A Seleção Natural em seu devido contexto

Negócio é luta”, escreveu Leo Huberman, em “A história da Riqueza do Homem”, e acrescentou: “Pergunte aos homens de negócios. Ora, todos sabem que na luta os mais fortes vencem os mais fracos. Também nos negócios ocorreu isso. Duas companhias concorrem num certo ramo. Uma dá um golpe na outra, reduzindo seus preços. Esta reage, reduzindo-os ainda mais. E assim por diante. Golpes - na forma de redução de preços - são trocados. Dentro em pouco, os preços estão abaixo do custo de produção. Quem ganhará a luta? É evidente também que quanto maior a escala de produção, tanto menores os custos. Isso significa que as companhias maiores e mais fortes têm vantagem inicial. Mas é a capacidade de resistir que conta. E a capacidade de resistir, nessa luta, é medida pelas reservas de capital, que determinam o tempo de resistência. A firma com maior volume de capital é a mais forte. Os preços reduzidos a deixam assustada, mas deixam seu adversário tonto, e, dentro em pouco, completamente derrotado” (Zahar Editores, 1981).

É fato inconteste que Charles Darwin, ao elaborar seu conceito de Seleção Natural, cujo pano de fundo é a "luta pela sobrevivência", tomou de empréstimo e adaptou as idéias do economista Thomas Malthus à sua teoria sobre evolução. É também notório que este conceito, tanto em Darwin como em Wallace, deu-se num contexto histórico de expansão econômica das grandes nações européias, com mais destaque para a Inglaterra. O lema “a sobrevivência do mais apto”, portanto, neste contexto histórico específico, foi tremendamente oportuno para os gananciosos objetivos dos poderosos capitalistas europeus e americanos. A competição no âmbito do comércio
tornava-se assim mero reflexo da luta sangrenta que se observava na Natureza.

Em a “Era do Capital”, E
ric J. Hobsbawm nos oferece uma pequena visão de como funcionava a lógica e a ideologia desses capitalistas:
Poucos dos milionários da primeira geração fizeram sua carreiras em um único ramo de atividade. Huntington começou vendendo material pesado para mineiros da corrida do ouro em Sacramento. Talvez seus fregueses incluíssem o magnata da carne Philip Armour (1832-1901), que tentou a sorte nas minas antes de entrar no negócio de armazéns em Milwaukee, que permitiu-lhe fazer fortuna no decorrer da Guerra Civil. Jim Fisk trabalhou em circo, garçom de hotel, mascate e vendedor ambulante antes de descobrir as possibilidades de contratos de guerra e, depois, a bolsa de valores. Jay Gould foi, por seu turno, cartógrafo e mercador de peles, antes de descobrir o que se podia fazer com estradas de ferro. Andrew Carnegie (1835-1919) não concentrou suas energias no ferro até completar 40 anos. Começou como telegrafista, continuou como executivo de estradas de ferro – sua renda já feita através de investimentos cujo valor crescia rapidamente –, entrou em petróleo (que iria ser o campo escolhido por John D. Rockefeller, que começou a vida como atendente e livreiro em O hio), enquanto gradualmente seguiu em direção à indústria que iria dominar. Todos estes homens eram especuladores e estavam prontos para seguir em direção do dinheiro grosso, onde quer que ele se encontrasse. Nenhum deles tinha ou poderia ter escrúpulos de forma excessiva, numa era e numa economia onde fraude, suborno, calúnia e, se necessário, revólveres eram aspectos normais da competição. Todos eram homens duros e todos olhariam as questões concernentes à honestidade de suas atividades como sendo consideravelmente menos relevantes para seus negócios do que sua esperteza. Não era por acaso que o "darwinismo social" explicava, de forma dogmática, que aqueles que subiam ao topo de tudo eram os melhores, porque eram os mais capazes de sobreviver na selva humana, teoria que se transformou na teologia nacional do final do século XIX nos Estados Unidos” (p. Paz e Terra, 3ª edição, p. 159).

Em seu famoso artigo “Sobre a tendência das variedades a afastarem-se indefinidamente do tipo original”, o também naturalista Alfred Wallace, considerado o descobridor da Seleção Natural juntamente com Darwin, sintetiza esta visão competitiva entre os seres vivos da seguinte forma:

“A vida dos animais selvagens é uma luta pela existência.
O empenho completo de todas as suas faculdades e energias é exigido para preservar sua própria existência e sustentar sua prole infantil. A possibilidade de conseguir alimento durante as estações menos favoráveis e escapar aos ataques de seus inimigos mais perigosos são as condições primárias que determinam a existência tanto dos indivíduos quanto da espécie inteira. Estas condições também determinarão a população de uma espécie e, por uma consideração cuidadosa de todas as circunstâncias, podemos ser capazes de compreender (e, em algum grau, de explicar) o que à primeira vista parece tão inexplicável: a excessiva abundância de algumas espécies, enquanto outras, proximamente aparentadas, não muito raras.”

“O número anual de mortos deve ser imenso e, como a existência individual de cada animal conta apenas consigo mesma, os que morrem devem ser os mais fracos (os mais jovens, os velhos e os doentes), enquanto que os que prolongam suas existências podem apenas ser os mais perfeitos em saúde e vigor (os mais capazes de obter alimento regularmente e de evitar seus numerosos inimigos). Eis aqui, como observamos de início, “uma luta pela existência”, na qual os mais fracos e menos perfeitamente organizados
devem sempre sucumbir.”

Portanto, a Seleção Natural, e isto o próprio Darwin escreveu numa carta a Lyell, depende da “luta pela existência malthusiana”. Conclui-se assim que, contextualmente, o darwinismo social não pode ser dissociado do principal conceito que norteia os ideais de Darwin e Wallace, ou seja: a Seleção natural. No fundo o que verdadeiramente prevalece é a esperteza ou astúcia dos mais poderosos. A história não nos deixa mentir quanto isso.

É isso!

Elvis realmente não morreu!


