Entrevistando Darwin

"Os selvagens"

As “respostas” de Darwin, a seguir, foram todas extraídas do seu livro “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”, da tradução para o português de autoria de Attílio Cancian e Eduardo Nunes Fonseca, publicado pela Hemus Editora.

H.D.:
Mister Darwin, de que forma o senhor relacionaria o homem com os animais inferiores, mais exatamente os símios?
DARWIN:
O homem é propenso a receber dos animais inferiores e a comunicar-lhes certas doenças, como a hidrofobia, a varíola, o mormo, a sífilis, a cólera, a herpes, etc., o que constitui prova da estreita semelhança dos seus tecidos, tanto por­menorizadamente na estrutura como na composição, de ma­neira muito mais clara do que se evidenciaria por um confron­to direto sob as lentes do melhor microscópio ou com a aju­da da mais aprimorada análise química. Os macacos estão su­jeitos a muitas doenças não contagiosas, como nós também es­tamos; Rengger, que durante muito tempo observara cuida­dosamente indivíduos de Cebus azarae em seu país de origem, achou-os sujeitos ao catarro com aqueles mesmos sintomas que, quando se repetem com frequência, levam à consunção. Estes macacos padeciam também de apoplexia, de inflamação nos intestinos e de cataratas nos olhos. Os mais jovens, ao mu­darem os dentes de leite, muitas vezes morriam de febre. Os remédios neles produziam os mesmos efeitos que em nós. Muitos tipos de macacos têm uma grande predileção pelo chá, pelo café e pelas bebidas alcoólicas; como eu próprio tive a oportunidade de ver, também fumam com prazer. Brehm afirma que os indígenas do nordeste da África capturam os babuínos selvagens, expondo recipientes de cerveja forte com a qual se embriagam. Observou algum desses animais, por ele capturados, nesse estado e nos faz um relato divertido do seu comportamento e das suas estranhas denguices e requebros. No dia seguinte estão muito sombrios e irritados, agarram a cabeça dolorida com ambas as mãos e assumem uma expres­são bastante miserável: toda vez em que se lhe oferecer vinho ou cerveja, fazem uma careta de amuo, mas aceitam com pra­zer o suco de limão. Um macaco americano chamado Ate­ies, depois de ter-se embriagado com brandy, nunca mais quis saber dele, demonstrando assim mais sabedoria do que mui­tos homens. Estes episódios engraçados mostram quão seme­lhantes são os centros do sabor nos macacos e nos homens e de que maneira análoga se interliga todo o seu sistema ner­voso. (p. 17).

H.D.:
O senhor realmente nutre uma admiração excepcional pelos símios, talvez até mais do que por aqueles que o senhor denomina de “selvagens”, isso é verdade?
DARWIN:
Quisera antes ter descendido daquela pequena e heróica macaquinha que desafiou o seu terrível inimigo para salvar a vida do próprio guarda; ou daquele velho babuíno que, des­cendo da montanha, levou embora triunfante um companheiro seu jovem, livrando-o de uma matilha de cães estupefatos, ao invés de descender de um selvagem que sente prazer em tor­turar os inimigos, que encara as mulheres como escravas, que não conhece o pudor e que é atormentado por enormes su­perstições. (p. 711).

