A causa final e a causa certa

O blog da revista VUNESP CIÊNCIA promoveu recentemente uma discussão que, além de interessante, serve como exemplo à postura ditatorial de alguns veículos de comunicação, os quais apenas tecem crítica aos que defendem o conceito de design inteligente, (desenho, planejamento), sem, no entanto, oferecer-lhes espaço para exporem publicamente o que pensam. Inicialmente publicou-se o texto "Design inteligente e a volta à causa final", com o qual Maurício Tuffani criticava os defensores do "design", mais exatamente acerca daquilo que denominou de "causa final". Em seguida, em contestação à dúbia acusação do darwinista, o cientista Marcos N. Eberlin respondeu com o seu "O Design Inteligente e a volta à causa certa", como se seguem:

Design Inteligente e a volta à causa final

Por: Maurício Tuffani

Desta vez não é acusação de nenhum darwinista, mas reconhecimento por parte de um renomado defensor do Design Inteligente (DI), que em alto e bom som disse, com todas as letras, que essa proposta teórica para a evolução da vida é uma retomada da causa final – ou seja, do modelo explicativo que foi banido da ciência a partir da revolução copernicana. Em outras palavras, isso implica admitir – mesmo sem o querer – que o fundamento do DI é metafísico, e não científico no sentido da cientificidade pós-medieval.

O reconhecimento de que o DI ressuscita a causa final foi feito por Marcos Nogueira Eberlin, professor titular do Departamento de Química Orgânica do Instituto de Química da Unicamp, membro titular da Academia Brasileira de Ciências, comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, autor de mais de 400 artigos científicos em publicações internacionais, os quais tiveram mais de 4.500 citações até 2009. O fato se deu após sua palestra “A viabilidade da evolução química ao nível molecular: as moléculas falam, e não mentem!”, proferida na noite de quinta-feira da semana passada, dia 29 de abril, no encerramento do III Seminário Internacional Darwinismo Hoje, realizado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

Convicções à parte, a palestra de Eberlin é brilhante e didática. Com base no que ele afirma serem os conhecimentos atuais da bioquímica, a apresentação defende a tese de que a probabilidade de a vida ter surgido por causas naturais seria da ordem de (1/10)195, ou seja, ela não seria alcançada nem mesmo por todos os recursos probabilísticos do universo. Em vista disso, ele infere que determinados processos evolutivos bioquímicos que levaram à formas mais primitivas e simples de vida somente poderiam ter ocorrido por meio da ação de “uma mente inteligente”.

Segundo Eberlin e outro expositor, Enézio de Almeida Filho, que proferiu a palestra “A teoria do Design Inteligente: ciência ou religião?”, estão em estado de ignorância aqueles que não admitem essa inferência da “mente inteligente”, que, segundo ambos, seria a única aceitável com base no conhecimento atual da bioquímica. Mesmo que admitamos como corretas todas as premissas de Eberlin (e há quem conteste essa linha de raciocínio, como Pete Dunkelberg e outros da iniciativa The Talk Origins Archive), o problema é que essa inferência – baseada na confusão de improbabilidade com impossibilidade – tem um outro pressuposto: o de que nunca haverá conhecimentos que modifiquem essa compreensão. Em outras palavras, apesar de os dois vibrantes expositores tacharem de ignorantes os que discordam dessa inferência, esta incorre irônica e justamente naquilo que em lógica se chama de falácia do argumento da ignorância: “não conheço uma determinada coisa, portanto ela não existe”. Nesse caso: “não conheço uma causa natural, então nego que ela exista e postulo que há uma causa sobrenatural”.

Uma das principais características da passagem do saber teológico medieval para a ciência moderna foi justamente a eliminação da causa final, aquela exterioridade que, segundo Aristóteles, guiaria a ação (causa eficiente) a imprimir uma forma (causa formal) na matéria (causa material). Pois bem: logo ao final da apresentação de Eberlin, o mediador perguntou ao palestrante: o DI traz a causa final de volta para a ciência? A resposta do pesquisador foi afirmativa. Poucas horas antes, no mesmo seminário, o mediador havia feito a mesma pergunta para mim após minha palestra “O confronto entre evolucionismo e criacionismo na esfera pública”, proferida na parte da tarde, na qual ressaltei o abandono do modelo de explicação finalista na ciência moderna.* E minha resposta também foi afirmativa.