Uma equipe de pesquisadores da Fundação Atapuerca acaba de divulgar ao mundo mais uma novidade evolutiva relacionada à evolução humana. De posse de uma pélvis e de algumas vértebras encontradas na serra burgalesa, cuja idade atribuída foi de meio milhão de anos, a equipe de darwinistas chegou à conclusão de que se tratava de um homem corpulento que sofria de uma grave doença relacionada à locomução, mas que conseguiu sobreviver até uma idade avançada.

De acordo com o trabalho publicado na revista científica PNAS, o indivíduo era um antepassado dos neandertais, pertencente a espécie denominada Homo heidelbergensis. A pélvis, descoberta em 1996, foi batizada de "Elvis", e se encontrava em meio aos restos de 28 indivíduos de sexos e idades diferentes. “Elvis”, dizem os pesquisadores, tinha mais de 45 anos e era portador de uma enfermidade degenerativa chamada espondilolistesis. Em consequencia das constantes dores de que era acometido, deduziu-se que “Elvis” estava impossibilitado de executar a essencial atividade física da caça, concluindo-se daí que o grupo do qual ele fazia parte nutria de cuidados especiais pelos mais velhos.

Portanto, a galera de Darwin já pode comemorar a descobeta de mais um importante elo, que vem a aflorar ainda mais o imenso rosário evolutivo da evolução.

É isso!

A "seleção natural" de Hitler


Discorrendo sobre Charles Darwin, mais exatamente acerca de suas idéias aplicadas à sociedade, escreveu o professor e biólogo (darwinista) da Universidade de São Paulo, Nélio Bizzo, em “O que é Darwinismo”:
A aplicação de sua teoria ao homem, ou, mais propriamente, e extensão ao organismo humano dos valores burgueses de propriedade privada e acumulação, resultou no que se chamou eugenia
. O melhoramento da raça através de recomendações da eugenia eram os ideais do nazismo. O Estado Nazista não era portanto nada mais do que um Estado capitalista onde a melhoria do corpo dos cidadãos fazia parte da estratégia global de aumento do produtividade.
Hitler garantia procriação aos cidadãos alemães e possuíssem cabelos loiros, boa estrutura, queixo bem formado, nariz fino a arrebitado, olhos claros e profundos e pele rosado. Os homens selecionados poderiam ingressar na tropa de elite, a SS, e poderiam ter o número de filhos que desejassem, sem precisar casar. O Estado cuidaria de criar e educar tais crianças, segundo os ideais do nazismo.
A trajetória do nazismo é bem conhecida. As Câmaras de gás e os seis milhões de assassinatos, também...” (Editora Brasiliense, p. 67-71).

É sabido que, dentre os conceitos pelos quais Charles Darwin se deixou guiar para fundamentar sua teoria sobre evolução, três deles são destaques:
1. Seleção Natural (aleatória e sem a intervenção humana ou divina);
2. Sobrevivência do mais apto ou mais forte (“a lei do mais forte”);
3. Seleção doméstica ou artificial (a melhoria realizada pelo homem no melhoramento das raças domésticas. A Seleção Natural foi extrapolada a partir da Seleção Artificial, com acréscimos de dados adicionais).

Pois bem. Estando a examinar o mais repugnante de todos os livros escritos durante toda a história da Humanidade, o bestial “Minha Luta” (“Mein Kampf”), não tive muita dificuldade em observar que o ditador nazista Hitler também se utilizou à seu próprio modo de tais conceitos, ao proclamar a “supremacia” dos arianos e a conseqüente extinção das “raças” que ele denominou de “inferiores”. Vejamos os exemplos:

1. “
A própria natureza costuma agir no sentido de limitar o aumento de população de determinadas terras ou raças, em épocas de grandes necessidades ou más condições climáticas, bem como de pobreza do solo; e isso com um método tão sábio quão inexorável. Ela não impede a capacidade de procriação em si e sim, porém, a conservação dos rebentos, fazendo com que eles fiquem expostos a tão duras provações que o menos resistente é forçado a voltar ao seio do eterno desconhecido, o que ela deixa sobreviver às intempéries está milhares de vezes experimentado e capaz de continuar a produzir, de maneira que a seleção possa recomeçar. Agindo desse modo brutal contra o indivíduo e chamando-o de novo momentaneamente a si, desde que ele não seja capaz de resistir à tempestade da vida, a natureza mantém a raça, a própria espécie, vigorosa e a torna capaz das maiores realizações” (p. 62).

2. “A natureza terá de prestar auxílio de novo e proceder à seleção entre os escolhidos, destinados a viver; ou então é o próprio homem que a si mesmo se auxilia, lançando mão do impedimento artificial de sua reprodução com todas as graves conseqüências para a raça e para a espécie. Poder-se-á ainda objetar que esse futuro está destinado a toda a humanidade, de uma maneira ou de outra, e que, portanto, nenhum povo conseguirá naturalmente escapar a essa fatalidade” (p.
63).

3. “
Se refletirmos que uma grande diminuição da procriação é conseqüência desse estado de coisas e que disso está dependente a seleção natural que só pode ter como resultado criaturas infelizes, então é lícito que nos façamos esta pergunta: Por que manter uma tal instituição? Que objetivo preenche ela? Não é ela, porventura, igual à própria prostituição? O dever para com a posteridade não existe mais? Não se ompreende que praga se reserva a futuras gerações através de uma tão criminosa e leviana aplicação de um direito natural que é também o maior dever para com a Natureza?” (p. 116).

4. “Mas a Natureza disso se encarrega, sujeitando o mais fraco a condições de vida difíceis, que, só por isso, o número desses elementos se torna reduzido. Não consentindo que os demais se entreguem, sem seleção prévia, a reprodução, ela procede aqui a uma nova e imparcial escolha, baseada no princípio da força e da saúde. Se, por um lado, ela pouco deseja a associação individual dos mais fracos com os mais fortes, ainda menos a fusão de uma raça superior com uma inferior. Isso se traduziria em um golpe quase mortal dirigido contra todo o seu trabalho ulterior de aperfeiçoamento, executado talvez através de centenas de milênios” (p. 132).

