacionamento conjugal com esses bicinhos.

Ia continuar, mas o espanto lhe paralisou a língua ao ver aquelas duas raparigas beijarem ternamente os dois macacos, desatando em pranto sobre os seus corpos e enchendo o ar com os gritos mais pungentes.
— Eu não esperava tanta bondade de alma – disse afinal a Cacambo, o qual replicou:
— Bela coisa fez o patrão! Acaba de matar os amantes dessas moças.
— Seus amantes! Será possível? Estás zombando de mim, Cacambo. Como vou acreditar numa coisa dessas?
— O senhor, meu caro patrão, anda sempre a espantar-se de tudo; por que acha tão estranho que nalguns países haja macacos que obtém favores femininos? Eles têm um quarto de homens, como eu tenho um quarto de espanhol.
— Ah! – disse Cândido, – lembro-me de ter ouvido a Pangloss que outrora aconteciam tais acidentes, e que tal mescla produzira egipãs, faunos, sátiros; que várias personagens da antigüidade os haviam visto; mas eu tomava tudo isso por fábulas
”. ((rs))

Além disso, proliferam as conclusões fundamentadas em lacunas. Por exemplo, no caso do registro fóssil, justificam as ausências pelo fato de ser ele imperfeito, uma vez que, quando um animal morre, há uma possibilidade muito reduzida de ele vir a ser fossilizado, o que explicaria tais lacunas nas genealogias fósseis.

Outra característica do panglossianismo darwinista, e esta ainda mais irônica, refere-se ao fato de acreditar que a Teoria da Evolução tenha alguma utilidade prática para a humanidade. O que me remete novamente ao “Cândido”, a uma passagem em que outra personagem, Pococurante, um nobre veneziano, desdenha da teoria científica livresca:

Ah! – exclamou Martinho. – Eis aqui oitenta volumes dos anais de uma academia de ciências; deve haver nisso tudo alguma coisa de bom.
— Haveria – disse Pococurante – se um só dos autores dessa moxinifada tivesse inventado ao menos a arte de fabricar alfinetes; mas em todos esses volumes não há mais que inócuos sistemas e nenhuma coisa útil
. ((rs))

Não há dúvidas da plausibilidade em se discutir muitos aspectos do darwinismo pelo viés científico, todavia, sua essência, ainda que à ojeriza de seus ferrenhos adeptos, fundamenta-se no ponto de vista filosófico. As inúmeras extrapolações feita a partir da realidade vivenciada, tem sua origem no naturalismo filosófico, no cientificismo e na profunda vontade de que as coisas fossem de um determinado modo, o que novamente remete à mesma filosofia. “Mas a ciência é materialista” diriam ao modo peculiar do Doutor Pangloss, confundindo a praticidade da ciência com a abstração materialista e ideológica.

É isso!

A síndrome de Darwin

É amaplamente sabido que as idéias de Darwin quando aplicada ao homem deram margem ao florescimento de inúmeras ideologias racistas ao redor do mundo, dentre as quais a mais funesta de todas elas: a Eugenia. O próprio Darwin cultivou a crença no “melhoramento das raças”. Ele e uma série de pensadores da época acreditavam que a “raça” humana poderia ser “melhorada” caso fossem evitados “cruzamentos indesejáveis. Isso deixa bem claro em seu livro “A Origem do Homem”:

Os dois sexos deveriam ser impedidos de desposarem-se quando se encontrassem em estado de inferioridade muito acentuada de corpo ou espírito”. E mais adiante: “Todos aqueles que não podem evitar uma abjeta pobreza para seus filhos deveriam evitar de se casar, porque a pobreza não é apenas um grande mal, mas ela tende a aumentar; (...) enquanto os inconscientes se casam e os prudentes evitam o casamento, os membros inferiores da sociedade tendem a suplantar (em número) os membros superiores. Como todos os animais, o homem chegou certamente ao seu alto grau de desenvolvimento atual mediante luta pela existência, que é conseqüência de sua multiplicação rápida; e, para chegar a um mais alto grau ainda, é preciso que continue a ser mantida uma luta rigorosa (...). Deveria haver concorrência aberta para todos os homens e dever-se-iam fazer desaparecer todas as leis e todos os costumes que impedem os mais capazes de conseguir seus objetivos e criar o maior número possível de crianças.”

