A grande façanha de Darwin

O grande mérito de Darwin não foi o de ter descoberto a “evolução” (tal conceito já existia remotamente entre os antigos gregos); também não foi o de ter trazido à tona o conceito de “seleção Natural” (em 1931 Patrick Matthew já havia publicado sua versão da seleção natural); nem muito menos foi o de ter legado ao mundo uma invenção ou descoberta que culminasse em melhoria na condição humana.

A grande façanha de Darwin foi ter oferecido à sociedade inglesa e, consequentemente, à Europa e o resto mundo, uma alternativa ao fixismo bíblico que imperava no âmbito acadêmico até então.
Em seu livro “A Origem do Homem e a Seleção Sexual” o próprio naturalista confessa ter prestado um bom serviço ao “colocar por terra o dogma das criações separadas”:

"Alguns daqueles que admitem o princípio da evolução, mas rejeitam a seleção natural, ao tecerem críticas ao meu livro parecem esquecer que eu tinha pelo menos dois objetivos em mente. Com efeito, se me equivoquei ao atribuir à seleção natural uma excessiva importância, a qual hoje estou bem longe de admitir, ou se lhe exagerei o poder que em si mesmo é provável, pelo menos espero ter prestado um bom serviço, ajudando a pôr por terra o dogma das criações separadas." (Hemus Editora, p. 76).

Sobre isso, comenta Bertrand Russel, em “A Perspectiva Científica”:

Deixando de lado os detalhes científicos, podemos afirmar que a importância de Darwin reside no fato de ele ter levado os biólogos e, através deles, o público em geral, a abandonar a sua crença anterior na imutabilidade das espécies, e a aceitar o ponto de vista de que todas as diferentes espécies de animais se desenvolveram, por variação, a partir de um ancestral comum. Exatamente como qualquer outro inovador dos tempos modernos, Darwin teve de lutar contra a autoridade de Aristóteles. É preciso que se diga que a existência do estagirita constituiu uma das grandes infelicidades da humanidade. Atualmente, o ensino de Lógica em muitas universidades está cheio de incongruências, que são devidas ao sábio grego.
Antes de Darwin, os biólogos acreditavam que um gato ideal, um cão ideal etc, tinham sido concebidos no céu, o que significaria que os nossos gatos e cachorros atuais deveriam ser considerados como cópias mais ou menos imperfeitas desses protótipos celestiais. Cada espécie correspondia a uma idéia diferente na mente divina, e, portanto, não poderia haver nenhuma transição de uma especie a outra, porque cada espécie tinha resultado de um ato de criação separado...” (Companhia Editora Nacional, p. 38).

Embora ele não tenha sido o único a contestar a posição religiosa sempre vigente, ao menos foi aquele que buscou aplicar integralmente o materialismo filosófico ao conceito de “evolução”. Em “Darwin e os Grandes Enigmas da Vida”, Gould trata a questão da seguinte forma:

As notas provam que Darwin se interessava por filosofia e que es­tava ciente de suas implicações. Sabia que a principal característica a distinguir sua teoria de todas as outras doutrinas evolucionistas era seu inflexível materialismo filosófico. Outros evolucionistas falavam em força vital, dirigismo histórico, luta orgânica, e na irredutibilidade essencial da mente — uma armadura de conceitos que a cristandade tradicional podia aceitar como meio termo, já que permitia a um Deus cristão trabalhar pela evolução, e não pela criação. Darwin falava apenas em va­riação ao acaso e seleção natural.
Nas notas, Darwin aplicou resolutamente seu materialismo
à teoria daa evolução de todos os fenômenos da vida, inclusive ao que ele próprio chamou de "a própria cidadela" — a mente humana..." (Martins Fontes, p. 14, 15).

É isso!

Dúvida sobre as dúvidas

O texto a seguir, de autoria de Alexander Cockburn, foi traduzido e publicado pelo Jornal Folha de São Paulo em 02 de abril de 1995. O texto publicado inicialmente no “The Nation” colocava em dúvida a veracidade das pinturas pré-históricas encontradas na França em 1994. Embora passados longos 25 anos, alguns temas relacionados ao texto continuam bem atuais, por exemplo: as dúvidas sobre as descobertas e as dúvidas sobre aqueles que duvidam delas. Leiamos:

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Um novo embuste científico?
Há indícios de que pinturas pré-históricas encontradas na França, em dezembro, sejam falsificações

"Quando as pessoas realmente querem acreditar, elas põem fé em qualquer coisa. Isso não quer dizer que as pinturas rupestres recentemente encontradas na região francesa de Ardèche sejam falsificações já comprovadas, mas os indícios que apontam para isso estão lá, sem dúvida.

No que diz respeito à credulidade humana, vale lembrar que não estamos tão distantes no tempo dos diários fraudulentos de Hitler, rabiscados por um falsificador com uma tentativa apenas superficial de imitar a letra do Führer.

Peritos solenemente atestaram a veracidade de documentos que já estavam imbuídos da “autenticidade” conferida pelo fato de haverem trocado de mãos por enormes somas de dinheiro.

Lord Dacre (nome verdadeiro é Hugh Trevor-Roper, professor de Oxford e autor de "The Last Days of Hitler") virtualmente destruiu sua reputação ao desempenhar o papel de perito consultor para os interesses dos Murdoch, que estavam adquirindo os direitos mundiais sobre os diários.

Dacre descreveu como entrou na sala onde estavam expostos os cadernos (decorada com artigos da época de Hitler), olhou para a pilha de cadernos, os examinou brevemente e “minhas dúvidas pouco a pouco se desfizeram".

Os falsificadores no campo da arqueologia tiram proveito do desejo profundo que temos de conhecer as origens de nossa espécie. O caso do Homem de Piltdown envolveu um osso maxilar, que supostamente indicava a existência do “elo perdido”.

Dos três suspeitos que poderiam haver colocado o osso maxilar de macaco (moderno) na cascalheira e depois tê-lo pego com um grito de surpresa, um era o respeitável professor Arthur Smith Woodward e o outro, um coletor do Museu Britânico, Charles Dawson.

Boa parte da análise paleontológica se baseia em especulações completamente infundadas e as técnicas de determinação de idade, incluindo aquele feito com carbono, são muito mais especulativas do que comumente se supõe.

Imagino que metade dos ossos desencavados na África oriental e saudados como resquícios da aurora da humanidade tenham sido colocados em seus lugares por lavradores revoltados ou seus patrões ambiciosos no decorrer dos últimos 50 anos.

Quanto ao novo tesouro descoberto em Ardèche, testemunhamos a sequência já normal de aclamção extasiada por parta de “especialistas”, devidamente reportado pela imprensa.

“Temos aqui um sítio arqueológico virgem”, diz Jean Clottes, descrito pelo “The New York Times” como o maior especialista francês em arte rupestre.

“Ele pode muito bem vir a modificar nossas idéias sobre os objetivos e usos da arte rupestre”.

Os três descobridores, um dos quais era Jean-Marie Chauvet, guarda público de sítios pré-históricos, disseram que no dia 18 de dezembro sentiram uma ventania saindo do chão e que então descobriram as imensas cavernas, contendo cerca de 300 pinturas.

Alguns aspectos suspeitos da descoberta são os seguintes:

• Uma caverna “intocada há milênios”

• Pinturas de animais em movimento – cavalos correndo, rinocerontes dando chifradas – fato aparentemente único na arte pré-histórica.

• Imagens diversificadas e incomuns, incluindo um painel com apenas um rinoceronte gigantesco e boa perspectiva, além de “a única representação de uma pantera que temos na arte pré-histórica”, segundo Clottes, que estimou a idade das pinturas em 17 mil a 20 mil anos.