Na verdade, Eberlin não é o primeiro expoente do DI a admitir abertamente que essa teoria retoma a causa final. Por exemplo, o matemático e teólogo norte-americano William Dembski, professor do Southwestern Baptist Theological Seminary, já o havia feito em um artigo de 1996 (“Teaching Intelligent Design as Religion or Science?”), dando a ela um rótulo especial: “causa inteligente”. Para Dembski, é preciso distinguir “causa inteligente como fé” (por exemplo, na crença cristã de que Deus criou o mundo) e “causa inteligente como inferência científica” (como explicado por Eberlin). O problema é que essa inferência supostamente científica transforma uma teoria em algo nada científico.

Não sou um defensor do critério de demarcação entre ciência e pseudociência adotado por Karl Popper (1902-1994) em sua obra A Lógica da Pesquisa Científica, de 1934. Mas não há como negar que esse critério serve perfeitamente para demarcar teorias que comportam predições das que não as comportam. Para esse filósofo, tal critério é a falseabilidade das predições que se podem deduzir logicamente dos axiomas de uma teoria. Ocorre que a noção de uma “mente inteligente” condutora da evolução da vida adotada como axioma pode fazer com que de sua teoria se possa inferir inferir tanto uma predição expressa por um enunciado A como sua negação não-A. Afinal, tudo estará subordinado à vontade dessa “mente inteligente” capaz de direcionar as mutações para qualquer direção.

Em outras palavras, a ressurreição da causa final desse modo na ciência não serve para promover o avanço do conhecimento da evolução das espécies e também não acrescenta a ela nada além de Deus como pressuposto. Enfim, parece ser um fracasso no que se refere ao ideal de fazer a ciência avançar no conhecimento. Mas talvez tenha o mérito de forçar os evolucionistas a rever seus pressupostos e serem um pouco mais autocríticos. Seja como for, para aqueles que, de um lado ou de outro, estão acostumados a se dirigir apenas às suas próprias platéias e julgam terem vencido a parada, vale a pena lembrar a máxima de Nietzsche de que o sucesso sempre foi o maior mentiroso (Além do Bem e do Mal, § 269).

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O Design Inteligente e a volta à causa certa

Por: Marcos N. Eberlin

O post “O Design Inteligente e a volta à causa final”, publicado neste blog em 7 de maio pelo jornalista Maurício Tuffani, diretor de redação da revista Unesp Ciência, é muito didático e melhor ainda, fomentador de um debate inteligente, científico, filosófico e teológico que há muito perdemos no tempo, e na teoria. Ele distinguiu o cerne da questão da relação entre a teoria do Design Inteligente (TDI) e a ciência, e nos remeteu à reflexão de aspectos fundamentais de como se dá o conhecimento científico. Todavia, em detrimento à posição cética sui generis, sua análise foi prejudicada pela influência da visão estereotipada e pré-conceituosa que o materialismo filosófico tem a respeito da TDI.

Quanto à causa final, Tuffani confunde implicações com fundamentos, e opiniões com postulados. Não é correto, sabemos, usar colocações filosóficas e teológicas sobre as implicações indiretas da TDI, feitas por qualquer de seus adeptos (que além de cientistas são também gente), sobre suas convicções pessoais a respeito da natureza da inteligência no Design e suas implicações indiretas sobre o funcionamento e alcance da ciência, tentando transformar, por força da retórica, essas avaliações legítimas, mas subjetivas, em fundamento da teoria que eles defendem. Não cola!

A TDI incita, sim, a discussão sobre as possíveis implicações filosóficas e teológicas de seu postulado, mas não se baseia em nenhuma delas. Não assume a priori qualquer causa, primeira ou final, natural ou sobrenatural. Terrestre ou extra-terrestre. Pré ou pós-Aristóteles! Que vá ou não alterar toda a ordem do Universo, até a lei da gravidade, como se inferiu.

