"Os feias que me perdoem, mas beleza é fundamental"

Esta famosa frase de Vinícius de Moraes, embora politicamente incorreta, é excelente para explicar a evolução do homem sob a lógica do gradualismo ortodoxo darwinista. E para isso sirvo-me das diversas gravuras, as quais abundantemente povoam o fértil imaginário dos devotos de Darwin.

Se atenteramos bem a árvore genealógica humana, como aquela divulgada na Wikipédia, notamos que a evolução seguiu-se num movimento ou marcha para adiante, sempre progressivamente. O homem, saindo de uma forma menos organizada, avança rumo ao ápice de sua evolução, muito bem refletido no branco europeu, preferencialmente os ingleses com o cérebro superior a 1.500 gramas.

Nos primórdios da Teoria da Evolução, o conceito de “mais evoluído” estave sempre associado à idéia de progresso e civilização. Darwin ao ver pela primeira vez os fueguinos, considerados por eles como selvagens e incivilizados, escreveu: “Jamais esquecerei o espanto que tive quando pela primeira vez vi uma reunião de fueguinos numa praia selvagem e impérvia, diante da ideia que logo me veio à mente — assim eram os nossos antepassados. Esses homens estavam completamente pelados e tinham o corpo pintado, com os longos cabelos emaranhados, as bocas espumavam de excitação e tinham uma expressão selvagem, apavorada e cheia de suspeita. Malmente tinham alguma arte e viviam como animais selvagens daquilo que conseguiam capturar e eram impiedosos com o que não fosse da sua tribo. Quem tiver visto um selvagem em sua terra nativa não sentirá muita vergonha se for constrangido a reconhecer que em suas veias corre o sangue das mais humildes criaturas” (“A Orogem do Homem e a Seleção Sexual”, Hemus Editora, 1974, p. 711).

Outro aspecto interessante sobre esta questão, refere-se a evolução em termos de estética. A beleza vai progredindo segundo o aumento da inteligência e o desenvolvimento do cérebro (na época de Darwin, por exemplo, era muito comum ligar-se o tamanho do cérebro ao nível de inteligência da pessoa. Paul Broca e Francis Galton sabiam que alguém era civilizado baseando-se no peso e na dimensão de sua cachola).

De Lucy até Emma, a beleza passou por pequenos e variados estágios. Quanto mais antiga é a espécie de hominídeo, mais esteticamente feia ela vai se representar nas gravuras. À medida que se aproxima a civilização, as feições vão ganhando cotornos mais harmoniosos, ao mesmo tempo em que se distianciam de suas primitivas características semiescas. Até que o homem, por fim, consegue chegar ao topo da civilização, ao cimo da evolução: Inglaterra e Charles Darwin!

É isso!

Michael Ruse e o "canto da sereia de Darwin"

Numa entrevista realizada pelo site espanhol “Desde ele Exilio”, perguntou-se a Michael Ruse sobre como evoluiu a teoria evolucionista. E sua resposta:

Obviamente o advento de Darwin em 1859 foi importante, porque estabeleceu a evolução como um fato. O trabalho de Mendel, redescoberto em 1900 foi crucial, assim como a fusão da genética mendeliana e a seleção natural na década de 1930 na criação do neodarwinismo. Desde então tem havido importantes mudanças, especialmente com a chegada da biologia molecular e o ápice do desenvolvimento da biologia evolutiva (evo devo).”

Vejam só que interessante!
Os darwinistas falam da genética mendeliana, uma teoria experimentalmente estabelecida, como se fosse uma consequencia óbvia das idéias de Darwin. Ora, é fato que nenhum dos mecanismos evolutivos teve a menor importância nas experiências realizadas por Mendel. A genética de Darwin baseava-se numa tal Pangênese, que hoje lhe renderia um belo “Darwin awards”, pela sua esquisitice.

Os louros que deveriam ir para a “cabeça” do monge Gregor Mendel, foram darwinianamente colocados na “fronte” de Charles Darwin. No darwinismo não são apenas os "mais aptos" que sobrevivem, mas também os "mais espertos".

É isso!

Ayala e o darwinismo universal

Que tem a dizer sobre a memética? Acha que se pode falar de um Darwinismo universal, como faz Dennett?
Francisco J.Ayala
"A 'memética' pode ser definida como evolução cultural, o que é inegável. As idéias, as instituições sociais, a ciência e a indústria, tudo muda através do tempo; ou seja, evolui e neste aspecto se pode falar que o Darwinismo é universal" (Desde el Exilio).

A lógica de Ayala é simplesmente estupenda: no mundo tudo se modifica, e, como o darwinismo se pauta na mudança (ou evolução), então neste caso, o darwinismo é um fenômeno universal. Que maravilha! ((rs))

É isso!

"É praticamente impossível detectar uma fraude científica..."


Por mero acaso deparei-me, hoje, com uma página do jornal El País, onde há uma entrevista com Óscar Marín, pesquisador do Instituto de Neurociencias (centro mixto de la Universidad Miguel Hernández de Elche), que havia sido eleito para compor o comitê editorial da revista Science (Borrad of Reviewing Editors).

Tradizir ligeiramente algumas partes, como seguem. Lá pelas tantas, o que para mim não foi nenhuma novidade, declarou Morín: "Hoy es prácticamente imposible detectar un fraude científico".

Pergunta:
Nos últimos tempos algumas fraudes tem superado os limites da qualidade nas revistas mais prestigiosas, e ainda está quente a polêmica acerca do chamado Climagate, a suposta alteração de dados relacionados com a mudança climática. Tornou-se danosa a credibilidade do sistema científico?