• Uma cena de altar, com uma caveira de urso colocada sobre uma grande pedra no meio de um área, com pinturas de ursos formando um pano de fundo, tudo isto suscitando muitos comentários de que essas cavernas seriam locais sagrados de algum tipo de “culto”.

• Questões não respondidas: a região de Lascaux e a de Ardèche tinham faunas semelhantes no paleolítico, mas nas cavernas de Lascaux, segundo Clottes (citado pelo “Times”), “as imagens eram quase todas de cavalo e blsões, enquanto nesta caverna predominavam os ursos e os rinocerontes, animais que os homens geralmente não caçavam nem comiam”.

Além disso, por que as imagens de uma coruja, uma pantera e uma hiena foram encontradas nesta caverna, mas não em outras da região mediterrânea?"

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É isso!

Darwin e os répteis voadores alados

Uma parceria entre paleontólogos brasileiros e chineses levou à descoberta de duas novas espécies de pterossauros (“répteis voadores alados”). Todavia, em vez de ajudar na elucidação do intricado dilema que envolve a evolução desses bichos, o achado veio confundir ainda mais a questão. Pelo menos é o que fez transparecer a notícia publicada pelo jornal Folha de São Paulo. Por exemplo, em:

1. “Os bichos têm um estranho mosaico de características, embolando ainda mais as tentativas de entender a evolução de seu grupo”.

2. "Eles abrem uma nova janela para a diversidade de pterossauros e mostram que, de fato, a gente ainda não entende bem as relações entre eles".

3. “Os paleontólogos admitem a dificuldade de classificar os novos bichos, bem como seus parentes mais próximos.”

4. “Por serem pterossauros de cauda longa, eles estariam entre os répteis voadores mais primitivos. Mas a coisa parece ser bem mais complicada.”

Quanto aos nomes dados aos fósseis, não pensem que a homenagem foi para aquele que é considerado o “pai da Paleontologia”, Georges Cuvier (1769-1832). O ato de cortesia foi obviamente dirigido a Charles Darwin, que não foi paleontólogo, e também a algo que se liga diretamente a ele: a mitologia (Darwinopterus linglongtaensis e Kunpengopterus sinensis):
Além da homenagem óbvia a Charles Darwin, o "pai" da teoria da evolução, há também um tributo a Kun Peng, criatura voadora da mitologia chinesa (e antigo nome de uma empresa aérea da região norte da China).

A frase “homenagem óbvia a Charles Darwin” é o óbvio ideológico multiplicado por 666 dinossauros. É como afirmar que a “homenagem óbvia” da descoberta da pasteurização deveria ser concedida, não a Pasteur, mas a Isaac Newton. Quanta coerência! ((rs))

É isso!

O darwinismo também é surrealista

A revista "Science" elegeu as maiores descobertas científicas do ano. Dentre os destaques, um deles, é claro, tem o “dedo de Darwin”, ou seja, relaciona-se a questões ligadas a Teoria da Evolução, como no caso do tal “DNA pré-histórico”. Avançadas técnicas teriam permitido aos cientistas a possibilidade de avaliarem o DNA de animais e plantas extintos há milhões de anos, e com tamanha precisão que até foi possível saber as cores das penas de alguns dinossauros e mesmo detalhes sobre o cabelo e a pele dos neandertais.

Bom. Como não sou darwinista e vivo num país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza, sinto-me no pleno direito de
desconfiar da exatidão dessas pesquisas. E por um motivo muito simples: o que foi extinto não pode ser “preciso”. Pode-se conjecturar de mil formas sobre eventos passados, todavia, a imprecisão será sempre a marca indelével do que se passou. E que os digam as ceroulas de meu avô! ((rs))

É isso!

É tudo um grande mistério!

Segundo Richard Leakey (“A Origem da Espécie Humana”), três grandes revoluções marcaram a história da vida na Terra, a saber:

1. “A primeira foi a origem da vida propriamente dita, em alguma época situada antes dos 3,5 bilhões de anos atrás. A vida, na forma de microorganismos, tornou-se urna força poderosa em um mundo onde anteriormente apenas a química e a física haviam operado.”

2. “A segunda revolução foi a origem dos organismos multicelulares, há cerca de meio milhão de anos. A vida tornou-se complexa, as plantas e os animais em miríades de formas e tamanhos evoluíram e interagiram em ecossistemas férteis.”

3. “A origem da consciência humana, em alguma época nos últimos 2,5 milhões de anos, foi o terceiro evento. A vida tornou-se ciente de si própria, e começou a transformar o mundo da natureza com seus objetivos próprios.”

Antes, porém, confessa Leakey: “Embora não possamos ter certeza sobre o processo pelo o qual os seres humanos evoluíram, com certeza sabemos que ele envolveu a emergência do tipo de mundo mental que experimentamos hoje” (p. 116, Editora Rocco, 1997).

Se do ponto de vista evolutivo não se pode ter certeza acerca de como se deu o processo que culminou na evolução do ser humano, o que se dirá então das três revoluções citadas pelo paleontólogo!

Sobre a origem da vida, embora aleguem que não seja um assunto do escopo da explicação evolutiva, estão sempre prontos para atacar com voracidade toda argumentação filosófica que não se enquadre numa visão restritamente materialista. No que concerne à evolução propriamente dita, as explicações estão sempre isentas de um fundamento preciso, normalmente elaboradas a partir de conjecturas não factuais, tomando por base aquilo que poderia ter sido, levando em conta aquilo que é. Já em relação à consciência humana, as especulações neste âmbito se avolumam estrondosamente, culminando quase sempre em teorias excêntricas e desprovidas de elementos concretos que as confirmem, como no caso dos pressupostos da Psicologia Evolutiva, que sempre ficam no "acredite se quiser".

Resumindo: é tudo um grande mistério.

É isso!

A criatividade segundo Feyerabend

"Feyerabend (1924-1994, Áustria), um dos nomes da filosofia anarquista, é considerado um relativista radical. Isto representa dentre outras considerações, a crença na impossibilidade de se decidir racionalmente entre teorias rivais e a defesa da proliferação de teorias e métodos representada pela expressão “Vale-Tudo”, a que se fundamenta em princípios de liberdade.

Considerando que a liberdade é um dos requisitos para a criatividade, o estudo das idéias de Feyerabend se faz necessário no presente trabalho.

Uma das críticas de Feyerabend à ciência dominante é decorrente da colocação de uma dicotomia entre o que se considera e se valoriza como ciência daquilo que se considera fora desse domínio. Essa dicotomia tem origem e conseqüências:

A educação científica simplifica a ‘ciência’ simplificando seus participantes: em primeiro lugar se define um domínio de investigação. Na continuação, o domínio se separa do resto d a história (a física, por exemplo, se separa da metafísica e da teologia) e recebe uma ‘lógica’ própria.

Com relação ao papel do cientista, essa dicotomia se reflete através da imposição de restrições que se viabiliza pelo acatamento d e determinada visão de ciência e que segundo Feyerabend tem um determinante:

[...] um treinamento completo nessa lógica condiciona a quem trabalha nesse dito domínio. Com ele se consegue que suas ações sejam mais uniformes e ao mesmo tempo se congelam grandes partes do processo histórico. ‘Fatos’ estáveis surgem e se mantém apesar das vicissitudes da história.