TDI tem apenas um postulado, uma única regra de prática, sem fé: Vamos seguir os dados onde quer que nos levem! E vamos interpretá-los, livres de qualquer amarra, pré-conceito ou predefinição; por exemplo, livres daquele “pacto” pós-medieval iluminista que fizeram com o materialismo filosófico e que nos constrange quanto ao que devemos e o que não podemos concluir. Livres de qualquer demarcação chique e perfumada, que nos força a procurar explicações até mesmo onde elas simplesmente não existem.

E assim, nessa análise sem pré-conceitos ou paixões, a TDI faz também uma única conclusão, revolucionária sabemos: há sinais claros da ação de uma mente inteligente e consciente na Vida e no Universo! Só isto e nada mais! Somos livres, como cientistas e gente, para especular sobre as implicações metafísicas desta grande descoberta, a maior de todos os tempos em Ciência, mas proibidos pela regra única de prática sem fé da TDI de transformar nossas especulações filosóficas e/ou teológicas em pré-conceitos inibidores da TDI em sua busca de fazer Ciência plena e sem pré-conceitos.

A TDI resgata, sim, uma causa. Mas não a causa final efêmera pré-coperniana. Resgata uma causa legítima, conhecida e invocada amplamente pela ciência, em várias áreas não diretamente “regidas” pelo “pacto”. Uma causa suficiente e necessária, a única causa que sabemos hoje em ciencia ser capaz de gerar informação aperiódica funcional e gerenciá-la através de códigos múltiplos e interligados, códigos dentro de códigos, informação zipada, criptografada, com estrutura “topdown hard-disk like”.

Tuffani se equivoca também quando diz que, em relação a evolução química, confundi em minha palestra improbabilidade com impossibilidade. Confundi não! Assistam à minha palestra (disponível no site do III Simpósio Internacional Darwinismo Hoje, do Mackenzie) e vocês verão e ouvirão que conclui, não pela improbabilidade da evolução química, mas pela sua total impossibilidade, e por conseqüência pela morte da evolução biológica pela raiz. É porque sei que a evolução química é impossível que eu a refuto. É porque sei que as forças naturais são contra a Vida, e não a seu favor, que concluí, à luz do conhecimento, e pela força dos dados, sobre a impossibilidade absoluta de toda a cadeia da evolução.

Tuffani se engana também quando afirma que “…tachamos de ignorantes os que discordam dessa inferência.” Nunca fiz nem faria tal adjetivação, mesmo que indiretamente. Sei que os evolucionistas são pessoas inteligentes e muito bem informadas, e principalmente muito criativas. Eles não são ignorantes, não! São pré-conceituosos. Assumem que tudo é “matéria e energia” e, assim, guiados por este pré-conceito, necessariamente concluem o inevitável: a evolução ocorreu! Posso não saber como foi, mas um dia vou descobrir. Posso não ter explicação alguma agora, mas como Mauricio mesmo me sugeriu no simpósio, o máximo que farei é admitir total ignorância, jamais rever meu pré-conceito.

Mas é esse pré-conceito chique e perfumado, iluminado, pós-medieval, que está impedindo a ciência hoje de ver o óbvio. De escutar o que as moléculas da Vida falam com tanta clareza, com tanta veemência, e em voz alta! Ecos de nossa existência que soam cada vez mais forte! A teimosia fica evidente, porém, quando persistimos em procurar explicações filtradas pelo materialismo filosófico. E de classificar de obscurantista pré-medieval Aristoteliano qualquer um que ouse encontrar outra causa! Mesmo que esta causa seja uma causa cientificamente legítima, conhecida, suficiente e necessária.

Quanto ao critério de demarcação entre ciência e pseudociência de Karl Popper, não há dúvida que a TDI se enguadra nele. Palestras no III Simpósio abordaram esse aspecto. Mas a ironia maior se observaria se constatássemos que a TDI, segundo Popper, é mesmo uma pseudociência. Que deveríamos fazer, então? Às favas com Popper e sua demarcação! Pois o que queremos não é demarcar a ciência, ou obedecer a Popper ou qualquer outro “pai da ciência”! Queremos encontrar a resposta certa, não a “cientificamente aceitável”. Remova-se então a demarcação de Popper, pois ela estaria prestando um grande desserviço justamente a quem deveria servir. Estaria deixando de fora o que ela deveria estar acolhendo: a resposta certa! Aquela resposta que segue os dados e os interpreta livre de pré-conceitos que nos dizem a priori o que podemos e devemos concluir!

