Eu li isso...

"Adotando a teoria da seleção de Darwin, Galton a aplica à espécie humana; consagrou ele um livro à hereditariedade do gênio, que seu ilustre primo, Charles Darwin, considerou muito atraente e original. Galton, cientista reputado, sobretudo no campo da estatística conseguiu, principalmente na primeira década de nosso século, divulgar suas ideias entre um público bastante amplo, graças, primeiramente, à revista Biomeirika, fundada em 1901, e depois de 1909, à Eugenics Review; esta última era o órgão de uma Sociedade de Educação Eugênica, que Galton fundou em 1908, em colaboração com Leonard Darwin, filho mais velho de seu primo Charles."

Denis Buican: "Darwin e o Darwinismo". Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro, 1990.

"Um australopithecus no meu quintal"


"Ócio Literário"

Tinha acabado de me levantar e, como diria Bandeira, tomado o café que eu mesmo preparei. Abrir e a porta, e, surpresa! Um australopithecus sentado sobre um velho muro na mesma posição do “Pensador” de Auguste Rodin.

"E agora", ponderei: "Telefonar para a polícia ou contatar um darwinista especializado nesse tipo de bicho?"

Não era a primeira vez que via um australopithecus. Quando tinha cinco anos e morava no meio do mato, me lembro de ter visto um ser igualzinho a esse, com a diferença de que o outro não estava assim tão introspectivo.

"Não, não irei acionar a polícia. Talvez seja o caso de convidá-lo para tomar café e, quem sabe, saborear mais tarde um bom churrasco ao som de “a
Conquest of Paradise. Os australopithecus devem ter um gosto muito especial por churrasco. Mas, e se ele, no seu instinto ainda animalesco arremessar contra mim suas garras afiadas? Meu Deus!"

Um turbilhão de idéias aflorou minha mente confusa. Criei coragem e pus-me em sua direção:

- Bom dia, senhor australopithecus!

Ele permanecia estático e extático, assim tão excêntrico quanto os velhos filósofos. Insistir:

- Bom dia, senhor australopithecus! Encarando-o ergui minha mão para cumprimentá-lo. Ele, porém, não mostrava disposto a monólogos ou cortesias. "Que fazer?", pensei aflito.

Neste instante um pardal que disputava com os pombos os restos de um pão sobrevoou-lhe:

- A
vida do homem é como a sombra de um pássaro que nos sobrevoa, balbuciou introspectivamente.

Fiquei atônito. Estava bem diante de um australopithecus filósofo!

Perguntei-lhe então se tinha lido isso no Talmude ou se havia extraído sua sábia ponderação de algum dos antigos filósofos gregos. A partir daí entramos no mundo dos livros, e muitos nomes foram citados. Estranhamente, porém, em nenhum momento ele fez menção de Charles Darwin e de seu “A Origem das Espécies”. Curioso, indaguei-lhe:

- E Charles Darwin, o que tens a dizer deste eminente filósofo?

Neste instante ele ergue-se e caminha na direção do vento, desaparecendo em seguida como um zumbi numa noite sexta-feira.

É isso! ((rs))

Creation Museum: "o Museu da Provocação"

Prepare-se para crer!”
Eis o lema do um museu inaugurado há alguns anos no estado de Kentucky, Estados Unidos. Com um investimento de 26 milhões de dólares feito com doações dos criacionistas americano, o Museu da Criação (“Creation Museum”) tem por objetivo “provar” que tudo quanto a Bíblia relata acerca da origem da vida e do homem é a expressão da mais pura verdade. Trata-se de um lugar onde crianças e dinossauros convivem pacificamente. Os relatos bíblicos como os de Adão e Eva e o da Arca de Noé são os mais enfatizados, mostrando que os milhões de anos enfatizados pelos evolucionistas não correspondem à realidade geológica. Sem dúvida, uma provocação jibóica, ou melhor, “dinossáurica” à galerinha de Darwin, que até sugeriu outro nome: “Museu da Confusão”.

Sorte minha que existe a “terceira margem do rio”!
Esse tipo de cousa não me assusta nem me provoca, já que tenho plena consciência de que faz parte da índole humana essa tendência de se querer provar a todo custo suas verdades inquestionáveis. Não vejo muita diferença entre os criacionistas americanos e os darwinistas a la Dawkins. Ambos perambulam pelas mesmas beiradas do extremismo. Enquanto os primeiros tentam empurrar a Bíblia goela abaixo como se fosse lídima ciência, esses outros, da mesma forma querem nos convencer que a evolução, “o maior espetáculo da terra”, aconteceu exatamente nos moldes que especulam suas crenças imbecis, como aquelas ditadas pela ridícula Sociobiologia. Mas, se amor com amor se paga, ideologia com ideologia se complementam.