5. “Isso que, a muitos, parece uma desvantagem, é, na realidade, a condição
indispensável para a nossa vitória. Na grandeza e na dificuldade da nossa tarefa, está a possibilidade de que só os melhores Lutadores formarão conosco. Nessa seleção está a garantia do sucesso” (p.179).

6 .“É falsa a suposição de que da fusão de grupos fracos possa resultar um fator de energia, pois a maioria, sob toda e qualquer forma e em todas as hipóteses, tem sido sempre a representante da tolice e da covardia. É assim que todas as ligas, dirigidas por muitas cabeças, estão totalmente votadas à covardia e à fraqueza. Acresce ainda que uma tal coesão impede o livre exercício das forças, a luta pela seleção do melhor elemento, barrando assim a possibilidade da vitória final, que deve coroar o mais sadio e o mais forte.
Semelhantes coalizões são, portanto, contrárias à seleção natural, impedindo, na maior parte das vezes, a solução do problema a resolver (p. 231).

7. “Empregadores e empregados nacionais-socialistas são, ambos, encarregados e procuradores da comunidade nacional toda. A elevada medida de liberdade pessoal, que lhes é outorgada em seu agir, é explicável pelo fato de que, de acordo com a experiência, a capacidade do indivíduo é aumentada mais com a concessão de ampla liberdade do que com a coação vinda de cima e é, também, apropriada para impedir que o processo de seleção natural, que deve ser facilitado aos mais hábeis, aos mais capazes e aos mais diligentes, seja entravado (p. 270).

8. “
O resultado final é que um tal povo um dia perderá o direito à existência neste mundo, pois o homem pode, durante um certo tempo, desafiar as leis eternas da conservação, mas a vingança virá mais cedo ou mais tarde. Uma geração mais forte expulsará os fracos, pois a ânsia pela vida, em sua última forma, sempre romperá todas as correntes ridículas do chamado espírito de humanidade individualista, para, em seu lugar, deixar aparecer uma humanidade natural, que destrói a debilidade para dar lugar à força” (p. 63).

9. “
A natureza não conhece limites políticos. Preliminarmente, ela coloca os seres neste globo terrestre e fica apreciando o jogo livre das forças. O mais forte em coragem e em diligência recebe o prêmio da existência, sempre atribuído ao mais resistente” (p. 64).

10. “
O papel do mais forte é dominar. Não se deve misturar com o mais fraco, sacrificando assim a grandeza própria. Somente um débil de nascença poderá ver nisso uma crueldade, o que se explica pela sua compleição fraca e limitada. Certo é que, se tal lei não prevalecesse, seria escusado cogitar de todo e qualquer aperfeiçoamento no desenvolvimento dos seres vivos em geral (p. 131).

11. “
A razão pela qual todas as grandes culturas do passado pereceram, foi a extinção, por envenenamento de sangue, da primitiva raça criadora. A última causa de semelhante decadência foi sempre o fato de o homem ter esquecido que toda cultura dele depende e não vice-versa; que para conservar uma cultura definida o homem, que a constrói, também precisa ser conservado. Semelhante conservação, porém, se prende à lei férrea da necessidade e do direito de vitória do melhor e do mais forte” (p.133).

12. “
A grande massa não passa de uma obra da natureza e o seu sentir não compreende o aperto de mão recíproco entre homens que afirmam pretender o contrário. O que ela quer é a vitória do mais forte e o aniquilamento do fraco ou a sua rendição incondicional” (p. 165).

13. “
A lei natural de toda evolução não permite a união de dois movimentos diferentes, mas assegura sempre a vitória do mais forte e a criação do poder e da força do vitorioso, o que só se pode conseguir por meio de uma luta incondicional” (p. 16).

14. “
Aqui também, pela ordem natural das coisas, certamente será o mais forte que será escolhido para cumprir a grande missão; apenas os outros só muito tardiamente reconhecem o fato de ser este o único eleito. Ao contrário, todos se julgam com os mesmos direitos e predestinados a resolver o problema, sendo que a coletividade geralmente é que menos sabe distinguir quem dentre eles é capaz de realizar a mais alta missão, quem merece o apoio de seus semelhantes" (p. 228).

"Não se deve, pois, lamentar o fato de diferentes indivíduos se porem em
caminho para atingir o mesmo alvo: o mais forte e o mais expedito será sempre o vitorioso” (p. 229).

15. “Neste estado de "paz e ordem" dos dias de hoje, neste mundo de bravos
"nacionalistas" burgueses, a proibição da procriação de portadores de sífilis, tuberculose e outras moléstias contagiosas, de mutilados e de cretinos, é vista como um crime, ao passo que a esterilidade de milhares dos indivíduos mais fortes de nossa raça não é tida como um mal ou ofensa à moral dessa hipócrita sociedade, mas aproveita ao seu comodismo. Se fosse de outra maneira, eles teriam que quebrar a cabeça para arranjar meios de prover à subsistência e à conservação dos elementos sadios da nação, que deveriam prestar esse grande serviço às gerações futuras” (p.180).

É isso!

Fonte:
Adolf Hitler: "
Mein Kampf" ("Minha Luta"). Edição Digitalizada. Apresentação:
Nélson Jahr Garcia

“O português que se correspondeu com Darwin”

PEÇA: “O PORTUGUÊS QUE SE CORRESPONDEU COM DARWIN”, DE PAULO RENATO TRINCÃO

Estando a folhear, como diria um bom português, o livro “
De Marx a Darwin: a desconfiança das ideologias”, de Onésimo Teotónio Almeida, dei por conta de um apêndice intitulado “O darwinismo nos Açores: Arruda Furtado, Sena Freitas e não só”, com o qual o autor pinça de maneira sucinta algumas idéias sobre a recepção da Teoria da Evolução em Portugal, especialmente por meio das citações dos evolucionistas supramencionados.