Esse determinante atua em diversas frentes: no condicionamento para a uniformização das ações e no enfraquecimento da capacidade de crítica. Trata-se d e uma visão dicotômica de ciência que privilegia o racional em detrimento de tudo que não se inclua nesse domínio, o que é explicitado por Feyerabend:

Uma parte essencial do treinamento q ue possibilita a aparição de tais fatos consiste na intenção de inibir as intuições que poderiam diluir as fronteiras. A religião de uma pessoa, por exemplo, ou sua metafísica, ou seu senso de humor [...] não deveria ter o contato mais mínimo com a atividade científica dela. Sua imaginação acaba restringida, e inclusive sua linguagem deixa de ser própria. Isto se reflete, por sua vez, no caráter dos ‘fatos’ científicos, que se experimentam como se fossem independentes da opinião, da crença, e da cultura.

Feyerabend aponta duas razões para superar a tradição que se sustenta por meio de regras restritas relativas à produção do conhecimento e que são baseadas em prescrições epistemológicas. São elas:

“A primeira consiste em que o mundo que desejamos explorar é uma entidade em grande medida desconhecida. Devemos, portanto, manter abertas nossas opções e não restringi-las de antemão”.

“A segunda razão apóia- se em que uma educação científica tal como a descrita antes (e empregada em nossas escolas) não pode reconciliar-se com uma atitude humanista”.

Para explicar esse argumento, Feyerabend recorre a Mill e diz que esta educação está em conflito “com o cultivo da individualidade que é o único que produz, ou pode produzir, seres humanos bem desenvolvidos”.

Ainda se apoiando em Mill, Feyerabend comenta que tal educação “mutila por compressão, igual o pé de uma dama chinesa, cada parte da natureza humana que sobressalta e que tenda a diferenciar notavelmente a pessoa do padrão [dos ideais de racionalidade estabelecidos pela ciência, ou pela filosofia da ciência]”.

Ao criticar tal educação, Feyerabend esboça um princípio educacional e científico baseado na liberdade:

O intento de aumentar a liberdade, de procurar uma vida plena e gratificante, e o correspondente intento de descobrir os segredos da natureza e do homem implicam, portanto, rejeitar os critérios universais e todas as tradições rígidas.
(Certamente, também implica rejeitar uma grande parte da ciência contemporânea).

De forma coerente com o princípio de liberdade, Feyerabend apresenta um requisito necessário ao fazer científico. Trata-se do desprendimento às regras pré-estabelecidas:

[...] um dos traços mais chamativos das recentes discussões na história da ciência consiste na tomada de consciência de que sucessos e desenvolvimentos, tais como o descobrimento do atomismo na antiguidade, e a Revolução Copernicana, o surgimento do atomismo moderno (teoria cinética, teoria da dispersão, estereo química, teoria quântica), ou a emergência gradual d a teoria ondulatória da luz, só ocorreram porque alguns pensadores decidiram não se submeter a certas regras ‘óbvias’ ou porque as violaram involuntariamente.

A atitude de oposição às regras tidas como válidas na ciência requer muitas vezes, a elaboração de hipóteses ad hoc e sobre elas Feyerabend coloca:

[...]
dada qualquer regra por muito ‘fundamental’ ou ‘necessária’ que seja para a ciência, sempre existem circunstâncias em que é aconselhável não ignorar tal regra, mas adotar sua oposta. Por exemplo, há circunstâncias em que é aconselhável introduzir, elaborar e defender hipóteses ad hoc, ou hipóteses que contradizem resultados experimentais bem estabelecidos e geralmente aceitos, ou hipóteses cujo conteúdo é menor que o conteúdo das alternativas existentes empiricamente adequadas, ou hipóteses auto-inconsistentes, etc.

A atitude de oposição às regras pré-estabelecidas, segundo Feyerabend está associada ao princípio “Tudo Serve” e essa atitude se relaciona ao proceder contra-indutivamente, isto é, contra a essência do empirismo que se baseia na confirmação e na corroboração. Feyerabend diz que “a contra-regra correspondente nos aconselha introduzir e elaborar hipóteses que sejam inconsistentes com teorias bem estabelecidas e ou com fatos bem estabelecidos. Nos aconselha proceder contra-indutivamente”.

Ao criticar o empirismo, Feyerabend aponta a metodologia pluralista como um recurso necessário para o processo de conhecimento e na sua explanação apresenta uma visão construtiva de ciência de tal forma diferenciada que inclui nesse processo os saberes não científicos.

Um cientista que deseje maximizar o conteúdo empírico dos pontos de vista que sustenta e que queira compreendê-los tão claramente como seja possível, tem que introduzir, segundo o dito, outros pontos de vista: isto é, tem que adotar uma metodologia pluralista. Deve comparar suas idéias com outras idéias, mais que com a ‘experiência’, e deve tentar melhorar, em lugar de excluir, os pontos de vista que haviam sucumbido nesta competição.

Essa metodologia pluralista de busca de conhecimentos proposta por Feyrabend guarda relação com os princípios do pensamento divergente, onde se acata a possibilidade de diversos encaminhamentos para um problema e, portanto, se opõe à uniformidade. Isso implica em desprendimento às regras estabelecidas e à consideração de diversas possibilidades, até mesmo aquelas que se mostram num primeiro momento, infundadas ou não previsíveis. Nesse sentido Feyerabend coloca:

Concebido desta forma, o conhecimento não consiste em uma série de teorias que tendem a convergir em uma perspectiva ideal; não consiste em um acercamento gradual até a verdade. Pelo contrário, o conhecimento é um oceano, sempre em aumento , de alternativas incompatíveis entre si (e talvez incomensuráveis); toda teoria particular, todo conto de fadas, todo mito, forma parte do conjunto que obriga o resto a uma articulação maior, e todos eles contribuem, por meio deste processo competitivo, ao desenvolvimento do nosso conhecimento.

A dificuldade na adoção de uma metodologia pluralista está associada, segundo Feyerabend, ao triunfo d o chauvinismo científico. A esse fato ele comenta: “Neste contexto ‘ciência’ não significa só um método particular, mas todos os resultados que este método já produziu até o presente. Aquelas coisas que são incompatíveis com estes resultados hão de eliminar-se”.

Como exemplo de práticas excluídas dessa ciência, Feyerabend cita “a medicina herbária, a acupuntura, a moxibustão e sua filosofia subjacente”.

A capacidade de imaginação, aspecto significativo quando se trata de criatividade, também é objeto de consideração por parte de Feyerabend:

Qualquer método que fomente a uniformidade é, em síntese, um método fraudulento. Reforça um conformismo obscurantista, enquanto fala da verdade; conduz a uma deterioração das capacidades intelectuais, do poder de imaginação, enquanto fala de conhecimento profundo; destrói o dom mais precioso da juventude – seu enorme poder de imaginação – e fala de educação.

Continuando a falar sobre imaginação, Feyerabend comenta um diálogo realizado por Simplício e Salviati, personagens interlocutores de Galileu, onde Simplício acata a idéia de que “um corpo que se move, sem fricção, em uma esfera concêntrica com a Terra realizará um movimento ‘sem limite’, um movimento ‘perpétuo’”. Essa aceitação, segundo Feyerabend “é uma sugestão nova e audaz que implica um enorme salto da imaginação, sendo que essa relação se estabelece mediante hipóteses ad hoc”. O que leva Feyerabend a esta consideração é o fato do caráter não operativo do movimento simultâneo ter sido aceito por Simplício sem base experimental e nem teórica, corroborada.

Ainda sobre o valor dessa ‘experiência’ imaginativa, segundo Feyerabend:

Agora podemos concluir que Galileu conduziu a invenção de uma nova classe de experiência que não só é mais sofisticada, mas também muito mais especulativa que a experiência de Aristóteles ou a do sentido comum. Expressando-nos de forma paradoxal, mas não incorreta, poderíamos dizer que Galileu inventou uma experiência que tem ingredientes metafísicos.

