Eu li isso na Internet...

“Vamos combinar que 99,9% dos políticos do planeta gostariam de ter 0,1% da ressonância que Stephen Hawking esbanja com o público. Perdoem o meu francês, mas basta o físico mais famoso do mundo soltar um pum pra gerar um espetáculo midiático de proporções bíblicas -- ou cósmicas, como ele certamente preferiria colocar a coisa. Nesta semana, com a publicação dos trechos antiDeus de seu mais novo livro, a coisa não foi diferente.

Por: Reinaldo José Lopes
(Blog de Ciência da Folha de São Paulo)

É isso!


Eu li isso...

"Lewontin afirma que não se pode fazer ciência sem usar uma linguagem cheia de metáforas. Praticamente todo o corpo da ciência moderna é uma tentativa de explicar fenômenos que não podem ser experimentados diretamente pelos seres humanos porque se referem a forças e processos que não podemos perceber diretamente, ou por serem demasiado pequenos, como as moléculas, ou por serem demasiado vastos, como todo o universo conhecido, ou ainda por resultarem de forças que os nossos sentidos não podem detectar, como o eletromagnetismo, ou de interações extremamente complexas, como a formação de um organis mo individual a partir da sua concepção como ovo fertiliza do. "Se pretendemos que as nossas explicações não sejam apenas proposições meramente formais, expressas em algu ma linguagem técnica inventada, mas que apelem para a compreensão do mundo desenvolvida por meio da nossa própria experiência comum, elas terão, necessariamente, de envolver o emprego da linguagem metafórica. Os físicos falam de "ondas" e "partículas", ainda que não exista um meio no qual essas "ondas" se movam nem haja solidez nessas "partículas". Os biólogos falam de genes como "projetos" e do DNA como "informação". Na verdade, toda a ciência moderna se baseia na metáfora de Descartes do mundo como uma máquina, que ele expôs na quinta parte do Discurso sobre o método a fim de compreender os organismos, metá fora depois generalizada como uma maneira de entender o universo como um todo. "Até aqui descrevi a Terra e todo o mundo visível em geral como se fosse uma simples máquina na qual nada houvesse a considerar além das formas e dos movimentos das suas partes" (Princípios de filosofia, IV).

Para ele, embora não possamos dispensar metáforas para tentar compreender a natureza, existe um grande risco de que venhamos a confundir a metáfora com aquilo que realmente interessa. De que deixemos de ver o mundo como se ele fosse comparável a uma máquina e tomemos como sendo uma máquina. "O resultado é que as proprie dades que atribuímos ao objeto do nosso interesse e as per guntas que fazemos a seu respeito reforçam a imagem meta fórica original e acabamos perdendo de vista os aspectos do sistema que não se conciliam com a aproximação metafóri ca. Como disseram Alexander Rosenblueth e Norbert Wie ner, "o preço da metáfora é a eterna vigilância."

É isso!

Fonte:
"A Falácia Genética: A ideologia do DNA na imprensa". Claudio Tognolli. Editora Escrituras. São Paulo, 2003, p. 192-193.

Fundamentalismo ambientalista

Recentemente noticiou-se o caso de um homem de 43 anos que invadiu o edifício do Discovery Channel, em Silver Spring, Maryland (EUA). Armado de explosivos, James Lee exigia que a rede de televisão americana parasse de “incentivar o nascimento de bebês e qualquer outro tipo de parasita humano". A justificativa do ecoterrorista tinha como pano de fundo o problema da superpopulação abordado por Thomas Malthus e Charles Darwin, conforme manifesto divulgado na Internet:
1. The Discovery Channel and it's affiliate channels MUST have daily television programs at prime time slots based on Daniel Quinn's "My Ishmael" pages 207-212 where solutions to save the planet would be done in the same way as the Industrial Revolution was done, by people building on each other's inventive ideas. Focus must be given on how people can live WITHOUT giving birth to more filthy human children since those new additions continue pollution and are pollution. A game show format contest would be in order. Perhaps also forums of leading scientists who understand and agree with the Malthus-Darwin science and the problem of human overpopulation. Do both. Do all until something WORKS and the natural world starts improving and human civilization building STOPS and is reversed! MAKE IT INTERESTING SO PEOPLE WATCH AND APPLY SOLUTIONS!!!!