Resposta:
O mais importante nesta discussão, que é difícil de transferir para a opinião pública, mas que está muito presente na cultura científica, é que nada em ciência é suficientemente bom até que duas ou três pessoas tenham conseguido reproduzi-lo. O problema é que isso oferece à descoberta uma dimensão de tempo muito maior do que gostaríamos. Da famosa expressão eureka! à realidade, às vezes passam anos. Quando lemos um artigo, seja lá onde for, sabemos que existe uma porcentagem de verdade e uma porcentagem em que os autores se tem confundido, mesmo que nas interpretações, pois os resultados deveriam ser bastante objetivos.

Pergunta:
É um sistema confiável?

Resposta:
A partir desta perspectiva, eu acho que o sistema científico funciona bem, pois o tempo te põe em teu lugar e te leva a discernir quais cousas são corretas e quais não são. A ciência avança desta forma, através da correção de seus próprios erros, de maneira mais ou menos contínua. A parte editorial acho que funciona da melhor maneira que poderia funcionar. Hoje em dia, com as ferramentas de informática de que temos acesso, é praticamente impossível detectar uma fraude em uma publicação científica, é muito, muito complicado.

É isso!

Teoria Sintética: contradição, redundância e ambiguidade

Tradução livre de: "Teoría sintética: contradicción, redundancia y más ambigüedad”, de Emilio Cervantes.

O palavra “teoria” possui duas acepções distintas. Em sentido abrangente, siginfica “conjunto de conhecimentos”. Em sentido restrito refere-se a uma proposição explicativa para um fenômeno natural, cuja comprovação se dará por meio de experimentos.

No que diz respeito ao estudo da evolução, ao falar-se de “Teoria Sintética” deve-se levar em conta pelos menos um dos seguintes problemas:
1. REDUNDÂNCIA: quando nos referimos a uma teoria em sentido genérico, uma vez que todas as teorias, neste aspecto, são sintéticas.
2. CONTRADIÇÃO OU OXIMÓRON: se nos referimos a teoria em seu sentido estrito, ela não pode ser sintética, já que remete ao aspecto exato e preciso da realidade, para a qual supostamente se há de fornecer uma explicação que se provará experimentalmente.
Portanto, Teoria Sintética, Evolutionary Synthesis, Extended (o “expanded”) Evolutionary Synthesis, Modern Synthesis, etc… são termos redundantes ou contraditórios.
Também pode acontecer que se queiram mesclar ambas as acepções, criando-se um outro tipo de teoria (genérica e estrita), a fim de fazê-la passar por uma teoria científica (em sentido estrito), mantendo-se assim uma ambiguidade que, desde Darwin, sempre guiou o estudo da evolução, e que consiste numa explicação (a Seleção Natural) que não explica nada, que não pode ser submetida a experimentação e que, muito mais do que explicação, faz-se passar por fatos, processos, teoria ou qualquer outra cousa que lhe seja conveniente.

É isso!

Eu li isso...

"Não consigo compreender como é possível que biólogos experimentados descarrilem por completo, do ponto de vista racional, quando se trata da evolução... Como podem eles pretender, como faz Dawkins, que descobriram a última teoria, que explica absolutamente tudo? Que físico ousaria dizer coisas semelhantes? Como é possível que os darwinistas se não apercebam do pântano dialéctico em que se encontram mergulhados, e da famosa tautologia que se adapta a eles como a túnica de Nessos? Uma vez mais, isso recorda-me a psicologia experimental e as teorias do reforço, pois é possível encontrar entre os partidários de Skinner um ardor semelhante, um semelhante desconhecimento das objecções, e sobretudo o mesmo gênero de tautologia, que gostaria de se fazer passar pela última palavra da ciência...

Enfim, e insisto neste aspecto, apercebi-me de que os anti-darwinistas não se reduzem a uns quantos Franceses, que se agarram a Lamarck com o único objectivo de aborrecer os Ingleses... A oposição, mais ou menos afirmada, está frequentemente presente entre os Anglo-Saxônicos, e nela figuram alguns nomes ilustres... A isto se junta um facto que pode ser observado por qualquer pessoa: a proliferação de livros a favor e contra Darwin mostra que o «processo pró ou antidarwinista do século XXI» está prestes a ser aberto. Finalmente!

O que vai acontecer? É difícil prever, tanto mais que este processo será apenas um divertimento: ele esconde opções metafísicas opostas, e aliás igualmente inconsistentes, o materialismo e o espiritualismo... Trata-se de um debate eterno, mas já vimos que os dois termos perderam grande parte do seu respectivo sentido. É de supor que o darwinismo venha a ressentir-se desse facto e que possamos finalmente falar da evolução sem preconceitos..."

É isso!

Fonte:
Rémy Chauvin. "O Darwinismo ou o Fim de um Mito". Instituto Piaget. Lisboa, 1997, p. 273, 274

Os políticos de Darwin ((rs))

Um pouco de humor, porque hoje é sexta, e ninguém é de ferro!

Bom. Já que estamos em época de eleição no Brasil, vamos conhecer um pouco sobre as propostas de alguns dos principais partidos darwinistas: ((rs))

CANDIDATO DO
PFE – PARTIDO FOSSILISTA DA EVOLUÇÃO
Prometo empreender todos os osforços possíveis e impossíveis até que seja encontrado o elo definitivo da evolução, ainda que para isso seja necessário irmos à lua ou mesmo a Marte. Lutaremos ardorosamente em prol da construção do maior museu de fósseis de todo o mundo, onde os elos serão tão contínuos quanto a lista de presidentes americanos. Também não pouparemos esforços afim de que seja aprovada a Lei Antifundamentalismo, com a qual botaremos atrás das grades todos aqueles que ousarem questionar a nossa maravilhosa Teoria da Evolução!