Tuffani se engana também quando classifica a TDI de “um fracasso científico”, no que se refere ao ideal de fazer a ciência avançar no conhecimento. Mas a TDI é mesmo um fracasso, só porque inibe as pesquisas em evolução? Em ciência, tão bom quanto descobrir uma rota certa é descobrir uma rota errada. Pois ao descobrirmos que uma rota é impossível, nunca mais a utilizaremos. Não consigo mesmo transformar ferro em ouro, alquimicamente, e ponto final! E isto vai nos poupar tempo e muito dinheiro. Vai evitar que eu repita meu erro, persista nele. Um dos grandes sucessos da TDI é exatamente esse – o de mostrar que a rota para a Vida a partir de matéria inamimada e processos naturais não guiados é inviável, impossível, probabilidade zero mesmo! É querer, pedalando, chegar à Lua. Livres da persistência nesse erro, de transformar ferro (matéria inanimada) em ouro (Vida), poderemos então nos concentrar em questões ainda mais relevantes. Podemos fazer agora as perguntas certas! Não perguntaremos mais como esse código evoluiu, pois códigos são, por princípio (e por constatação), imutáveis, mas sim: qual a lógica e a inter-relação dos diversos códigos da Vida, e onde e como estão armazenados? Podemos aprender com eles, com sua inteligência? E usar este conhecimento em benefício da Vida? Ou seja, a TDI quer soltar a perna da ciência, que jaz presa no materialismo filosófico, e permitir a ela passos livres e bem mais largos!

Tuffani acerta em cheio, porém, quando diz que o maior mérito da TDI é “…de forçar os evolucionistas a rever seus pressupostos e serem um pouco mais autocríticos”. Perfeito! Isso nós queremos, sim. Que nossos amigos evolucionistas, gente boa e bem informada, inteligentes e cultos, conhecedores de toda a complexidade irredútivel, a informação aperiódica funcional, e a antevidência genial que superlota a Vida, e a cada dia mais, não fiquem à espera de explicações materialistas que teimam em não vir. Mas que, deixando de lado o seu pré-conceito materialista filosófico, sigam os dados aonde eles nos levam! Que sejam autocríticos a ponto de perceber que sua subjetividade materialista os impede de ver o que os dados mostram hoje com tanta clareza: uma mente inteligente e consciente orquestrou a Vida e o Universo, não resta dúvida!

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Baleia e macaco: qual o mais inteligente?

Quem diria!
São os engraçados macacos que, segundo pesquisas, estão mais próximos geneticamente do homem; no entanto, um estudo recente revela que, no que concerne à inteligência, os cetáceos estão em segundo lugar atrás do Homo sapiens, pelo tamanho do seu cérebro em proporção ao peso total. Os biólogos da Universidade Dalhousie de Halifax (Canadá) disseram que as baleias, os golfinhos e os botos possuem a auto-consciência, tem percepção do sofrimento, praticam uma cultura social e são portadores de uma elevada capacidade mental (RFI).

É a natureza cada vez mais surpreendendo as convicções estabelecidas.

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A teleologia de Darwin

A palavra teleologia, para quem não sabe, vem do grego (teleos = fim, finalidade + logia = estudo, ciência) e significa “ciência das causas finais, que se baseia na ideia de finalidade, admitindo a existência de uma causa primordial preestabelecida de todos os fenômenos, e a tendência deles para um fim necessário” (Aulete).

Um dos argumentos mais comuns entre os darwinistas, é que em nenhum momento Darwin defendeu uma postura teleológica em seus livros. Todavia, não são poucas as críticas a essa fantasiosa defesa dos zeladores do naturalista inglês, como esta deste artigo intitulado "Darwin was a teleologist”, de James G. Lennox
, o qual afirma categoricamente que Darwin se guiou sim por conceitos teleológicos ao formular sua teoria de adaptação por seleção. O artigo, em língua inglesa, não está disponível gratuitamente, mas aqui vai o resumo:

It is often claimed that one of Darwin''s chief accomplishments was to provide biology with a non-teleological explanation of adaptation.
A number of Darwin''s closest associates, however, and Darwin himself, did not see it that way. In order to assess whether Darwin''s version of evolutionary theory does or does not employ teleological explanation, two of his botanical studies are examined. The result of this examination is that Darwin sees selection explanations of adaptations as teleological explanations. The confusion in the nineteenth century about Darwin''s attitude to teleology is argued to be a result of Darwin''s teleological explanations not conforming to either of the dominant philosophical justifications of teleology at that time. Darwin''s explanatory practices conform well, however, to recent defenses of the teleological character of selection explanations” (FhilPapers).