7. Develop shows that mention the Malthusian sciences about how food production leads to the overpopulation of the Human race. Talk about Evolution. Talk about Malthus and Darwin until it sinks into the stupid people's brains until they get it!!

Para Lee, a população é uma forma de poluição, e apenas restringindo o nascimento de crianças é que se consegue transformar o mundo para melhor.
Uma de suas fontes de inspiração refere-se ao livro “Meu Ismael”, de Daniel Quinn, que tem como proposta apresentar soluções positivas e criativas para os grandes dilemas que afetam o planeta, e como narrativa: “A história de como o mundo veio a ser o que é, contada por um gorila”.

Lamentavelmente James Lee foi alvejado por policiais, vindo em seguida a falecer.

Este triste episódio nos leva a concluir, entre outras cousas, que o extremismo não é um fenômeno restrito apenas à religião, mas algo que abrange adeptos da mais variada estirpe de radicalismo ideológico, incluindo aí certa vertente fundamentalista do darwinismo.

É isso!

Darwin: de bem com os católicos?

Em 1996, o Papa João Paulo II afirmou diante da Academia Pontifícia das Ciências, que "a teoria da evolução é mais do que uma hipótese". E, no ano em que se comemorou os 150 anos do “A Origem das Espécies” foi realizado na Universidade Gregoriana de Roma um Congresso em que se discutiu o tema "Evolução biológica, fatos e teorias", que teve o patrocínio do Conselho Pontifício para a Cultura. Os criacionistas e os tedeístas ficaram a ver navio.

Embora a Teoria da Evolução seja considerada uma heresia para muitos católicos, o fato é que:

1. O livro “A Origem das Espécies” nunca figurou no Índex (realção dos livros proibidos aos católicos).
2. Darwin foi sepultado com honra na Abadia de Westminster.
3. Os católicos estão mais abertos a não encarar os relatos bíblicos como literais.
4. A Teoria da Evolução foi aprovada como ciência pelo Papa João Paulo II.
5. Em seu livro “"Schoepfung und Evolution" o Papa Bento XVI parece defender o que ficou conhecido como "evolução teísta", uma maneira que os religiosos encontraram para aclopar uma divindade no universo darwinista.

É isso!

Darwin e os mineiros chilenos

Se não fora Darwin, ora vejam só, os pobres mineiros presos numa jazida ao norte do Chile há muito poderiam estar soterrados sob os escombros!

Segundo Michel Siffre, espeleologista e cientista, que realizou inúmeras experiências de confinamento em condições extremas: "Em situações entre a vida e morte, Darwin explica, o mais forte sobrevive. E a atitude mental é primordial. É preciso ter fé. Aqueles que acreditam em sua sobrevivência têm mais chances de sair com vida do que aqueles que se lançam à sorte".

O fato de ser mais fácil sobreviver em grupo é o óbvio multiplicado ao infinito. Mas o darwinismo é assim mesmo, quando consegue explicar alguma cousa, explica o óbvio. Imaginem um barco com cinco pessoas a bordo. De repente ele começa a afundar. Das cinco pessoas que viajam na embarcação, quatro sabem nadar, enquanto uma só conhece o “nado de pedra”. É evidente que a possibilidade dessa pessoa que não sabe nadar ser salva pelo grupo é infinitamente maior do que ela mesma tentar sozinha alcançar o horizonte. Nada tão axiomático!

Pela lógica darwinista, resta apenas aos mineiros disputarem no "braço de ferro" para ver qual deles é o "mais forte" do grupo.

Haja!

É isso!

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A MORTE SOB SUPERVISÃO MÉDICA

“Vários estudos foram realizados, baseados em entrevistas e documentação histórica, com o objetivo de explicar a relação entre ciência e nacional-socialismo, ou seja, qual o papel desempenhado por médicos, antropólogos e psiquiatras que, ao invés de curar, aluavam com o objetivo de matar. Robert Jay Lifton, um desses estudiosos, chegou à conclusão de que havia uma estreita interação entre a ideologia biomédica, a ideologia nazista e a conduta pessoal daqueles profissionais. Segundo ele, os médicos nazistas atuavam em diferentes frentes, às vezes acumulando funções: nos campos de concentração, no programa de eutanásia, como teóricos da ideologia racial e como administradores e gerenciadores de projetos desenvolvidos pela alta hierarquia médica nazista.