H.D.:
Então o senhor vê estes a quem denomina de “selvagens” como seres intermediários em relação ao homem? O que o senhor tem a dizer sobre isso?
DARWIN:
A prova de que todas as nações civilizadas descendem daquelas bárbaras, encontramo-la, de um lado, em traços claros da sua primitiva baixa condição, nos costumes, ideias e língua ainda existentes, e por outro lado, na prova de que os selvagens são independentemente capazes de soerguer-se de qualquer grau na escala da civilização e atualmente efetivamente se ergueram. A prova sobre o primeiro ponto é extremamente curiosa, mas aqui não pode ser abordada: refiro-me a casos como aquele da arte da enumeração que, conforme demonstra claramente Tylor ao se referir a palavras ainda usadas em alguns lugares, se originou da contagem dos dedos, primeiro de uma mão e depois de ambas e, finalmente, dos pés. Encon­tramos traços disto no sistema decimal e nos números roma­nos onde, depois do V que se supõe seja uma figuração estili­zada de uma mão humana, passamos ao "VI", etc., onde se usava sem dúvida a outra mão. Assim novamente "quando dizemos três 'escores' e dez, estamos contando com o sistema vigesimal: cada sinal feito assim idealmente refere-se a 20 — para 'um homem' como acrescentaria uni mexicano ou um habitante das Caraíbas". De acordo com uma ampla è sempre crescente escola de filólogos, toda linguagem traz a marca da sua lenta e gradual evolução. É o que acontece com a arte de escrever, visto que as letras são rudimentares e figu­rações pitóricas. Dificilmente se pode ler a obra de M'Len-nan sem admitir que quase todas as nações civilizadas conservam ainda traços do rude hábito da captura violenta das mulheres. Que nação antiga — pergunta-se o mesmo autor — podia ser originariamente definida como monógama? A primitiva ideia da justiça, como é demonstrada pela lei da guerra e por outros costumes, cujos vestígios ainda permanecem, era igualmente rude. Muitas superstições existentes nada mais são do que o remanescente de anteriores ideias religiosas falsas. As mais elevadas formas de religião — a grande ideia de um Deus que abomina o pecado e que ama a justiça — era desconhecida durante os períodos primitivos (p. 173).

H.D.:
O que o senhor tem a dizer acerca dos diversos comportamentos dos selvagens como os dos índios americanos e, com mais ênfase, dos habitantes da Terra do Fogo? Lembrando que uma década antes do senhor lá ter ido, W.P. Snow descreveu estes últimos como “elegantes, fortes, orgulhosos de seus filhos, engenhosos inventores de técnicas, com noção à propriedade privada de algumas coisas e respeitosos com a autoridade dos mais velhos e da comunidade.” O senhor teve essa mesma impressão, mister Darwin?

DARWIN:
A maioria dos selvagens é totalmente indiferente aos sofrimentos dos forasteiros ou até chegam a deliciar-se em presenciá-los. Sabe-se perfeitamente que as mulheres e as crianças dos índios norte-americanos ajudavam a torturar os inimigos. Alguns selvagens provam um horrível prazer em praticar crueldades nos animais e, entre eles, a humanidade é uma virtude desconhecida. Apesar disto, além dos afetos familiares, a gentileza é comum, especialmente durante as doenças, entre os membros da mesma tribo e por vezes se estende além das fronteiras. É muito conhecido o tocante relato de Mungo Park sobre a gentileza das mulheres negras do interior demonstrada para com ele. Podem ser referidos muitos exemplos da nobre fidelidade dos selvagens, de um para com o outro, mas não para com os estrangeiros. A expe­riência comum justifica a máxima dos espanhóis: "Nunca, nunca confiar num índio" [...] O selvagem americano submete-se voluntariamente às mais horríveis torturas sem um gemido, a fim de pôr à prova e consolidar a sua força e a sua coragem e não podemos deixar de admirá-lo, ou também a um faquir indiano que, por um tolo motivo religioso, se bamboleia com um gancho fin­cado na carne. As outras virtudes, assim chamadas pessoais, que obvia­mente não dizem respeito ao bem-estar da tribo, embora de fato possam fazê-lo, não têm sido mais apreciadas pêlos sel­vagens, embora atualmente o sejam altamente pelas popula­ções civilizadas. A máxima intemperança não é absolutamente reprovada pêlos selvagens. A total dissolução e os delitos contra a natureza predominam num nível assombroso (p. 143, 144).