A formação de idéias novas, um dos atributos da criatividade, foi objeto de consideração por Feyerabend e para iniciar o assunto, coloca:

Normalmente se dá por suposto que uma compreensão clara e distinta das idéias novas precede, à sua formulação e à sua expressão institucional. (Uma investigação começa com um problema, diz Popper). Primeiro, temos uma idéia, ou um problema, depois atuamos, isto é, falamos ou construímos ou destruímos
.

É importante destacar o intuito de Feyrabend em desmistificar a idéia de que a criação de algo novo está associada a uma seqüência formal padronizada e muitas vezes confundida com o produto já expresso em termos finais. Essa desmistificação ataca um dos pilares do positivismo que se apóia numa forte oposição à metafísica, voltando-se ao mundo real através do estudo dos fenômenos e suas relações, no entanto, sem procurar o porquê das coisas, de não indagar sobre as causas e finalidades. Quanto ao método, o positivismo busca estender os métodos das ciências naturais às ciências sociais e a buscar o conhecimento dos fatos pela experiência dos sentidos, isto é, através do método empírico ou experimental e que pode ser resumido através da seqüência: observação, hipótese, controle experimental e generalização."

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É isso!


Fonte:
MARIA LÚCIA VINHA: “Criatividade em ação: Roteiros de animações virtuais elaborados por alunos de ensino médio em Física” (Tese apresentada à Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, USP, para obtenção do título de Doutor em Educação. Área de Concentração: Ensino de Ciências e Matemática. Orientador: Maurício Pietrocola). UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, São Paulo, 2007.

Nota:
A imagem inserida no texto não se inclui na referida tese.

O conceito de “periculosidade” entre os eugenistas brasileiros

"Em seu trabalho As Ilusões da Liberdade ... Mariza Corrêa aponta a necessidade de fazer um estudo da história de um outro conceito, o conceito de periculosidade, que se desenvolve nos trabalhos internacionais da chamada antropologia criminal, assim como nos desenvolvidos por Nina Rodrigues, conceito que se alonga até ser incorporado no código penal brasileiro de 1940, código que está até hoje em vigor. Esta proposição é bastante interessante porque, este conceito que aparece nos trabalhos científicos nacionais a partir do estudo da criminalidade tal como se desenvolvia na Europa, ganha através da medicina, passando pelo direito e indo até às leis caráter de verdade e paradigma, porque ele consegue sintetizar várias práticas se tomando instrumento.

O conceito de periculosidade teve por veículo os trabalhos realizados pela medicina legal. em seu desenvolvimento articulado com técnicas internacionais admitidas aqui no Brasil. A idéia fundamental que orientava estes estudos era a de que havia a necessidade de se manter a ordem social. Na defesa da ordem social, estes cientistas desenvolviam estudos objetivando o entendimento das cousas naturais da criminalidade em nosso Pais . Nas décadas de 1920 e 1930 os envolvidos com a questão da criminalidade partem para uma série de pesquisas, objetivando encontrar nos criminosos características fisicas, psíquicas e sociais que pudessem fornecer a sociedade um entendimento mais seguro das cousas da criminalidade e consequentemente, planos mais eficientes de defesa social, ou seja, a ciência em função da sociedade, através dos grupos sociais que continuam sendo postos em função da ciência.

Na execução do projeto de defesa social e de manutenção da ordem, se lança mão de vários instrumentos científicos internacionais, construídos a partir do desenvolvimento da própria ciência em seus estudos sobre criminalidade. Um destes instrumentos que foi utilizado no Brasil, foi a chamada biotipologia, que segundo Corrêa é apresentada no 1º Congresso Latino Americano de criminologia (Buenos Aires - 1938), por Leonídio Ribeiro médico brasileiro.. na época, diretor do Instituto de Identificação do rio de Janeiro. A biotipologia é apresentada através da exposiçao de dois trabalhos realizados no Rio de Janeiro. Segundo Leonídio esta ciência era capaz de “...estudar o homem classificando os numerosos tipos humanos, num método rigoroso de estudo integral dos fenômenos morfológicos, funcionais, morais, afetivos, evolutivos e intelectuais.”

Como já dissemos estas pesquisas objetivavam à prevenção do crime que segundo estes pesquisadores seria possível dominar.

... desde que se lograsse classificar blotipologicamente, desde a primeira Infância, todos os indivíduos, especialmente aqueles que, pela sua constituição e tendências, pudessem ser considerados como pré-delinqüentes e, por isso, passíveis de medidas especiais de tratamento e educação, capazes de corrigir ou atenuar suas anomalias e conseqüentes reações anti-sociais”.

Leonídio Ribeiro, desenvolve na década de 30, uma enorme batalha no sentido de tomar obrigatória a identificação civil, que se legitimava através dos resultados apresentados das várias pesquisas que ele desenvolvia sobre criminalidade, pesquisas que tinham determinações práticas que deveriam ser adotas pela sociedade. Numa articulação entre criminalidade e trabalho Leonídio acaba definindo melhor suas intenções e o dimensionamento da defesa.

É preciso, ao meu ver, tomar obrigatório a Identificação civil de todos os trabalhadores pelo método científico da dactiloscopia, afim de defender a sociedade e de proteger os patrões”.

Este autor deixa bastante nítido em seu trabalho, a importância da incorporação por parte do estado de uma perspectiva orientada pelo desenvolvimento científico, tanto que a idéia de identificação civil deveria, segundo ele ser articulada a outras formas de controle por parte do estado na. população em defesa da ordem social. Neste sentido, as pesquisas deveriam desenvolver estudos que pudessem dar conta não só daqueles que estavam envolvidos pelos controles institucionais definidos, como as escolas, as igrejas. as prisões e os outros vários mecanismos do estado, mas também dos outros indivíduos que de alguma forma fugiam aos espaços de controle e poder. O Estado deveria criar, a partir dos resultados das pesquisas, “os abrigos para menores”. A cidade do Rio de Janeiro devei-ia se espelhar, novamente, em outros modelos municipais, que haviam construído formas de controle das questões que impunham perigo a ordem social, e de fato foi isso que se realizou.

A idéia do controle por parte do Estado através do isolamento dos elementos que apresentavam perigos à ordem social, se articulava no entendimento do crime como doença. O conceito de periculosidade, matéria dos estudos e dos cursos na cadeira de Medicina Legal, permitia que se fizesse tal articulação, na medida em que a criminalidade. como algo que se realiza a partir de características naturais hereditárias, ou seja, adscritas, se ligava aos estudos científicos sobre a doença de uma forma geral. É de Afrânio Peixoto, outro médico que se auto intitulava seguidor dos esforços de Nina Rodrigues, o pensamento que melhor define esta articulação.

Porque não considerar o criminoso doente social da mesma maneira? A noção de pericolosidade acorre a isso, assimilado o perigoso social ao perigoso sanitário ou perigoso psicopático, declarado alienado. Mas a disparidade começa porque só se isola ao doente social declarado depois do crime, quando a prevenção social obriga, sanitariamente, a segregar o possivelmente infectado, perigoso higiênico, infectante, antes de infectador. Porque não corrigido pelo cárcere, com trinta anos nossos, ou nos anos soviéticos, entrega-se à sociedade o irresponsável o irresponsável, como não faríamos, com igual critério, ao pestoso de mais de dez dias, ao várioloso ainda doente além de vinte, ao tifico que está longe de são aos trinta? Prazos de cura ou refontia serão tio absurdos sanitariamente quanto absurdos sanitariamente, quanto penalmente.”