CANDIDATO
PDX– PARTIDO DARWINISTA XIITA
Chegou o grande momento de darmos um implacável basta nos ignominiosos e incivilizados opositores do nosso grande mestre Charles Darwin. Não podemos mais aturar a pútrida e infecciosa atitude desses seres estúpidos, que – hereticamente – fazem de suas línguas peçonhas malditas contra o maior cientista de toda a história da humanidade. É hora de cortamos o mal pela raiz, eliminando esta seiva ultrajante que há muito exala sua fétida influência em nossa sociedade.

CANDIDATO DO
PMD – PARTIDO DA MOBILIZAÇÃO DARWINISTA
Há mais de 150 anos que a semente da evolução foi plantada e com esmero regada por homens como Thomas Huxley, Ernst Haeckel, Theodosius Dobzhansky, Ernst Mayr e tantos outros batalhadores. Esses homens não mediram esforços para levar o ‘evongelho’ da evolução aos quadrantes da terra. Não podemos permitir que esta semente deixe de frutificar ainda mais abundantemente. Para isso vamos mobilizar alunos, professores e jornalistas, com o intuito de tornar nossa verdade conhecida pelo maior número possível de pessoas, pois só desta maneira conseguiremos silenciar esses infelizes tedeístas que vivem a nos atormentar com uma tal complexidade irredutível e outras heresias de iguais teores.

CANDIDATO DO
PGU – PARTIDO DO GRADUALISMO UNIVERSAL
Não é possível que em pleno século XXI ainda haja alguém que duvide do natura non facit saltum. Sim, a natureza não dá saltos, já dizia o pai da evolução. Entretanto, se a natureza não dá saltos, não se pode dizer o mesmo dos nossos inimigos. Não foi à-toa que há alguns anos foi lançado e traduzido para várias línguas o funesto livro “A Caixa Preta de Darwin”, um verdadeiro manual antigradualista. Imagine, meu povo, que seu autor, um tal de Michael Behe, teve a petulância de afirmar que as máquinas biológicas não seguiram por uma rota gradualista! É por isso, meus amigos, que conto com seus preciosos votos, pois só assim tornaremos cada vez mais rígido o nosso indubitável gradualismo. Natura non facit saltum
!!!

É isso!

O X-Club de Darwin

Quem foram as pessoas que verdadeiramente mais contribuíram na construção do darwinismo e na sua imposição como uma “teoria científica”? Será realmente que se pode atribuir a Darwin o principal mérito em idealizar o conceito de Seleção Natural como uma força onipotente capaz de reger os destinos dos seres vivos? O que leva muita gente a comparar a Teoria da Evolução com a Teoria da Relatividade ou com a Lei da Gravitação Universal? Como explicar que Darwin seja considerado um gênio da ciência e sua obra “A Origem das Espécies” a maior contribuição científica da história da humanidade?
Para R. M.Young e Bernard Shaw, o êxito do darwinismo poderia ser atribuído às funestas idéias de Thomas Malthus e Herbert Spencer, as quais serviram para justificar as condições coloniaias e sociais da época. Todavia, como bem o disse Maximo Sandin, em uma de suas entrevistas, tal constatação apenas corrobora seu êxito social, porém não explica sua ascenção como uma "teoria científica".
É aqui que entram outros nomes, e o principal deles diz respeito a Thomas Huxley, o famoso “Bulldog de Darwin”. Ele, Joseph Dalton Hooker, John Tindall, entre outros, controlaram durante décadas a Royal Society. Huxley foi presidente da Geological Society, da Ethnological Society, da British Association for the Advancement of Science, da Marine Biological Association e da própria Royal Society.
Este grupo, também chamado “X-Club”, deliberavam sobre tudo, de pescarias a enfermidades, e tinha por objetivo “promover o darwinismo e o liberalismo científico”. A revista Nature também surgiu por obra de Huxley e Hooker, o que explica a postura ideológica deste periódico nos dias de hoje. Tudo isso combinado dá sentido às razões pelas quais o zoólogo evolucionista St. George Mivart, um crítico contundente da Seleção Natural, ter sido silenciado.
Foi com a dedicada colaboração do “X-Club” que Darwin tornou-se membro da mais importante das sociedades científicas. E já com seu nome ideologicamente eregido, foi ele sepultado com todas as pompas na Abadia de Westmister, onde apenas cinco pessoas pertencentes a nobreza foram enterradas.
Tais fatos levam-nos a concluir que o darwinismo não foi assim obra direta de Darwin. Em vez disso, originou-se de um conjunto de objetivos idealizados e postos em prática pelas classes dominantes, a elite inglesa, que, ostentada de grande poder e influência social, fez de Darwin seu grande motivo e pretexto. Não fora isso, seria difícil compreender como uma ideologia assim tão esacancarada se fez passar por legítima ciência, e dessa forma permanecer até os dias de hoje.
É isso!

Genes ao gosto de freguês

A ideologia do DNA na imprensa

1. GENE DO OTIMISMO
"Uma pesquisa da Universidade de Essex, na Grã-Bretanha, sugeriu que ver o mundo com otimismo ou pessimismo pode depender da versão que uma pessoa possui de um gene envolvido no transporte de um hormônio, a serotonina, que influencia o humor" (BBC).

2. GENE DA POPULARIDADE
"A popularidade de uma pessoa e sua habilidade de formar grupos sociais é, em parte, influenciada pela herança genética, sugere pesquisa das universidades de Harvard e da Califórnia, nos Estados Unidos" (BBC).

3. GENE DO TRANSEXUALISMO
"Pesquisadores australianos dizem ter identificado uma importante conexão entre um gene que interfere na ação do hormônio testosterona e o transexualismo masculino" (BBC).

4. GENE DA ANSIEDADE
“Segundo os pesquisadores, características genéticas poderiam ajudar a explicar por que experiências traumáticas dão apenas lembranças ruins a algumas pessoas, enquanto outras desenvolvem condições como o transtorno de estresse pós-traumático" (BBC).