H.D.:
Como o senhor vê e analisa a capacidade desses mesmos “selvagens” em gerar arte e cultura?
DARWIN:
A julgar pêlos ornamentos horrendos e pela música também horrível, admirados pela maioria dos selva­gens, poder-se-ia argumentar que a sua faculdade estética não é tão desenvolvida como em certos animais, por exemplo nos, pássaros. Obviamente nenhum animal seria capaz de admirar cenas como o céu de noite, um belo passeio ou uma música requintada; mas estes gostos elevados se adquirem com a cul­tura, e baseiam-se em associações complexas: não podem ocor­rer em bárbaros ou em pessoas incultas (p. 114).

H.D.:
E, para finalizar esta entrevista, quais suas perspectivas para esses tais “selvagens” num futuro longínquo? E, aproveitando o ensejo, como o senhor acopla o negro nesse cenário?
DARWIN:
No futuro, não muito longínquo, se medido em termos de séculos, num determinado ponto as raças humanas civilizadas terão exterminado e substituído qua­se por completo as raças selvagens em todo o mundo. No mes­mo período os símios antropomorfos, conforme tem observa­do o prof. Schaaffhausen, terão sido sem dúvida exter­minados. A fratura entre o homem e os seus mais próximos afins se tornará então ainda mais ampla, visto que será fra­tura entre o homem, num estágio ainda mais civilizado do que aquele caucásico (é o que esperamos nós) e alguns símios inferiores como o babuíno, ao invés de ser entre o negro ou o australiano e o gorila (p. 187).

É isso!


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Nota:
H.D.: Humor Darwinista

Como se constrói um elo: passo-a-passo

Fonte:
The New York Times online (fotos de 1 a 7)

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"ARDI"

Ardipithecus Ramidus

É isso!

Nietzsche contra Darwin


Essa crítica de Friedrich Wilhelm Nietzsche ao darwinismo, além de divertida, faz transparecer um pouco o modo como o naturalista inglês Charles Darwin concebia a evolução ao seu tempo, ou seja, uma “evolução” do tipo progressista, bem típica de filósofos como Herbert Spencer. O texto fora extraído de “A Vontade de Potência”, de Nietzsche, é claro.

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Contra o darwinismo.
A utilidade de um órgão não explica a origem; bem ao contrário!
Enquanto é formada uma quantidade ela não conserva o indivíduo e nem lhe é útil, pelo menos na luta contra as circunstâncias exteriores e os inimigos. Que quer dizer útil, afinal de contas? E mister perguntar: “útil com relação a quê?”

O que, por exemplo, é útil à duração do indivíduo poderá ser desfavorável à sua força e esplendor; o que conserva o indivíduo poderá simultaneamente retê-lo e imobilizá-lo na evolução. Por outra parte, um vício de conformação, uma degenerescência podem ser de maior utilidade, no sentido em que atuem como estimulantes dos outros órgãos. Da mesma sorte, um estado de necessidade pode ser uma condição de existência, no sentido que rebaixa o indivíduo a uma proporção em que se firma e não se desperdiça. — O indivíduo é o campo de batalha de suas diferentes partes (para a alimentação, espaço, etc.): sua evolução está ligada à vitória, à predominância de determinadas partes, ao perecimento, à transformação em órgãos de outras determinadas partes.

A influência das “circunstâncias exteriores” foi absurdamente exagerada por Darwin: o que há de essencial no processo vital é precisamente a imensa potência formadora, que cria formas de dentro para fora, que utiliza e explora as “circunstâncias exteriores”. As novas formas criadas de dentro para fora, não são formadas em vista de uma finalidade; mas, na luta das partes, uma forma nova não permanecerá por muito tempo sem relação com uma utilidade parcial, e com o decorrer do tempo, conforme o uso que dela faça, plasmará a si própria uma forma mais perfeita.

Anti-Darwin
Que valor definitivo pode ter a domesticação dos homens? Ou terá a domesticação sempre um valor definitivo? Existem razões para negarmos esta última proposição.