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O "neandertal" em cada um de nós

E, voltando ao nosso neandertal, como já havia discorrido anteriormente, essa tentativa de aproximá-lo do Homo sapiens, já vem se desenhando há um bom tempo. Desde que se iniciaram as pesquisas na sociedade Max Planck (Alemanha) foi se revelando periodicamente traços comuns entre ambos os grupos. Selecionei alguns, apenas para dar dimensão à questão. Vejamos:

1. ELES CAÇAVAM TÃO BEM QUANTO O HOMO SAPIENS: “O estudo de uma caverna usada por neandertais e depois por Homo sapiens na França sugere que não havia diferenças na habilidade de caça das espécies” (FOLHA).

2. ELES USARAM COLA PARA FERRAMENTAS: “Uma impressão digital grudenta encontrada em um pedaço de madeira fossilizada iniciou um debate sobre o grau de inteligência dos neandertais. A descoberta dá a entender que eles teriam usado algum tipo de cola para grudar pedras ao cabo de ferramentas de madeira (BBC).

3. ELES VIAJAVAM MUITO: “Um dente de 40 mil anos encontrado na Grécia sugere que os neandertais eram mais móveis do que se imaginava. A composição química do fóssil, estudada por cientistas da Sociedade Max Planck (Alemanha), mostra que o indivíduo passou ao menos parte da sua vida longe de onde morreu" (FOLHA).

4. ELES USAVAM PINTURA CORPORAL E BIJUTERIA: “Uma equipe de pesquisadores disse que encontrou as primeiras evidências convincentes de que o homem de Neandertal pintava o corpo e usava bijuteria há 50 mil anos” (BBC).

5. ELES TINHAM UMA VASTA CABELEIRA RUIVA COMO A JULIA ROBERTS: “A temporada de caça aos genes dos neandertais acaba de produzir um fruto, digamos, fashion: ao que tudo indica, pelo menos alguns desses hominídeos troncudos tinham em comum com Julia Roberts uma vasta cabeleira ruiva. O mais curioso é que, ao contrário do que se especulava, essa característica parece ter surgido de forma independente -- uma espécie de evolução convergente do cabelo avermelhado e da pele muito clara (O GLOBO).

6. ELES CANTAVAM "RAP" E DANÇAVAM: "Os neandertais, "parentes" próximos do homem moderno que desapareceram há cerca de 30 mil anos, tinham a sua própria música e dança, afirmam cientistas da Universidade de Reading, na Inglaterra. Steven Mithen, o autor da teoria, acredita também que os "homens das cavernas" gostariam de um tipo de música hoje parecida com o rap” (BBC).

7. ELES FAZIAM ESCULTURA: “Um objeto feito de pedra lascada que traz formas semelhantes às de um rosto humano pode ser um exemplo de arte feita pelo homem de Neandertal. "Essa descoberta deve finalmente pôr fim à idéia de que os Neandertais não tinham arte. É um objeto de grande importância", disse em entrevista à BBC o especialista em rochas Paul Bahn” (BBC).

8. ELES TINHAM O MESMO GENE DA LINGUAGEM QUE O HOMEM MODERNO: “O homem de Neandertal, antigo parente do ser humano moderno, extinto misteriosamente há pelo menos 30.000 anos, também era dotado do gene-chave necessário para desenvolver a linguagem. A informação é de um estudo europeu publicado nesta quinta-feira (18) nos Estados Unidos” (FOLHA).