Especificamente em relação a Arruda Furtado (1854-1887), Oésimo faz menção de alguns trechos com os quais este evolucionista português remete às eternas polêmicas que sempre acompanharam a Teoria da Evolução ao longo de sua história, tais como:

RELIGIÃO/EVOLUÇÃO:
A crença na Bíblia começou a tirar a venda e a vêr já boa luz nos livros da ciencia. O velho Testamento começou a ter o seu verdadeiro lugar, como livro excelente, porque tinha domado os povos, mas inútil presentemente, para o mesmo fim, porque se pode e deve recorrer, entre os homens civilizados, a outros processos mais dignos e proveitosos.

HOMEM/MACACO:
Temos visto muitas vezes propor a escolha entre o Cristo e entre o padre, mas encaminhar-se para fazer o mesmo entre o Cristo e o macaco, só agora”. / A semelhança do macaco com o homem, é um fato que o povo mais do que ninguém se diverte a mostrar. Ide por uma aldeia com um desses homens de realejo e mandril e ouvireis em todas as bocas: «Parece mesmo ser gente.» Esta semelhança, reconhecida pelo próprio povo, impressionou mais de perto os homens de ciencia (cita-se Darwin pricipalmente), e eles disseram, não que o homem e o macaco de hoje eram descendentes um do outro, mas somente que ambos deveriam ter sido produzidos pela transformação de um animal perdido e mais caracterisado como macaco do que como homem."

ÓRGÃOS VESTIGIAIS (OU RUDIMENTARES)
Os órgãos que tem de servir para a adaptação a um meio, crescem e transformam-se; os que não tem de ser chamados a desempenhar função alguma no meio novo, vão-se atrofiando, mas conservam-se ainda por muito tempo em algumas espécies no estado rudimentar. Todos esses orgãos que nos parecem inúteis em muitos animais, não são mais que orgãos que, em outro tempo, prestaram grande serviço, não são mais que orgãos rudimentares.”

Arruda parece ter sido aficcionado pelas idéias de Darwin. Isto fica claro nesta espécie de paráfrase que ele faz do trecho final do livro do naturalista inglês “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”:
Se o homem devesse ter orgulho e ambição de glorias, nada haveria mais glorioso para ele do que ter vindo da funda eternidade por uma série imensa de transformações, libertando-se pouco a pouco das formas inferiores, até chegar ao seu estado presente, E ISTO APENAS Á CUSTA DO SEU TRABALHO. Bem longe de nos envergonharmos, por sabermos que somos um macaco aperfeiçoado, como vulgarmente se costuma dizer, devemos ter nisso a maior glória, pois o nosso estado atual é uma saída vitoriosa do inferior para o superior, Á CUSTA DA MAIOR SOMA DE LUTAS PELA EXISTÊNCIA QUE TEM PODIDO SUSTENTAR UMA ESPÉCIE.

Arruda Furtado, para quem não sabe, menteve algumas correspondências com Charles Darwin, e até lhe enviou espécies açorianas a fim de que estas confirmassem suas teorias sobre evolução. Estas correspondências com o autor de “A Origem das Espécies” rendeu-lhe, no ano passado, uma peça de teatro intitulada “O português que se correspondeu com Darwin”, de Paulo Renato Trincão, levada à cena pela Contigo Teatro.

É isso!

Fonte:
Onésimo Teotónio Almeida: “De Marx a Darwin: a desconfiança das ideologias”. Editora Gradiva. Lisboa, 2009, pgs. 173-178.

Fonte das imagens:
Contigo Teatro

Neandertais, a novela continua

De todos os seres que compõem a imensa lista dos ancestrais humanos elencados pelos darwinistas, os Neandertais são assim um caso à parte. Nas antigas gravuras, eles eram representados com feições mais próximas às dos macacos; de alguns tempos para cá, porém, seus traços se modernizaram, assemelhando-se cada vez mais a um lorde inglês ou a um gentleman francês. Supondo que esta seja uma tendência, não demora muito e logo os veremos à moda tupiniquim, numa dessas glamorosas novelas da Globo, com Tony Ramos e Glória Pires num adocicado romance ao estilo de José de Alencar.

Bom. Como parte da rotina midiática, na última semana duas notícias sobre os Neandertais vieram complementar esta novela sem fim. A primeira delas afirma que, ao contrário do que se pensava, os Neandertais eram capazes de inovações: "
Até hoje, achava-se que os ornamentos e ferramentas usados pelos Neandertais teriam aparecido graças ao contato com a espécie que os substituiu. Mas Riel-Salvatore afirma que seu artigo, publicado em "Journal of Archaeological Method and Theory", defende outro aspecto. "[O estudo] reage à persistente ideia a respeito dos Neandertais e mostra que eles eram realmente capazes de inovar."

A outra notícia é sobre a misteriosa extinção desses seres não menos misteriosos
. Uma pesquisa recente segere que as mudanças climáticas após repetidas erupções vulcânicas foram a causa da extinção dos Neandertais. A pesquisa comandada por Liubov Vitaliena Golovanova e Vladimir Borisovich Doronichev, do Laboratório de Pré-história em São Petersburgo, Rússia, foi piblicada este mês no periódico Current Anthropology: “Aventamos a hipótese de que o desaparecimento do Neandertal deu-se abruptamente (em uma escala de temo geológico) ... após a mais potente atividade vulcânica registrada no oeste da Eurásia durante o período da história evolutiva do Neandertal... Esta catástrofe não apenas destruiu drasticamente os nichos ecológicos das populações Neandertais, como, também, causou uma despovoação física massiva”, afirmaram os pesquisadores.

É isso!

Quando voce se tornou ateu?


Neste meu ócio de sexta-feira, passando por um desses sites populares da Internet, mais exatamente num fórum dedicado a Richard Dawkins ("Richard Dawkins Fans"), deparei-me com uma enquete, que tinha como pergunta: "Quando voce se tornou ateu ou agnóstico?