É verdade que a escola de Darwin fez grandes esforços para nos persuadir do contrário: ela quer que a influência da domesticação possa tornar-se profunda e até fundamental. Provisoriamente ficamos no passado: até hoje apenas foi demonstrada uma influência toda superficial da domesticação — ou ainda, a degenerescência. E tudo quanto consegue escapar-se da mão humana e de seu adestramento volve quase imediatamente ao seu estado natural. O tipo permanece constante: não se pode “dénaturer la nature”.

Confia-se na luta pela existência, na morte dos seres fracos e na sobrevivência dos mais robustos e melhor dotados; conseqüentemente imagina-se um aumento contínuo da perfeição dos seres. Em compensação temos comprovado que na luta pela vida, o acaso serve tanto aos fracos quanto aos fortes e que muitas vezes a astúcia supre o vigor com vantagem, que a fecundidade da espécie se encontra numa relação singular com as “chances” da destruição.

(...) tempo lentas e infinitas: querem crer que todo proveito transmite por hereditariedade e se manifesta nas gerações seguintes, com urna intensidade sempre maior (embora realmente a hereditariedade seja tão caprichosa...); encontram em certos seres a assimilação feliz às condições vitais determinadas e declaram que foi obtida por influência do ambiente.

Mas em nenhuma parte encontram exemplos de seleção inconsciente (de nenhuma espécie). Os mais díspares indivíduos unem-se, os mais extremos misturam-se à massa. Tudo concorre a manter seu tipo; os seres que possuem caracteres exteriores, que os protegem contra certos perigos, não os perdem quando submetidos às circunstâncias em que vivem sem perigo... Se transportados a lugares onde a roupagem cessa de escondê-los, absolutamente não se transformam para se reaproximarem do ambiente.

Exageraram a seleção dos seres mais belos a ponto que sobrepassaria em muito o instinto de beleza de nossa própria raça! Realmente o mais belo ajusta-se perfeitamente às criaturas deserdadas, o maior ao menor. Quase sempre vemos o macho e a fêmea aproveitarem-se de cada momento do acaso sem se apresentarem indecisos na escolha. — Há modificação pelo clima e pela nutrição, mas na realidade é diferente.

Não há formas intermediárias.
Pretendem que haja o desenvolvimento na evolução dos seres; mas falta qualquer fundamento a essa teoria. Cada tipo possui seus limites: além destes não há evolução. Até lá existe regularidade absoluta.

Minhas principais opiniões. Primeira proposição: o homem como espécie não está em progresso. Realizam-se tipos superiores, porém não se conservam.

O nível da espécie não se eleva.

Segunda proposição: o homem, enquanto espécie, não realiza um progresso em comparação com qualquer outro animal. O mundo animal e vegetal, em seu conjunto, não se desenvolve do inferior ao superior... Tudo se faz ao mesmo tempo, a torto e a direito, superpondo-se, contrapondo-se... As formas mais complexas e mais ricas — a expressão “tipo superior” nada expressa a mais — perecem mais facilmente: só as inferiores mantêm seu caráter imperecível em aparência. As primeiras são realizadas com bastante raridade e mantêm-se dificilmente: as últimas têm a seu favor uma fecundidade comprometedora. Na humanidade também os tipos superiores, os casos felizes da evolução, com alternativas de boa e má sorte, perecem mais facilmente. São expostos a toda espécie de decadência; são extremos, e isso basta para torná-los quase decadentes... A curta duração da beleza, do gênio de César, é sui generis: tais qualidades não se transmitem por hereditariedade.

O tipo é hereditário; nada tem de extremo, não é um “lanço da sorte”... Não há nisso qualquer fatalidade particular, qualquer malquerer da natureza, mas simplesmente a idéia do “tipo superior”; o tipo superior representa uma complexidade infinitamente maior, — uma soma maior de elementos coordenados: eis por que a desagregação é infinitamente mais provável. O “gênio” é a máquina mais sublime que existe, — e por isso mesmo a mais frágil.