9. ELES TINHAM BRAÇOS MALHADOS COMO OS DE POPEYE: “A líder da pesquisa, Maria Mednikova, afirma que os Neandertais caçavam em condições extremas, o que ajudava a fortalecer seus braços. "O método comum para matar animais era o contato direto com a vítima", diz Mednikova. Ao invés de lançar flechas a distância, eles se encontravam frente a frente com a presa (um mamute, por exemplo) e os atingiam com lanças, diretamente na carne do animal.A maior diferença, afirmam os pesquisadores, estava no braço direito, que era bem mais forte que o esquerdo, ao estilo Popeye” (TERRA).

10. E, FINALMENTE, ELES FIZERAM AMOR E TIVERAM FILHOS COM OS HUMANOS: “O professor Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, disse que "o que realmente nos surpreendeu foram as evidências de que ocorreu algum tipo de cruzamento entre neandertais e humanos modernos" (BBC).

O interesse dos darwinistas pelos fósseis dos neandertais é de tal monta que chegaram inclusive a realizar um parto virtual com tais seres: “O nascimento, claro, não foi documentado ao vivo. Ele foi simulado nos computadores da Universidade de Zurique, na Suíça, com base em reconstituições virtuais de fósseis de um recém-nascido e de uma mulher neandertais” (FOLHA).
Da mesma forma, conseguiram de maneira inédita reconstruir a voz (som) emitido por esses moradores do Vale de Neander: “Um antropólogo criou com um computador um modelo que reconstitui o aparelho vocal do Homem de Neandertal para simular sua voz. O trabalho foi divulgado nesta semana pela revista científica New Scientist” (OUÇA AQUI).
Infelizmente, como num desses crimes passionais tão comuns aqui no Brasil, segundo andaram falando as línguas midiáticas, o malandro sapiens, após aproveitar-se leviana e promiscuamente da inocente Neandertalazinha em seu leito virginal primitivo, levou à cabo o extermínio de sua espécie: “Uma pesquisa da Universidade de Duke, da cidade de Durham, no Estado americano da Carolina do Norte, indica que um homem de Neandertal pode ter sido morto por humanos modernos em um confronto ocorrido há mais de 50 mil anos” (O GLOBO).

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Neandertais, DNA e interesses

Svante Pääbo, à direita, com membros de sua equipe ao lado de um esqueleto de neandertal (foto: Jornal El País)

Segundo recente e alardeada divulgação da mídia, todos os humanos, com exceção daqueles de ancestralidade puramente africana, tem em seu DNA uma contribuição de 1% a 4% de elementos genéticos dos chamados neandertais, o que indicaria que ambos os grupos mantiveram relação sexual entre si e geraram descendentes comuns. Ao que parece, o estudo realizado pelo instituto alemão Max Planck apenas chega ao termo de algo que há um bom tempo já se havia plantado e que aos poucos fora sendo regado cuidadosamente sob inúmeros interesses. As amostras com pequenas quantidades de DNA de neandertais, misturados com DNA de bactérias e colônias de fungos que se instalaram nelas ao longo do tempo, não parece ter sido a única e exclusiva ação motivadora dos envolvidos com tais pesquisas. A conclusão que se chegou, muito além das razões biológicas, foi motivada, também, pelo incansável interesse dos darwinistas em se provar algum tipo de transição evolutiva do homem e seus antecessores. Se essa especulação genética fora realmente um fato consumado, o certo é que ainda não é possível, a partir somente desse estudo, considerá-la um evento 100% indubitável. Qualquer inferência baseada em dados assim tão confusos e complexos, no mínimo, deveria vir com o tradicional uso do verbo latim suggerere (sugerir), que é bem diferente do concludere (concluir).


Outra questão que intriga nesse estudo refere-se à estranha conclusão de que os subsaarianos (pertencente ao Sul do deserto do Saara, na África do Norte) não tiveram em seus genes traço algum de
neandertal. É claro, já tentaram contornar o problema com mais um velho axioma “adaptativo” (vide aspas), do tipo tão comum nas conclusivas certezas dos zeladores de Darwin. Como uma forma de se evitar interpretações racistas, afirmou um deles que os poucos genes neandertales não conferem diferença funcional, mas apenas fornece uma pista para o que se passou há milhares de anos.