As respostas estavam distribuídas em quatro alternativas, norteadas por diferentes idades, a saber:

1. Até os 15 anos;
2. Dos 15 aos 18 anos;
3. Dos 19 aos 21 anos;
4. Mais de 22 anos.

Das 743 pessoas que participaram, 310 delas (equivalentes a 41%) afirmaram que se tornaram atéias até os 15 anos de idade, e 279 (ou seja, 37%) ficaram no patamar dos 15 aos 18 anos. Resumindo, 78% do que votaram na pesquisa declararam que a opção pelo ateísmo deu-se na idade que vai até os 18 anos.

É claro que não se deve creditar muita importância a este tipo de inquirição, que é feita no anonimato e sem lá muito critério. Todavia, ao que tudo indica, ela realmente parece refletir ao menos um pouco dessa realidade. O período que vai até os 18 anos, é aquele em que jovem sente profunda necessidade por se "rebelar contra o sistema". Com "sistema" entenda-se políticos, professores, líderes religiosos, os próprios pais e a divindade (ou deuses) que estes adoram.

É isso!

Medo da Teoria da Evolução?

Recentemente o site Daily Tech divulgou um pesquisa realizada com 140 estudantes, que se dispuseram a participar de uma determinada atividade e responder um questionário com alguns temas específicos. O resultado, diz a matéria, mostrou que as pessoas que não acreditavam na teoria da evolução, agiam dessa forma por temer o incerto.

Até que ponto a descrença popular na Teoria da Evolução é realmente consequencia do simples medo do incerto? Indo um pouco mais além: será mesmo que a questão religiosa é realmente decisiva para determinar a opção de uma pessoa por não partilhar os ideais de Darwin?

Não restam dúvidas de que o fator religioso tem lá sua relevância em todo esse processo, todavia, penso que, da mesma maneira pela qual a igreja assimilou a teoria heliocêntrica como um fato consumado, o mesmo já teria se dado com a Teoria da Evolução, caso Darwin fosse assim, digamos, tão exato quanto Galileu.

É isso!

Ateus sabem mais de religião que os próprios religiosos

Uma recente notícia fez acender ainda mais os brios anti-religiosos da nova vertente neo-ateísta.

Segundo uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pelo
Pew Forum sobre Religião e Vida Pública, os ateus sabem mais sobre religião do que os próprios religiosos.

A pesquisa feita com 3.400 pessoas (ateus, agnósticos, judeus, cristõas, protestantes, católicos, mórmons etc.) pautou-se em 32 questões de múltipla escolha acerca da Bíblia, doutrinas e personagens religiosas. Do resultado final,
alguns dados mereceram destaques. Por exemplo:

- 53% dos protestantes não conseguiram identificar Martinho Lutero como o homem que começou a reforma de sua religião;
- 45% dos católicos não sabem que a Igreja ensina que o pão e o vinho consagrados na comunhão não são apenas símbolos, mas realmente o corpo e o sangue de Cristo;
- 43% dos judeus não sabiam que Maimônides, um dos maiores filósofos do judaísmo e autoridade rabínica, era judeu;
- 51% dos entrevistados sabiam que Joseph Smith era mórmom;
- 82% das pessoas questionadas sabiam que Madre Teresa era católica.

Sinceramente essa pesquisa não me causou a menor surpresa, afinal já é mais que notória a obsessão desses novos ateus por questões envolvendo a religião. Daí não ser nenhuma novidade eles saberem mais sobre religião do que os próprios religiosos. Há ateus especializados, por exemplo, em encontrar contradições na Bíblia. Alguns são capazes de perder horas debruçados sobre o livro dos cristãos, a fim de proclamarem aos quatro ventos que Deus não existe etc. e tal. São tão religiosos quantos aqueles religiosos que lêem Darwin para provar que a evolução é cousa do diabo. Entenda-se esses ateus!

É isso!

Eu li isso...

"A ingratidão de Darwin"


"Provavelmente, apenas os psicólogos poderiam explicar por que Charles Darwin, nascido em 1809, mostrou-se tão relutante em reconhecer as idéias de seu próprio avô. Em sua Autobiografia, Charles excede-se em elogios a George Lyell, cuja obra Principies of Geology teve grande influência sobre suas idéias e era levada por ele nas viagens com o Beagle. Entre outras coisas, ele diz: “A ciência da geologia deve muito a Lyell — mais ainda, acredito, que a qualquer outro homem que já tenha vivido.” Quanto a seu avô, entretanto, sabemos que, enquanto cursava a Universidade de Edimburgo, Charles estudou atentamente a Zoonomia. Ainda assim, a única coisa que ele tem a dizer sobre esta na Autobiografia vem de uma conversa com Robert Grant, conferencista em Edimburgo que tentou converter Charles às visões de Lamarck e Erasmus. “Escutei em silenciosa perplexidade e, tanto quanto possa julgar, sem qualquer efeito sobre meu intelecto. Eu já havia lido a Zoonomia, de meu avô, na qual são apresentadas visões semelhantes, mas sem produzirem qualquer efeito sobre mim. Ainda assim, é provável que, por ouvir tão cedo na vida tais opiniões mantidas e aclamadas, eu as tenha apresentado com forma diferente em meu texto de A Origem das Espécies. Na época, admirei imensamente Zoonomia; contudo, ao ler a obra uma segunda vez após um intervalo de dez ou quinze anos, senti-me bastante desapontado; a proporção de especulação era grande demais em relação aos fatos apresentados.”