Terceira proposição: a domesticação (a “cultura”) do homem não atinge as camadas mais profundas... Em toda a parte onde penetra profundamente torna-se também degenerescência (o tipo de cristão). O homem “selvagem” (ou, para melhor expressar-me sob o ângulo moral, o homem mau) é um retorno à natureza — e, num certo sentido, um restabelecimento, uma cura da “cultura”...

O que mais me surpreende, quando passo em revista os grandes destinos da humanidade, é ter sempre diante dos olhos o contrário do que hoje vêem ou do que desejam ver Darwin e sua escola: a seleção em favor dos seres mais fortes e bem-nascidos, o progresso da espécie. Mas é precisamente o contrário o que entra pelos olhos: a supressão dos casos felizes, a inutilidade dos tipos melhor nascidos, a dominação inevitável dos tipos médios e até dos que estão abaixo da mediania. A menos que me demonstrem a razão que determina ser o homem exceção entre as criaturas, inclino-me a crer que a escola de Darwin errou em tudo. Essa vontade de potência, em que reconheço o fundo e o caráter de toda mutação, explica-nos por que a seleção não se faz precisamente em favor das exceções e dos acasos felizes: os mais fortes e os mais felizes são fracos, quando têm contra si os instintos organizados do rebanho, a pusilanimidade dos fracos e o grande número. Minha perspectiva total do mundo dos valores demonstra que, nos mais altos valores agora colocados acima da humanidade, não são os acasos felizes, os tipos de seleção que têm superado, mas os tipos de decadência. — Talvez nada haja de mais interessante neste mundo que este espetáculo indesejado...

Qualquer singularidade que haja em afirmá-lo, é mister sempre pôr em valor os fortes contra os fracos, os bem-nascidos contra os mal-nascidos, os saudáveis contra os degenerados e os doentes por hereditariedade. Se se quer reduzir a realidade numa fórmula moral, essa moral expressar-se-ia assim: a média vale mais que a exceção, as formações da decadência mais que a média; a vontade do nada prevalece sobre a vontade de viver — e a finalidade geral é, desde já, qualquer que seja a maneira em que se queira expressar, cristã, budista ou schopenhaueriana: “Antes não ser, que ser.”

Revolto-me contra essa maneira de formular a realidade para fazer dela uma moral: eis por que detesto o cristianismo com um ódio mortal, porque criou palavras e atitudes sublimes para outorgar a uma realidade detestável o manto do direito, da virtude, da divindade.

Vejo toda filosofia, vejo toda ciência de joelhos diante da realidade de uma luta pela vida que é o contrário dessa que ensina a escola de Darwin, quero dizer que percebo em toda a parte, na primeira fila, sobrando os que comprometem a vida, o valor da vida. O erro da escola de Darwin tornou-se para mim um problema: como se pode ser tão cego para enganar-se justamente neste caso?... Pretender que as espécies representam um progresso, é a afirmação mais desarrazoada do mundo: provisoriamente representam um nível. Se os organismos superiores se desenvolveram dos organismos inferiores, nenhum exemplo ao menos o demonstra... Vejo que os inferiores têm a preponderância pelo número, pela astúcia, pelo ardil. Não vejo como uma mutação fortuita pode ser vantajosa, sobretudo numa espécie de tempo tão longa: pois então se precisaria explicar por que uma transformação fortuita adquiriu uma tal força.

Encontro em outra parte a “crueldade da natureza” da qual tanto se fala: a natureza é cruel para os favoritos da fortuna: ela alimenta e protege e ama os humildes. Em resumo, o aumento de potência de uma espécie está garantido menos talvez pela preponderância de seus favoritos, de seus fortes, que pela preponderância dos tipos médios e inferiores... Estes últimos possuem uma grande fecundidade e a duração; com os primeiros, aumenta o perigo, a destruição rápida, a diminuição do número.”

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É isso!

Eu li isso...