Lembrando também que os ideais de Darwin relacionados à evolução humana não ficaram restritos apenas à Europa. Em praticamente em todo o mundo Ocidental, eles vingaram e deixaram marcas profundas. Aqui mesmo no Brasil o darwinismo social exerceu forte influência entre médicos e escritores, como no autor de “O sítio do pica-pau amarelo”, o conhecido escritor Monteiro Lobato. Nos Estados Unidos a Eugenia chegou ao seu estado mais temível, sendo amparada inclusive por lei. Durante décadas uma quantidade enorme de mulheres americanas consideradas portadoras de alguma patologia hereditária foi violentamente impedida de gerar filhos, tendo como “justificativa” o bem-estar da sociedade. Também na Alemanha o darwinismo social ramificou-se ao modo “peculiar” de Hitler causando a maior catástrofe humana do século XX: o holocausto dos judeus.

Pois bem. Um outro grupo que também fora fortemente atingido pela “síndrome racista de Darwin”, foi o portador da
condição tecnicamente conhecida como "trissomia 21" (mais popularmente conhecida como “síndrome de Down”).

Para quem não sabe, a expressão “síndrome de Down” tem esse nome por causa do médico inglês John Angdon Down, que descreveu esse distúrbio genético numa publicação de 1866. Inicialmente o médico Down também fora influenciado pelos estudos de Charles Darwin. Tomando como base o livro “A Origem das Espécies”, Down inferiu que aquelas características sindrômicas eram um retorno a um tipo racial oriental primitivo relacionado ao habitante da Mongólia, daí ter apelidido o termo de “mongolismo” ou "idiotia mongolóide", o primeiro, aliás, usado até nos dias de hoje. Em “O Polegar do Panda”, Gould faz menção de uma frase com a qual Down tenta classificar os “débeis mentais” num “sistema natural”: "Mantive a minha atenção dirigida por algum tempo para a possibilidade de criar uma clas­sificação dos débeis mentais, organizando-os em torno de vários pa­drões étnicos — em outras palavras, construindo um sistema natu­ral” (p. 146).

Mais recentemente, sob o rótulo da “Sociobiologia”, o darwinismo social também refloresceu através dos genes. Os sociobiologistas fazem uso da falácia genética para tentar explicar os mais variados tipos de comportamentos humanos, os quais, segundo eles, “necessariamente” aparesentam sinais da “evolução”. É o determinismo genético fazendo seu papel. E assim caminha a humanidade e a mediocridade...
... em nome da ciência

É isso!

Eu li isso...

"Muitas inovações feministas ocorreram no interior de teorias de seleção sexual, que é vista, depois da seleção natural, como um motor básico da evolução biológica, e que Sarah Hrdy apelidou de "jóia da coroa" da sociobiologia. Darwin fez remontar as diferenças sexuais secundárias ao drama cósmico da seleção sexual. Certas características – Darwin mencionou plumagem brilhante, chifres pesados, coragem, pugnacidade, perseverança, força e tamanho do corpo, suplementos ornamentais - são selecionadas e perpetuadas porque conferem ao indivíduo de um sexo, "geralmente o macho", uma vantagem em sua luta por acesso à fêmea e lhe permitem deixar um número maior de filhos "para herdar sua superioridade". Darwin e outros há muito assumiram que a seleção sexual não age tão fortemente sobre as fêmeas como sobre os machos; conseqüentemente, eles enfatizaram a competição macho-macho por fêmeas e a escolha de parceiro pela fêmea como os mecanismos de seleção. Os machos são os cortejadores; as fêmeas, "embora comparativamente passivas, geralmente exercem alguma escolha" ao aceitar um dos machos vitoriosos (Darwin eximiu os humanos desta última prática porque, como era claro aos seus contemporâneos vitorianos, os machos humanos propunham casamento). A noção de que os machos são competitivos e as fêmeas são tímidas foi tão persuasiva que por mais de vinte anos um grupo de ornitólogos procurou por "machos alfa" numa população de gaios em cativeiro, chegando ao ponto de estabelecer estações de forragem limitadas para inflamar a competição. Como veio a se revelar, contudo, os pássaros que lutam com garras e bicos em combate mortal nesse grupo são fêmeas" (p. 250).

Fonte:
Londa Schienbinger: "O Feminismo Mudou a Ciência?". Editora da Universidade do Sagrado Coração. Bauru, 1991.