5. O GENE POLÍTICO
“A decisão de votar é, em parte, genética, sugere um estudo realizado nos Estados Unidos e publicado na edição de julho da revista científica American Political Science Review" (BBC).

6. GENE DA FELICIDADE
“Uma pesquisa da Universidade de Edimburgo, na Escócia, indica que o nível de felicidade de uma pessoa durante sua vida pode ser, em parte, controlado pelos genes” (BBC).

7. GENE ANTI-SOCIAL
“A razão do comportamento anti-social de algumas crianças pode estar ligada à genética, segundo uma pesquisa do King's College, na Inglaterra, divulgada na publicação britânica Jornal de Psicologia e Psiquiatria” (BBC).

8. GENE DO MAU HUMOR
“Pesquisadores americanos afirmaram ter localizado um gene que controla os níveis de uma substância química cerebral que influi no humor, sobretudo das mulheres. O estudo foi publicado pela revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences e indica que pessoas que têm uma variante desse gene estão mais propensas a reagir mal a experiências ruins. As fêmeas dos macacos pesquisados portadoras dessa variante do gene apresentaram mais sinais de variação no humor e maiores níveis de um hormônio relacionado ao estresse do que os machos” (BBC).

9. GENE DA TRAIÇÃO FEMININA
“Um estudo realizado na Grã-Bretanha afirma que algumas pessoas seriam geneticamente programadas para a infidelidade” (BBC).

É isso!

Eu li isso...

"Como decorrência da visão de um único caminho evolutivo humano, os povos "não-ocidentais", "selvagens" ou "tradicio­nais" existentes no mundo contemporâneo eram vistos como uma espécie de "museu vivo" da história humana — represen­tantes de etapas anteriores da trajetória universal do homem rumo à condição dos povos mais "avançados"; como exemplos vivos daquilo "que já fomos um dia". Para Prazer, "o selvagem é um documento humano, um registro dos esforços do homem para se elevar acima do nível da besta". Nas palavras de Morgan:

... as institui
ções domésticas dos bárbaros, e mesmo dos ances­trais selvagens da humanidade, ainda estão exemplificadas em partes da família humana, e com tamanha completude que, exceto pelo período estritamente primitivo, os diversos estágios desse progresso estão razoavelmente preservados.

Na medida em que a arqueologia era ent
ão pouco desenvol­vida e não havia registros históricos disponíveis para a reconstituição dos estágios supostamente mais "primitivos" — a maior parte da trajetória humana — o estudo dessas sociedades assu­mia enorme importância, pois assim se poderia reconstituir o caminho evolutivo da humanidade, através de suas diferentes etapas. Passava-se a dispor de uma espécie de "máquina do tem­po" que permitia, observando o mundo dos "selvagens" de hoje, ter uma ideia de como se vivia em épocas passadas. Assim, as in­formações sobre a sociedade antiga e sobre a mente do homem primitivo, até então dependentes dos relatos da antiguidade greco-romana — Heródoto, Tucídides, Tácito etc. — poderiam ser complementadas por novos relatos. Nas palavras de Prazer,

...
um selvagem est
á para um homem civilizado assim como uma criança está para um adulto; e, exatamente como o crescimento gradual da inteligência de uma criança corresponde ao cresci­mento gradual da inteligência da espécie e, num certo sentido, a recapitula, assim também um estudo da sociedade selvagem em vários estágios de evolução permite-nos seguir, aproximadamen­te - embora, é claro, não exatamente —, o caminho que os an­cestrais das raças mais elevadas devem ter trilhado em seu pro­gresso ascendente, através da barbárie até a civilização. Em su­ma, a selvageria é a condição primitiva da humanidade, e, se qui­sermos entender o que era o homem primitivo, temos que saber o que é o homem selvagem hoje."

É isso!

Fonte
:
"Evolucionismo Cultural: textos de Morgan, Tylor e Frazer". Organização: Celso Castro. Editora Zahar. Rio de Janeiro, 2009, p. 29, 30.

"O darwincentrismo"

No início deste mês, o site da Universidade de Brasília (UnB) publicou uma matéria intitulada “Professores ensinam teoria da evolução misturada à religião”, na qual se divulgou uma pesquisa com professores do ensino médio na Bahia, realizada por Ana Paula Carneiro, mestre em Ensino de Ciências pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que “se surpreendeu com a quantidade de erros conceituais apresentados”, dentre os quais se incluíam os conceitos religiosos: “Ou seja, os professores acabavam por misturar Charles Darwin com a Bíblia.”

Esta pesquisa me remeteu a uma outra (
2008), só que feita lá na terra de Darwin, a Inglaterra, na qual se constatou que 30% dos docentes ingleses eram favoráveis ao criacionismo: “Mais de um quarto dos professores de ciências das escolas públicas da Grã-Bretanha acredita que o criacionismo deveria ser ensinado com a Teoria da Evolução nas escolas, de acordo com uma pesquisa realizada com profissionais do ensino fundamental e médio do país. Foram ouvidos 923 docentes e outros 65% discordaram da inclusão das explicações religiosas para a origem do Universo no currículo escolar.”

Por que, afinal, Darwin não consegue emplacar como unanimidade entre os professores de Biologia e Ciência?

Certamente deve haver muitas e boas explicações sobre isto, contudo, uma delas, e esta talvez seja determinante, diz respeito ao conteúdo filosófico em que está imbuído a teoria evolucionista. Culpar a força da tradição religiosa não me parece uma objeção realmente válida.