“Darwin, deve-se notar, não foi o primeiro a apresentar uma teoria da evolução. A idéia de que espécies não são inalteráveis, mas podem mudar e adaptar-se ao longo do tempo tinha sido proposta um sem-número de vezes. O próprio avô de Darwin, Erasmus Darwin, já havia defendido a idéia, assim como tinha feito Lamarck (que acreditava que as mudanças causadas pela exposição a influências ambientais poderiam ser transmitidas aos descendentes).”

Hal Hellman, em Grandes Debates da Ciência”

E se o darwinismo fosse uma religião?

Embora determinada vertente darwinista tenha se comportado ao longo da história como uma verdadeira seita fanatizada, que não admite o menor questionamento aos seus dogmas, não se pode esperar que ela assuma sua posição de religião institucionalizada. Porém, supondo que esta galerinha fanática fizesse jus ao seu modus operandi e registrasse oficialmente seu nome como uma instituição sem "fins lucrativos", e que tivesse um objetivo missionário de levar aos quatro cantos da terra a maravilhosa mensagem de Darwin, como seria sua estrutura, sua doutrina e sua hierarquia espiritual?

Bem, talvez assim... ((rs))

Nome:
Congregação Meninos de Darwin ou Igreja Darwiniana Independente

Sistema religioso:

Politeísmo

Divindades Maiores:
Acaso (representando a magia), Seleção Natural (representando a natureza) e Darwin (representando os homens).

Divindades Menores:
Mutações (as ninfas destruidoras ) e Deriva Genética (a musa dos ajustes)

Livro-guia:
“A Origem das Espécies”

Síntese Doutrinária:
Crença na origem da vida mediante processos cegos e sem direção; crença na evolução por meio de mecanismos aleatórios; crença no gradualismo absoluto; crença em mutações fortuitas; crença na mente como resultado de processos não guiados por intermédio da Seleção Natural; crença na sabedoria inefável de Charles Darwin; crença nos fósseis e em outros vestígios encontrados na natureza; crença na Ancestralidade Comum Universal; crença na Embriologia; crença em outros mecanismos evolutivos “coadjuvantes.”

Mandamentos:

1 – Não usarás o nome de Darwin em vão nem duvidarás de suas palavras, ainda que um dia venhas a descobrir que ele não tinha razão;

2 – Não negarás o gradualismo nem colocarás sob a menor suspeita a macroevolução, muito embora apenas a microevolução possa ser pesada, medida e testada em laboratório;

3 – Não contestarás a abundante existência de fósseis nem colocarás sob suspeita sua capacidade elucidativa, mesmo que toda a evidência física que temos a seu favor possa ser colocada, com espaço de sobre, dentro de um único caixão;

4 – Não falarás sobre formação de novas espécies a partir de acúmulos de mutações nem escreverás sobre os danos causados por elas, mas apenas dirás que mutações aleatórias ocorreram ao mesmo tempo e de tal maneira que a lente e a retina, que não podem funcionar uma sem a outra, evoluíram em perfeitíssima sincronia;

5 – Não permitirás que novas idéias a respeito da origem e evolução da vida sejam ensinadas nas escolas nem deixarás que a mídia veincule outra realidade senão aquela encontrada em nossos livros e ensinada por nossos mestres e professores;

6 – Não falarás em complexidade irredutível nem pronunciarás a expressão Design Inteligente, ainda que por séculos seus conceitos nos atormentem e nos impeçam de dormir em paz com nossa cosciência;

7 – Não dirás que temos qualquer relação com a abiogênesis nem associarás nossos conceitos com a geração espontânea, pelo menos até que os aminoácidos de Stanley Miller se transformem num elafante ou que sua “rocha da fé” seja testada com alguma credibilidade;

8 – Não conviverás pacificamente com religiosos ou criacionistas nem abandonarás por qualquer instante o naturalismo ideológico, ainda que este concorra de igual forma com os ímpetos metafísicos;

9 – Não duvidarás que a Seleção Natural moldou nos mínimos detalhes toda variedade de comportamento humano e animal nem questionarás sobre nossa incapacidade de explicar o amor, a arte e a Nona Sinfonia de Beethoven;

10 – Não confessarás que nutres qualquer tipo de crença nem revelarás que tens algum tipo de fé, apesar de nossa teoria não ser mais do que um mero programa metafísico de pesquisa e nossos postulados essenciais não poderem passar pelo crivo da falseabilidade popperiana.