É isso!

Darwin também é literatura!

Por:

Eça de Queiroz, em "Crônicas de Londres" ( Londres, 15 de Agosto de 1877):


Notícias do amigo Pongo.

"Está ótimo. Como parecia aborrecer-se bastante, os sábios, que o vigiam zelosamente, resolveram cercá-lo de alguma sociedade. Vieram dos jardins zoológicos três chimpanzés para lhe fazerem – ia quase a dizer, a partida de whist –, para lhe fazerem companhia ao jantar e falarem das queridas florestas de África. Um dos chimpanzés é engraçado como um clown e estróina como um lorde: desde a sua chegada, a casa do amigo Pongo ressoa de gritos, vacila com os pulos, vibra de toda a ágil, espirituosa, ladina inquietação do faceto chimpanzé. Pongo aprecia esta vivacidade, e tem por ele uma estima refletida e protetora: faz em geral, aos seus três hóspedes, as honras da casa com benevolência, mas as delicadezas mais especiais são para esse chimpanzé: se lhe dão charutos, oferece-lhe sempre o maior; há dias deram-lhe um chapéu e o excelente Pongo foi logo enterrá-lo na cômica cabeça do seu amigo, recuando um pouco, depois de saborear a pilhéria daquela toilette humana. Quando bebe, passa-lhe logo em seguida o copo, gravemente, com um sorriso. Agora uma coisa extraordinária: Mr. Pongo detesta Darwin!


Darwin é, como sabem (é quase ridículo lembrá-lo), o grande filósofo e naturalista que primeiro estabeleceu a teoria da descendência do homem, e declarou-o nascido diretamente do macaco. Parecia natural que Pongo, vendo pela primeira vez o sábio ilustre que lhe deu uma tão alta posição na criação, fazendo-o pai do gênero humano, lhe daria ao menos um
shakehands cordial. Pois não senhor! Detesta-o. Com uma ingratidão africana, apenas o avista, franze a testa, arreganha os dentes, fita-o, volta-lhe as costas. E todavia se há uma bela e doce fisionomia, é a de Darwin com a sua longa barba branca! A amizade de Pongo é pelo ilustre professor Tyndall: quando o vê, atira-se- lhe aos braços e, com uma ideia infame da limpeza do grande sábio, começa a catá-lo com frenesi! E o que Tyndall ri! Comoveu-me, há dias, ver Darwin, e Tyndall, e Fawcett, e outros sábios famosos, honra e esplendor da humanidade, virem fazer a sua visita de amizade a este venerável avô da raça humana! Mas francamente, a atitude do gorila para com Darwin chocou-me. Estimo-o talvez menos. E a única explicação é esta: Pongo conhece que Darwin o declarou pai do homem: e Pongo, que já tem viajado bastante, que esteve em Berlim, que conhece a população toda de Londres, que tem feito observações prolongadas sobre o homem, está furioso com Darwin e com a sua teoria. «O quê!», pensa ele; «isto, este ser de chapéu alto e luneta no olho, que paga um xelim para me vir ver, é que é o meu descendente? E a isto que Darwin chama um gorila aperfeiçoado? Mas esse sábio não tem então escrúpulo em lançar uma nódoa infamante na respeitável classe dos gorilas? Esse sábio é um mau homem!» E volta-lhe as costas. A razão é clara: ele não o considera um observador profundo, acha-o um reles caluniador!"


É "iço"! ((rs))

O darwinismo social em Euclides da Cunha

A influência das idéias de Charles Darwin não ficaram restritas ao âmbito das ciências biológicas. Especialmente na primeira metade do século XX, a noção uma "raça superior" foi simplesmente avassaladora nas diversas sociedades ao redor do mundo. Tal conceito tornou-se numa arma aniquiladora nas mãos de Hitler, Mao Tse Tung, Stalin, o governo americano etc. O Brasil também não ficou indiferente a Charles Darwin. A idéia de que a sociedade poderia ser "melhorada" evitando-se "cruzamentos indesejáveis" fez parte dos ideais de boa parcela dos acadêmicos tupiniquins, como Monteiro Lobato, por exemplo. Outro que foi impactado por esta peçonha, foi o autor de "Os Sertões", o grande Euclides da Cunha, conforme se pode observar nesse trecho do seu referido livro:

"Abramos um parêntese...
A mistura de raças mui diversas é, na maioria dos casos, prejudicial. Ante as conclusões do evolucionismo, ainda quando reaja sobre o produto o influxo de uma raça superior, despontam vivíssimos estigmas da inferior. A mestiçagem extremada é um retrocesso. O indo-europeu, o negro e o brasílio-guarani ou o tapuia exprimem estádios evolutivos que se fronteiam, e o cruzamento, sobre obliterar as qualidades preeminentes do primeiro, é um estimulante à revivescência dos atributos primitivos dos últimos. De sorte que o mestiço — traço de união entre as raças, breve existência individual em que se comprimem esforços seculares — é, quase sempre, um desequilibrado. Foville compara-os, de um modo geral, aos histéricos. Mas o desequilíbrio nervoso, em tal caso, é incurável: não há terapêutica para este embater de tendências antagonistas, de raças repentinamente aproximadas, fundidas num organismo isolado. Não se compreende que após divergirem extremamente, através de largos períodos entre os quais a história é um momento, possam dous ou três povos convergir de súbito, combinando constituições mentais diversas, anulando em pouco tempo distinções resultantes de um lento trabalho seletivo. Como nas somas algébricas, as qualidades dos elementos que se justapõem, não se acrescentam, subtraem-se ou destroem-se segundo os caracteres positivos e negativos em presença. E o mestiço — mulato, mameluco ou cafuz — menos que um intermediário, é um decaído, sem a energia física dos ascendentes selvagens, sem a altitude intelectual dos ancestrais superiores. Contrastando com a fecundidade que acaso possua, ele revela casos de hibridez moral extraordinários: espíritos fulgurantes, às vezes, mas frágeis, irrequietos, inconstantes, deslumbrando um momento e extinguindo-se prestes, feridos pela fatalidade das leis biológicas, chumbados ao plano inferior da raça menos favorecida. Impotente para formar qualquer solidariedade entre as gerações opostas, de que resulta, reflete-lhes os vários aspectos predominantes num jogo permanente de antíteses. E quando avulta — não são raros os casos — capaz das grandes generalizações ou de associar as mais complexas relações abstratas, todo esse vigor mental repousa (salvante os casos excepcionais cujo destaque justifica o conceito) sobre uma moralidade rudimentar, em que se pressente o automatismo impulsivo das raças inferiores.

É que nessa concorrência admirável dos povos, evolvendo todos em luta sem tréguas, na qual a seleção capitaliza atributos que a hereditariedade conserva, o mestiço é um intruso. Não lutou; não é uma integração de esforços; é alguma cousa de dispersivo e dissolvente; surge, de repente, sem caracteres próprios, oscilando entre influxos opostos de legados discordes. A tendência à regressão às raças matrizes caracteriza a sua instabilidade. É a tendência instintiva a uma situação de equilíbrio. As leis naturais pelo próprio jogo parecem extinguir, a pouco e pouco, o produto anômalo que as viola, afogando-o nas próprias fontes geradoras. O mulato despreza então, irresistivelmente, o negro e procura com uma tenacidade ansiosíssima cruzamentos que apaguem na sua prole o estigma da fronte escurecida; o mamaluco faz-se o bandeirante inexorável, precipitando-se, ferozmente, sobre as cabildas aterradas...

Esta tendência é expressiva. Reata, de algum modo, a série contínua da evolução, que a mestiçagem partira. A raça superior torna-se o objetivo remoto para onde tendem os mestiços deprimidos e estes, procurando-a, obedecem ao próprio instinto da conservação e da defesa. É que são invioláveis as leis do desenvolvimento das espécies; e se toda a sutileza dos missionários tem sido impotente para afeiçoar o espírito do selvagem às mais simples concepções de um estado mental superior; se não há esforços que consigam do africano, entregue à solicitude dos melhores mestres, o aproximar-se sequer do nível intelectual médio do indo-europeu — porque todo o homem é antes de tudo uma integração de esforços da raça a que pertence e o seu cérebro uma herança, — como compreender-se a normalidade do tipo antropológico que aparece, de improviso, enfeixando tendências tão opostas?" (p. 46, 47)

Fonte:
Euclides da Cunha. "Os Sertões". Edição digitalizada pelo Ministério da Cultura Fundação Biblioteca Nacional - Departamento Nacional do Livro.

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