Peixoto trabalha com o pensamento de que existem na sociedade vários focos, que podem a qualquer momento infectar os que não estilo doente. Segundo ele a idéia de periculosidade aparece como um grande progresso nas leis penais porque incorpora a perspectiva de “prevenir antes de curar’. Prevenir significa extinguir os focos, numa. política mais ampla de higienização, politica que incorpore a criminalidade como doença.

Desse jeito, a questão da criminalidade se desenvolve através do conceito de pericuiosida.de. recebendo no totalitarismo do Estado varguista elementos necessários a sua realização. É neste período que, a medicina investe também mais efetivamente na popularização de seus argumentos. Como exemplo disso vemos os textos que são apresentados no Boletim Eugênio, veiculo de divulgação das proposições médicas da época, criado em 1929. O Boletim Eugênio, defendia as proposições mais fundamentais do movimento eugenista internacional definidas assim:

A eugênia estuda as leis da hereditariedade no que diz respeito a conservação e ao progresso do gênero humano: 1° ) Fomentando a Reprodução dos melhores elementos. 2° ) Restringindo a fertilidade dos Inferiores e incapazes. A eugenia aplica as leis biológicas para o aperfeiçoamento integral da humanidade”.

Segundo os eugenistas a tarefa era proteger a sociedade contra o que eles chamavam de medíocres, que representam à maioria no mundo e que eram a ameaça mais terrível a toda humanidade. O Boletim Eugênio tinha um caráter panfletário. Os objetivos dos módicos através dele era o de contemplar toda sociedade, neste sentido os textos apresentados eram curtos, numa linguagem que não se estreitava no discurso exclusivamente técnico, os artigos eram curtos e ftindamentalmente informativos com a intenção de convencimento.

Neste boletim circulavam artigos científicos, pesquisas e depoimentos de pessoas de vários países que defendiam os ideais eugênicos como dever a ser seguido por todos, na luta contra os medíocres que aumentavam, segundo eles, diante do desenvolvimento dos instrumentos tecnológicos no mundo. Para os eugenistas, “Com o advento das maquinas e dos aparelhos automáticos, os medíocres foram aos poucos deixando à margem como inúteis, aumentando, assustadoramente, o mundo de indigentes”.

Aqui vemos o discurso eugenista interpretar a marginalidade, não como um lugar definitivo, mas como um locus jogado no tempo. A marginalidade assim como a criminalidade advém do espaço das possibilidades onde se criam os criminosos, medíocres e indesejáveis.

Os classificados, pelos etLgenistas, como medíocres cresciam ainda mais com o aumento da miséria. Eles argumentavam sobre uni problema histórico e social a partir dos parâmetros biológicos. Para eles só “um sério programa de profilaxia da procriação poderá reduzir. progressivamente, essa avalanche de infelizes que constituem grave perigo para a comunidade’.

Com títulos extremamente apelativos. investiam através de valores morais em defesa de suas proposição que passavam pelas instituição mais sagras. como casamento. Em um artigo do Boletim, que tinha como titulo, ‘QUEM AMA O POVO BRASILEIRO, DEVE NOS AJUDAR NA CAMPANHA EM PRO DA EUGÊNIA”. Renato Kehl afirmava:

Enquanto não se estabelecer a proibição matrimonial para os inaptos para a procriação rígida ou sua esterilização, a educação e a higiene não conseguirão diminuir as anomalias, os vicies e os crimes, em suma, não levantaram o nível da coletividade.”

Os eugenistas se colocavam também contrários às práticas filantrópicas que ao ajudarem os chamados medíocres, depunham contra a seletividade social. A filantropia deveria se voltar para os “NORMAIS”, e não somente para os “doentes” e “degenerados”. A filantropia mal direcionada, segundo os eugenistas, era um fator de indigência e de degradação social. Neste sentido a sociedade, como eles propunha deveria esta voltada para o incentivo ao casamento mais cedo dos chamados normais, para que eles pudessem procriar mais, fomentar incentivos a educação e ia profissionalização, para que eles pudessem vencer a batalha social.”

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É isso!


Fonte
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MARCOS FARIAS DE ALMEIDA: “EXTERMÍNIO SELETIVO E LIMPEZA SOCIAL EM DUQUE DE CAXIAS: sociedade brasileira e os indesejáveis.” (Dissertação de Mestrado Apresentada ao Departamento de Antropologia Social do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, sob a orientação do Prof. Dr. José Luiz dos Santos). UNICAMP. Campinas, 1998.

Nota:
O título e a imagem inseridos no texto não se incluem na referida tese.

O darwinismo e o "seu outro"

Acabei de ler na Internet uma enquete que perguntava: “Na sua opinião, quem foi o maior cientista de toda a história da humanidade?”. Entre outros nomes estava obviamente o de Darwin, e, entre outras respostas favorável ao naturalista estava esta: “se não fosse por ele, talvez até hoje o mundo estaria submetido a religiosidades insanas como as daquela epóca”.

Esta resposta, um tanto sincera, reflete um pouco a história da Teoria da Evolução de Darwin, que desde seus primórdios encontrou no Criacionismo o “seu outro” que lhe pudesse respaldar como “lídima ciência”. A luta travada entre a “verdadeira ciência” (o Darwinismo) e a “pseudociência” (o Criacionismo) tornou-se ao longo do anos no mais excelente pretexto para elevar o “status científico” da Teoria da Evolução, que se apraz em fazer do Criacionismo seu eterno “yang”.

Esse dualismo entre ambas as vertentes pode ser sintetizado nos seguintes pontos:

SOBRE A ORIGEM DO UNIVERSO
Criacionismo: o Universo e o Sistema solar foram criados de um momento para o outro.
Darwinismo: o Universo e o sistema solar surgiram gradativamente mediante processos naturais.

SOBRE A ORIGEM DA VIDA
Criacionismo: a vida foi criada de maneira instantânea por mãos e obra da Divindade.
Darwinismo: a vida originou-se ao acaso por meio de processos naturais.

SOBRE A ORIGEM DAS ESPÉCIES
Criacionismo: todas as espécies (humana, animal e vegetal) existente atualmente mantiveram-se fixas desde que foram criadas por Deus, havendo apenas pequenas variações genéticas desde que foram originalmente criadas.
Darwinismo: todas as espécies atualmente vivas originaram-se de espécies pré-existentes, que se transformaram gradualmente ao longo dos tempos mediante a Seleção Natural.

SOBRE A ORIGEM DO HOMEM
Criacionismo: o homem e os símios descendem de antepassados distintos desde a origem.
Darwinismo: homem e os símios descendem de um antepassado comum, daí a Ancestralidade Comum Universal.

SOBRE A IDADE DA TERRA E DOS SERES VIVOS
Criacionismo: a Terra e os seres vivos podem ter uma origem relativamente recente.
Darwinismo: a Terra e os seres vivos são resultados de um processo longo, que remontam a bilhões e milhões de anos.

SOBRE AS CARACTERÍSTICAS GEOLÓGICAS DA TERRA
Criacionismo: as características geológicas da Terra parecem ter sido determinadas por processos rápidos e catastróficos que afetaram a Terra a uma escala global e regional , o que denominam de catastrofismo.
Darwinismo: as características geológicas da Terra são o resultado de processos lentos e graduais, o que chamam de uniformismo.

É isso!

E "Darwin" ainda não ganhou um Prêmio Nobel!