Esses profissionais eram motivados pela ideologia nazista e por interesses pessoais, acreditando que o assassinato em massa dos judeus tinha uma função terapêutica: a de curar a Alemanha de um grande mal (os judeus), de forma a garantir a revitalização da raça ariana e da cultura alemã. Por meio dessa visão de mundo a Alemanha deveria ser tratada como um corpo doente, cuja cura implicava no extermínio das bactérias que estavam infectando seu organismo como um todo. Em 1935 um boletim médico, amplamente divulgado pela imprensa nazista, comparava os judeus ao bacilo de Koch. Eles também eram apresentados como se fossem uma gangrena que, enraizada no corpo da nação, deveria ser extirpada.

De acordo com estes princípios, os nazistas assumiram o direito de poder controlar o processo de evolução, reinterpretando a teoria desenvolvida por Darwin segundo os interesses do Reich. Fazendo suas próprias seleções, os nazistas construíram sua versão sobre a evolução humana. Acima da natureza (seleção natural) e de Deus (poder espiritual), um grupo de médicos, geneticistas, antropólogos, psiquiatras e teóricos decidia os limites entre a vida e a morte. Nesse contexto, o Instituto Imperador Guilherme, que representava o máximo do conhe cimento científico no campo da antropologia e psiquiatria, desempe nhou um importante papel.

Em 14 de julho de 1933 foi decretada a Lei para a Profilaxia da Progénie com Doença Genética, contestada por alguns psiquiatras e elementos da Igreja Católica. Determinava a esterilização forçada nos casos de imbecilidade congénita, esquizofrenia, loucura circular (psi­cose maníaco-depressiva), epilepsia hereditária, coreia hereditária, cegueira hereditária, surdez hereditária, deformações físicas graves e alcoolismo agudo. Não chegou a ser regulamentada, mas fez milhares de vítimas: em Hamburgo foram esterilizadas 62 463 pessoas em 1934 e 64 646 em 1936. Em 1935, o Centro de Estudos II da Junta Consultiva de Especialistas em Política Educacional e Racial deliberou sobre a esterilização de 380 crianças negras entregues pela Gestapo para as clínicas universitárias."

É isso!

Fonte:
"Holocausto: Crime contra a humanidade". Maria Luiza Lucci Carneiro. Editora Ática. São Paulo, 2000, p. 51, 51.

Ciência: uma atividade humana, portanto...

Uma atividade totalmente sujeita a erros, a falhas propositais e a todo tipo de influência, inclusive as mais maléficas contra a dignidade humana. Em outras palavras: trata-se de uma instituição social como qualquer outra, tais como a política, a igreja, Estado, a família, o esporte etc., estando assim completamente integrada e influenciada pela estrutura de todas as demais instituições sociais.

Tanto Hitler quanto Stalin, por exemplo, usaram e abusaram da ciência segundo os objetivos que propuseram em suas ideologias. No que concerne ao ditador alemão em especial, em seu livro “Holocausto: crime contra a humanidade”, Maria Luiz Lucci Carneiro cita uma série de cientistas e suas atividades em prol do regime nazista, provando que a ciência nunca está imune às loucuras dos homens. Por exemplo:

Prof. Fischer: Diretor do Instituto Imperador Guilherme de Antropologia, Teoria Hereditária Humana e Eugenia. Responsável pelas aulas científicas e de doutrinação ideológica da RSHA, uma agência da SS. Declarou, em 1938: "se um povo quiser preservar sua espécie, deve rejeitar uma mistura racial estranha, e caso ela se tenha infiltrado, deve desalojá-la e exterminá-la. O judeu é estranho e, por esse motivo, se ele quiser infiltrar-se, deve ser repelido. Trata-se de autodefesa. Com isso não estou qualificando o judaísmo como inferior, como é o caso dos negros, e não subestimo o maior dos inimigos que deve ser combatido, mas eu o rechaço por todos os meios e sem reservas, para pro teger a herança genética do meu povo".

Carl Clauber:
Aplicava injeções de substâncias cáusticas no útero das mulheres.