Os 26 milhões investidos na criação desse museu, são, na verdade, mais uma forma que os criacionistas encontraram para manter viva essa eterna guerrinha “tomjerryana” contra os darwinistas. Se eles realmente quisessem cumprir a Bíblia, deveriam seguir o conselho de Cristo, que nos mandou repartir o pão com o próximo, investindo todo ou metade desse dinheiro em pesquisas contra o câncer ou a AIDS. Igualmente, se todo o dinheiro que os ideólogos darwinistas investem na busca do “santo graal da evolução” fosse empregado em prol de crianças com paralisia cerebral, talvez o mundo fosse “mais azul”. Hipocrisia? Pode ser, contudo, prefiro uma “hipocrisia humana” a uma “sinceridade desumana”... e besta.

A SEGUIR, FOTOS DO MUSEU DA CRIAÇÃO: PARA DELÍRIO DOS CRIACIONISTAS E DESESPERO DA GALERINHA DE DARWIN: ((rs))


É isso!

Ateísmo Religioso: campanha de excomunhão

Enquanto isso, "a Asociación Peruana de Ateos – APERAT" está organizando para este ano de 2010 um movimento denominado "Campaña de Excomunión en Perú 2010", com o qual propõe um abandono completo à influência da Igreja católica em suas vidas.

O catolicismo, como todos sabem, tem um poder de influência enorme entre as diversas populações da América latina. A idéia desses ateus "chiques e perfumados" é transformar a pena da excomunhão dessa religião em benefícios pessoais: "Utilizada historicamente pela Igreja como uma terrível ameaça... a pena da excomunhão constitui, ainda hoje, no castigo máximo aplicado pela Seita. Desvirtuamos desta maneira suas fantasias e neutralizamos assim o poder mítico e imaginário de seus anátemas".
Foi com esse objetivo que a dita associação atéia lançou o "Manifesto por la Excomunión", onde se lê, por exemplo:

"
Nós, membros da Associação Peruana de Ateus - APERAT, fazendo uso de nossa plena liberdade e com absoluta consciência do significado e alcance de nossa petição, desejamos manifestar ao Sr. Juan Luis Cipriani, Cardeal do Peru, assim como aos representantes máximos da Igreja Católica, o seguinte:
Reconhecemos na Igreja Católica a corporação mais intolerante, homicida e destrutiva de todas quanto existiram historicamente. Reconhecemos em sua doutrina uma ideologia de ódio e de guerra..." E por ái vai...

Uma cousa que me chama a atenção nesses novos ateus, é o sentimento de "rebeldia" de que tanto se orgulham. Todavia, não é uma rebeldia voltada para ideais sociais elevados. Eles não estão lutando a favor de uma minoria oprimida, mas contra aquilo que não condiz com seus objetivos ideológicos. Os males que a religião causou ao longo da história, servem apenas como pretexto para se mostrarem "vítimas de um sistema opressor".

Segundo esses ateus militantes, nada há de bom na religião. Talvez nem comentem o fato de que uma religiosa que morrera entre tantos outros no terremoto no Haiti, estava ali com o intuito de prestar caridade às pessoas pobres. Esses "rebeldes sem causa" são tão hipócritas quanto alguns que se escondem sob à máscara do sagrado. A mim eles não enganam com esse falso discurso de racionalidade. Que saiam às ruas, que protestem e amaldiçoem os deuses, porém, isso em nada vai atenuar o fato de que estão andando pelas mesmas fileiras dos falsos padres, pelos mesmos caminhos dos pastores canastrões e pelos mesmos atalhos dos bispos e apóstolos cheios de vaidade pessoal.

É isso!

Ateísmo Religioso: "Apostasia Coletiva"

Intitulada “

¡

No en mi Nombre!”, foi realizada no ano pasado, na Argentina, um evento neo-ateísta denominado “apostasía colectiva”, com a qual os ateus “chiques e perfumados” (como diria Enézio) se dirigiram ao arcebispo da Igreja Católica de Buenos Aires apresentando suas cartas de “apostasia”. Para quem não sabe, a palavra “apostasia” é de origem grega e significa afastamento ou rebelião. Na Bíblia diz-se de uma revolta deliberada contra Deus ou abandono consciente da crença na fé. O ato seria assim uma espécie de resistência à “dominação” da igreja: “resistimos a todo discurso ou operação de dominação sobre nossos corpos, nossos pensamentos e sentimentos e nossas práticas cotidianas de liberdade, oporemos ao seu poder pastoral o poder simbólico do nosso radical: “Não em meu nome!” Em outras palavras, seria uma manifestação de repúdio a suposta manipulação ideológica e material da Igreja católica na vida cotidiana dos argentinos.