O geocentrismo durante muito tempo foi considerado pela igreja como uma "verdade" inquestionável. Todavia, a partir das descobertas realizadas por Nicolaus Copernicus, de que o Sol (e não a Terra) é que se encontra no centro do Universo, a religião aos poucos foi assimilando as evidências da Ciência e, hoje, penso que nem mesmo as seitas mais radicais colocam em dúvida a teoria heliocêntrica. Os fatos prevaleceram sobre o dogma.

No caso específico do darwinismo, por mais que se diga que a evolução é um fato e que Darwin foi o maior e mais brilhante cientista de toda a história da humanadidade, ainda assim ele não conseguiu incorporar sua “verdade” entre a totalidade dos educadores. Por quê?

Parece que aqui, há por assim dizer, uma inversão de valores. Semelhantemente à igreja da Idade Média, que firmou seus dogmas no geocentrismo, os defensores da Teoria da Evolução, hoje, fizeram do “darwincentrismo” seu próprio dogma, blindando-se contra qualquer objeção que lhe contraria.

Bom. Se isto não explica em nada a questão, ao menos nos leva a ponderar sobre os opostos e os extremos.

É isso!

A ideologia dos genes

Escrevendo acerca dos defensores do determinismo genético, ou seja, dos que postulam que determinados comportamentos humanos sejam meros resultados da ação dos genes, Marcel Blanc sintetiza, em “Os Herdeiros de Darwin”, um pouco da fragilidade desta falácia:
“Eles não têm, na maioria das vezes, nenhuma prova direta de que este ou aquele comportamento examinado é determinado geneticamente. Apenas, postulam-no por uma necessidade da teoria. Por exemplo, se a guerra intertribal permite a um grupo propagar seus genes de modo mais eficaz (após o extermínio do grupo rival), então deve haver genes da guerra da conquista. Mas com este tipo de raciocínio pode-se ir longe. Wilson, por exemplo, supõe que há nos seres humanos genes para a homossexualidade, a crença em Deus, a disposição para se deixar doutrinar ou para se conformar com a opinião da maioria. Pode-se da mesma forma supor que existem genes que predispõem a trabalhar, a fazer política, comércio, filosofia, poesia..., uma vez que os seres humanos fazem tudo isso há muito tempo e que sempre podemos imaginar que todas essas atívidades beneficiam a sobrevivência do grupo social (e a propagação dos genes pre-senlrs nesse grupo).
Na verdade, nenhum estudo demonstrou que existe um determinismo genético de algum traço, mesmo que seja da personalidade humana. Os únicos estudos que poderiam ter um valor de demonstração aos olhos dos geneticistas são os que tratam dos gêmeos univitelinos separados. Estes tem exatamente o mesmo patrimônio genético e, se forem separados suficientemente cedo (como consequência de problemas familiares), pode-se tentar ver se seu desempenho intelectual, se seus traços de personalidade (introversão, humor, etc.) são influenciados prioritariamente por sua família adotiva ou por seu patrimônio genético. Em geral, os estudos sobre gêmeos univitelinos separados têm demonstrado que há uma grande semelhança em seu desempennho e em seus traços de personalidade sugerindo a preponderância da hereditariedade sobre o meio de adocão. O que leva muitos cientistas a dizerem que o determinismo genético da inteligência e dos traços de personalidade é, portanto, muito forte. Porém, o psicólogo americano L. Kamim demonstrou claramente que, na maior parte desses estudos, os gêmeos univitelinos não eram realmente separados (por exemplo, eram hospedados por famílias da vizinhança, logo, viam-se com frequência, etc.). Além disso, como assinalou o geneticista R. Lewontin, nenhum desses estudos é suficientemente rigoroso: não há realmente diversidade nos meios de adocão dos gêmeos univitelinos separados, de maneira que a semelhança de comportamento pode ser atribuída a uma semelhança de seus respectivos ambientes” (Editora Scritta, 1994, p. 202, 203).
Outro que também teceu duras críticas ao determinismo genético, foi Ulisses Capozolli, diretor (na época) da revista Scientific American Brasil, numa entrevista concedida a Claudio Tognolli, em seu livro “A falácia Genética”:
TOGNOLLI: Como o senhor tem lido as notícias que relatam, por exemplo, a descoberta de “genes do homicídio":
CAPOZOLLI: Eu acho que há duas questões aí. A primeira é um esforço, uma tentativa, de localizar as coisas como se você as pontuasse geograficamente, na verdade uma visão reducionista da ciência, você vai num determinado lugar, abre uma arca e as coisas estão todas ali, e você tira, e não expõe aos olhos digamos devassadores da ciência. Não se leva em conta o balanço das coisas, do mundo. O gene é como qualquer coisa do mundo, tem uma história, ele é produto de uma história, ele é moldado numa interação com o ambiente, por exemplo. E nada disso é novo. Esse tipo de coisa não é considerado, isto é, dizer que algo é genético é fazer uma simplificação, você coloca dentro dessas questões e você retira disso todo um processo histórico, como se não tivesse espaço, história, ambiente, memória, não tem nada, é um negócio que está ali. Isso é um pouco parecido com a visão cartesiana do universo, um sistema de mecanismos de relógio, e quando Isaac Newton chega e diz há uma força agindo à distância, eles o chamam de bruxo, porque a coisa não batia com a visão cartesiana. O outro lado dessa questão é uma reação da ciência moderna contra a visão teológica, você tinha uma visão do mundo, na Idade Média, e quando a revolução científica se manifesta no século XVII houve uma nova disposição. Foi muito interessante isso, no sentido de varrer toda a falsa ciência. Então, por exemplo, toda a vez que aparecia um cometa as igrejas tocavam os sinos e os poderosos e os pobres, todos com peso de consciência, iam lá, especialmente os ricos, e