Gustav Wagner: Dirigente-médico do Reich. Fazia experiências com gêmeos, auxiliado pelo Dr. Ritter. Em 1943 doutorou-se com a tese "Observações Biorraciais em Ciganos e Ciganos Gêmeos". Elaborou uma série de pesquisas sobre famílias com anomalias genéticas nos olhos.

Von Verschuer:
Como diretor do Instituto Imperador Guilherme, diretor do Instituto de Biogenética e Higiene Racial da Universidade de Frankfurt e reitor dessa universidade em 1937, coordenou várias experiências científicas em Auschwitz. Estudava gêmeos portadores de doenças genéticas raras antes de sua eutanásia; era assistido por Menguele. Mantinha laboratórios em Auschwitz financiados pela Sociedade Alemã de Pesquisa e pelo Conselho de Pesquisa do Reich.

Horst Schumann: Desenvolveu experiências empregando raios-X sobre os órgãos genitais de homens e mulheres. Dirigiu o programa de esterilização em Auschwitz.

6.
Imfried Eberb: Diretor do Centro Letal de Bernberg, onde foram realizados os primeiros experimentos com câmaras de gás.

Josef Menguele: Desenvolveu experiências com gêmeos idênticos de forma a induzir nascimentos múltiplos da raça pura. Realizou estudos sobre os mestiços com a finalidade de confirmar as consequências negativas da mistura das raças. Infectava univitelinos e bivitelinos ciganos e judeus com a mesma quantidade de bactérias de tifo e, por meio da retirada de amostras de sangue, acompanhava a evolução da doença. Fez experiências com famílias de anões e portadores de deficiências físicas cujos órgãos, após sua morte, eram dissecados pelo Dr. Nyiszli.

Prof. Glauberg: Diretor do Hospital de mulheres em Koeniggshütte (Alta Silésia), fez experiências de esterilização. Sob os raíos-X, aplicava em mulheres uma injeção de um líquido especial, que atravessava o útero até os ovários, provocando uma inflamação. Semanas mais tarde, aplicava outra dose, que confirmava se os ovários estavam definitivamente bloqueados. Atendia às ordens do Reichsführer SS.

Dr. Eduard: Médico do campo de Auschwitz, fez experiências com Wirths mulheres portadoras de câncer em primeira fase e as operava em um hospital de Hamburgo. Também executava as pessoas por meio de injeções de ácido prússico.

Dr. Schilling: O primeiro era de Munique e o segundo, médico do e Dr. Rascher Estado-Maior de Luftwalle. Submetiam os prisioneiros condenados à morte a pressão atmosférica para verificar como os órgãos reagiam. Imergiam as pessoas em água fria para averiguar sua reação.

Dr. Hooven e Dr. Schiedieusky: Médicos do campo de Buchenwald, injetavam bacilos Dr. Schiedieusky de tifo e de tifo exantemático nos prisioneiros.

Prof. Geshard: Atuou em Rabensbrück, campo de mulheres. Auxilia do pelo SS Hohenlychen, fazia experiências de enxerto de pele nos prisioneiros. Envenenava mulheres por meio de diferentes produtos. O Dr. Lolling era encar­regado de anotar os resultados.

Dr. Ritter: Psicólogo e psiquiatra, iniciou, em novembro de 1936, com auxílio da Sociedade Alemã de Pesquisa, o estudo sobre os ciganos no Departamento de Pesquisa sobre Higiene Racial e Política Populacional na Comissão de Saúde do Reino, em Berlim.

É isso!


Fontes:
LIFTON, Robert Jay. "La matanza bajo supervisión médica". In: BANKIER, David (org.). El Holocausto, p. 55-67; MÜLLER-HILL, Benno,Ciência Assassina, p. 45-46, 76-79; "Declaração de Rudolf Hess no Julgamento de Nuremberg". In: Holocausto: um tema em debate. Análise Shalom n. 3, 1979. p. 63. (Citados em “Holocausto: crime contra a humanidade”. Maria Luiza Lucci Carneiro. Editora Ática. São Paulo, 2000, p. 53, 54).

Darwin, Freud e Marx: um ponto convergente

É inegável e patente a influência ideológica desses três grandes vultos históricos nas diversas sociedades ao redor do mundo: Charles Darwin, Sigmund Freud e Karl Marx.