Tudo isso parece um pouco freudiano. Em sua defesa, Charles e seus partidários sempre fizeram grandes esforços para apontar que Erasmus era um teórico fantasioso e Charles, um observador meticuloso. “Vejo a tendência para generalizar como um mal absoluto”, Charles escreveu, certa vez, a seu amigo íntimo, o botânico Joseph D. Hooker. Na verdade, talvez a principal razão para A Origem das Espécies ocupar sua posição merecida entre os melhores e mais influentes livros é que abunda de fatos e observações. Ainda assim, a obra também está repleta de centenas de nomes. Nenhum deles é o de Erasmus. Os críticos não esperaram que Freud interpretasse isso como um deslize significativo. Bishop Wilberforce e outros rebateram imediatamente. Darwin tentou consertar seu erro, escrevendo um “Esboço Histórico” em 1861, mas mencionou Erasmus apenas em uma nota de rodapé, e, mesmo assim, apenas para desmerecê-lo: “É curioso o grau em que meu avô, Dr. Erasmus Darwin, antecipou a base incorreta das opiniões e visões de Lamarck.”

Posteriorniente, aos setenta anos, Charles mudou de idéia e decidiu escrever uma biografia de seu avô. Consciência pesada? Provavelmente. O tiro, porém, saiu pela culatra. Charles escreveu um livro curto, permitindo que fosse publicado como um prefácio de cento e vinte e sete páginas para um ensaio de oitenta e seis páginas sobre Erasmus escrito pelo Dr. Ernst Krause, da Alemanha. E isso detonou uma explosão.

Samuel Butier, que logo se tornaria autor de Erewhon, era um velho amigo de Darwin, que caiu sob o encantamento de A Origem das Espécies tão logo o livro chegou à Nova Zelândia. Depois, Butier descobriu Erasmus, Lamarck e Buffon, dando preferência a este último. Daí por diante, Butler iniciou um ataque incessante a Charles, afirmando que este surrupiara as idéias de seu avô e afirmando, também, que, como resultado desse furto, Charles excluíra trinta e seis referências a “minha teoria” (isto é, à teoria de Charles) de edições subseqüentes da Origem. Parece que foi isso mesmo. Um dos livros de Butier, Evoiution Oid and New, foi publicado em 1879, entre a publicação do ensaio original em alemão de Krause no periódico Kosmos e o lançamento da edição em inglês” (p. 272, 273).

É isso!


Fonte:
"Tudo é Relativo: e Outras Fábulas da Ciência e Tecnologia". Tradução: Dayse Batista. Editora Difel. Rio de janeiro, 2005.

"A corrida dos fósseis"

Segundo o jornal Folha de São Paulo, a casa de leilões Sotheby's negociou ontem, em Paris, 11 lotes de fósseis brasileiros que, de acordo com o órgão do governo federal que autoriza as extrações, saíram de forma ilegal do país. Além de insetos, peixes e plantas, o conjunto tinha um valioso crânio completo do pterossauro Ludodactylus sibbicki, o único conhecido com cristas e dentes. O valor estimado do crânio do pterossauro, segundo o jornal, está entre 50 mil e 70 euros, algo em torno de R$ 115 mil e R$ 161 mil.

Lendo tal notícia, imediatamente me veio à mente a famosa fraude do dinossauro-pássaro (o
Archaeoraptor), que se tornou pública em 2001. Um fóssil retirado ilegalmente da China foi vendido por US$ 80 mil ao artista plástico americano Stephen Czerkas, que conseguiu a “proeza” de fazê-lo capa da até então prestigiada revista "National Geographic", em novembro de 99: “O caso era sensacional: um fóssil de dinossauro descoberto na China apresentava uma "combinação dramática" de características de pássaro e de dromeossauro, um dino carnívoro. Era, definitivamente, o elo perdido entre aves e répteis. Em outubro do ano passado, no entanto, a revista foi forçada a admitir que havia comprado gato por lebre. Descobriu-se que a tal "combinação dramática" não fora moldada pela evolução, e sim por contrabandistas de fósseis chineses. Para elevar o valor de mercado da peça, eles juntaram metade do corpo de um pássaro fóssil com a cauda e as patas traseiras de um dromeossauro.”

A “corrida dos fósseis” (parafraseando a famosa “corrida do ouro”) há muito se transformou num verdadeiro negócio da China. Recentemente descobriu-se que d
as 41 espécies de vertebrados terrestres extintos já descobertas no Araripe, 21 têm seus exemplares de referência armazenados em museus do exterior, consequencia do comércio ilegal de fósseis. Em maio deste ano, uma empresa goiana extraiu e comercializou, segundo o Ministério Público Federal, centenas de toneladas de fósseis de uma unidade de conservação que é considerada por paleontólogos uma das mais importantes do mundo.

Muitos outros casos podem ser citados. Por exemplo, em 2007,
a alfândega francesa apreendeu no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, um carregamento de oito fósseis de mesossauro - um réptil marinho de 250 milhões de anos - extraídos ilegalmente do Brasil. As peças estavam em um carregamento de bíblias e foram avaliadas em 100 mil euros (cerca de R$ 295 mil). Em 2004, cerca de dois mil fósseis de plantas e animais foram apreendidos pela Polícia Federal dentro do Museu de Paleontologia "Força da Terra", em São Paulo. De acordo com a Polícia, dentre os fósseis apreendidos, alguns custavam em torno R$ 100 mil no mercado. Um fóssil de pterossauro do Araripe, no Japão, pode custa até US$ 80 mil.

Até pessoas que não são do “ramo” também se aventuram nesta “prodigiosa corrida” . Este foi o caso de um advogado paranaense que, em 2003 passou a vender pela Internet ovos fossilizados de hadrossauro. Ele conseguiu vender para um chinês quatro ovos, com preços entre R$ 990 e R$ 1.100.

Por tudo isso e muito mais, conclui-se que a corrida dos fósseis, além de um negócio da China, é também, como diria um saudoso darwinista, “o segredo do negócio da paleontologia”. Um mercado, sem dúvida, muito “promissor”!

É isso!