Bom, não vejo problema algum das pessoas manifestarem suas opiniões livremente. Pois como dizia o cético Voltaire: “
posso não concordar com nenhuma das vossas palavras, mas defenderei até a morte o vosso direito de enunciá-las.” Todavia, o meu direito termina quando começa o do outro. Não é porque curto as “músicas do tempo do gramofone” que vou colocar o som no último volume. Os ateus, incluindo os “chique e perfumados”, têm todo direito de criticarem a igreja ou qualquer outra instituição social, porém, não me venham com esse “bestológico” (besteira + ideologia) argumento de que são os arautos da liberdade, ou como diria no popular: “a última bolacha do pacote”. Querem gritar, gritem; querem blasfemar, blasfemem; querem apostatar, apostatem”, mas não me convidem para esse banquete ideológico cheio preconceitos e estereótipos, como se estivessem contra eles. Posso conviver pacificamente com um ateu sem sê-lo. Ser humano e saber tratar o próximo com respeito e dignidade, não significa sair pelas ruas com megafones xingando Deus e o mundo.

É isso!

"Ateus, uni-vos!" ((rs))

A "Asociación Civil de Ateos en Argentina - ArgAtea" está divulgando em sua página principal, um link para um tal “Llamado a los ateos del mundo”, uma espécie de convocação aos ateus para que se apropriem de sua “liberdade” em um mundo onde a "intolerância religiosa" os oprime. Fiz questão de traduzir (livremente) do espanhol o texto deste referido “chamado”, para termos uma noção de como está agindo esta nova vertente militante do ateísmo. Ei-lo:

Convocação aos ateus do mundo

Ateus do mundo, nossos direitos essenciais e os de toda a humanidade estão sendo violados, e nossa liberdade está sendo amputada pelas mesmas instituições religiosas que há séculos nos tem perseguido:

Cada vez que uma pessoa morre pela falta de um coração para transplantá-la e cada vez que um doente padece porque os religiosos conservadores rejeitam as pesquisas com células-tronco ou células-mãe.

Cada vez que uma mulher morre em conseqüência de um aborto clandestino e cada vez que uma criança é abandonada à sua própria sorte porque os religiosos conservadores se opõem à d
escriminalização do aborto e ao uso de métodos contraceptivos.

Cada vez que um homossexual é discriminado e cada vez que uma mulher é menosprezada pela intolerância religiosa.

Cada vez que uma pessoa morre de AIDS e cada vez que uma criança nasce com HIV, uma vez que as instituições religiosas condenam o uso de preservativos e a educação sexual.

Cada vez que pagamos, com nossos impostos, os advogados dos padres pedófilos e concedemos salários de juízes aos bispos.

Chegou o momento de darmos um basta, o momento de nos organizarmos para tomar o que é nosso, nossos direitos e nossa liberdade.

Em espanhol:

Llamado a los ateos del mundo”

Ateos del mundo, nuestros más esenciales derechos, y los de toda la humanidad, están siendo violados y nuestra libertad está siendo coartada por las mismas instituciones religiosas que nos han perseguido durante siglos:

Cada vez que alguien muere innecesariamente porque no hay un corazón para transplantarle y cada vez que un enfermo sufre innecesariamente porque los conservadores religiosos se oponen a la investigación con células madre o troncales.

Cada vez que una mujer muere por un aborto realizado en la clandestinidad y con cada niño abandonado a su propia suerte porque los conservadores religiosos se oponen a la despenalización del aborto y a los métodos anticonceptivos.

Cada vez que un homosexual es discriminado y cada vez que una mujer es menospreciada por la intolerancia religiosa.

Cada vez que alguien muere de SIDA y cada vez que un niño nace con HIV porque las instituciones religiosas condenan la utilización de preservativos y la educación sexual.

Cada vez que pagamos, con nuestros impuestos, los abogados de curas pederastas y les damos sueldos de jueces a los obispos.

Ha llegado el momento de decir basta, el momento de organizarnos y tomar lo que es nuestro, nuestros derechos y nuestra libertad.