Embora cada um tenha atuado ideologicamente em âmbitos distintos (ciências naturais, psicologia e sociologia), alguns pontos convergentes, entretanto, podem ser destacados entre eles.

Além do materialismo filosófico, que serviu como ponto de partida na construção de suas respectivas teorias, outro aspecto curioso recai sobre suas obras. Darwin, Freud e Marx são alguns que, pela força ideológica que suas idéias exerceram na sociedade, tornaram-se mais conhecidos do que lidos.

Assim, do mesmo modo que são poucos os darwinistas que já leram "A Origem das Espécies", fato idêntico se dá com uma grande parcela dos marxistas, que jamais passaram os olhos no "O Capital"; e com um elevado número de freudistas, que nunca folhearam "A Interpretação dos Sonhos".

Eu amo e pronto!

É isso!

Influência do darwinismo na América Latina

O impacto causado pelo surgimento do darwinismo na América Latina, especialmente na América do Sul, foi profundo e imediato. Por exemplo:

NA
ARGENTINA
A primeira cópia do “A Origem das Espécies” chegou na Argentina um mês após sua publicação na Inglaterra, em 1859. A teoria do paleontólogo Florentino Ameghino de que o Homo sapiens teve sua origem nesta região do globo converteu-se num poderoso instrumento de política nacional, tornando o debate evolucionista em assunto do dia. O darwinismo social na Argentina, por sua vez, foi muito bem representado por José Ingenieros, o expoente máximo das teorias de Darwin aplicadas à sociedade. Segundo Ingenieros, as sociedades humanas evoluíram conforme as leis biológicas, estando condicionadas ao meio em que estavam inseridas, de onde extraíam sua subsistência. A luta pela vida era, via de regra, a norma pela qual norteavam os problemas sociológicos, em que os “mais aptos”, ou seja, a “raça superior” tenderia a prevalecer sobre as “raças degradadas”.

NO
PERU
As teses darwinistas aplicadas à sociedade tiveram também forte impacto entre intelectuais e políticos peruanos, corroborando para justificar, por exemplo, a opressão que brancos e mestiços exerceram sobre os grupos indígenas, negros e chineses. Estas mesmas idéias fizeram parte de um planejamento para a eliminação progressiva das raças consideradas inferiores, mediante a introdução de imigrantes anglosaxões, tidos como os mais evoluídos de todo o planeta. Por trás de tudo isso residia o conceito de “seleção natural”, que proclamava o triunfo dos mais fortes. Em 1891, durante um congresso em que se discutia questões referentes à imigração, foi posto o seguinte juízo sobre os chineses: “fraco pela ignorância, pusilânime pelo tradicionalismo incásico e sem forças nem ânimo para recorrer com firmeza ao contínuo caminho do progresso”. E, sobre os hindus disse Clemente Palma em suas tese sobre “O futuro das raças no Peru”: “raça índia é uma ramificação degenerada e antiga do tronco étinco da qual surgiram todas as raças inferiores; tem todas as características de decadência e inércia para a vida civilizada. Sem caráter, dotada de uma vida mental quase nula, apática, sem aspirações, é inadaptável à educação...” (Palma: 1899, p. 15, in: “Reflexiones sobre el darwinismo social. Inmigración e colonización, mitos de los grupos modernizadores peruanos”, de Pilar García Jordán, Universidade de Barcelona.

NO
PARAGUAI
A polêmica envolvendo as idéias de Charles Darwin no Paraguai foram bem semelhantes àquelas vivenciadas na Inglaterra por ocasião da publicação do livro “A Origem das Espécies”. Os conservadores católicos mantiveram acirrados debates com anticlericais, porém, com caractérísticas próprias da região.

NO
BRASIL
Por se tratar de um país com uma população heterogênea, composta por negros, mestiços, indígenas e brancos, o debate em torno dos ideais darwinistas foram também acalorados na terra Tupiniquim. Nomes como Tobias Barreto, Sylvio Romero, Euclides da Cunha, Monteiro Lobato, Raimundo Nina Rodrigues, entre muitos outros, tentaram implementar leis de higiene social a fim de evitar a proliferação das chamads “raças degradadas”. Em “Os Sertões”, por exemplo, Euclides da Cunha tentar justificar o comportamento rebelde dos habitantes de Canudos pela sua inferioridade evolutiva. Monteiro Lobato, um escritor muito popular, em seu livro “O Presidente Negro” fez verdadeira apologia à eugenia, realçando a necessidade de um “paerfeiçoamento” da população brasileira.