Ateus e a Teoria do Desenho Inteligente

Uma das críticas mais comuns e enjoativas para com aqueles que defendem a Teoria do Desenho Inteligente, diz respeito às supostas aspirações religiosas de que estes estariam imbuídos. – É o criacionismo com uma nova roupagem, dizem ao estilo "papagaios de viúvas". Todavia, como um ideal supostamente religioso pode ser simpatizado por pessoas as quais em tese não tem lá muito apreço por crenças e dogmas, como é o caso de ateus, agnósticos e humanistas seculares?

Bradley Monton
(ateu):
"The doctrine of intelligent design is often the subject of acrimonious debate. Seeking God in Science cuts through the rhetoric that distorts the debates between religious and secular camps. Bradley Monton, a philosopher of science and an atheist, carefully considers the arguments for intelligent design and argues that intelligent design deserves serious consideration as a scientific theory."

Thomas Nagel (ateu):
"Using his informed judgment, he rejects the claim that the scientific data "decisively" disproves intelligent design. He, an atheist, says that as a matter of science, intelligent design could possibly be correct. And he says it would be constitutional to say as much in a public school science class."

William Brookfield
(ateu)
I am an ID evolutionist not a Darwinian evolutionist.


Steve Fuller (humanista secular):
"Fuller shares how his interest in intelligent design grew out of his research as a historian and philosopher of science into the "demarcation problem" -- what is the difference between science and non-science? Open about his personal background as a secular humanist, Fuller's defense of intelligent design as science is robust and thought-provoking. Listen in as he explains why the progress of science is dependent on people who are willing and able to think outside the box of naturalism."

David Berlinski (agnóstico):
"David Berlinski is a senior fellow in the Discovery Institute’s Center for Science and Culture. He is the author of numerous books, including The Devil’s Delusion: Atheism and It Scientific Pretensions (Crown Forum, 2008; Basic Books, 2009), Infinite Ascent: A Short History of Mathematics for the Modern Library series at Random House (2004), The Secrets of the Vaulted Sky (Harcourt, 2003), The Advent of the Algorithm (Harcourt Brace, 2000), Newton’s Gift (Free Press, 2000), and A Tour of the Calculus (Pantheon, 1996). William F. Buckley Jr. said of The Devil’s Delusion that “Berlinski’s book is everything desirable; it is idiomatic, profound, brilliantly polemical, amusing, and of course vastly learned.”

O Tedeísmo, embora tenha lá implicações teológicas e filosóficas (o darwinismo também o tem), é agnóstico em sua concepção acerca quem tenha sido o planejador, pois como escreveu Michael Behe: “P
ara se deduzir que houve um plano não é preciso ter um candidato para o papel de planejador. Podemos chegar à conclusão de que um sistema foi planejado pelo simples exame dele mesmo, e podemos ter muito mais certeza sobre o planejamento em si do que sobre o planejador.” Em outras palavras: não há necessidade de se provar que Santos Dumont existiu para concluir que o avião existe e que funciona muito bem!

É isso!

Bipedismo: um típico exemplo de especulação darwinista - II

Ainda sobre as especulações relacionadas ao bipedismo, em seu livro “Os Herdeiros de Darwin”, Marcel Blanc faz alguns interessantes comentários sobre o cenário criado por Lovejoy (um dos muitos), baseado no sucesso reprodutivo, via monogamia e família nuclear. Escreveu ele:

“O cenário proposto por Owen Lovejoy parte da constatação de que as espécies de grandes macacos eram muitas e difundidas em toda parte, tanto na Europa como na Ásia, durante o Mioceno entre -25 milhões e -5 milhões de anos (portanto, a partir do nascimento da linhagem hominídea)...

De acordo com ele, a chave encontra-se nas estratégias reprodutivas dessas diferentes espécies. Os pequenos macacos geram em média de duas a três vezes mais filhotes que os grandes macacos durante sua vida adulta. Logo, não é de surpreender, diz Lovejoy, que as populações dos primeiros tenham suplantado as dos últimos. Como a linhagem hominídea não teve essa triste sorte, logo, era preciso que tivesse alguma vantagem em sua estratégia reprodutiva em relação aos grandes macacos.

Como a espécie humana pôde ser mais reprodutiva em descendentes que os grandes macacos, uma vez que a duração de sua vida reprodutiva é quase a mesma (de 20 a 25 anos), que trazem ao mundo apenas um descendente de cada vez e a duração dos cuidados paternos é mais prolongada no homem que no chimpanzé? É porque, responde Lovejoy, a distância entre nascimentos é menor no Homo sapiens: é apenas de 2,5 ao invés de 3 anos, no chimpanzé. Portanto, ao todo, para uma duração de vida reprodutiva igual, a espécie humana é capaz de produzir mais descendentes. Mas como o homem ou, antes, seus ancestrais chegaram a este resultado? É aqui que intervém o surgimento do bipedismo. Lovejoy acredita, como Darwin, que ele permite efetivamente liberar as mãos da tarefa da locomoção. Mas não para fazer armas ou ferramentas, uma vez que estas só apareceram muito depois, como comprovam os arquivos fósseis (lembreinos que a data de nascimento da linhagem hominídea é de -7 a -5 milhões de anos e que as primeiras pedras talhadas surgiram somente há -2,5 milhões de anos). Segundo Lovejoy, a vantagem do bipedismo consistiu em permitir aos machos levar m suas mãos o alimento para prover suas fêmeas e seus filhos...

O cenário de Lovejoy apresenta alguns aspectos verossimilhantes (iremos retomá-lo) e outros extremamente forçados (como a história da interrupção do aleitamento em prol do mingau de cereais pré-mastigados pelos pais!). Nisso lembra as histórias que contam os sociobiólogos. Aliás, ele tem em comum com a sociobiologia a insistência no valor adaptativo de um comportamento, o de aprovisionamento das fêmeas e de seus filhotes pelos machos, correlacionado à monogamia. Na realidade, isso quer dizer que este comportamento, assim como o modelo da família nuclear, foi fixado no patrimônio genético dos primeiros hominídeos. Lovejoy o diz expressa- mente na conclusão de seu artigo publicado na Science de 1981: seu cenário sobre a origem do bipedismo “dá conta da família nuclear humana”, ou seja, tal como é hoje. Em outros termos, supõe realmente que a monogamia e a família nuclear estão inscritas no patrimônio genético humano. Como no caso da sociobiologia, uma explicação ultradarwinista da origem do bipedismo faz com que concebamos, portanto, uma natureza humana determinada geneticamente.