P.S.:
Ás vezes fico imaginando até que ponto me sentiria realmente seguro caso minha vida dependesse da decisão de um desses ateus extremistas. Note-se o absurdo das generalizações. Há inúmeros setores religiosos, inclusive alguns da vertente conservadora, que não vê o menor impedimento no uso das células-tronco e alguns até chegam a realizar casamentos entre homossexuais.

Eta mundo besta, meu Deus!

É isso!

"Proibida a entrada de Deus"

Cada vez mais me convenço de que o neo-ateísmo (ou ateísmo militante) nada mais é do que uma nova seita a disputar o já cobiçado coração humano. Ele seria assim uma espécie de religião às avessas, na qual a espiritualidade recebe um correlato materialista denominado "racionalismo científico". Este rótulo de "racionalismo" é apenas uma tentativa de se afastar dos dogmas religiosos, quando na verdade, os fins são exatamente os mesmos. Mudam-se os valores e os jargões: mas a mente humana continua sendo cativada.

Motivos eu tenho de sobra para chegar a tal conclusão. No ano passado, por exemplo, foi organizada, na Inglaterra, uma colônia de férias de verão para jovens de 7 a 17 anos, onde o objetivo era promover uma "alternativa sem Deus". Segundo seus organizadores, a idéia era contribuir para o desenvolvimento do senso crítico entre os jovens. O evento, batizado de "
Camp Quest", foi o primeiro acampamento para "filhos de ateus, agnósticos, humanistas, pensadores e todos aqueles que partilham de uma visão naturalista e que não acreditam no sobrenatural".

Entre outras atividades promovidas no acampamento, a principal consistia na busca por dois supostos unicórnios invisíveis. Foi oferecido um prêmio no valor de 10 libras àquele que conseguisse provar que tais animais não existiam. Obviamente a intenção era fazer um paralelo entre o tal unicórnio e a divindade (a doutrinação ateísta aqui é simplesmente jibóica). Além dessa atividade, uma outra dizia respeito à entonação de cânticos, "sem conotação religiosa", é claro. ((rs))

Por tudo isso, não restam dúvidas de que essa nova militância ateísta seja realmente um fenômeno sectário. Uma prova disso é a forma como se tem utilizado das mesmas armas e estratégias encontradas entre grupos religiosos, como é o caso específico dos acampamentos.

Bom, mas não há mal nenhum nisso, afinal, essa liberdade é garantida por lei. Contudo, apenas espero que não tentem imitar o terrível Torquemada; do contrário, muita gente pode ser queimada. ((rs))

A seguir, vão algumas das fotografias tiradas neste referido acampamento. E, aqui, a fonte das imagens:


É isso!

Charles Darwin e Boris Casoy: confronto ideológico

Veja também:

"Que merda. Dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho" – Boris Casoy (no intervalo da edição de Réveillon do Jornal da Band).

Não obstante é muito difícil encontrar uma explicação para o fato de que uma tribo e não outra teve êxito e subiu na escala da civilização. Muitos selvagens acham-se nas mes­mas condições de quando foram descobertos pela primeira vez, faz alguns séculos” – Charles Darwin (em “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”, p. 160).

Um dos muitos efeitos calamitosos do darwinismo social refere-se à prática da medição como ferramenta para distinguir grupos de pessoas. Os eugenistas foram especialistas nesse tipo de experiência. Segundo Stephen Jay Gould (“
A Falsa Medida do Homem”) “a evolução e a quantificação formaram uma temível aliança; em certo sentido, sua união forjou a primeira teoria racista “científica” de peso, se definirmos “ciência” erroneamente, como muitos o fazem, como sendo toda a afirmação aparentemente respaldada por cifras abundantes” (p. 66). Esse respeitatíssimo autor darwinista, menciona ainda o exemplo do primo de Charles Darwin, o fundador de Eugenia, o inglês Francis Galton. Diz Gould citando o próprio Galton:

“Sua f
é na medição apoiava-se nas idiossincrasias e na engenho­sidade de seus métodos. Ele se propunha, por exemplo, a construir um "mapa da beleza" das Ilhas Britânicas da seguinte maneira (1909, pp. 315-316):

‘Sempre que tenho a oportunidade de classificar as pessoas que encontro em tr
ês classes distintas, "boa, regular e ruim", utilizo uma agulha montada como se fosse uma pua, com que perfuro, sem ser visto, um pedaço de papel cortado toscamente em forma de cruz alongada. No extremo superior, marco os valores "bons", nos braços os valores "re­gulares", e na extremidade inferior os valores "ruins". As perfurações são bastante distanciadas para permitir uma leitura fácil no momento desejado. Escrevo em cada papel o nome do sujeito, o lugar e a data. Com este método, registrei minhas observações sobre a beleza, classifi­cando as moças que encontrei pelas ruas e em outros locais como atraen­tes, indiferentes ou repelentes. É claro que esta foi uma avaliação pura­mente individual mas, a julgar pela coincidência dos diferentes intentos realizados com a mesma população, posso afirmar que os resultados são consistentes. Assim, comprovei que Londres ocupa a posição mais elevada na escala da beleza, e Aberdeen a mais baixa.'