NO
URUGUAI
Eduardo Acevedo e Martín C. Martínez, ambos adeptos das teses de Herbert Spencer, buscaram aplicar na sociedade uruguaiana, e da forma mais literal possível, o conceito darwinista de “sobrevivência do mais forte”. A influência desses intelectuais foram de tal monta que contribuíram na formação da ideologia emergente do Partido Nacionalista, também chamado de o “Partido dos Brancos”.

É isso!

Dos devaneios de Hawking

1. SOBRE A INVASÃO ALIENÍGENA
Em uma série de documentários exibida no início deste ano no Discovery Channel, o físico Stephen Hawking afirmou que é "perfeitamente racional acreditar que pode existir vida fora da Terra”. Porém, acrescentou que: "Se os alienígenas nos visitassem, as consequências seriam semelhantes às (que aconteceram) quando (Cristóvão) Colombo desembarcou na América, algo que não acabou bem para os nativos" (BBC). Ainda estou para descobrir a diferença entre um ufólogo e um astrólogo. ((rs))

2. SOBRE A FUGA DO PLANETA TERRA
Já no início do mês passado, Hawking afirmou que o destino dos seres humanos é abandonar a Terra nos próximos 100 anos ou se tornar uma espécie extinta. "Eu vejo grandes perigos para a raça humana". Um desses risco, segundo o físico inglês, refere-se às guerras, a exploração excessiva dos recursos naturais e a quantidade exagerada de gente vivendo no planeta; o outro, e esse já se tornou uma obsessão do cientista, diz respeito a supostas inavsões alienígenas à terra: "Se alienígenas nos visitassem agora, o resultado seria muito parecido com o que aconteceu quando Colombo chegou à América: não foi nada bom para os povos nativos” (FOLHA).

3. SOBRE A “GRAVIDADE ESPONTÂNEA”
Como parte de uma estratégia na divulgação de seu novo livro “The Grand Design”, dias atrás este mesmo físico alardeou que “os avanços na Física moderna excluem Deus das teorias sobre a origem do Universo”. Por sua lógica: "Dado que existe uma lei como a da gravidade, o Universo pôde criar-se e se cria a partir do nada". E mais: "A criação espontânea é a razão por que há algo em lugar do nada, de por que existe o Universo e por que existimos." O problema com a “gravidade” neste raciocínio de Hawkins é tão absurdo que supera a gravidade do bom senso, afinal, como explicar a existência da gravidade quando não há existência do nada? ((rs)) (FOLHA).

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"Creation": o marketing criativo de Darwin

A Origem das Espécies de Darwin, publicado pela primeira vez em 1859 foi considerado a maior idéia individual da história do pensamento”.

Com esta introdução, de cara já se nota o tom elevadamente encomiástico do filme . Considerar o conceito de Seleção Natural como a maior idéia individual da história do pensamento, é um absurdo socrático, para não dizer também platônico e aristotélico. Ademais, não se trata propriamente de uma “idéia individual”. Muito antes de Darwin já se falava e se escrevia sobre seleção natural. E, mesmo que se diga que Darwin o sofisticou e o aprimorou, ainda assim não é possível atribuir esta primazia ao naturalista, pois é mais que notório que Alfred Wallace, se não o antecipou, ao menos menteve-se aparelhado com ele neste objetivo.

No que concerne à proposta do filme, ao contrário do que se faz transparecer, a idéia do filme não é exatamente a de abordar o drama vivenciado por Charles Darwin, quanto ao choque de suas novas idéias com a visão religiosa predominante naquele momento. Muito mais que isso, Jon Amiel deixa patente o seu desejo em aumentar a aceitação e fortalecer a imagem da pessoa do naturalista e, consequentemente, tornar mais conhecida a ideologia que se mantém fortalecida em torno dele, ou seja, o darwinismo.
- O senhor matou Deus, diz a personagem que interpreta Thomas Huxley. Em todo o filme o confronto entre fé (fixismo) e "ciência" (transformismo) se faz presente como uma maneira de enfatizar o grande desafio de Darwin em destronar o homem de seu pedestal divino. Um bom exemplo refere-se à introdução no enredo de um chimpanzé adestrado, que metaforicamente parece representar o bíblico Adão, enquanto Darwin (Paul Bettany) faz o seu papel de criador.