Os darwinistas costumam ostentar a falsa pretensão de utilidade da Teoria da Evolução para as Ciências Médicas. Quase sempre o argumento recai sobre a questão da resistência das bactérias aos antibióticos, como se a descoberta deste medicamento tivesse sido uma consequencia lógica das especulações de Charles Darwin.

Costumo afirmar que, para a Medicina, o darwinismo é tão útil quanto um aparelho para desentortar bananas, ou seja, não acrescenta nada a cousa alguma. Uma prova disso são os resultados do Prêmio Nobel de Medicina que anualmente são concedidos aos cientistas por suas relevantes descobertas.

A par disto, fiz uma ligeira pesquisa sobre os últimos 10 prêmios (desde o ano 2000), e constatei o óbvio, ou seja, que em nenhum dos casos o Nobel fora concedido “Darwin” (entenda-se darwinistas e suas especulações). Se não, vejamos...

Nobel 2010
Para: Robert Geoffrey Edwards, por seu trabalho na fertilização in vitro.

Nobel 2009
Para: Elizabeth Blackburn, Carol Greider e Jack Szostak, por terem descoberto um mecanismo central do funcionamento genético das células, o qual possibilitou a abertura para novas linhas de pesquisa no tratamento do câncer.

Nobel 2008
Para: Luc Montagnier Harald e Hausen Françoise Barré-Sinoussi, por terem identificado o vírus responsável pela AIDS.

Nobel 2007
Para: Mario Capecchi, Oliver Smithies e Martin Evans, pelos seus estudos com células-tronco em animais.

Nobel 2006
Para: Craig Mello e Andrew, por desenvolverem um trabalho na área da informação genética, numa pesquisa inédita no domínio microcelular e nos chamados interferentes RNA que transportam informação importante entre o ADN e o organismo.

Nobel 2005
Para: John Robin Warren e Barry J. Marshall, por suas descobertas relacionadas à cura de úlceras estomacais.

Nobel 2004
Para: Linda Buck Peter Mansfield e Richard Axel, por suas pesquisas que tornaram conhecidos os mistérios do sentido do olfato.

Nobel 2003
Para: Paul Christian Lauterbur e Peter Mansfield, por suas descobertas no âmbito da ressonância magnética.

Nobel 2002
Para: Sydney Brenner, John Sulston e Robert Horvitz, por suas descobertas relacionadas ao minúsculo animal Caernorhabditis elegans.

Nobel 2001
Para: Paul Nurse, Richard Timothy Hunt e Leland Hartwell, por terem identificados substâncias-chave na regulação do ciclo celular em organismos como: fungos, plantas, animais e humanos.

Nobel 2000
Para: Eric Kandel, Paul Greengard e Arvid Carlsson, pelas pesquisas que resultaram em descobertas sobre a transdução de sinais no sistema nervoso central.

Ainda não foi desta vez! ((rs))

É isso!

"Ônibus ateu" no Brasil

A Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), seguindo o marketing neo-ateísta praticado inicialmente na Europa, tentou em vão introduzir no Brasil a campanha anti-religiosa nos ônibus coletivos de algumas cidades. Segundo Hélio Schwartsman, do jornal Folha de São Paulo, “as peças de propaganda, com frases como "Religião não define caráter" e "A fé não dá respostas; ela só impede perguntas", deveriam circular em ônibus de Salvador, São Paulo e Porto Alegre pelo período de um mês”.

No entanto, para desalento dos pregadores neo-ateístas, principalmente daqueles que ofertaram espontaneamente seu “dízimo” para a manutenção da campanha, todas as cidades citadas rejeitaram a proposta, restando ao “aos engomadinhos dawkinsianos” a velha e esfarrapada desculpa de que foram vítimas de um vergonhoso preconceito: "As seguidas recusas de prestação de serviço são uma confirmação contundente da força do preconceito contra os ateus, e da necessidade de acabar com ele. Nossas peças nada têm de ofensivas, e o teor de suas críticas empalidece frente às copiosas afirmações dos livros sagrados de que ateus são odiosos, cruéis, maus e devem ser eliminados. Existe um duplo padrão em ação aqui", diz Daniel Sottomaior, presidente da Atea.”

Pessoalmente não vejo o menor problema com este tipo de campanha, afinal vivemos num país dito democrático, onde cada pessoa deve ter plena liberdade para externar suas crenças ou extravasar suas descrenças, é claro, desde que se respeitem algumas regras básicas do bem-viver. O problema, penso eu, reside no fato de acreditarem que estão lutando em prol da erradicação de um preconceito, quando na realidade estão apenas reproduzindo ao seu próprio modo aquilo que já há bom tempo fizeram e ainda continuam a fazer as religiões mais aguerridas, como e “Igreja Universal do Reino de Deus”. Aliás, até sugiro a esses novos ateus que dêem um nome definitivo ao seu conglomerado, algo do tipo: “Anti-igreja Universal do Reino de Dawkins” ou algo que os valham.

É isso!

Darwin nos vestibulares - IX

Seguem novas questões sobre temas relacionados à Teoria da Evolução, os quais estão sempre presentes nos melhores vestibulares do país:

QUESTÃO 1 (UECE): Constitui-se de fatos que, biologicamente, são conhecidos como evidências da evolução:
a) a segunda lei de Mendel.
b) a embriologia comparada.
c) a lei do uso e do desuso de Lamarck.
d) a primeira lei de Mendel.

QUESTÃO 2 (UC-PR):
A mão humana e a pata anterior do cavalo, do ponto de vista embriológico e funcional, são estruturas anatômicas:
a) filogeneticamente distintas.
b) homoplásticas.
c) convergentes.
d) análogas.
e) homólogas.

QUESTÃO 3 (FATEC-SP):
Os estudos de processos de evolução dos seres vivos revelaram a existência de estruturas homólogas e análogas.
Assinale a alternativa correta sobre essas estruturas:
a) Duas ou mais estruturas são consideradas homólogas quando apresentam funções diferentes, mas as mesmas origens.
b) Duas ou mais estruturas são consideradas análogas quando apresentam origens e funções diferentes.
c) Duas ou mais estruturas são consideradas homólogas quando apresentam funções íguais, mas origens diferentes.
d) Duas ou mais estruturas são consideradas análogas quando apresentam funções e origens iguais.
e) Duas ou mais estruturas são consideradas homólogas quando apresentam funções e origens iguais.

QUESTÃO 4 (UFES):
Com relação à evolução, observe as afirmativas abaixo:
I- Fósseis são restos ou impressões deixadas por seres que habitaram a Terra no passado e constituem provas de que nosso planeta foi habitado por seres diferentes dos que existem atualmente.
II- A explicação mais lógica para as semelhanças estruturais entre seres vivos com aspectos e modos de vida diferentes é que eles descendem de um mesmo ancestral.
III- A semelhança entre as proteínas de diferentes seres vivos pode ser explicada admitindo-se que esses seres tenham tido um ancestral comum.
IV- A teoria que admite que as espécies não se alteram no decorrer dos tempos denomina-se fixismo.
Assinale:
a) se apenas I, II e III estiverem corretas; - b) se apenas II, III e IV estiverem corretas; - c) se apenas I, III e IV estiverem corretas; - d) se todas estiverem corretas; - e) se todas estiverem incorretas.

QUESTÃO 5 (CESGRANRIO):
Quanto aos órgãos análogos, podemos afirmar que:
a) podem ser exemplificados pelas nadadeiras peitorais da baleia e pelo braço humano, apesar do seu aspecto diverso.
b) são perfeitamente exemplificados pelas asas da borboleta e pelas do passarinho.
c) são uma prova bioquímica da evolução.
d) são uma prova embriológica da evolução.
e) possuem a mesma formação embriológica.