Com bom humor, sugeriu o seguinte m
étodo para quantificar o abor­recimento (1909, p. 278):

‘Muitos processos mentais admitem uma medi
ção aproximada. Por exemplo, o grau em que as pessoas se aborrecem pode ser medido pelo número de movimentos de inquietações que realizam. Em mais de uma ocasião apliquei este método durante as reuniões da Royal Geographical Society, pois mesmo lá dissertações bastante tediosas são ocasionalmente lidas. ... Como o uso de um relógio pode chamar a atenção, calculo o tempo pelo número de minhas respirações, que é de 15 por minuto. Não conto mentalmente, mas através de 15 pressões com o dedo sucessivas. Reservo a contagem mental para registrar os movimentos de inquietação. Este tipo de observação deve limitar-se às pessoas de meia-idade. As crianças raramente ficam quietas, en­quanto que os velhos filósofos por vezes permanecem rígidos por vários minutos.’

Fonte:
Stephen Jay Gould: “A Falsa Medida do Homem”. Editora Martins Fontes. São Paulo, 1991, p. 67.

E para quem imagina que Darwin não tinha nada a ver com isso, afirma o mesmo Gould:

“Darwin, que abordava com grandes suspeitas os argumentos em favor do caráter hereditário da inteligência, depois de ler Hereditary Genius, escreveu o seguinte: ‘em certo sentido, o senhor transformou um oponente em convertido...” (ibdem, p. 69).

Ao fazer uso do termo “escala”, tanto Darwin quanto Boris estão impondo uma “categoria” ou “graduação” como fator distintivo entre diferentes grupos sociais. Torna-se, pois, óbvia a intenção de fazer prevalecer a superioridade um grupo em detrimento de outro. Darwin acreditava que os brancos europeus estavam no mais alto topo da “escala” evolutiva, ao passo que as diversas comunidades indígenas e os negros africanos permaneciam bem abaixo na escala das civilizações. A infeliz frase do jornalista Boris Casoy escancara a idéia de que os nossos preciosos e batalhadores garis são os “párias” das muitas profissões. É claro, latentemente ele faz transparecer sua “superioridade” de “doutor”, sua marca de perfume, seu status social, seu belo carro, sua magnífica mansão e seu gordo salário. Provavelmente ele “cusperia na própria boca que lhe beija”.

Mas, voltando a Darwin, é interessante como essa questão de “escala” fascinou o grande naturalista. No seu livro inicialmente citado, isso aparece várias vezes. Por exemplo:

1 – Referindo-se às civilizações:

“A prova de que todas as nações civilizadas descendem daquelas bárbaras, encontramo-la, de um lado, em traços claros da sua primitiva baixa condição, nos costumes, ideias e língua ainda existentes, e por outro lado, na prova de que os selvagens são independentemente capazes de soerguer-se de qualquer grau na escala da civilização e atualmente efetivamente se ergueram” (p. 171).
“Algumas tribos pequenas e espalhadas, vestígios de uma raça anterior, sobre­vivem em zonas isoladas e geralmente montanhosas. Na Eu­ropa as antigas raças ficavam todas "mais embaixo na esca­la do que se acham os mais rudes selvagens atuais", confor­me Schaaffhausen” (p. 216).

2 – Referindo-se aos organismos:
“Ademais, ignoramos completamente com que rapidez os organismos podem ter-se modificado em circunstâncias fa­voráveis, tanto no alto como embaixo na escala” (p. 186).

3 –
Referindo-se aos símios:
“Destas várias considerações evidencia-se como provável que os simióides se tenham origi­nariamente desenvolvido dos antepassados dos atuais lêmu­res e estes, por sua vez, de formas colocadas muito embaixo na escala dos mamíferos” (p. 187).