Guru-Mor (o representante de Darwin na terra):
Richard Dawkins

Gurus-mirins:
Daniel Dennett, Edward Osborne Wilson, Robert Trivers, W. D. Hamíton, Howard Bloom, David Buss, Martin Dalv, Robin Dunbar, Steven W. Gangestad, David C. Geary, Sarah Blaffer Hrdy, Kevin B. MacDonald, Robert Kurzban, Geoffrey Miller, Steven Pinker, Matt Ridley, Donald Symons, Margo Wilson, Robert Wright.

Discípulos:
Todo aquele que assume publicamente sua postura agressiva em prol da Teoria da Evolução e que luta ardorosamente para suprimir a influência da religião na sociedade.

Slogan:
Darwin, por Darwin e para Darwin!

Darmém e que assim seja!
É isso!

Eu li isso...

“Se o gradualismo é mais um produto do pensamento ocidental do que um fato da natureza, não seria então razoável considerar filosofias alternativas de mudança para ampliar o nosso universo de preconceitos constrangedores?”

Stephan Jay Gould. “O Polegar do Panda”.

Ardipithecus ramidus: o mais novo ASTROlopithecus darwinista

representação gráfica de Ardipithecus ramidus

Pobre Lucy!
Um novo astro desponta na imensa passarela evolutiva. Trata-se de "miss Ardi", a nova estrela a reluzir no cobiçado palco darwinista, ofuscando assim um pouco do brilho da bela Lucy e deixando os corações da galerinha eriçada de Darwin literalmente ardendo de emoção. "Ardi" aparece no ano em que se comemora 200 anos de nascimento do "velho" Darwin. Primeiro foi a "Ida", agora a "Ardi". ARDI + IDA = ARDIDA. Sem dúvida um nome que combina muito bem com a postura apimentada dos devotos do naturalista inglês. Se os jornalistas comprometidos já ardiam em louvações à ideologia naturalista, agora, muito mais que arder, abrasam-se, inflamam-se, queimam e deixam em chamas as páginas de ciência das revistas e jornais, como seguem:

"Durante quatro anos, o paleontologista britânico Ronald J. Clarke, 54 anos, encarnou o personagem Indiana Jones na vida real. Em vez de caçar arcas perdidas ou cálices sagrados em templos infestados de cobras, o professor Clarke procurava ossos. Com esse objetivo, ele revirou velhas caixas com centenas de fósseis em depósitos empoeirados da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, onde encontrou uma raridade. Descobriu que, entre ossos catalogados como sendo de bovinos, havia alguns que na verdade pertenceram ao pé esquerdo de um hominídeo, um misto de homem e macaco, antiqüíssimo ancestral humano que, segundo os testes de laboratório, deve ter vivido 3,6 milhões de anos atrás."

JORNAL FOLHA DE S. PAULO:
"Um esqueleto humano de 4,4 milhões de anos mostra que os humanos não evoluíram de ancestrais semelhantes aos chimpanzés, relataram pesquisadores nesta quinta-feira (1º).Em vez disso, o elo perdido --o ancestral comum aos humanos e aos macacos de hoje-- era diferente de ambos e os macacos evoluíram tanto quanto os humanos a partir desse ancestral comum, afirmaram eles."

"A família que resultou no que chamamos humanidade está 1 milhão de anos mais velha. Cientistas descobriram um ancestral dos homens atuais de 4,4 milhões de anos. OArdipithecus ramidus (ou apenas “Ardi”, como é carinhosamente chamado) foi descrito minuciosamente por uma equipe internacional de cientistas, que divulgou a descoberta em uma edição especial da revista “Science” desta semana."