Diversas críticas foram feitas contra o cenário proposto por Lovejoy e publicadas na forma de cartas à revista americana Science. Em primeiro lugar, parece que seus números sobre a distância dos nascimentos no homem e o chimpanzé eram um tanto discutíveis: provavelmente aquela distância nos caçadores-coletadores existentes ainda hoje (dando prosseguimento aos modos de produção mais antigos da humanidade) seria, antes, de quatro anos (portanto, superior à dos chimpanzés). Em segundo lugar, não parece necessário que se estabeleça um elo entre o bipedismo, um comportamento de aprovisionamento pelos machos e a monogamia...” (p. 234-244).

É isso!

Fonte:
Marcel Blanc: "Os Herdeiros de Darwin". Tradução: Mariclara Barros. Scritta Editora. São Paulo, 1994.

Bipedismo: um típico exemplo de especulação darwinista

Em seu livro “A Origem da Espécie Humana”, publicado no Brasil pela Editora Rocco, Richard Leakey nos oferece um exemplo que tipifica muito bem o modus operandi dos especualadores darwinistas. Trata-se do bipedismo, um tema fértil no imaginário evolucionista, que tem como peno de fundo o velho e famigerado adaptacionismo:

Segundo Leakey, “os antropólogos tendem a ver a importância do bipedismo na evolução humana de duas maneiras: uma escola enfatiza a liberação dos membros dianteiros que possibilita o transporte de coisas; a outra enfatiza o fato de que o bipedismo é um modo de locomoção mais eficiente do ponto de vista energético, e vê a habilidade de transportar coisas simplesmente como um derivado fortuito da postura ereta.

A primeira destas duas hipóteses foi proposta por Owen Lovejoy e publicada em um artigo importante na Science em 1981. O bipedismo, argumentou ele, é uma maneira ineficiente de locomoção, portanto ele deve ter evoluído para permitir o transporte de coisas. De que modo a habilidade de transportar coisas poderia ter dado aos macacos bípedes uma vantagem competitiva sobre os outros macacos?

Em última Instância, o sucesso evolutivo depende da produção de uma prole que sobreviva, e a resposta, sugeriu Lovejoy, está na oportunidade que esta nova habifidade confere aos macacos machos de aumentar a taxa reprodutiva das fêmeas, ao coletar alimentos para ela. Os macacos, observou ele, reproduzem-se lentamente, tendo um rebento a cada quatro anos. Se as fêmeas humanas tivessem acesso a mais energia — isto é, comida —, elas poderiam produzir de maneira mais bem-sucedida uma prole maior. Se um macho ajudasse a providenciar mais energia para uma fêmea coletando alimentos para ela e sua prole, ela seria capaz de aumentar sua produção reprodutiva...

A segunda teoria importante do bipedismo é muito mais convincente, em parte por sua simplicidade. Proposta pelos antropólogos Peter Rodman e Henry McHenry, da Universidade da Califórtua, em Davis, a hipótese afirma que o bipedismo foi vantajoso em condições ambientais em mutação porque oferecia um meio mais eficiente de locomoção. À medida que as florestas encolhiam, os recursos alimentares dos hábitats florestais, tais como árvores frutíferas, teriam se tornado muito dispersos para serem explorados de forma eficiente pelos macacos convencionais. De acordo com esta hipótese, os primeiros macacos bípedes eram humanos apenas quanto ao seu modo de locomoção. Suas mãos, mandíbulas e dentes teriam permanecido similares aos dos macacos, porque sua dieta não mudara, apenas sua maneira de obtê-la.

Para muitos biólogos, esta proposta inicialmente parecia improvável: pesquisadores da Universidade de Harvard haviam mostrado alguns anos antes que caminhar sobre duas pernas é menos eficiente do que caminhar sobre quatro. (Isto não deveria ser uma surpresa para qualquer um que tenha um gato ou um cachorro; ambos correm, embaraçosamente, muito mais rápido do que seus donos.) Os pesquisadores de Harvard tinham, entretanto, comparado a eficiência energética do bipedismo nos humanos com o quadrupedismo nos cavalos e cachorros. Rodman e McHenry chamaram a atenção para o fato de que a comparação apropriada deveria ser entre humanos e chimpanzés. Quando estas comparações são feitas, conclui-se que o bipedismo nos humanos é mais eficiente do que o quadrupedismo nos chimpanzés. Um argumen— to de eficiência energética como uma força da seleção natural em favor do bipedismo, conclufram eles, é portanto plausível.

Tem havido muitas outras sugestões sobre os fatores que conduziram a evolução do bipedismo, tais como a necessidade de olhar por cima da grama alta para controlar os predadores e a necessidade de adotar uma postura mais eficiente para refrescar- se durante a procura por alimentos durante o dia” (p. 29, 31).

É isso!

Fonte:
Richard Leakey: "A Origem da Espécie Humana". Tradução: Alexandre Tort. Editora Rocco. Rio de Janeiro, 1997.

Centre for Intelligent Design UK

Já está em funcionamento o novo espaço para divulgação da Teoria do Desenho Inteligente, agora na terra de Darwin, a Inglaterra. Trata-se do Centre for Intelligent Design UK, uma organização com sede em Glasgow, composta por profissionais e estudiosos de diferentes áreas do conhecimento humano. A entidade tem, entre outros, os seguintes objetivos: 1. Promover a pesquisa profissional e o debate público da TDI no Reino Unido; 2. Desafiar, com base nas evidências científicas, as propostas do neodarwinismo, de que a origem e o desenvolvimento da vida ocorreram por meio de processos cegos e aleatórios.

É isso!