4 – Referindo-se aos mamíferos:
Tentando traçar a genealogia dos mamíferos e, por con­seguinte, do homem, descendo sempre mais baixo na escala acabamos envolvendo-nos numa obscuridade cada vez maior” (p. 188).

5 – Referindo-se aos animais no geral:
“Alguns animais, que se situam extremamente embaixo na escala zoológica, têm passa­do por modificações para esta mesma finalidade” (p. 249).

6 - Referindo-se ao homem:
“Releva-se ao homem se sente algum orgulho por ter gal­gado, embora não por méritos próprios, o cume da escala dos viventes” (p. 711).

Mas, para não dizer que falei de flores, vai aqui nossa singela homenagem a este valoroso profissional:

POEMA AO LIXEIRO

Por: Marieta Borges Lins e Silva

Nada há de belo
no trabalho daquele
que recolhe lixo,
dia após dia:
nem perfume, nem limpeza,
nem a disposição ordeira
das coisas arrumadas e estáticas...

Pressurosos e aparentemente felizes,
caminham, correm, apanham fardos,
reviram, misturam,
- misturam-se, como lixos humanos –
sobrevivendo da dolorosa profissão
que se alimenta de restos...

Dolorosa partilha de uma vida
que se mantém porque existem sobras...
Suado pão que se ganha
sujando as mãos no que foi desprezado...
Terrível certeza de permanecer limpo
na alma de trabalhador,
em luta pelo seu quinhão,
sob o eco e o desdém da palavra lixo!

E, enquanto apanham cacos
e mergulham as mãos na podridão dos úmidos dejetos,
sabem-se homens de verdade,
no enfrentar de uma desdita
cobrada por todos os outros homens,
que precisam – de algum modo –
safar-se do que lhes sobra,
do que foi, ontem, razão de ordem,
do que já não serve mais
senão para ser jogado fora.

Lixeiro-irmão,
que limpas os caminhos dos homens,
com o teu sacrifício diário e anônimo,
ergue os olhos para o céu tão limpo
e acredita na justiça que fará de ti
o primeiro entre os últimos
a aspirar a claridade dos espaços definitivos,
onde não há teias,
sombras,
restos!

Publicado no livro “No silêncio do coração”, de Marieta Borges Lins e Silva, Ed.Catolicanet, SP/2006.

Teoria da Ovulação

Uma das grandes virtudes dos ULTRAdarwinistas diz respeito à fantástica capacidade de criar estórias.

Bem. Se ficasse por aí, maravilha: mito é cultura! Todavia, tal virtude torna-se num grave vício quando tentam transformar esses mitos em verdades. Verdades inquestionáveis, diga-se de passagem!


Estando a folhear um desses livros que tentam “didaticamente” ensinar evolução, deparei-me com o título “A Beleza da Fera”, de Natalie Angier, onde se estampava o capítulo: “Uma nova teoria sobre menstruação”.


A autora, tratando desse “drama” feminino traz à tona a teoria de Margie Profet, uma bióloga evolutiva da Universidade de Washington, a qual afirma que “a menstruação surgiu para o bem da própria mulher, como um mecanismo para proteger o útero e as trompas de Falópio contra os micróbios nocivos trazidos pelos espermatozóides”.


Segundo a bióloga, diz a autora, “o útero é extremamente vulnerável às bactérias e aos vírus que podem estar pegando carona com o esperma, e a menstruação é uma maneira agressiva de evitar infecções que podem provocar esterilidade, doenças e até mesmo a morte”.

A idéia da bióloga seria a de “responder à questão de por que o corpo das mulheres, antes da menopausa, se dá ao trabalho de desperdiçar quantidades consideráveis de sangue e tecido a cada mês, perdendo ferro e outros nutrientes valiosos, durante o processo”.

Bom. Não sei em que deu esta teoria. Não sei se ela “pegou”. Na verdade, nem mesmo sei qual seria a explicação “oficial” do darwinismo sobre este "delicado" assunto. Em termos darwinistas e do ponto de vista da seleção natural, qual seria a finalidade da menstruação? Ou melhor: quais as vantagens da mulher menstruar periodicamente? E mais: a partir de que instante no suposto processo evolutivo a fêmea começou a menstruar?

Ah, não custa lembrar que, contra esta teoria há o grave fato de que em sendo ela verdadeira, teria necessariamente inúmeras implicações médicas. Por exemplo, se o sangramento colabora na prevenção de infecções, deveria as mulheres evitar o uso de contraceptivos que eliminem a menstruação?

Moral da estória:
Tem muitos darwinistas por aí em perene TPM epistêmica! ((rs))


É isso!