JORNAL O ESTADO DE S. PAULO:
"A história da espécie humana recuou mais um milhão de anos, com cientistas aprendendo cada vez mais sobre Ardi, um hominídeo que viveu há 4,4 milhões de anos onde hoje fica a Etiópia."

"Uma equipe internacional de cientistas divulgou pela primeira vez um estudo abrangente e extenso sobre o Ardipithecus ramidus, um antigo hominídeo que, há 4, 4 bilhões de anos, habitava a região hoje conhecida como Etiópia. Ardi, como foi apelidado o esqueleto feminino estudado pela equipe de especialistas, vivia na África um milhão de anos antes de Lucy, a famosa Australopithecus afarensis."

WIKIPÉDIA ("o Vade Macum" darwinista on-line):
"O Ardipithecus ramidus é uma espécie de hominídeo fóssil, provavelmente bípede e que poderá ter sido um dos antepassados da espécie humana. "Ardi" significa solo,ramid raíz, em uma língua (amhárico) do lugar onde foram encontrados os restos, (Etiópia), ainda que"pithecus" em grego signifique macaco. Os primeiros ancestrais do homem viveram na África há mais de 4 milhões de anos. O Ardipithecus ramidus, que existiu há 4,4 milhões de anos, na Etiópia, tinha uma capacidade craniana de 410 cm3, ou seja, três vezes menor que a do Homo sapiens."

"Era hembra, medía 120 centímetros, pesaba unos 50 kilogramos y vivió en la famosa región de Afar en Etiopía hace 4,4 millones de años. Ardi, que es como la han bautizado, es el ejemplar más completo encontrado del antepasado más antiguo de los seres humanos, el Ardipithecus ramidus, que ha tardado 17 años en ser presentado oficialmente en sociedad. Ahora lo hace con la pompa correspondiente al hallazgo de toda una generación en paleoantropología."

"The fossils, which were uncovered at As Duma in the north of the country, are mostly teeth and jaw fragments, but also include parts of hands and feet."

Parafraseando Russell: "Com um pouco da agilidade mental, alguns fragmentos de ossos e muito ardor por Darwin, qualquer cientista pode construir um elo perfeito, como esse: ((rs))



É isso!

Evolução em tempo real - XI

Veja também:
Evolução em tempo real - I
Evolução em tempo real - II
Evolução em tempo real - III
Evolução em tempo real -IV
Evolução em tempo real -V
Evolução em tempo real - VI
Evolução em tempo real - VII
Evolução em tempo real - VIII
Evolução em tempo real - IX
Evolução em tempo real - X

Aos fundamentalistas que vivem exigindo provas de "evolução em tempo real", vão aqui uma "porrada" de exemplos que atestam de uma vez por todas que a Teoria da Evolução é um fato incontestável. Portanto, voces não precisam mais esperar alguns milhões de anos para ver uma dessas belíssimas transformações evolutivas.
Toma aí seus bestas!!! ((rs))

Fonte:
Wort 1000
É isso!

Pérolas de Darwin:gêmulas e átomos


"A distinção importante entre transmissão e desenvolvimento se gravará melhor em nossa mente com a ajuda da hipótese da pangênese. Segundo esta hipótese, toda unidade ou célula do corpo emite gêmulas ou átomos subdesenvolvidos que se transmitem à prole de ambos os sexos e se multiplicam por autodivisão. Esses áto­mos podem permanecer subdesenvolvidos durante os primei­ros anos de vida ou durante sucessivas gerações e o seu de­senvolvimento em unidades ou células, semelhantes àquelas das quais derivam, depende da sua afinidade e união com ou­tras unidades ou células anteriormente desenvolvidas na devi­da ordem de crescimento."

Charles Darwin, em "A Origem do Homem e a Seleção Sexual."