faziam as doações e a Igreja aceitava, se bem que o mundo fosse acabar. Então vejamos, quando Newton anuncia o princípio de gravitação, há um ordenamento no cosmos e ao mesmo tempo são varridos todos esses demónios do obscurantismo. Mas toda essa racionalização do mundo faz uma figura muito genérica, muito ampla, e você escamoteia uma série de questões. O problema do vitalismo, por exemplo: você tem duas árvores, uma viva e a outra morta. O que uma árvore viva tem que a morta não tem mais? Tem uma energia vital, e a isso o velho Aristóteles responderia sem dificuldades. Se você fizer a mesma pergunta para alguém hoje, a pessoa vai te responder o seguinte: que o fungo matou, que o pesticida matou, que a praga matou, mas escamoteia a resposta, vai te dizer do que ela morreu, mas não era essa a tua pergunta. Então eu acho que com o gene aconteceu a mesma coisa, a ideia do vitalismo foi varrendo e chegamos na estrutura genética. Então temos agora essa visão puramente mecanicista e reducionista da vida. Existe um certo receio hoje de se olhar para outras possibilidades, e na cabeça dessas pessoas o outro extremo é a ideia de Deus, o do que o Papa ou o Pastor falam. Temos hoje um confinamento num par de pólos opostos. Você não tem uma visão intermediária no meio disso que evoque o profundo mistério do mundo. Então eu acho que essa é uma dificuldade da imprensa mas é também uma dificuldade da academia, especialmente de uma academia com uma tradição e uma herança positivista como a nossa" (Escrituras Editora, 2003, 218, 219).
Igualmente Stephen Jay Gould, que sempre se mostrou um severo crítico da "ideologia do DNA". Por exemplo, em seu livro “Darwin e os Grandes Enigmas da Vida”, escreveu:
“Os partidários do determinismo biológico asseveram que a ciência pode deslindar todo um emaranhado de superstições e sentimentalismos e instruir-nos sobre nossa verdadeira natureza. Suas afirmações, porém, têm tido um efeito diferente: são usadas pêlos líderes de sociedades de classes estratificadas para afirmar que uma ordem social vigente deve prevalecer porque é uma lei da natureza. Naturalmente que nenhuma opinião deve ser rejeitada porque não gostamos de suas implicações. A verdade, como a entendemos, deve ser o critério primeiro. No entanto, as asserções dos deterministas sempre acabaram mostrando-se especulações preconceituosas e não fatos comprovados — a antropologia criminal de Lombroso é o melhor exemplo que conheço” (p. 220).
“Uma vez mais o determinismo biológico faz alarde, cria uma onda de debates e conversas inconsequentes e desaparece por falta de provas. Por que somos tão fascinados por hipóteses que envolvem disposição inata? Por que o desejo de impingir a responsabilidade por nossa violência e sexismo em nossos genes? A marca registrada da humanidade não é só nossa capacidade mental, é também nossa flexibilidade mental. Fizemos o mundo e podemos mudá-lo” (p. 225).
“Quais seriam, então, as razões não-científicas que favoreceram o ressurgimento do determinismo biológico? Variam, suspeito eu, de metas vulgares como o pagamento de polpudos royalties a best sellers a tentativas perniciosas de reintroduzir o racismo como ciência respeitável. Seu denominador comum deve estar em nosso mal-estar atual. É muito satisfatório descarregar a responsabilidade pela guerra e violência em nossos ancestrais, presumivelmente carnívoros. É muito conveniente culpar os pobres e famintos por sua condição — antes que nos vejamos forçados a culpar nosso sistema econômico ou nosso governo pelo fracasso abjeto em garantir uma vida decente para todos. E que argumento conveniente para aqueles que controlam o governo e que, por sinal, fornecem o dinheiro de que precisa a ciência para sua própria existência!” (Editora Martins Fontes, 1999, p. 236).
E, por fim, Nélio Bizzo, que destila "venenosamente" sua ironia sobre os sociobiólogos darwinistas:
"Dentro dessa ótica, o comportamento social humano seria apenas e tão somente o resultado da expressão de genes incrustrudos em nosso material genético, que a seleção natural teria cuidado de apurar com o decorrer das gerações. Seria possível agora entender a disputa entre Aquiles e Agamenon, na llíada, por uma bela escrava, e porque os filhos nascidos dessas conquistas eram tolerados pelas esposas legítimas, sendo homens livres e utilizando o nome do pai biológico.
A “psicologia evolucionista” poderia até mesmo transformar em paradigma biológico, verdadeiro objetivo perseguido pela natureza, a mulher grega da época heróica de Homero, a reprodutora que cuida da casa, dos filhos e das escravas, que o marido transforma em concubinas a seu bel-prazer. Da mesma forma, a prostituição, protegida pelo Estado em Atenas, poderia também ser um imperativo biológico. Os jônios, quem diria, poderiam agora ter seu comportamento sexual e sua organização social explicados pela “nova ciência” e, ainda por cima, verem-se transformados em exemplos modelares da evolução biológica do comportamento moral.
É bem verdade que esta não seria a primeira tentativa. Basta lembrar que há pouco mais de vinte anos manchetes anunciavam uma nova ciência e um livro revolucionário: “Sociobiologia: A nova síntese”. Seu autor, Edward Wilson, de Harvard, pretendia explicar os comportamentos sociais humanos, e a própria organização social, sob a ótica do darwinismo.
Os supostos genes que determinariam a riqueza dos indivíduos, posição social, sucesso empresarial e até mesmo a cultura (!), profetizados na época pela sociobiologia, provaram ser apenas mais um exercício de ficção científica ou de proselitismo ideológico” ("Darwinismo, ciência e ideologia”. In: “Pesspectivas em Epistemologia e História das Ciências”. Universidade Estadual de Feira de Santana, 1997).

É isso!