QUESTÃO 6 (UNICAMP):
Com respeito aos termos homologia e analogia não podemos afirmar que:
a) as asas da aves são análogas e homólogas às asas dos morcegos.
b) chamam-se órgãos análogos aqueles que, nos diferentes grupos animais, desempenham a mesma função.
c) chamam-se órgãos homólogos aqueles que, nos diferentes grupos animais, têm a mesma origem embrionária.
d) as nadadeiras das baleias, as asas dos morcegos, as patas dos vertebrados quadrúpedes e os membros superiores do homem são órgãos homólogos.
e) as asas dos morcegos, as asas das aves e as asas dos insetos são órgãos homólogos.

QUESTÃO 7 (UFU-MG):
Quando a semelhança entre estruturas animais não é sinal de parentesco, mas conseguida pela ação da seleção natural sobre espécies de origens diferentes, fala-se em:
a) convergência adaptativa.
b) isolamento reprodutivo.
c) irradiação adaptativa.
d) isolamento geográfco.
e) alopatria.

QUESTÃO 8 (CESGRANRIO-RJ):
Os esquemas abaixo representam três animais pertencentes a Classes diferentes, que sofreram transformações semelhantes para se adaptarem à vida aquática. Este é um ótimo exemplo de:
a) irradiação adaptativa.
b) especiação.
c) evolução convergente.
d) raciação.
e) isolamento reprodutivo.

QUESTÃO 9:
Os geneticistas conseguiram extrair o DNA de partes de osso que não estavam fossilizadas de um homem de Neanderthal, morto há mais de 30 mil anos. Comparando este DNA com o de um homem moderno eles concluiram que nós não somos descendentes do Neanderthal e sim que ele é um parente próximo; ou seja, temos um ascendente em comum. Isso é um tipo de prova:
a) anatômica.
b) comparativa.
c) paleontológica.
d) embriológica.
e) bioquímica.

QUESTÃO 10 (UNIRIO):
O braço humano, a asa de uma ave, a nadadeira de uma baleia são estruturas encontradas em animais de espécies diferentes, mostrando aspectos diversos e funções distintas. Podemos afirmar que os órgãos em questão:
a) são homólogos, possuem a mesma origem embrionária e encerram a mesma anatomia interna.
b) são homólogos, possuem a mesma origem embrionária e encerram anatomia interna distinta.
c) são homólogos, possuem origem embrionária distinta e encerram a mesma anatomia interna.
d) são análogos, possuem a mesma origem embrionária e encerram anatomia interna distinta.
e) são análogos, possuem origem embrionária distinta e encerram a mesma anatomia interna.

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É isso!

Os “Capitães da Areia” sob o olhar do médico Lombroso

Dias atrás terminei a leitura do belíssimo romance “Capitães da Areia”, do escritor baiano Jorge Amado. No posfácio da edição publicada pela Companhia das Letras, Milton Hatoum sintetiza assim a emocionante história dos meninos de rua: “É surpreendente a atualidade dos temas de Capitães da Areia. O assunto e as questões sociais que o livro explora em profundidade são, em larga medida, os mesmos da “cidade da Bahia” e de muitas outras cidades, do Brasil e da América Latina. Lido hoje, este romance ainda comove e faz pensar nas crianças desvalidas, nas crianças de rua, nas crianças abandonadas, quase todas órfãs de pai e mãe, filhos da miséria e do abandono. Atiradas à marginalidade, elas roubam e cometem outros delitos para sobreviver. Detidas, são submetidas à humilhação, ao castigo, à tortura.”

Dos romancistas brasileiros, Jorge Amado sempre foi um dos que menos me atraiu. No entanto, a leitura de “Capitães da Areia” fez avivar em mim um enorme interesse por suas outras obras. “Jubiabá”, por exemplo, já está na “lista de espera”, entre outros.

O livro “Capitães da Areia” narra a história de crianças abandonadas e marginalizadas pela sociedade, as quais para sobreviverem praticam os mais variados tipos de delinquencia. E nessas aventuras nada sociáveis, vez ou outro acontecia de algum deles ser pego pela polícia e conduzido ao temido reformatório de menores delinquentes, onde a lei era “pau no lombo”.

Numa certa ocasião, quando o chefe do grupo Pedro Bala cai nas mãos do terrível diretor do reformatório, este, que havia lido o antropólogo italiano Cesare Lombroso, diz ao bedel, após fitar bem os olhos no garoto:

– É o chefe dos tais de Capitães da Areia. Veja... O tipo do criminoso nato. É verdade que você não leu Lombroso... Mas se lesse, conheceria. Traz todos os estigmas do crime na face. Com esta idade já tem uma cicatriz. Espie os olhos... Não pode ser tratado como um qualquer. Vamos lhe dar honras especiais...

Lembrei-me então do livro “O Homem Delinquente”, do referido antropólogo, um verdadeiro cabedal de preconceito e racismo, mesmo levando em conta a época e o contexto cultural em que fora escrito.

Neste livro, Lombroso tenta provar por meios de traços físicos específicos as características natas de um criminoso. Por exemplo:

OS CABELOS
“Os cabelos negros e os castanhas são maia freqüentes entre os criminosos, enquanto os louros são inferiores de um terço — 13 a 33. O máximo de cabelos negros encontra-se entre os incendiários e os ladrões; o mínimo, entre os violadores. O máximo de castanhos nos é dado pelos desocupados, pelos agressores, pelos ladrões de estradas. Os louros não se encontram em maioria senão entre violadores e escroques. Os ruivos (apesar do que dizem os provérbios) são muito pouco frequentes."

A BARBA
“A raridade ou a ausência da barba já a constatei, entre os criminosos, 23 vezes em 100 (Marro 3,9%) e, entre os alienados, 18 vezes em 100 somente.
Os escroques tinham quase sempre a barba espessa; os ladrões e os agressores, mais rala.
Os menores apresentaram, na proporção de 18%, a barba abundante, o que não se encontra jamais entre os menores normais."

A ÍRIS
"Bertillon, sobre 4.000 criminosos, encontrou 33,2% com a íris de cor marrom; 22,4% de cor castanho escura; 32,4% de cor amarela ou avermelhadas, e 12% despigmentadas ou com reflexos esverdeados (Rev Scient. 1885).
As cifras revelam uma certa frequencia de íris escuras: infelizmente, não dispomos de comparações com os normais.
Observei também, entre os criminosos, una proporção triplicada (0,3) de assimetrias cromáticas da íris, quando comparados aos normais (0,013).”