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Darwinismo Awards - II

Não satisfeito por apenas especular no âmbito das ciências biologicas, o darwinismo passou a meter seu bedelho em tudo quanto é buraco do conhecimento humano, como a Psicologia, a Sociologia e até mesmo a Teologia. Essas quixotescas aventuras darwinianas, como já seria de se esperar, culminou em teorias excentricamente bizarras, extravagantes e escalafobéticas, como as que suguem:

1. TEORIA DO BISSEXUALISMO
Essa veio da Itália, do ex-ministro de saúde, Umberto Veronesi, o qual afirmou numa conferência em tempos passados, que a espécie humana deve caminhar para o bissexualismo “como resultado da evolução natural das espécies”: “O homem está perdendo suas características e tende a se transformar numa figura sexualmente ambígua, enquanto a mulher está se tornando mais masculina. Desta forma a sociedade evolui para um modelo único”, afirmou Veronesi, que é oncologista” (BBC).

2. TEORIA DA CERVEJA
Segundo um biólogo alemão, o homem se tornou agricultor para beber cerveja: “O homem se tornou sedentário e agricultor há cerca de 10 mil anos, iniciando a revolução neolítica, para beber cerveja e se embriagar, e não com a finalidade de melhorar ou garantir sua alimentação. A afirmação é do biólogo e historiador natural alemão Josef H. Reichholf em seu novo livro "Warum die Menschen Sesshaft Wurden" ("Por que os Homens se Tornaram Sedentários", em tradução livre).
"Essa visão habitual confunde causas e conseqüências. Para que os caçadores e agricultores abandonassem sua forma de vida e alimentação tradicional teve de acontecer alguma vantagem inicial", explica, e ressalta que no início "o cultivo de plantas não trouxe consigo nenhuma vantagem sobressalente para a sobrevivência" (FOLHA).

3. TEORIA DA TRAIÇÃO FEMININA
De acordo com Tim Spector, professor da Unidade de Pesquisa de Gêmeos do St. Thomas's Hospital, embora não exista genes da traição, ainda assim eles explicariam a freqüente “pulada de cerca” das mulheres. Em termos de evolução, diz ele: “faz sentido que o ser humano busque uma boa mistura de genes e que as mulheres procurem uma opção melhor se ela surgir” (BBC).

4. TEORIA DO ELEVADO Q.I. DOS RICOS
Essa veio da terra de Darwin. Para o acadêmico Bruce Charlton, os ricos têm QI mais alto do que os pobres. Segundo este professor de psiquiatria evolutiva na Universidade de Newcastle, na Inglaterra: “a dominação das classes altas é "natural" e uma questão de "mérito" (BBC).

5. TEORIA DA MENOPAUSA
Conforme um estudo realizado por uma universidade na Grã-Bretanha, a existência da menopausa se justifica pela necessidade de as mulheres mais velhas terem tempo disponível para cuidar dos netos: “Eles avaliam que os resultados reforçam a teoria da evolução que defende o surgimento da menopausa para que as jovens mães tenham ajuda extra na educação dos filhos” (BBC).

6. TEORIA DA FOFOCA
Segundo essa "nova" especulação darwinista, a fofoca 'boa' ajudou a criar cooperação entre humanos: “Pesquisadores alemães desenvolveram a teoria de que a fofoca "positiva" ajudou o ser humano a evoluir na direção de adquirir altos níveis de cooperação” (BBC).

7. TEORIA DA CULINÁRIA EVOLUTIVA
Para Richard Wrangham, professor de antropologia evolutiva na Universidade Harvard, a cozinha mudou a biologia da espécie humana. Afirmou ele “que a invenção da comida assada, há cerca de 2 milhões de anos, disparou a humanização dos antecessores do Homo sapiens. A inovação culinária explicaria desde a estrutura da sociedade humana, organizada em famílias nucleares (diferentemente de outros primatas), até certos traços distintivos da anatomia da espécie, como o sistema digestivo curto e a semelhança de tamanho entre homens e mulheres” (FOLHA).

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Eu li isso...