Quando tudo acaba em Darwin

Ainda está para surgir uma teoria com tamanha abrangência “explicativa” quanto a Teoria da Evolução!

No Prefácio do livro de Charles Darwin, “A expressão das emoções no homem e nos animais”, o cientista Konrad Lorenz, em rastejante encômio ao naturalista, não me deixa mentir quanto a isto. Escreveu ele: “Arrisco-me a afirmar que qualquer forma de estrutura ou comportamento, mesmo as mais provocantemente inacreditáveis, pode ser entendida, pelo menos em princípio, como o resultado da pressão seletiva exercida por sua função de sobrevivência específica. Estamos sempre prontos a perguntar "Para quê?", o que para nós não implica professar uma teleologia mística. Quando perguntamos: "Para que o gato tem unhas curvas e retráteis?", e respondemos: "Para pegar ratos com elas!", estamos simplesmente afirmando, de maneira resumida, que pegar ratos era a função primordial cuja enorme importância para a sobrevivência criou gatos com essa particular formação das unhas, e que ela o fez pelo mesmo processo de seleção por meio do qual um criador humano produz linhagens de galinhas capazes de ter uma enorme produção de ovos, ou pequineses com minúsculos focinhos.” E mais adiante: “Em outras palavras, um homem como Darwin sabe muito mais do que pensa saber, e não surpreende que as consequências de seu conhecimento cheguem tão longe em diferentes direções. Diferentes áreas da pesquisa biológica foram inspiradas por ele, e cada uma delas o considera, com razão, seu originador e pioneiro. O que surpreende é a extensão com que pesquisas adicionais, baseadas em hipóteses de Darwin e estendendo-as em todas as direções ima gináveis, têm invariavelmente confirmado seu acerto em todos os pontos essenciais" (Companhia das Letras, 2009, p. 8, 9).

Ansiedade, depressão, suicídio, egoísmo, paixão, homossexualidade, guerra, altruísmo, celibato, religiosidade, etc. nada há que não tenha sido devidamente explorado pelos devotos de Darwin. A especulação darwinista é de tal monta que não duvido que já exista po aí uma teoria própria para explicar a dor-de-cotovelo. A Teoria da Evolução tornou-se assim numa verdadeira panacéia epistêmica, que explica tudo sem explicar nada.

Divulgou-se esses dias que algo similar a um córtex cerebral existe em um tipo específico de verme. É óbvio que numa pesquisa desse viés o darwinismo não poderia ficar de fora. Segundo um de seus pesquisadores, Detlev Arendt: “Pode-se dizer que a topografia é tão similar que o humano e o verme devem vir de um ancestral comum." Do mesmo modo que no Brasil tudo costuma acabar em pizza, em muitos ramos da ciência já se tornou comum tudo acabar em Darwin.

São tantas as áreas de atuação dos pesquisadores darwinistas (classificação, peleontologia, anatomia comparada, embriologia, homologia, genética, biogeografia, antropologia, psicologia, sociologia etc.) que é praticamente impossível organizar uma confrontação verdadeiramente definitiva sobre os diversos “dados” em questão. Daí não ser ele experimentalmente “refutável”.

E poupe o Popper!

É isso!

Entrevistando Darwin - III

O problema populacional

As “respostas” de Darwin, a seguir, foram todas extraídas do seu livro “A Origem do Homem e a Seleção Sexual”, da tradução para o português de autoria de Attílio Cancian e Eduardo Nunes Fonseca, publicado pela Hemus Editora. São Paulo, 1974.

H.D.:
Mister Darwin, é sabido que a população mundial cresceu de forma assustadora. Calcula-se que no início da Era Cristã, havia cerca de 250 milhões de pessoas em todo o globo; em 1650, esse número aumentou para 500 milhões; em 1850, 1 bilhão; em 1940, 2 bilhões; em 1975, 4 bilhões. Atualmente o número de habitantes na terra já ultrapassa 6 bilhões. O que o senhor tem a dizer sobre esta questão no que concerne à sua sobrevivência?

DARWIN:
“O primeiro e fundamental obstáculo para o contínuo incremento do homem consiste na dificuldade em conseguir meios de subsistência e de vida confortável. Que esta seja a razão, é o que podemos deduzir do que nos é dado ver, por exemplo nos Estados Unidos, onde a sobrevivência é cômoda e fácil e as habitações são em número suficiente. Se tais meios se duplicassem repentinamente na Grã-Bretanha, o nosso número se dobraria rapidamente” (p. 58).

H.D.:
Na sua opinião, que fatores contribuem para contrabalançar o número de pessoas nas nações desenvolvidas e naquelas considerdas subdesenvolvidas?

DARWIN:
“Nas nações civilizadas, este obstáculo basilar age sobretudo pela restrição que se faz ao número dos matrimônios. Muito importante é também o maior número de mortes em idade infantil nas classes pobres; assim como o é também a maior mortalidade em todas as idades, pelas diversas dificuldades e descomodidades, entre os moradores de casas aglomeradas e miseráveis. Os efeitos das graves epidemias e das guerras são subitamente contrabalançados e mais do que balançados nas nações que gozam de condições favoráveis. Também a emigração vem em auxílio como freio temporário, mas nas classes extremamente pobres não está muito difundida” (p. 58).

H.D.:
No que concerne à capacidade de reprodução das populações, o senhor pode apontar um grupo em especial que seja assim mais prolífero ou fecundo?

DARWIN:
“Conforme observou Malthus, existe motivo de se suspeitar que atualmente o poder reprodutivo é menor nas raças sem cultura do que naquelas civilizadas. Nada sabemos de positivo sobre este ponto, visto que não se fez nenhum recenseamento dos selvagens; mas, com a ajuda do testemunho de missionários e de outros que têm residido durante muito tempo no meio destes povos, parece que via de regra as suas famílias são exíguas e só raramente numerosas” (p. 59).