AS
ORELHAS
"Marro observou que 7,30/, dos criminosos têm as orelhas em abano. Já eu observei tal característica em 38,7%, enquanto que, entre os normais, não encontrei mais que 20%.
O professor Gradenigo estudou o pavilhão aaricular em UMA muito ampla escala.
Os sujeitos observados eram muito numerosos. Em outro exame cuidadoso de 650 pessoas (350 homens, 300 mulheres), passou rapidamente em revista os pavilhões de 25.000 pessoas em Turim (15.000 homens. 10.000 mulheres). Foram examinados 330 alienados (180 homens, 150 mulheres), 76 cretinos (50 homens, 26 mulheres), 352 criminosos típicos (304 homens, 48 mulheres).
Entre as pessoas honestas, as orelhas em abano são, portanto aproximadamente 50% mais freqüentes entre os homens que entre as mulheres; as orelhas de Wildermuth”, ao contrário, são mais freqüentes entre aquelas.
As anomalias da conformação do pavilhão encontram-se, portanto, aproximadamente duas vezes mais frequentes entre os criminosos que entre os adultos honestos de Turim. Quanto ao número de lóbulos aderentes, a exceção que resulta das cifras não é mais que aparente, porque, entre os criminosos, se encontram muito freqüentemente os lóbulos aderentes prolongados ao longo da bochecha, espécie de anomalias mais grave que os lóbulos simplesmente aderentes. De mais, Gradenigo constatou, entre os criminosos, uma freqüência toda particular de orelhas de Darwin, más formações da hélice e da ante-hélice e de assimetrias de implantação, etc. [...]
Isso demonstra que tais anomalias aparecem, em grande número, à direita entre os loucos e os criminosos.
Segundo um estudo de Frigerio.
O ângulo áurico-temporal ultrapassa 90° em condições normais, com cifras de pouco inferiores àquelas constatadas entre os loucos e os criminosos.
A média percentual tende a aumentar do homem são ao alienado e ao criminosos.
Ela é ultrapassada entre os macacos, sobre os quais é, raramente, inferior a 10º . [...]
De acordo com o índice médio da concha, os alienados e os criminosos se sucedem, como segue, em ordem decrescente não hereditários 0,69%; degenerados e violadores 0,67%; ladrões de estradas 0,66%; homicidas 0,65%; ladrões e falsários 0,65%; hereditários 0,64%; incendiários 0,60%."

O NARIZ
"19 criminosos em 500 apresentavam nariz torto à direita ou à esquerda; precisamente a mesma proporção que entre homens normais (3%). Os violadores, 2 sobre 40, apresentam a anomalia e 5 outros tinham nariz com três lóbulos ou excessivamente grossa. Essa deformidade é ainda mais freqüente entre aqueles que apresentam o nariz achatado.
O nariz desmesaradamente longo encontra-se 2 vezes sobre 100, assim Perello, ladrão de Turim, tinha um nariz longo de 4 centímetros.
Ottolenghi estudou, mais em detalhe, a forma do nariz, seu perfil, sua base, seu comprimento, sua protuberância (segundo as regras traçadas por Bertillon), entre 630 normais, 392 criminosos, 40 epilépticos e 10 cretinos.
O criminosos, em geral, apresentam o nariz retilíneo (60,31%), a base horizontal (60,97%), de comprimento médio (48,73%), antes largo (54,14%), muito protuberante (38,53%), freqüentemente desviado (48,13%).
Entre os criminosos, pode-se determinar suficientemente bem o nariz do ladrão e o do violador.
O ladrão apresenta, em grande parte, o nariz retilíneo (40,4%); freqüentemente côncavo (23,329/a); a base levantada (32,13%); frequentemente curto (30,92%); largo (53,28%); achatado (31,33%); e muitas vezes desviado (37,5%).
Os violadores têm, frequentemente, o nariz retilíneo (54,5%); achatado (50%); e desviado (50%); mas de dimensões médias.[...]
Vemos assim que o perfil mais freqüentemente retilíneo e a direção desviada distinguem o nariz do criminoso daquele do normal. O comprimento, a largura e protuberância distinguem suficientemente, entre outras, os diferentes tipos criminais.
O nariz do epiléptico é freqüentemente ondulado (42,8%) e adunco (32,8%); horizontal na base (73,3%); muito longo (74%); muitas vezes bem largo (30%); freqüentemente desviado (25%); quase sempre protuberante (59,94%)."

OS
DENTES
"Em 4% de homicidas, nota-se o desenvolvimento desmensurado dos dentes caninos. Em 7%, os dentes apresentam outras irregularidades, tais corno ausência dos incisivos laterais, sua semelhança com os caninos e a má formação destes ou sua superposição."

A GENITÁLIA
"Encontrei partes genitais anormais em 2% de agressores, 2,6% de escroques, 5% de violadores, 1% de ladrões. Penta, em 15% de grandes criminosos.”

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É isso!

Fonte:
Cesare Lombroso: “O Homem Delinquente”.

A reação da igreja às idéias de Darwin

“O milagre da criação — a interpretação literal da Bíblia — também impediu que a Igreja Católica se acomodasse às opiniões de Origem. A Igreja Católica, na verdade, respondeu lentamente à hipótese evolucionista e não discordou publicamente de Darwin, até o aparecimento de A descendência do homem. Católicos, como Mivart, haviam expressado antipatia pessoal. Mas, na última parte do século, foram assinados decretos oficiais desencorajando qualquer discussão sobre a evolução. Darwin, no entanto, não apareceu no Índex: seus livros não foram proibidos à leitura, como os de seu avô, Erasmus Darwin. Mas a proclamação da infalibilidade do Papa, em 1870 — e as posteriores encíclicas anunciando a infalibilidade da Bíblia —, desencorajaram a discussão aberta da teoria darwiniana. Não haveria acordo com a nova ciência. Só em 1951 — quando o papa Pio XII relaxou a interpretação dogmática da Bíblia — é que a discussão aberta sobre a evolução tornou-se oficialmente tolerada. Em 1951, foi feita uma referência específica à evolução na encíclica, mas os católicos “não devem fiar-se”, advertia, “que a evolução seja um fato comprovado”.

A idéia biológica da mudança e a exigência evolucionista da mudança geológica eram inimigas da igreja. Ambas as teorias — a de Darwin e a de Lyell — exigiam uma imensa escala de tempo para que as mudanças ocorressem e, no entanto, a Bíblia ensinava que tudo fora criado em sete dias.Mesmo que os dias fossem interpretados literalmente, a Bíblia no dava muito tempo para a evolução, uma vez que, em 1665, o bispo Ussher havia proclamado que o Começo ocorrera precisamente às 9 horas da manha, no dia 23 de outubro do ano 4004 a. C. Estava bem longe da estimativa “conservadora” de Lyell de pelo menos 240 milhões de anos desde o começo da Terra e até mesmo longe da “ultraconservadora” e provavelmente preconceituosa estimativa de Lord Kelvm, de 20 milhões de anos. A teoria Darwin. Wallace pedia muito mais — uns 500 milhões de anos. Isto no era aceitável de forma alguma pelos que aderiam a uma interpretação literal da Bíblia. Mas havia alguns que, acreditando em milagres e apregoando a revelação, estavam, no entanto, desejosos de pensar na idéia de uma Terra antiga. Whewell e Sedgwick se opunham à teoria darwiniana porque ela rejeitava um plano e o status especial do homem, mas estavam desejosos de abandonar o Dilúvio e aumentar a idade da Terra. Estavam até mesmo desejosos de permitir que — após a criação — um sistema auto-evolutivo tivesse sido responsável pelo menos por alguns dos animais da Terra.

Na última metade do século XIX, muitas seitas religiosas, na Inglaterra, faziam concessões à teoria evolucionista. Ma só homem era ainda um problema. Foi o lugar do homem no Universo que levantou o tumulto quando do aparecimento da Origem. Foi o lugar do homem no Universo que atraiu uma audiência tão grande no debate de 1860, entre Huxley e Wilberforce. Foi o lugar do homem no Universo que provocou todos os insultos, muito embora a Origem fizesse apenas duas insinuações de que a evolução pela seleção natural devia aplicar-se ao homem. Com a publicação de O lugar do homem na natureza, de Huxley, A antiguidade do homem, de Lyell, ambos em 1863, — e A descendência do homem, em 1871 — a natureza animal do homem quase no podia ser negada.”

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É isso!

Fonte:
Wilma George: “As idéias de Darwin”. Editora Culturix – Editora da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1982.