Parece consensual o fato de que a esposa de Darwin, Emma,
(Jennifer Connely), morreu convicta em sua fé na crença bíblica da criação sobrenatural. Ao término do filme, porém, ela, que até então se mostrara relutante em aceitar as novas idéias do marido, declara heroicamente: - Voce finalmente me tornou sua cúmplice. Que Deus nos perdoe!

Outro desacerto no filme recai no fato de se querer atribuir ao
conflito religioso entre o naturalista e sua esposa Emma à demora dele em publicar o seu livro "A Origem das Espécies". Embora esta tese possa ser levada em consideração, o que realmente parece ter sido preponderante na tardança de Darwin diz respeito à inconsistência empírica de suas idéias; e o que o apressou foi o receio de ser superado por Wallace.

É claro. Não se pode negar que o filme contenha cenas de beleza e poesia. Vá lá, para isso é suficiente o dramático caso da morte da filha de Darwin. Contudo, ao que tudo indica, por trás dessa ficcção prevalece o anseio de fazer dissipar a mácula do darwinismo social que ao longo da história sempre esteve associado à pessoa de Darwin, além, é claro, de uma tentativa de popularização da teoria evolutiva.

É isso!

Eu li isso...

"No aspecto mais geral, é impossível dissociar o que ocorre na escola, com a disciplina Biologia Educacional e o esforço modernizador do qual o Brasil fora tomado, e o contexto internacional, no qual a Biologia tinha papel destacado. Em 1918 fora fundada a Sociedade Eugênica de São Paulo, que tinha o Dr. Renato Kehl como presidente (eleito com o voto de Fernando de Azevedo), que depois se destacaria na proposta daquela pedagogia nova. Esta sociedade, juntamente com a Liga Pró-Saneamento do Brasil, fundada por Belisario Penna, patrocinou a edição do livro de Monteiro Lobato, denominando-o emblematicamente de Problema Vital.

A década de 1920, em época anterior aos campos de concentração nazistas,
o ideário eugênico deixou a condição de construto teórico, passando a lastrear a implementação de políticas públicas que promoveram uma ondade esterilizações em massa na maioria dos países ditos adiantados. As campanhas de esterilização se multiplicaram nos Estados Unidos e em países como Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia, Estônia e Suíça. Legislação específica foi aprovada por parlamentos democráticos disciplinando a eugenia, ou higiene racial, como foi chamada na Alemanha. De fato, a política demográfica de Hitler, logo após ascender ao poder em 1933, foi a de incentivar o número de filhos dos casais pela instituição de um imposto matrimonial anual correspondente a 26 libras esterlinas (valor nominal de 1937), do qual se abatia 25% com o nascimento de cada filho. Na mesma época, Mussolini prometia um retrato autografado no nascimento do sexto filho, promessa que causou menos entusiasmo do que a de Hitler.

Não se sabe exatamente quantas pessoas foram esterilizadas durante
esse período, mas os dados revelados em 1997 apontam para uma estimativa próxima a dezenas de milhares apenas nos países escandinavos. A Suécia teria esterilizado cerca de 62 mil pessoas, a partir da criação do Instituto de Biologia Racial, em 1921. Na Dinamarca a campanha de esterilização teve início em 1926, atingindo cerca de 11 mil indivíduos. Na Suíça, o cantão de Vaud aprovou uma lei eugênica em 1928, disciplinando a higiene racial, em vigência até 1976. Nos diferentes estados norte-americanos, o número de esterilizações compulsórias, apenas na década de 1930, chegou a 60 mil pessoas.