H.D.:
E como exatamente o senhor explica isso?

DARWIN:
“Isto talvez possa ser parcialmente explicado com o fato de que as mulheres aleitam os bebês durante muito tempo; mas é muito provável que os selvagens, que muitas vezes sofrem privações e não têm tantos alimentos nutritivos quanto os povos civilizados, sejam atualmente menos prolíficos. Numa obra anterior fiz ver que todos os quadrúmanos e as aves domésticas e todas as plantas cultivadas são mais férteis do que as espécies correspondentes num estado selvagem. Também não serve de válida objeção a esta hipótese o fato de que os animais nutridos imprevistamente com demasiado alimento ou gorduras em demasia bem como muitíssimas plantas de uma hora para outra transplantadas de um solo muito pobre para um outro muito rico se tornam mais ou menos estéreis. Por isso era de se esperar que os homens civilizados, que num certo sentido são mais "domésticos", fossem mais prolíficos do que os selvagens” (p. 59).

H.D.:
Essa vantagem fecundativa daqueles que o senhor chama de civilizados pode ser explicada com algo mais?

DARWIN:
“É também provável que a aumentada fertilidade das nações civilizadas se torne um caráter hereditário, como acontece com os animais domésticos: pelo menos se sabe que no gênero humano existe nas famílias uma tendência a gerar gêmeos” (p. 59).

H.D.:
Quais fatores limitativos o senhor pode apontar para a redução daqueles a quem o senhor denomina de “selvagens?”

DARWIN:
“A dificuldade que os selvagens têm de conseguir os meios de subsistência limita o seu número de maneira mais direta do que entre os civilizados, visto que todas as tribos sofrem periodicamente de duras carestias. Nestes períodos os selvagens são obrigados a alimentar-se muito mal, do que se ressente a sua saúde; muitas notícias têm sido veiculadas sobre a saliência do estômago e dos membros emagrecidos depois e durante tais carestias. Nesses períodos são também forçados a andar errantes por muito tempo e, conforme me tem sido asseverado na Austrália, grande número dos seus filhos perece. De vez que as carestias são periódicas, dependendo principalmente das estações mais duras, todas as tribos variam de número. Elas não podem aumentar duradoura e continuamente, enquanto não houver aumento artificial nas provisões de alimento. Quando atingidos duramente, os selvagens invadem uns os territórios dos outros, provocando a guerra; mas na realidade quase sempre estão em guerra com os vizinhos. Ficam expos tos a muitos riscos por mar e por terra, em sua procura de alimento e em muitas regiões sofrem muito em virtude do grande número de animais ferozes. Na índia distritos inteiros foram despovoados pelas incursões dos tigres” (p. 60).

H.D.:
Além desses fatores, os quais foram tratado por Thomas Malthus em seu famoso "Tratado sobre os princípios da população", há outros que o senhor pode indicar como relevantes nesse processo?

DARWIN:
“Malthus debateu estes numerosos obstáculos, mas não enfatizou aquele que provavelmente é o mais importante de todos, ou seja o infanticídio, especialmente perpetrado contra os bebês meninas, e o costume de provocar o aborto. Atualmente estas práticas prevalecem em muitas partes do mundo e o infanticídio parece que prevaleceu uma vez em escala ainda mais ampla, conforme demonstrou M'Lennan" (p. 60).

H.D.:
E qual teria sido a origem dessa prática, segundo o senhor?

DARWIN:
“Parece que esta prática se originou dos selvagens que se viam a braços com a dificuldade, ou antes a impossibilidade, de manter todos os filhos nascidos. Aos obstáculos supracitados se pode acrescentar a depravação, mas esta deriva da falta de meios de subsistência, embora haja motivo para se crer que em alguns casos (como no Japão) tenha sido encorajada propositalmente como meio para conter a população” (p. 60).

H.D.:
Algo mais, para finalizar?

DARWIN:
“Em alguns casos, a diminuição da fertilidade poderá ser explicada com a corrupção das mulheres (conforme ultimamente entre os taitianos), mas Fenton demonstrou que esta explicação não é suficiente em nenhum modo para os neozelandeses e os tasmanianos” (p. 224).

É isso!

O darwinismo também explica os políticos

Há alguns anos, numa entrevista concedida ao jornal espanhol “El Mundo”, um dos defensores da psicologia evolucionista, David Livingstone Smith, autor de “Por que mentimos?”, ao ser perguntado se do ponto de vista evolutivo os mentirosos são melhores do que os honestos, respondeu:

Qualquer pessoa que não seja capaz de mentir está em evidente desvantagem. Tal pessoa tem todas as credenciais para se transformar num marginalizado socialmente, já que a vida social humana gira em torno da mentira.
Imagine o quão insuportável seria se todos fôssémos honestos uns para com outros: a vida social da forma como a conhecemos, sofreria um colapso. Aqui reside um interessante paradoxo: todos queremos ser livres para mentir, entretanto, ninguém deseja tornar-se vítima das mentiras. Dizemos aos outros que devem ser honestos, porém cada um de nós se acha no direito de mentir para os outros! Como consequencia, teremos uma atitude claramente hipócrita para com a honestidade.

Há uma teoria mais perfeita do que esta para explicar o comportamento dos nossos políticos? Quanto mais mentirosos, mais votados e, consequentemente, mais aclamados pela massa popular. Basta o bom exemplo do Maquiavel de Garanhuns, como diria
Arnaldo Jabor.

Do jeito como a política funciona aqui no Brasil, se aparecer algum canditado dizendo que acabará com a Lei da Gravidade, não duvido nem um pouco que haverá alguém que botará sua fé nisso! Mas, é como se diz po aí: “o povo tem os políticos que merecem”.

É isso!