A RESPOSTA Á CRISE

"Suponhamos que as crises são uma pré-condição neces­sária para a emergência de novas teorias e perguntemos então como os cientistas respondem à sua existência. Parte da resposta, tão óbvio como importante, pode ser descoberta observando-se primeiramente o que os cientistas jamais fazem, mesmo quando se defrontam com anomalias prolonga­das e graves. Embora possam começar a perder sua fé e a considerar outras alternativas, não renunciam ao paradigma que os conduziu à crise. Por outra: não tratam as anomalias como contra-exemplos do paradigma, embora, segundo o vocabulário da filosofia da ciência, estas sejam precisamente isso. Em parte, essa nossa generalização é um fato histórico, baseada em exemplos como os mencionados anteriormente e os que indicaremos mais adiante. Isso já sugere o que o nos­so exame da rejeição de um paradigma revelará de uma ma­neira mais clara e completa: uma teoria científica, após ter atingido o status de paradigma, somente é considerada inválida quando existe uma alternativa disponível para substituí-la. Nenhum processo descoberto até agora pelo es­tudo histórico do desenvolvimento científico assemelha-se ao estereótipo metodológico da falsificação por meio da com­paração direta com a natureza. Essa observação não significa que os cientistas não rejeitem teorias científicas ou que a expe­riência e a experimentação não sejam essenciais ao processo de rejeição, mas que - e este será um ponto central - o juízo que leva os cientistas a rejeitarem uma teoria previamente aceita baseia-se sempre em algo mais do que essa comparação da teo­ria com o mundo. Decidir rejeitar um paradigma é sempre de­cidir simultaneamente aceitar outro e o juízo que conduz a essa decisão envolve a comparação de ambos os paradigmas com a natureza, bem como sua comparação mútua.
A par disso, existe uma segunda razão para duvidar de que os cientistas rejeitem paradigmas simplesmente porque se defrontam com anomalias ou contra-exemplos. Ao apre­sentar essa segunda razão, delinearei outra das principais teses deste ensaio. As razões para a dúvida esboçadas acima eram puramente fatuais; isto é, eram, elas mesmas, contra-exemplos de uma teoria epistemológica atualmente admitida. Como tal, se meu argumento é correto, tais razões podem, quando muito, ajudar a formação de uma crise ou, mais exatamente, reforçar alguma já existente. Por si mesmas não podem e não irão falsificar essa teoria filosófica, pois os de­fensores desta farão o mesmo que os cientistas fazem quando confrontados com anomalias: conceberão numerosas articu­lações e modificações ad hoc de sua teoria, a fim de elimi­nar qualquer conflito aparente. Muitas das modificações e especificações relevantes já estão presentes na literatura. Por­tanto, se esses contra-exemplos epistemológicos constituem algo mais do que uma fonte de irritação de menor importância, será porque ajudam a admitir a emergência de uma nova e diferente análise da ciência, no interior da qual já não são uma fonte de problemas. Além disso, se é possível aplicar aqui um padrão típico (que será observado mais adiante nas revoluções científicas), tais anomalias não mais parecerão ser simples fatos. Ao invés disso, no interior de uma nova teoria do conhecimento científico, poderão assemelhar-se a tautologias, enunciados de situações que de outro modo não seriam concebíveis" (p. 107, 108).

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Fonte:
"A Estrutura das Revoluções Científicas", de Thomas S. Kuhn. Editora Perspectiva. São Paulo, 2006.

"Hobbits": ser ou não ser, eis a questão!

Outubro de 2004:
Cientistas descobriram um esqueleto quase intacto de uma espécie humana totalmente nova que habitava a ilha de Flores, na Indonésia, há 18 mil anos.

Setembro de 2007:
Uma análise detalhada de ossos dos punhos de um hominídeo pré-histórico descoberto na ilha de Flores, na Indonésia, apelidado de "Hobbit", reforçou a teoria de que se trata de uma nova espécie, e não de um ancestral do homem moderno.

Março de 2008:
Pesquisadores australianos disseram que as ossadas de um hominídeo pré-histórico descobertas em 2004, na Indonésia, não se tratam de fósseis de uma nova espécie, como se chegou a acreditar, mas de homens “com severa deficiência de iodo”.

Julho de 2010:
Os "hobbits" que viveram na ilha indonésia de Flores há cerca de 18 mil anos eram uma espécie separada de hominídeos, não humanos modernos anões, afirma um novo estudo.

Nota:
Até que ponto a intensa "vontade de que as cousas sejam de um determinado modo", isto é, que se ajustem às pretensões ideológicas de um grupo específico, não influenciam diretamente nos resultados das pesquisas?

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