É compreensível, que os esforços modernizadores da intelectualidade
brasileira refletissem o contexto europeu e norte-americano da época, que não se restringia, de maneira alguma, ao ideário nazi-fascista. De fato, movimentos importantes de esquerda adotavam programas eugênicos como plataforma política. Na Inglaterra, comunistas, como J.B.S. Haldane, que traduzia Dialética da Natureza, de Engels, à época, inserindo-lhe um proêmio verdadeiramente emblemático, e mesmo socialistas, especialmente os ligados à Fabian Society, como o grande novelista irlandês George Bernard Shaw, o casal de ativistas socialistas e sindicais, e reconhecidos intelectuais, Sidney James Webb e sua esposa Beatrice Webb, o escritor Herbert George Wells, autor de Guerra dos Mundos (1898), e mesmo Julian Huxley, com sua grande obra teórica e destacada atuação política, foram defensores de programas eugênicos. Comunistas norte-americanos, como Hermann Muller, que passara bom período na União Soviética, defendiam a eugenia, inclusive na forma do conhecido Manifesto dos Geneticistas, publicado na conceituada revista científica britânica Nature, em 1939, conclamando as nações a adotarem políticas eugênicas.

Portanto, até a década de 1960 o ensino de Genética e Evolução, não foi
objeto de pressões de grupos religiosos fundamentalistas, como no caso de países como os Estados Unidos, e foi justificado no âmbito da saúde, sobretudo nos cursos de formação de professores. Nessa década, as Ciências Biológicas assumem especialização maior na universidade, substituindo os cursos de História Natural. A formação de professores passa a ser preocupação específica, inclusive dos legisladores. A formação de professores em área multidisciplinar, como é o caso das Ciências Biológicas, irá trazer dificuldades adicionais, em especial a partir da reforma universitária de 1968, com a Lei 5.692, de 1971, e a normatização que lhe seguiu, visando a formação de professores para o I e II Graus. Hoje o ensino de ciências biológicas, tanto no Ensino Fundamental como no Ensino Médio, se ressente das deficiências introduzidas pelo modelo de formação daquela época, o qual leis e normas posteriores não modificaram essencialmente."

Prof. Dr. Nélio Bizzo (Univers
idade de São Paulo): "Um Pouco de História Brasileira das Ciências Biológicas no Brasil".

É isso!

O darwinismo e seus Nostradamus

Há mais de 150 anos, desde que Darwin publicou seu livro “A Origem das Espécies”, não há nenhum órgão ou ideia, nenhum sentido ou pensamento, que não tenha sido objeto das elucubrações evolutivas dos devotos do naturalista. Um caso curioso e não tão antigo (2006) refere-se às previsões feita pelo teórico da evolução Oliver Curry, da London School of Economics. São deles as seguintes previsões:

1. Dentro de 100.000 anos a humanidade sofrerá variações genéticas que poderão dividi-la em duas subspécies.

2. Uma dessas espécies será composta de pessoas altas, sadias, atraentes, criativas e inteligentes; a outra, por sua vez, será formada por pessoas bobas, feias e parecidas com duendes.

3. Os humanos serão mais seletivos e exigentes na escolha de seus parceiros.

4. As pessoas assemelhá-se-ão aos Eloi e Morlocks na ficção criada por H. G. Wells em seu romance “A Máquina do Tempo”.

5. Daqui a 1.000 anos os humanos se transformarão em gigantes com mais de dois metros de altura, enquanto sua expectativa de vida aumentará para 120 anos.

6. Em conseqüência de seu excelente estado de saúde, as pessoas terão melhor aparência e se mostrarão mais jovens e férteis.

7. Os traços faciais nos homens serão bem distribuídos, e eles adquirirão porte atlético e mandíbulas mais quadradas, ao mesmo tempo em que seus pênis aumentarão em tamanho.

8. Já as mulheres terão uma pele mais clara, sedosa e com ausência de pêlos; terão igualmente olhos claros, cabelos brilhantes, seios mais avolumados e feições mais harmoniosas.

9. As diferenças raciais serão amenizadas pela misturas das raças, que se tornarão uniformes na tonalidade semelhante ao café.

10. Daqui a 10.000 anos os seres humanos pagarão um preço muito alto por depender da tecnologia.

11. Acostumados a artifícios que saciam suas necessidades, as pessoas ficarão parecidas a animais domésticos.

12. Os humanos se tornarão menos românticos, simpáticos e respeitosos; também terão sua capacidade de interação com os outros reduzida, e terão também menos espírito de equipe.

É pagar pra ver! ((rs))

É isso!